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LİTERATÜR TARAMASI ve HİPOTEZ GELİŞTİRİLME 1 Marka Farkındalığının Marka Sadakati Üzerindeki Etkiler

ERKEK HAZIR GİYİM SEKTÖRÜNDE TÜKETİCİ TEMELLİ MARKA DEĞERİNİN ÖLÇÜLMESİNE YÖNELİK BİR ARAŞTIRMA

3. LİTERATÜR TARAMASI ve HİPOTEZ GELİŞTİRİLME 1 Marka Farkındalığının Marka Sadakati Üzerindeki Etkiler

Após ter inventariado o material da composição retórica de Hebreus, ficamos convencidos de que o autor de Hebreus apresenta uma Eclesiologia orgânica e bem elaborada, em que o modelo Cidade-Estado foi o seu referencial, por isso propomos o nome de “Eclesiologia Política”. Deve-se enfatizar que essa temática apresentava um desafio à cidadania celestial de seus leitores a fim de viver o “hoje” sem desligar-se do que viria. Organizamos os conteúdos de uma “Eclesiologia Política” conforme os resultados colhidos em nosso estudo até aqui.

Tomamos Hb 11.8-9 como texto inicial. A figura de Abraão era modelar para os leitores, pois ele também foi peregrino, sem cidadania, habitando em tendas juntamente com seus descendentes, patriarcas do povo de Deus (11.8-9). Os termos “peregrino”, “estrangeiro”, “morando em tendas” eram altamente eloqüentes (para usar um termo retórico) e calaria profundamente no coração dos leitores, os pais (já mencionados em 1.1) foram como eles, sem cidadania, sem residência fixa. Também habitaram em moradias (em certa medida) procedimento aos casos em que o assunto admite a jactância, ou a abundância, ou a hipérbole, ou a paixão, ou um ou vários desses procedimentos; pois pendurar sinos por toda parte é coisa de sofista” (Longino, Do Sublime, 13.1,4).

151“Quando representas fatos pertencentes ao passado como atuais e presentes, teu discurso não será uma narração, mas uma ação dramática” (Longino, Do Sublime, 25).

provisórias já pelo caráter de “sem-terras” – a terra, como vimos, era o aspecto importante para os aristocratas. O pai Abraão “esperava a cidade sem fundamentos, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus” (11.8). Digna de nota e quase despercebida (a Bíblia de Jerusalém remete o leitor a Ap 21.10-20), a cidade da esperança de Abraão, da qual o autor declarou, foi fundada pelo próprio Deus. Lembremos que Cícero entendia que Rômulo, fundador de Roma, possuía algo de divino.153 O autor pretenderia sobrepujar os autores seus

contemporâneos com sua cidade ideal ao mencionar o caráter singular da mesma. Uma edificação foi de especial menção, tratava-se da “casa” arquitetada por Deus, cujo servo, mordomo fiel se destacaria, Moisés, e cuja “casa somos nós, se mantivermos a confiança” (Hb 3.6). O arquiteto dessa casa é o arquiteto do universo (3.4).

A Carta aos Hebreus tomou os lugares públicos (espaços e edificações) ora positivamente, ora negativamente. Tais espaços eram necessários para a constituição de um povoamento digno de ser chamado de cidade:

Querônea está a vinte estádios de Panopeu, cidade dos fócios, se é que é lícito atribuir o nome de cidade a quem não possui escritórios de governo, nem ginásio, nem teatro, nem agora, nem água canalizada numa fonte; eles vivem em casas despojadas, mais parecidas com os barracos plantados às margens dos pricipícios (Pausânias, Descrição da Grécia 10.4.1).

