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Türkçe Konuşan Ülkeler Devlet Başkanları Zirveleri

1. BİRİNCİ BÖLÜM

2.2. Türk Dünyasında Entegrasyon Süreçlerinin Gelişimi

2.2.4. Türk Dünyasında Entegrasyon ve İşbirliği Projeleri

2.2.4.2. Türkçe Konuşan Ülkeler Devlet Başkanları Zirveleri

Entrar na universidade tornou-se um projeto realizado para os quinze jovens entrevistados. No entanto, enquanto caminhavam para a realização deste projeto individual, estes jovens tentavam despertar, dentro de seus grupos religiosos e de suas comunidades, o gosto pela escolarização prolongada. Para Érico, por exemplo, havia a preocupação com os colegas de grupo que viam o trabalho braçal como expectativa de futuro:

Na verdade, foi assim um período em que lá na região explodiu a ideia de sair pra trabalhar, principalmente, no corte de cana. Aí, assim, a gente via muitos jovens e mesmo adolescentes, eles estavam estudando e já ficavam sonhando em alcançar a maioridade pra poder sair pra trabalhar. Então, foi um momento de bastante preocupação pra gente da comunidade que estava ali vivendo aquela situação. Então, a gente discutia a importância de realmente de trabalhar, mas de tá buscando outros caminhos, inclusive com níveis de estudo. (Érico)

Assim, na fala de Érico, percebemos que sua preocupação, enquanto coordenador do grupo de jovens, era com a escolarização dos seus amigos, porque ele antecipava um problema que é comum na zona rural de sua região e também do Nordeste brasileiro, em que os jovens abandonam a escola para trabalhar em outras regiões, em serviços braçais que não necessitam de muita escolarização, como o corte de cana ou colheita da laranja. Enquanto presenciava a saída dos colegas, ele reforçava a sua convicção em manter-se na escola e discutia esse tema no grupo de jovens do qual era coordenador. Em outros momentos do seu depoimento, Érico deixou claro que o trabalho é importante, mas que, para jovens e crianças, deveria ser uma ocupação que não atrapalhasse os estudos.

Ser a primeira jovem da comunidade a entrar na universidade trouxe felicidade para Denise e para todos ao seu redor:

Assim, as pessoas mais próximas ficaram muito felizes, porque sabiam que através desse estudo eu poderia acrescentar algo a mais aqui na comunidade. Que é uma comunidade assim carente e que sofre de muitos preconceitos. O que estou fazendo vai contribuir pra mim, pra minha família, pra sociedade, para o bairro, a comunidade. Vai fazer com que as pessoas mudem um pouco com essa visão de que tem aqui do bairro. De que todo mundo é incapaz, que ninguém aqui é capaz.

A fala de Denise reflete uma realidade abordada por outros estudos sobre a discriminação que sofrem as pessoas que moram em favelas e bairros periféricos. Novaes (2006, p. 106-107) ressalta que o “local de moradia faz diferença: abona ou desabona, amplia ou restringe acesso aos jovens”. Em outros tempos, esse critério poderia ser apenas uma expressão da estratificação social, um indicador de renda ou de pertencimento de classe. Hoje, certos endereços também trazem consigo a marca das áreas urbanas contidas pela violência e a corrupção dos traficantes e da polícia. A “discriminação por endereço” é mais um dos estigmas sofridos pelos jovens dos locais periféricos. No acesso ao mercado de trabalho, o endereço torna-se mais um critério de seleção. Conscientes da existência da “discriminação por endereço” que opera – consciente ou inconscientemente – nas seleções para o trabalho, muitos jovens encontram estratégias para ocultar o lugar onde vivem e lançam mão de endereços dos patrões dos pais, de parentes, de bairros próximos ou caixas postais. Adriana,

que mora na mesma comunidade que Denise, também tem consciência desta “discriminação

por endereço”: “olha já que eu moro aqui no Monte Pascoal, aqui já tem fama mesmo, a

gente já é rotulado de pessoas briguenta, isso e aquilo...”. O conhecimento desta realidade,

entretanto, não abalou o “sentimento de pertença” (SOUZA e SILVA, 2003) que elas mantêm com a comunidade. Ambas sentem orgulho em morar no “Morrão” 45.

As jovens comungam a ideia de que o sucesso educacional é importante não só para elas, mas para toda a comunidade. Mariz et al. (2003), em pesquisa sobre os universitários que moram em favelas, relata algo semelhante sobre os jovens da favela. A pesquisa enfatiza que o sucesso educacional é importante não só para a vida individual, mas também para a vida da comunidade. “Os jovens têm consciência de que os parentes e os vizinhos da favela, que os viram crescer têm orgulho daquilo que alcançaram [...] Por isso, sentem uma responsabilidade social para com a sua favela” (p. 330-331). No que se refere à responsabilidade social, também podemos enfatizar a entrada de outro jovem entrevistado na universidade e suas expectativas em relação à comunidade rural da qual faz parte:

Porque esse conhecimento você não vai transmitir e não é essa concepção que se tem hoje, mas de certa forma você tem que compartilhar com a comunidade. Você tem que fazer com que esse conhecimento – raras pessoas da comunidade conseguiu adentrar a universidade – seja válido pra sua comunidade, de um certo ponto.

(Érico)

45 Apelido pejorativo atribuído ao Bairro Monte Pascoal em Guanambi-Bahia, um dos bairros com maior

Para Érico, o conhecimento é importante, mas alcança maior significado se for partilhado com a comunidade, a qual está ligado afetivo e politicamente. Um aspecto importante, enfatizado no depoimento acima, já mencionado neste capítulo, é a responsabilidade em ser o primeiro da comunidade ou da família a frequentar o Ensino Superior. Se eles acreditam que a comunidade contribui para que possam sonhar alto, nada mais natural que haja retribuição pelo que a comunidade fez por eles: “eu recebi tanto, tanto da Igreja, tanto do curso de teologia, tanta coisa eu recebi. Então, eu tenho mais do que, colaborar de alguma forma. É uma forma de retribuir” (Angélica).