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TÜRKİYE’DE HAYVANCILIK

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6

&

Teresa

Temos aqui mais um elemento de muita potência presente nas cooperativas, algo que é fundamental para o desenvolvimento ético, a saber: a possibilidade de diferentes pontos de vista serem entrecruzados, justificados, argumentados e discutidos. A capacidade de um grupo chegar a um entendimento, discutir aquilo que acha pertinente, trabalhar com a diversidade. É, sem dúvida, uma abertura ao “fora” de cada membro do grupo, uma oportunidade deles saírem da individualidade tão presente nos dias de hoje. Pelo fato de não haver imposição por parte de alguém, pois não há esse poder, a discussão se torna o veículo de chegada às decisões.

O que enfatizamos aqui é a potência de duração do efeito desse dispositivo (cooperativa e assembléia): ao se exercitar a discussão, a abertura ao outro, o ouvir, o argumentar, está se configurando uma subjetividade que carrega esses atributos a outras esferas da vida. Há todo um proceder que se inscreve com esse dispositivo, um agenciamento de forças que se concretizam e que têm sua duração. Neste trecho, Maria

diz

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Isso nos mostra a duração da diferença de

postura. Os resquícios da subjetividade produzida na cooperativa ainda falam, mas estão despotencializados e descrentes

(“"

.

”),

prestes a não durar

mais.

Será que podemos esperar que, em meio à discussão e ao discenso, surja uma outra possibilidade de se relacionar? Será que um grupo pode, a partir dos processos que lhes são próprios, desenvolver novas tecnologias de relação, modos de trabalho, abrir possibilidades que já se encontravam apagadas, possibilitar reaver o contato com um outro que já era tido como inimigo e, assim, ser capaz de fazer seus efeitos durarem, multiplicá-los, afetar os fragmentos do tecido social para possibilitar que uma transformação que ganha força se intensifique?

Em um trecho da entrevista, Teresa fala da relação com os cooperados

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-

& Essa

fala diz respeito aos

encontros dissidentes, às dificuldades de se trabalhar com a heterogeneidade. Isso porque o nível de comprometimento de cada um é diferente, o que gera conflitos dentro do grupo. A necessidade de se trabalhar em grupo, de articulá-lo, organizar as atividades, fazer com que as discussões ocorram, não é nada simples. Os diferentes pontos de vista, vistos da perspectiva singular de cada membro, encontram-se e desencontram-se, devolvendo ao grupo a responsabilidade de lidar com seus diversos elementos.

Trabalhar em grupo é tarefa das mais complexas. No encontro de cada dia, carregamos traços caros à nossa personalidade, modos de ser que não se desprendem de nós, que são levados ao coletivo. Neste trecho de Maria, podemos perceber o choque

entre a subjetividade envolvida nos dois modos de produção:

“#

”.

No âmbito do trabalho, podemos dizer que as produções subjetivas do capitalismo vão na direção de atuar por ordem e mando, é necessário que haja uma obrigação, alguém mandando, para que se façam as coisas. Em outras palavras, o capitalismo, em sua produção de subjetividade, favorece não só acomodações, lutas, mas sempre a favor do capital, e quando há o interesse de alguém que ordena. São características subjetivas que vão se cristalizando como uma marca, uma memória de futuro, um traço que a pessoa carrega nas suas relações. Quando diz que

”,

refere-se ao tempo que se leva para desconstruir esse modo de vida. E se isso acontece é exatamente porque na cooperativa é solicitada uma outra postura, um outro modo de vida contrário à passividade e à acomodação.

No trecho a seguir, temos um relato sobre a dinâmica do grupo de cooperados

:

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A forte ligação

existente entre os membros cria certa cultura de “dar mais uma chance”. O fato de não haver ninguém incumbido dos “recursos humanos”, de não haver uma verticalidade nas decisões e de não haver ninguém isento afetivamente, cria esse dilema frente a questões como excluir alguém do grupo. No relato, Teresa afirma que isso

e

que

”.

A ausência de rigidez na

cooperativa mostra o outro gume da faca: se, por um lado, a flexibilidade traz mais liberdade e efeitos positivos, por outro, traz complacência e falta de atitudes profissionais – como diz o dito popular: “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”.

Em outro trecho da entrevista, Maria fala de sua chegada à cooperativa:

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&

Ela refere-se à assembléia, espaço-tempo onde todos têm o direito a participar e a expressar o seu ponto de vista. É nesse contexto que o grupo realiza as suas discussões para deliberar as decisões que julgam pertinentes. Tem-se claro que não é algo “tranqüilo”, organizado e consensual: o “quebra-pau” faz parte. É nesse encontro em que as diferenças são afirmadas e incluídas, que se pode chegar a algum lugar, a algum entendimento. Isso porque o direito de falar e de ser ouvido é respeitado, todos podem se manifestar sem ser ameaçados por um superior.

Discorrendo sobre as relações entre os cooperados, Maria nos diz que sem “uma formação mínima fica complicado” trabalhar na cooperativa. No contexto em que é empregada, essa frase se dirige aos cooperados que faziam retiradas financeiras sem deixar a cooperativa com dinheiro em caixa. No entanto, o que mais chama a atenção nesse trecho é quando ela diz

: “

-

/

”, e arremata

:

“$

-

”.

Essa

última frase pode sintetizar um dos aspectos subjetivos que o modo de funcionamento da cooperativa convoca: a iniciativa. Além disso, essa frase pode revelar a dificuldade que os cooperados têm em se identificar como um agente da cooperativa, até porque a maioria está acostumada a receber ordens, o que os paralisa frente ao não-patrão, é novamente o choque entre duas produções de subjetividade.

5.8 Ética - Estética

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.

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&

Teresa

É longe das moralidades e das leis extrínsecas que podemos chegar à ética. Se essa afirmação é verdadeira, podemos identificar no capitalismo um esforço enorme para a prevalência das moralidades e das regras de conduta. Se um grupo é regido verticalmente, não há possibilidade de construção conjunta, questionamento e reflexão. Mesmo se o trabalhador percebe algo de errado na produção, a operação de calar a voz das pessoas é tão eficaz que ele não fala, como aparece no relato

: “$

8

9&)

Há uma enorme supressão das potências de se envolver,

perceber, comunicar, falar, trocar, ouvir, justificar, discutir, decidir etc. Mas toda essa opressão parece ressoar mais em termos éticos: é a dimensão da produção ética que é mais afetada. Não resta espaço para construí-la, todos os meios de reflexão foram expurgados, todas as ações foram determinadas. Se não podemos exercitar o pensamento e a reflexão livremente, se esse exercício não pode alcançar um nível prático, real e concreto, se não pode ser transformado em ações, então não é da ética que estamos falando.

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