Usou de metáforas envolvendo os lugares públicos em vários momentos da carta. Em 10.32 fez alusão ao ginásio quando disse que seus leitores suportaram “um combate doloroso” (pollh,n aqlesin) e um “certame que nos é proposto” (trecwmen ton prokeimenon hmin agwna) em 12.4. Aludira também ao teatro em 11.33, quando disse que os crentes foram “apresentados como espetáculo” (qeatrizo,menoi) no tribunal em que alguns foram injuriados (oneidismoij); a praça em que suportaram as “tribulações” (qli,yeij) dos filósofos itinerantes, e prisão (toi/j de,smioij), conforme 10.33-34. Em todos esses textos, Hebreus apresentou a negatividade das experiências dos leitores transformadas positivamente.

O Pomerion era o nome do espaço em que se situava a cidade. Espaço sagrado. Por isso, os suplícios e combates aconteciam extra-muros: “Jesus, para santificar o povo por seu próprio sangue, sofreu do lado de fora da porta” (13.12). Aliás, com referência aos combates,

153 Aqui cabe uma nota de destaque quanto a Hb 11.4. Aí, Abel é mencionado e louvado por ter oferecido

sacrifício melhor que Caim. O leitor lembraria que este assassinou aquele (Gn 4.8) e posteriormente fundou uma cidade (Gn 4.17), levando a maldição consigo, que se revela na falta de lei e a crescente violência em seu descendente representativo Lamec: “Eu matei um homem por uma ferida, uma criança por uma contusão. É que Caím é vingado sete vezes, mas Lamec, setenta e sete vezes” (Gn 4.24). Uma comparação entre os dois irmãos Rômulo e Remo e o assassinato deste por aquele provavelmente não escaparia da mente do leitor.

a metáfora apareceu em 12.4: “Vós ainda não resististes até o sangue em vosso combate contra o pecado!”

À função de magistrados se aludira na forma contrária, isto é, servidores () em 1.7 quando mencionou os anjos,154 bem como os dirigentes e guias em 13.7,17. Orígenes

observaria mais tarde:

Da mesma forma, comparando o conselho da Igreja de Deus com o senado de cada cidade, verificaremos que certos membros do Conselho da Igreja, se for uma cidade de Deus no universo, merecem nele exercer o poder, ao passo que os senadores de toda parte nada apresentam em seus costumes que os torne dignos da autoridade maior pela qual eles parecem dominar os cidadãos. Da mesma forma enfim, devemos comparar o chefe da igreja de cada cidade com o governante político, para observarmos que até entre os membros do conselho e os chefes da igreja que, por sua vida indolente, são inferiores aos mais ativos, podemos discernir em geral um progresso em direção das virtudes que supera os costumes dos senadores e governantes das cidades (Orígenes, Contra Celso, 3.30).

Em Hb 12.22-24, o autor recorreu a uma série de orações coordenadas sindéticas: Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da Cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste, e de milhões de anjos reunidos em festa, e da assembléia dos primogênitos cujos nomes estão inscritos nos céus, e de Jesus, mediador de nova aliança, e do sangue da aspersão mais eloqüente que o de Abel.

Nestes três versos, o autor expusera à realidade supra-terrena da qual os leitores experimentariam desde então, a expressão verbal “aproximastes” (proselhlu,qate) que se encontra no perfeito do indicativo ativo, e como verbo principal apresenta os efeitos resultantes de sua confissão, isto é, as declarações que se seguem.

Mas, o mais importante para nós é o fato de que as declarações eram típicas das instituições cívicas da Cidade-Estado, ainda que expressas em vocabulário judaico: Cidade, anjos, assembléia, aliança, juiz, sacerdócio e sacrifício. Retoricamente o autor falou de duas dimensões (terreno-celeste), usando o vocabulário judaico (Sião, Jerusalém) numa tela greco- romana (assembléia, censo). A Jerusalém celeste é a cidade “que tem fundamentos”, à qual pertenciam os leitores da Carta aos Hebreus (Hb 11.8). Tratava-se de “uma pátria melhor” (11.16-17), um “reino inabalável” (11.28). Mas ainda por realizar-se completamente (11.39). Os leitores viviam numa cidade que não lhes dá acesso aos direitos de cidadania, ao contrário, eram “peregrinos”, “estrangeiros” (11.13), descendentes de Abraão, o arameu errante (2.16). A cidade celeste seria a grandeza que esperavam, conforme o autor, os fiéis destinatários de Hebreus.

