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Türevlerin Ülkemizde Uygulanması İçin Gerekli Düzenlemeler

3. TÜRKİYE UYGULAMASI

3.1. Türkiye Uygulamasında Baz Riski

3.1.1. Türevlerin Ülkemizde Uygulanması İçin Gerekli Düzenlemeler

Os partidários da CT&I estariam posicionados, no gráfico, entre o quadrante do instrumentalismo e do determinismo tecnológico, pois em geral aceitam a idéia da neutralidade da C&T. Esta posição dúbia se deve à oscilação que perfazem entre estes dois campos dependendo dos autores e do tema em análise. Segundo Dagnino, autores desta corrente possuem uma visão determinista soft, já que reconhecem a possibilidade de os avanços tecnológicos modificarem os rumos da sociedade ao mesmo tempo em que vislumbram o exercício do controle externo sobre a produção da C&T. Eles reagem à concepção de que as atividades de C&T avançam de forma contínua, linear e, inexorável, seguindo um caminho próprio, distanciando-se, portanto, neste aspecto, da perspectiva mertoniana. A C&T, nesta acepção, seria não somente influenciada por processos internos, mas também passível de ser influenciada por diretrizes políticas, que poderiam determinar a trajetória da inovação.

Entre as tendências que se inserem nesta linha inclui-se aquela que surge a partir do debate revisional sobre o papel da inovação dentro das teorias econômicas do desenvolvimento. Destaca-se, neste sentido, a Teoria do Progresso Técnico, conhecida também por Economia da Tecnologia ou Teoria da Inovação. Esta vertente percebe a C&T como um objeto restrito à área econômica e administrativa e se constitui, após os anos 1980, como tese hegemônica na formulação e implementação de políticas públicas de C&T nos países avançados e em desenvolvimento. Há uma série de autores que, sob tal perspectiva, vem nas últimas décadas elaborando análises e receituários em torno, principalmente, das instituições e da cultura organizacional das empresas, com o objetivo de se potencializar a inovação tecnológica. Estes autores têm recebido grande atenção por parte dos formuladores das PCTs.

A Teoria da Inovação deriva das formulações de Schumpeter, que propôs já na década de 1930 uma perspectiva diferente sobre a inovação em relação à teoria econômica neoclássica, que não problematizava o surgimento e o desenvolvimento das inovações. Schumpeter (1932) destaca o papel do empresário inovador como agente econômico dotado de qualidades “supranormais”, animado por um desejo de realização que iria além da maximização do lucro. Esta concepção está presente nas primeiras obras de Schumpeter, em sua fase jovem, mas permanece na fase madura, sob nova abordagem, na qual destaca o papel dos oligopólios, no domínio e controle dos mercados.

Schumpeter (1961) destaca, nesta fase posterior, a importância das grandes empresas no capitalismo avançado e, com isso, consolida a teoria baseada no papel central da inovação como elemento indissociável, objetivo, das forças de produção dos oligopólios, fator considerado fundamental ao incremento da produtividade e elemento indutor do desenvolvimento. Os pontos ressaltados por Schumpeter (1961) são:

a) estrutura de mercado concentrada (oligopolizada);

b) atividades técnico-científicas “endogeinizadas” pelas grandes firmas como elementos fundamentais de concorrência e sobrevivência;

c) forte relação entre a concentração da estrutura de mercado e a descoberta e ou incorporação de inovações técnicas ao processo produtivo; e

d) relações entre ciência, tecnologia, investimentos em inovações e mercado cada vez mais estreitas.

Entre os partidários de tal acepção estão os autores neoschumpeterianos (da Teoria da Inovação, considerados evolucionistas), que a partir dos anos 1970 compartilham da crítica à explicação racional da mudança tecnológica proposta pela teoria neoclássica, baseada no conceito de maximização. Os neoclássicos possuem uma visão de desenvolvimento como um movimento espontâneo e linear, sem grandes rupturas e revoluções tecnológicas, o que não é de se estranhar, afinal as tecnologias passam a ocupar um papel proeminente para a economia somente na segunda metade do século passado. Os neoschumpeterianos, acompanhando tais mudanças, propõem a idéia de um processo cumulativo quase acidental, de tentativa e erro, do tipo darwinista, conduzindo este processo de mudanças tecnológicas.

As inovações, nesta perspectiva, são dependentes da busca intencional como apontam Nelson e Winter (1982). Contínuas mudanças no ambiente alteram o modo como se verifica o processo inovativo, idéia que aparece na teoria evolucionista. Por trás de tal acepção, reside a idéia da necessidade de políticas públicas para se desenvolver inovações e que somente com ações deste gênero seria possível alcançar tais objetivos. Neste aspecto, estes trabalhos do início dos anos 1970, se diferenciam daqueles shumpeterianos, que consideravam os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (pública e privada) de forma linear e espontânea sem a necessidade de intervenção de políticas públicas ou administrativas.

