• Sonuç bulunamadı

I. BİRİNCİ BÖLÜM: KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE

1.2. GİYİM TERCİHİNİ ETKİLEYEN FAKTÖRLER

1.2.3. Tüketim Kültürü

O levantamento do perfil demográfico e socioeconômico dos catadores das duas cooperativas viabilizou-se por meio da análise das fichas de inscrição de cada empreendedor, preenchidas no início do processo de incubação, e da análise da ficha individual enviada ao SENAES pela Prefeitura. Esses documentos registraram dados de identificação de cada participante das duas cooperativas. As entrevistas realizadas também possibilitaram a coleta de informações que faltavam nas fichas consultadas.

Assim, pesquisaram-se dados demográficos sobre idade, sexo/gênero, local de residência. Outra categoria de dados pesquisados referiu-se a trabalho e renda, investigando-se: rendimento mensal, desigualdade de renda entre os cooperados. Na categoria educação pesquisou-se o nível de escolaridade de cada indivíduo. Dessa forma, foi possível visualizar um perfil demográfico e socioeconômico dos catadores.

O universo pesquisado totalizou 67 pessoas. Quanto ao aspecto faixa etária dos cooperados, constatou-se que quase 6% dessas pessoas tinham uma idade entre 18 e 20 anos; 14,50% dos pesquisados possuíam uma idade entre 31 e 40 anos; em torno de 19% das pessoas encontravam-se na faixa etária entre 21 e 30 anos; pessoas com idades entre 41 e 50 anos correspondiam a 20% dos participantes das cooperativas e 36,50% das pessoas possuíam 51 anos ou mais. Ou seja, quase 60% dos catadores estavam localizados em faixa etária entre 41 e 51 anos ou mais. Essas pessoas mais velhas, em sua maioria, eram as fundadoras das cooperativas e, em torno de 20% delas, antes de filiar-se à cooperativa, eram catadores individuais que trabalhavam com suas carroças nas ruas do município.

Observou-se também que a maior parte dos jovens com idade entre 18 e 20 anos era parente dos mais velhos, filhos, sobrinhos, afilhados e que foram trazidos para as cooperativas por eles. Alguns vieram porque não possuíam escolaridade suficiente para conseguir inserirem-se no mercado formal de trabalho, outros para tentarem livrar-se da dependência química, permanecendo em um ambiente (a cooperativa) mais acolhedor, com pessoas que conhecem e respeitam.

Com relação a sexo/gênero, 61% das pessoas eram do sexo feminino. Em torno de 60% dos catadores eram negros.

Em torno de 90% dos cooperados residiam na periferia de São Bernardo do Campo na região do Montanhão, nas encostas de Serra do Mar. A maioria dos cooperados frequentava as casas dos outros cooperados. Viviam no mesmo local há muitos anos, e os membros das duas últimas gerações das famílias cresceram juntos. Essa característica das relações entre os catadores leva à conclusão de que eles eram solidários na pobreza e a solidariedade que os unia antecedeu a fundação das cooperativas, tendo sido talvez condição para que fossem criadas.

Com relação ao rendimento mensal dos cooperados, observou-se que havia uma desigualdade na distribuição mensal da renda como se pode observar no gráfico a seguir.

Gráfico 1 - Porcentagem de Indivíduos por Renda Mensal

Essa desigualdade na distribuição da renda, possivelmente, relacionava-se às diferenças de escolaridade entre eles. Aqueles que tinham maior formação escolar detinham condições de controlar as entradas e saídas financeiras do empreendimento, bem como possuíam maior poder de convencimento e influência sobre os outros.

1,45% 1,45% 8,70% 10,15% 26,09% 1,45% 14,49% 11,58% 1,45% 10,14% 1,45% 2,90% 1,45% 7,25% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%

Renda mensal

A investigação sobre o nível de escolaridade revelou que 17,50% dos pesquisados era analfabeta; em torno de 38% tinha ensino fundamental incompleto, enquanto que, 11,60% tinha ensino fundamental completo. Com relação ao ensino médio, 11,60% tinha ensino médio incompleto e 13% ensino médio completo. No momento da pesquisa, 89% dos cooperados não frequentava escola.

A partir do levantamento dessas informações sobre o perfil demográfico e socioeconômico dos participantes da Cooperativa Raio de Luz e da Cooperativa Reluz, foram possíveis algumas conclusões sobre o perfil dos catadores trabalhadores nessas Cooperativas que auxiliaram na compreensão sobre suas competências profissionais.