Entretanto, os recipientes enfrentavam a coerção de seu meio-ambiente social: desistir da fé cristã (10.36). Esta coerção foi expressa em atos concretos: Os destinatários foram ridicularizados como num espetáculo teatral (10.33), no despojamento de seus bens e no encarceramento (10.33-34). Outros foram afligidos porque foram “companheiros” do Cristo humilhado (3.14; 11.26).

Embora aproximados da cidade de Deus, e conquanto sua concretização esteja no futuro, já se propôs uma Eclesiologia baseada nas associações típicas do mundo Mediterrâneo de seu tempo. A respeito de tais agremiações Adolph Harnack diz:

O sistema de associações, naturalizada entre os gregos alguns séculos antes, desenvolveu-se sob a pressão social e política do império, e foi grandemente estendida pela troca de idéias morais e religiosas. As uniões livres, que, como regra, tinham um elemento religioso e foram estabelecidas para auxílio mútuo, apoio, ou edificação, sustentavam-se em certa medida devido a fenda social prevalente por uma organização democrática livre. Elas davam a muitos indivíduos em pequeno círculo os direitos que não possuíam no mundo maior, e freqüentemente serviam para estabelecer novos cultos.155

Os cidadãos possuíam inicialmente o direito de se reunir em agremiações (collegia) de categorias tanto da mesma profissão bem como de caráter religioso, até escravos, libertos e estrangeiros participavam. Podiam constituir um patrono, um deus protetor, reunir-se freqüentemente para um banquete comum.

Em geral, eram os mais pobres que se organizavam assim, buscando um patrono que seria homenageado pela categoria para patrocinar os banquetes e outras atividades. Por sua vez, o patrono seria homenageado, saudado e suprido de votos necessários para o seu interesse. Ambos, a agremiação e o clientelismo resultante disto não teriam a aprovação de Aristóteles, que via certo perigo no ajuntamento de trabalhadores manuais (A Política, ). Com o tempo o próprio imperador passou a desconfiar de tais confrarias devido aos possíveis motivos para a formação de núcleos de poder.156 Tal fenômeno participativo se

explica devido a necessidade das pessoas sentirem calor humano, trocar idéias e sendo da mesma profissão, os assuntos por si só já eram um tema para conversar (Cícero, Dos Deveres, ). A amizade era muito considerada no mundo greco-romano e o próprio Cícero escreve a respeito do tema: “A mim parece, com efeito, que a natureza nos moldou para viver em sociedade e tais laços se estreitam na medida em que estamos mais próximos dos outros” (Da Amizade, ).

155 History of Dogma, vol. 1, p. 121.

Outrossim, as associações também podiam hospedar viajantes do mesmo ofício e até estrangeiros, caso os associados fossem de poucos recursos. As pessoas que eram boas hospedeiras são bem lembradas como diz Teofastro citado por Cícero:

Corretamente, também a hospitalidade foi elogiada por Teofrasto, pois é muito decoroso, segundo me parece, abrir as casas de homens ilustres a homens ilustres, e também um ornamento para a república que estrangeiros, graças a esse tipo de liberalidade, não passem privações entre nós. E é ainda mais útil, para aqueles que desejam honestamente obter recursos e favor, recorrer a hóspedes escolhidos entre os povos estrangeiros. Na verdade, Teofrasto escreve que Címon, em Atenas, hospedou todos os seus compatriotas da Lácia; dispôs e instruiu seus caseiros a que tudo aprestassem para qualquer deles que se dirigisse à sua casa de campo (Cícero, Dos Deveres, )