Autores da Teoria Evolucionária e da Inovação (Winter, Nelson, Freeman, Gibbons, entre outros) passam então a incluir a inovação em seus modelos de desenvolvimento econômico como fatores endógenos (que podem ser controlados internamente do ponto de vista econômico), não mais como exógeno, quase casual, como assinalado pela tradição econômica neoclássica. Na esteira destas prerrogativas emerge uma série de estudos e teses

com forte conotação normativa, que buscam o aperfeiçoamento de mecanismos inovativos: Sistemas Nacionais de Inovação (NELSON, 1993), concepção que permite a integração, coordenação e planejamento racional das ações institucionais de C&T pelo Estado, com o intuito de conduzi-las de forma econômica, organizada e direcionada; Hélice Tripla (ETZKOWITZ e LEYDESDORFF, 1998), que produziria maior interatividade e sinergia na relação governo, empresa e universidade; Modo 1 x Modo 2 (GIBBONS et al, 1994), que expressa a mudança na cultura política das instituições de pesquisa, passando de um modo hierarquizado (entre tantos outros aspectos) a outro operado em forma de rede, entre outras modalidades de arranjos e sistemáticas que figuram entre as principais referencias atualmente em voga, base das atuais políticas de C&T no mundo desenvolvido e em desenvolvimento.

Pela perspectiva da CT&I, busca-se aprimorar as engrenagens do modelo econômico, em especial os dispositivos que condicionariam a inovação, com o intuito de aperfeiçoar a produção econômica, tornando-a mais eficiente. A noção de intervenção na C&T é de mero ordenamento das condições no entorno da produção. Os valores institucionais do mundo da ciência (aqueles descritos por Merton como próprios da boa ciência) devem permanecer assépticos ao mundo externo e o rigoroso cumprimento de tais pressupostos garantiria a qualidade de seus resultados. Portanto, por tal perspectiva não há no interior da produção da CT&I a possibilidade de interferências de interesses, nem de influências sociais nos mecanismos de produção de C&T, a não ser aqueles que orientam externamente o seu rumo, através de políticas. No entanto, Dagnino (2006b) argumenta que essa falsa impressão da C&T imune as interferências externas, ocorre pelo fato desta visão abrigar implicitamente valores compromissados, sobretudo, com a ética da eficiência do modelo econômico capitalista. Em nenhum momento este modelo é visto como mais uma possibilidade econômica, o que leva a crer que ou se institui uma política de C&T boa ou ruim, de acordo com tal critério, não havendo alternativa à sociedade moderna.

A Teoria Crítica ao aprofundar as relações existentes entre o social e a produção do conhecimento, da tecnociência, ofereceu condições para avançar na crítica às formas tecnocráticas de produção de ciência e tecnologia. Ao mesmo tempo, tal base teórica permitiu vislumbrar possibilidades de modelos que contemplam as complexidades do mundo contemporâneo, no qual a ciência passa a ocupar um papel cada vez mais relevante, descrevendo mecanismos e relações cada vez mais comum e mais aprofundada entre estas duas esferas (conhecimento e sociedade) e que os esquemas da CT&I não têm dado conta.

Com o intuito de solucionar tal problema, alguns autores filiados a CT&I que aceitam certa neutralidade na evolução da ciência, acreditam que um controle externo compensatório,

através da adoção de políticas ex ante e ex post, poderia dar significado a utilização da produção da C&T. Dagnino exemplifica esta posição da seguinte forma: uma vez produzida a C&T “através das atividades realizadas em organizações públicas (universidades, institutos de pesquisa) e privadas (empresas, centros de P&D), [pode-se] exercer um controle social baseado em princípios éticos de tipo moral, social, ambiental, étnico, de gênero, que assegurasse que sua utilização se desse de modo com eles coerente”.

No entanto, esta perspectiva permite também supor, no limite, que independentemente do contexto e dos interesses econômicos, sociais, políticos, e dos vieses e valores relativos a questões de natureza ambiental, étnica, de gênero, que envolvem a produção da C&T, esta poderia ser “controlada” e usada com o objetivo de favorecer outros interesses, reforçar a prevalência de outros contextos e potencializar outros vieses e valores. Ou seja, o problema permaneceria sem solução.

Dagnino alega que ao adotar essa posição, a tendência CT&I parece adentrar num terreno contraditório e obscuro. Pois torna difícil equacionar o fato de aceitar a C&T como não neutra, capaz de implementar valores não desejáveis, e ao mesmo tempo supor que poderia haver mecanismos de controle social (baseados em princípios éticos) ex-post suficientemente efetivos e poderosos para garantir sua utilização no sentido de alcançar objetivos que contemplem outros valores e interesses. As correntes da Teoria Crítica oferecem a solução a este problema, do ponto de vista teórico, mostrando que os valores sociais, preferências e interesses não somente influenciam as escolhas inerentes à produção científica e tecnológica, como também carregam tais valores nos produtos advindos das atividades de C&T. Valores incorporados ex ante aos fatos (científicos) e artefatos (tecnológicos) assumem, portanto, formas concretas ex post.