Um aspecto do perfil que chamou a atenção foi o nível significativo de analfabetismo e de baixa escolaridade, perfazendo um total de quase 60% dos cooperados. Juntou-se a essa característica do perfil, outra que se referiu à faixa etária predominante entre os pesquisados, em torno de 56% do grupo tinha mais de 40 anos de idade, sendo que desses, 36% tinha 50 anos de idade ou mais. Essas duas informações sobre o perfil corroboraram a afirmação de que eles buscavam o trabalho de coleta e tratamento de resíduos sólidos não por opção, mas por necessidade e única alternativa de trabalho e renda (SCHIOCHET, 2013; GONÇALVES- DIAS, 2009).

Eu trabalho no caminhão. Meu trabalho é carregar e descarregar caminhão. É difícil botar um bag de 200 kg encima do caminhão, precisa juntar uns quatro para fazer isso. Eu fico muito cansada, tem dia que só quero deitar e dormir de tão cansada, não quero falar com ninguém. E olha que eu sou forte (OLGA, 50 anos, catadora).

A maior parte do grupo, 65%, era constituída por mulheres, realidade diferente daquela revelada pelo censo do IBGE de 2010 com relação à porcentagem de mulheres catadoras no Brasil que era de 31% do total de pessoas pesquisadas.

Outro aspecto revelado por esse levantamento referiu-se ao fato de que as retiradas mensais dos cooperados eram diferentes. A sistematização dos dados sobre a renda mensal revelou uma curva de distribuição das retiradas, onde a retirada financeira que equivale ao salário mínimo ($700) era aquela que possuía a maior concentração de associados, em torno de 26% e que em torno de 2% dos catadores recebia mais de dois salários mínimos. Outro aspecto

observado referiu-se à diversidade de pontos (13 diferentes valores) nessa curva de distribuição das retiradas financeiras.

É possível supor que essa desigualdade na renda estivesse relacionada às deficiências educacionais acima apontadas, ou seja, aqueles que sabiam ler e escrever, fazer cálculos, ler planilhas, contratos, enviar e receber e-mails da Prefeitura e da empresa privada, entre outras atividades que exigiam um conhecimento de cálculo, de escrita e leitura tinham um renda mensal maior, porque eram eles que controlavam as entradas e saídas de valores financeiros do empreendimento e distribuíam os dividendos entre os participantes das cooperativas.

Embora não tenha sido realizada uma comparação entre nível de escolaridade e retirada mensal, os depoimentos dos catadores durante oficinas e reuniões possibilitaram estabelecer essa conexão entre valor da retirada financeira e nível de escolaridade.

A seguir, é relatada uma dessas situações de questionamento sobre as razões da desigualdade nas retiradas mensais. Alguns catadores, durante uma das oficinas sobre relacionamento interpessoal, comentaram que gostariam de saber as razões pelas quais os membros do Conselho Administrativo tinham uma retirada mensal maior que a da maioria. A resposta, dada pelo presidente de uma das cooperativas foi:

Vocês não sabem por que minha retirada é maior do que a de vocês? Porque leio todos os documentos da cooperativa, assino documentos. É muita responsabilidade. Eu sei ler e escrever, fui à escola até o segundo grau. Sou chamado pelos parceiros à noite, depois que chego a casa, para combinar reuniões e resolver problemas. Vocês vão embora e esquecem isso aqui, eu não tenho hora para me chamarem. (REGINALDO, presidente).

Quanto às condições de moradia, 100% dos indivíduos moravam em alguma vila do Montanhão, onde não havia saneamento básico, grande parte das casas era construída em região considerada de alto risco ambiental, sujeita a deslizamento de terra em situações de chuva. A maioria das casas não possuía escritura, sendo construídas em assentamentos irregulares.

A análise desse perfil possibilitou a conclusão de que ele é característico do perfil nacional dos catadores, de acordo com os dados do censo do IBGE 2010 e que, enquanto grupo econômico e social, faz parte de uma grande parte da população brasileira, em torno de 15% dessa população, que é muito pobre, com baixa escolaridade, sem nenhum tipo de

especialização profissional, sem oportunidades de trabalho e que “faz o que pode” para sobreviver.

Na figura a seguir é apresentada uma síntese do perfil dos catadores.

DEMOGRAFIA

Total de Catadores: 67 Média de Idade: 35 anos Porcentagem de mulheres: 61% Porcentagem de residentes em áreas urbanas: 100%

TRABALHO E RENDA

Rendimento Médio mensal: R$ 800,00 Desigualdade de renda entre os catadores: alta

EDUCAÇÃO

Taxa de analfabetismo (%): 20%

Porcentagem de catadores com ensino fundamental incompleto: 30%

Porcentagem de catadores com ensino fundamental completo: 20%

Porcentagem de catadores com ensino médio completo: 5%

14 VISÃO INTEGRADA SOBRE AS COMPETÊNCIAS DAS