As associações tinham por referencial a “assembléia dos homens livres” (cidadãos), uma miniatura da instituição citadina em seus próprios termos capaz de fornecer um lenitivo num mundo excludente. Encontramos tal modelo perpassando toda a Carta aos Hebreus apesar do termo aparecer somente duas vezes (2.12; 12.23). Nesta “assembléia” o primogênito de Deus não se envergonha de seus membros, ao contrário, chama-lhes de “irmãos” (2.11-13). Os recipientes foram contados no rol de primogênitos inscritos nos céus (12.23). Lembremos que as listas censitárias dos primogênitos eram feitas para fins de cobrança de impostos, fins eleitoreiros, para distribuição de benefícios, para verificação do número de cidadãos e exclusão dos fraudadores. Por sua vez, os membros da assembléia dos destinatários de Hebreus foram contados pelo próprio Deus. Nela, os pequenos, os excluídos do mundo Mediterrâneo, os fiéis seguidores do Cristo humilhado se tornaram aspirantes de uma “pátria melhor” (11.16), neutralizando diante “do seu Deus” a opinião pública corrente, pois se tratava de gente da qual “o mundo não era digno” (11.38). Como outras associações, ela possuía um rito de iniciação (6.2), cujos membros receberiam a iluminação espiritual (6.4). Participavam de doutrinação educativa (5.11-6.1; 12.5). Cultuavam a Deus mediante os méritos de seu patrono, Jesus (13.15,20-21). Ofereceriam sacrifícios e fidelidade a Deus ao confessar o seu nome (13.15).

Chama atenção o fato da Carta aos Hebreus mencionar diversas vezes no texto os vocábulos “morte” (qa,natoj, ), “morrer” (avpoqnh,skw, 7.8; 9.27; 10.28; 11.4,13,21,37), “mortos” (nekro,j, 6.1,2; 9.14,17; 11.19,35; 13.20). Ora, discursos do gênero demonstrativo, os panegíricos também eram pronunciados, como foi dito, não somente em solenidades festivas, mas também por ocasião das cerimônias fúnebres. Algum membro da família ou algum amigo fazia o discurso diante da imagem do falecido a fim de

evocar os mais nobres sentimentos e exercitar a memória de outros. Vejamos alguns exemplos em Hebreus:

Vemos, todavia, Jesus que foi feito, por um pouco menor que os anjos, por causa dos sofrimentos da morte... provou a morte em favor de todos os homens. (2.9)

(...) a fim de destruir pela morte o dominador da morte... e libertar os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte. (2.14-15)

É ele que, nos dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte... (5.7)

E como é fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento... (9.27) A nota constante se encaixa muito bem no gênero retórico epidíctico. Somado a isto, e por causa disto, as associações eram também organizadas tendo em vista prover um funeral digno para seus membros. Veja-se o seguinte estatuto:

Seja esta (Deusa Diana) propícia, [dando] felicidade e saúde ao Imperador César Trajano Adriano Augusto e à toda casa imperial, a nós, aos nossos e à nossa sociedade, e que possamos ter feito os preparativos apropriados e cuidadosos para fornecer obséquios na partida da morte. Portanto, precisamos todos concordar contribuir fielmente, de modo que nossa sociedade seja apta a continuar existindo por um longo tempo. Tu, que desejas entrar para esta sociedade como um novo membro, primeiro leia o estatuto cuidadosamente antes de entrar, de modo que não aches razão para queixas mais tarde ou então legar um litígio para teu herdeiro. 157

O autor de Hebreus teve o cuidado de confortar seus leitores continuamente, o que poderia indicar um possível martírio: “Vós ainda não resististes até o sangue em vosso combate contra o pecado!” (12.4). De fato, tais palavras enquadram-se numa moldura martirológica, e se não for assim, ainda possuía força devido à natureza de tais associações.

