• Sonuç bulunamadı

Türk tarihi, halk kültürü, din ve edebiyat alan›ndaki

Belgede 22 6 (sayfa 41-46)

Sempre que existe uma frase gramaticalmente isolável, pode- se reconhecer a existência de um enunciado independente; mas, em compensação, não se pode mais falar de enunciado quando, sob a própria frase, chega-se ao nível de seus constituintes. 23

Michel Foucault

A noção de enunciado, em AD, difere de outras unidades gramaticais como a frase e a proposição, haja vista a possibilidade de fugir a forma tradicional de composição da estrutura lingüística e se encontrar em um nível diferente das regras que constituem a frase, a proposição, o texto.

O enunciado não é exclusivamente material, uma vez que essa materialidade é mais de ordem institucional do que da sua localização (a prova disso é ele se encontrar na forma oral). Também não é completamente lingüístico, até porque pode fugir de regras de uso e construção lingüística (como no caso de um gráfico que retrate os danos ambientais suportados por uma árvore). Mas, a estrutura enunciativa do enunciado é sua materialidade lingüística, que lhe dá um suporte.

No dizer de Foucault (2007a, p. 97)

o enunciado não é uma unidade do mesmo gênero da frase, proposição ou ato de linguagem; não se apóia nos mesmos critérios; mas não é tampouco uma unidade como um objeto material poderia ser, tendo seus limites e sua independência. Em seu modo de ser [...] ele é indispensável para que se possa dizer se há ou não frase, proposição, ato de linguagem; e para que se possa dizer se a frase está correta [...] se a proposição é legítima e bem constituída, se o ato está de acordo com os requisitos e se foi inteiramente realizado.

Também, o enunciado não é uma unidade meramente lingüística, pois não se apóia nas mesmas regras da estrutura da língua, mas, em contrapartida, a língua é um sistema

23 Cfe. FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. 7. ed. Rio de Janeiro:

que permite a formação de enunciados. Ademais, o enunciado “é indispensável para que se possa dizer se há ou não frase, proposição, ato de linguagem”. Ele não é uma estrutura, mas sim uma função de existência através do qual se pode decidir se os signos fazem ou não sentido, “segundo que regra se sucedem ou se justapõem, de que são signos, e que espécie de ato se encontra realizado por sua formulação (oral ou escrita)” (FOUCAULT, 2007a, p. 97-98).

Dessa forma, cabe à função enunciativa determinar se uma frase, uma proposição, um ato de linguagem seja um enunciado. Entretanto, não existe apenas relação gramatical entre o enunciado e o que ele enuncia. Há também “uma relação que envolve os sujeitos, que passa pela história, que envolve a própria materialidade do enunciado”. É justamente a função enunciativa que faz com que o enunciado seja “produzido por um sujeito, em um lugar institucional, determinado por regras sócio-históricas que definem e possibilitam que ele seja enunciado” (GREGOLIN, 2004b, p. 24-27).

Para Foucault (2007a, p. 104-108), descrever um enunciado não significa analisar as relações existentes entre o autor e o que ele disse (ou quis dizer), “mas em determinar qual é a posição que pode e deve ocupar todo indivíduo para ser seu sujeito”. E o sujeito do enunciado é um lugar social, que pode ser ocupado por diferentes indivíduos - sendo variável para continuar idêntico a si mesmo e para se modificar a cada frase -, tendo uma dimensão “que caracteriza toda formulação enquanto enunciado, constituindo um dos traços que pertencem exclusivamente à função enunciativa e permitem descrevê-la”.

Na perspectiva foucaultiano “o sujeito do enunciado é uma função determinada, mas não forçosamente a mesma de um enunciado a outro”. Isso porque é uma “função vazia” que pode ser exercida por diferentes indivíduos, “quando chegam a formular o enunciado”. Um único indivíduo pode ocupar, de forma alternada, “em uma série de enunciados, diferentes posições e assumir o papel de diferentes sujeitos” (idem, p. 105).

Além de que, para esse filósofo o que torna uma frase, uma proposição, um conjunto de signos em um enunciado é “determinar qual é a posição que pode e deve ocupar todo indivíduo para ser seu sujeito” (ibid, p. 108).

Foucault (ibidem, p. 110) acrescenta que “um enunciado tem sempre margens povoadas de outros enunciados”. E essas margens se distinguem do contexto - real ou verbal - (conjunto dos elementos que motivam uma formulação e lhe determinam o sentido) na medida em que tornam o enunciado possível. Sendo que o “halo psicológico de uma formulação é comandado de longe pela disposição do campo enunciativo”.

Para Gregolin (2006, p. 26-27) existe uma relação entre o enunciado e a série de formulações com as quais ele coexiste. E isso atesta a historicidade do enunciado, haja vista ele sempre se relacionar “com um campo subjacente e com um campo associativo”. No campo associado o enunciado, também, é constituído pelo conjunto das formulações a que ele se refere (o enunciado), seja para repeti-las, modificá-las ou adaptá-las, seja para se opor ou falar de cada uma delas. Assim, “não há enunciado que, de uma forma ou de outra, não reatualize outros enunciados” (FOUCAULT, 2007a, p. 111).

E Foucault (idem, p. 121-122) arremata conceituando enunciado como:

a modalidade de existência própria desse conjunto de signos: modalidade que lhe permite ser algo diferente de uma série de traços, algo diferente de uma sucessão de marcas em uma substância, algo diferente de um objeto qualquer fabricado por um ser humano; modalidade que lhe permite estar em relação com um domínio de objetos, prescrever uma posição definida a qualquer sujeito possível, estar situado entre outras performances verbais, estar dotado, enfim, de uma materialidade repetível.

Belgede 22 6 (sayfa 41-46)

Benzer Belgeler