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O uso de proteções solares apresenta grande potencial de redução de cargas térmicas. Nas edificações analisadas, sua eficácia foi abordada através de levantamento fotográfico e eventualmente com simulação do diagrama solar com máscara de sombra.

Figura 17 – Foto de proteção solar na Reitoria.

Figura 18 – Foto de proteção solar no Bloco de Biociências.

9 O termo tentacular foi adotado para classificar as edificações cujas geometrias são caracterizadas

Observou-se que as edificações mais antigas, em comparação com as mais recentes, apresentam mais recursos de proteção solar. São exemplos disso os blocos da Reitoria e de Biociências (Figura 17 e Figura 18). Os dois blocos apresentam um anteparo de proteção solar característico dos blocos mais antigos do Campus/UFRN.

Percebe-se que os anteparos de sombreamento não apenas se tornaram elementos de destaque na composição formal dos blocos, como são soluções concebidas como partes integrantes do objeto arquitetônico. Sabe-se que as edificações das décadas de setenta e até meados da década de oitenta raramente consideravam – enquanto condicionante de projeto – a utilização de condicionamento artificial. Dessa maneira, as estratégias de sombreamento estavam diretamente associadas com o conforto do usuário. Contudo, a preocupação com a proteção das aberturas que se percebe nos blocos mais antigos não foi observada nas edificações mais recentes. Supõe-se que, com o uso do ar condicionado em praticamente todas as salas administrativas, a preocupação com o controle da radiação solar foi se tornando secundária – visto que o conforto térmico pode ser assegurado parcialmente pelo condicionamento artificial em detrimento do consumo de energia elétrica.

Algumas edificações possuem elementos que fornecem alguma proteção. Entretanto, na maioria dos casos, pode-se constatar através do diagrama solar a ineficácia das soluções.

O bloco do Departamento de Informática e Matemática Aplicada – DIMAP possui uma solução de proteção solar bastante comum às edificações mais recentes. Uma laje de suporte aos equipamentos de ar condicionado, acima da janela, se projeta fornecendo certa proteção às aberturas, como se pode ver na Figura 19. A mesma solução adotada na fachada Norte é repetida nas fachadas Leste e Oeste (Figura 21 e Figura 22), sugerindo a falta do domínio do controle solar por parte do projetista.

Figura 19 – Foto de proteção horizontal do DIMAP: Fachada Norte.

Figura 20 – Foto de proteção horizontal do DIMAP: Fachada Leste.

Figura 21 – Máscara de sombra de abertura na Fachada Norte do DIMAP.

Figura 22 – Máscara de sombra de abertura na Fachada Leste do DIMAP.

Ademais, percebe-se que o volume que sombreia parcialmente as aberturas tem a finalidade de abrigar e ocultar os equipamentos de ar condicionado. Dessa forma, pode- se supor que a solução seria motivada primeiramente por razões estéticas e de segurança e, secundariamente, para proporcionar algum sombreamento. Talvez na tentativa de compensar ineficácia do sistema de proteção, foram utilizados nos vidros filmes de cor azul – na intenção de bloquear parte da radiação solar incidente.

A mesma solução aplicada no DIMAP para ocultar os equipamentos de ar condicionado e prover algum sombreamento nas aberturas é utilizada na Superintendência de Comunicação (Figura 23) e no Laboratório de Geologia (Figura 24).

Figura 23 – Foto da Superintendência de Comunicação, Fachada Sul.

Figura 24 – Foto do Laboratório de Geologia, Fachada Sul.

Além desse tipo de proteção, outros tipos de proteção solar foram identificados no Campus/UFRN. No Laboratório de Química I, por exemplo, foi adotado um anteparo vertical de sombreamento, protegendo parcialmente uma parede de elementos vazados (Figura 25).

Figura 25 – Foto do Laboratório de Química I, Fachada Leste.

Figura 26 – Foto de elementos verticais e beiral do Dept° de Física, Fachada Leste.

Figura 27 – Máscara de sombra de abertura na Fachada Leste do Dept°de Física.

No Departamento de Física, são utilizadas na fachada Leste elementos verticais segundo a modulação estrutural, de três metros (Figura 26). Contudo, esse tipo de

proteção para a Fachada Leste protege da insolação a partir das nove horas da manhã – e isso devido ao beiral, e não às proteções verticais (Figura 27).

As fachadas Norte e Sul do bloco FUNPEC/ARTES/SIN/Núcleo da Seca apresentam brises verticais como elementos de sombreamento, com espaçamento de 85 cm (Figura 28). A proteção solar não é total, embora seja mais eficaz do que as anteriores, conforme Figura 29.

Figura 28 – Foto do bloco

FUNPEC/ARTES/SIN/Núcleo da Seca, Fachada Sul.

Figura 29 – Máscara de sombra de uma abertura na Fachada Norte da edificação.

O projeto do bloco da Escola de Música demonstra a intenção de prover proteção às aberturas devido ao recuo das janelas em parte da edificação, o que forma uma obstrução horizontal acima da janela (

Figura 30). Porém, a mesma solução é utilizada nas fachadas Sul, Leste e Oeste, o que compromete o sombreamento (Figura 31). Apesar da ineficiência da proteção, percebe-se que a proteção faz parte de um recorte volumétrico concebido arquitetonicamente.

A B

Figura 31 – Máscaras de sombra de aberturas do Bloco da Escola de Música orientadas para Sul (A) e Leste (B).

No bloco do Núcleo de Estudos em Ciências Humanas, a utilização da proteção solar parece mais relacionada à composição estética da fachada e ao abrigo da chuva do que ao sombreamento efetivo às aberturas.

A Figura 32 mostra algumas aberturas na fachada Leste da edificação, as quais estão protegidas somente por elemento horizontal de insuficiente projeção – sobretudo para a Fachada Leste.

Figura 32 – Foto do Núcleo de Estudos em Ciências Humanas - NECH, Fachada Leste.

Afora as proteções identificadas e analisadas, percebe-se que a grande maioria das edificações mais recentes não apresenta nenhum elemento de proteção. Exemplo disso é o bloco da Escola de Enfermagem, o qual não apresenta proteção nas fachadas – à exceção dos beirais, que somente produzem sombreamento parcial nas aberturas do primeiro pavimento, (Figura 33 e Figura 34).

Figura 33 – Foto da Escola de Enfermagem, Fachada Leste.

Figura 34 – Foto da Escola de Enfermagem, Fachada Sul.

A análise demonstra que as proteções solares no Campus/UFRN não são concebidas com eficácia quanto ao sombreamento. Destacam-se os seguintes pontos:

• A utilização de proteção solar parece ser encarada como aspecto

secundário no projeto. Mesmo quando há sua utilização, a presença da proteção está mais associada a motivos de ordem estética, muitas vezes sem eficácia.

• Elementos vazados são utilizados nos blocos mais recentes para ocultar os equipamentos de ar condicionado.

• Quando há a utilização de proteção em uma edificação, percebe-se que o mesmo elemento é repetido em fachadas com diferentes orientações.

• O uso de proteções horizontais é significativamente mais freqüente do que proteções verticais.

• Não foi encontrada nenhuma proteção eficaz em fachadas com orientação Leste ou Oeste.

Benzer Belgeler