Hebreus também pode ainda exercer a força de “estatuto” para a comunidade (2.1), fazendo-a lembrar-se de que a vitória sobre a morte mediante o “iniciador” de sua salvação (Hb 12.14) requeria fidelidade e perseverança:

De fato, é de perseverança que tendes necessidade, para cumprirdes a vontade de Deus e alcançardes o que ele prometeu. Porque ainda um pouco, muito pouco tempo, e aquele que vem, chegara e ele não tardará. O meu justo viverá pela fé, mas se esmorecer, nele não encontrarei mais nenhuma satisfação. Nós não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a conservação da nossa vida (Hb 10.36-37).

De modo que, negligenciar tão grande salvação seria incorrer na retribuição mais fatal que à da antiga aliança (2.3; 12.25). Tais pessoas ficariam sem possibilidade de uma nova conversão, de retorno ao status adquirido pela salvação (6.6).

A hora crítica pela qual passavam os leitores levou o autor a exortá-los a buscar socorro junto a Jesus (2.18). A hora crítica era semelhante a que Jesus suportou. “É ele que, nos dias de sua vida terrestre, apresentou pedidos e súplicas, com veemente clamor e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte; e foi atendido” (5.7). A permanência na fé Cristã lhes garantia a recompensa (10.35; 11.1).

Outrossim, os panegíricos eram pronunciados diante das imagens de outros heróis. Políbios escreve:

Por ocasião da morte de qualquer homem ilustre ele é levado em seu funeral com toda a pompa até o Fórum, perto dos chamados Rostros, algumas vezes bem à vista em posição vertical, e mais raramente reclinado. Ali, com todo o povo de pé em volta, um filho crescido, se ele deixou algum que esteja presente em Roma, ou se não outro parente, sobe aos Rostros e pronuncia um discurso alusivo às suas qualidades e aos seus sucessos e feitos ao longo da vida. Conseqüentemente toda a multidão, e não apenas quem teve alguma participação nesses feitos mas também quem não teve, quando os fatos são relembrados e postos diante de seus olhos comove-se e é levada a tal estado e empatia que a perda parece não se limitar somente a quem chora o morto e ser extensiva a todo o povo. Em seguida, após o enterro e a realização das cerimônias usuais, coloca-se uma imagem do defunto no lugar mais visível de sua casa, numa espécie de tabernáculo de madeira. Essa imagem consiste numa máscara reproduzindo com notável fidelidade a tez e as feições do morto. (...). Além disso, o orador incumbido de falar sobre o homem prestes a ser enterrado, após pronunciar-se a respeito do defunto evoca os sucessos e feitos dos outros... (Polibios, História, ).

Diante isto, entendemos o “encômio” de Hb 11. Elogio aos antepassados já apareceu em Eclesiástico 44-50. Não obstante, no elogio aí feito não há referências à morte. Por sua vez em Hb 11 a menção da morte é contínua:

[Abel] depois de morto, ainda fala! (v. 3) [Abraão] marcado pela morte... (v. 12)

[Abraão, Isaac e Jacó] todos estes morreram... (v. 13)

Ofereceu Isaac ... Deus é capaz de ressuscitar os mortos (v. 19) [José] deu ordens a respeito de seus restos mortais (v. 22)

Algumas mulheres reencontram seus mortos pela ressurreição (v. 35)

Outros foram torturados, recusaram o resgate para chegar a uma ressurreição melhor (v. 35) Outros (...) foram serrados e morreram assassinados com golpes de espada (v. 37)

Sofrimento, provação e morte se entrelaçavam no enfrentamento diário da gente fiel, incluindo Jesus (12.2-4). Desta gente os leitores eram co-participantes (12.1).

Na assembléia dos destinatários diferentemente da assembléia da Cidade-Estado, participavam homens, mulheres (11.35), idosos (11.11-12), muitos anti-heróis (11.36-38),

escravos (José; os descendentes de Jacó no Egito, 11.23; Jesus, o crucificado, 12.2), libertos (2.15; 11.27-29), trabalhadores manuais (o povo, força trabalhadora do Egito; Barac, que era lavrador), peregrinos e estrangeiros, ainda que todos os seus membros fossem assim considerados (11.13).

Além destes, duas figuras merecem destaque: Raab e Jefté (11.31-32). Raab era “prostituta” e Jefté, bastardo, filho de prostituta (Jz 11.1). Categorias sem qualquer honra nas cidades do mundo Mediterrâneo. As prostitutas surgiam como vítimas da miséria, o que forçou muitas mães a propor a atividade às filhas:

Crobila: Escuta-me, vou te dizer o que deves fazer e como te comportar com os homens. Pois não temos outros meios para viver, filhinha, e tu não podes saber como vivemos miseravelmente desde que teu pai – que os deuses cuidem de sua alma! – morreu há dois anos. Quando ele vivia, tínhamos tudo o que necessitávamos. Era ferreiro e muito reputado no Pireu; ainda hoje, todo mundo diz que não haverá jamais melhor ferreiro que Filinos. Depois de sua morte, comecei por vender por duas minas suas ferramentas, sua bigorna, seu martelo; e isso bastou para vivermos sete meses. Depois, evitei com dificuldade que morrêssemos de fome, tecendo e fiando. Alimentei-te, minha filha, aguardando que minha que minha esperança se realizasse... Calculei que, quando tivesses a idade que tens agora, te seria fácil me alimentar e proporcionar a ti mesma a fortuna, as vestes de púrpura e servas.

Corina: Como? O que queres dizer?

Crobila: Indo ao encontro de jovens, bebendo com eles e com eles dormindo em troca de dinheiro. Corina: Tal como Lira, a filha de Dáfnis?

Crobila: Sim.

Corina: Mas ela é uma prostituta!

Crobila: E daí? Isso não é nada terrível! Serás rica como ela e terás muitos amantes. Por que choras, Corina? Tu não vês como as prostitutas são muito procuradas, e como ganham dinheiro? Que Nêmese me proteja, vi essa filha de Dáfnis coberta de andrajos, quando era pequenina; e vê agora o ar que ela tem, com suas jóias, suas vestes de várias cores e suas quatro servas (Luciano, Diálogo das cortesãs, 6).

Este exemplo mostra a dura realidade de tais pessoas. Quanto aos bastardos, estes podiam até ser filhos de nobres com escravas, ou libertas, contudo, não eram reconhecidos como filhos por seus pais. A menção das figuras bíblicas Raab e Jefté, exibiria a continuidade histórica da grandeza acolhedora do povo de Deus.

Relacionado à morte de um patrício, como já vimos, estava a leitura do testamento. Este é outro tema desenvolvido em Hebreus. Em Hb 9.17 lemos: ”O testamento, de fato, só tinha valor no caso de morte. Nada valia enquanto o testador estiver vivo”. No mundo Mediterrâneo a herança era o marco para uma vida mais livre, sem as injunções e diretivas paternas. E no desejo de antecipar a sua aquisição, certos filhos também antecipavam a morte de seus pais.158 Como um manifesto, o testamento era a declaração dos desejos do defunto, a

oportunidade para se expressar como benfeitor da cidade, dos cidadãos, dos filhos, dos

libertos e dos escravos. Cada qual recompensado com uma fração da herança, o que fazia crescer sua estima entre os nomeados.159 O momento também era próprio para o insulto “post

mortem aqueles a quem havia detestado secretamente”.160 Oportunidade social, a leitura do

testamento era um evento grandioso, “do qual todos se orgulhavam tanto, que muitos dificilmente resistiam ao desejo de iniciar a leitura depois de beber, para agradar de antemão os legatários e se fazer estimar”.161 Hebreus descreveu a promulgação da primeira aliança

por Moisés mediante o sangue de novilhos e a segunda por Jesus, herdeiro de todas as coisas (1.2), mediante seu próprio sangue (9.18-24), legando assim a salvação aos que abraçaram a