MADDE 11. Bu Kanun yayımı tarihinde yürürlüğe girer ve halkoylamasına sunulması halinde tümüyle oylanır.
3. ÜYELİK YÜKÜMLÜLÜKLERİNİ ÜSTLENEBİLME KAPASİTESİ BÖLÜMÜ
3.1. Müktesebat Uyumu
3.1.22. Tüketicinin ve Tüketici Sağlığının Korunması
Freud (por exemplo, em 1915/1981c e em 1923/1981d) postula que o inconsciente humano é constituído por formações pulsionais herdadas [algo análogo ao instinto animal, que o autor chamou de Es (Isso ou Id)], pelo que é apenas temporariamente inconsciente, portanto passível de consciência por si só (pré-consciente), e pelas representações pulsionais que foram recalcadas, rechaçadas, quando o sujeito, no seu desenvolvimento, confronta-se com a Lei, com o interdito social.
Para Lacan (1954-55/1985, 1957-58/1999), o inconsciente é o discurso do Outro e é estruturado como uma linguagem, com seus efeitos metafóricos (de condensação) e metonímicos (de deslocamento). A entrada no campo do Outro, da linguagem39, constitui o sujeito (do inconsciente) na medida em que o divide, marcado que passa a ser pelo limite do Outro. Nessa divisão fundam-se o desejo inconsciente (desejo do desejo do Outro), o fantasma fundamental e o gozo40 (Lacan, 1962-63/2004).
Além disso, o autor distingue o (sujeito do) inconsciente do Es freudiano. No esquema L, por exemplo, Lacan (1966d) indica o sujeito do inconsciente – S – como sendo: (Es) S.
Com isso marca que um não se reduz ao outro, já que o inconsciente está no campo do Outro (Simbólico), mas ao mesmo tempo ressalta a ligação íntima entre este com o que teria sido primordialmente instintivo (Es), ligação realizada pelas pulsões. Estas representariam a sexualidade no inconsciente (Lacan, 1966e).
39 Tal entrada não se dá apenas quando a criança começa a falar, mas desde o momento em que chega a este
mundo. Na verdade, podemos pensar que se dá antes mesmo disso, já que o futuro (possível) bebê já tinha um lugar simbólico e imaginário na família que o gerará, na sociedade em que crescerá, antes mesmo de ser concebido. Nesse sentido, simbolicamente o limite do Outro opera desde sempre, com suas interdições, com a impossibilidade que impõe, com o que representa de alteridade, de diferença, ainda que isso produza um efeito de sentido (retroativo) na criança apenas anos mais tarde.
É verdade que, em outro momento de sua trajetória, Lacan afirma que o inconsciente é o Real (Dor, 1996). Nisso aproxima-se do Es freudiano, na medida em que escapa à simbolização. Ou seja, o que dele aparece (aquilo a que temos acesso ou definimos) são apenas representações do que seria (ou teria sido) a “Coisa”, mas não ela mesma.
Sendo assim, o inconsciente de que tratarei nesta pesquisa são os traços, as marcas representáveis, no discurso dos sujeitos, do enodamento do Real, do Simbólico e do Imaginário. Inconsciente, portanto, fundado a partir da entrada do sujeito no campo do Outro (simbólico, social, mas também real), e necessariamente articulada por meio de certa imagem em relação ao outro (imaginária, singular, embora realizada socialmente).
Em Freud, o desejo inconsciente dizia respeito à realização alucinatória posterior a uma primeira experiência de satisfação pulsional. Falar de desejo e falar de pulsão para o autor são duas formas de abordar o mesmo fenômeno (David-Ménard, 1996).
Já em Lacan (1962-63/2004), o desejo está ligado a uma falta primordial, à perda de uma suposta vivência de completude (gozo, que, imaginariamente, teria sido absoluto), a partir da entrada do sujeito no campo do Outro41. Contudo, Safatle (2002) argumenta que Lacan, a partir de determinado momento de sua trajetória, passa a conceber o desejo como falta pura, como um a priori, não falta disso ou daquilo outro, mas falta-a-ser, dissociada de uma vivência empírica.
Aqui me distancio dessa definição e retomo a noção lacaniana de desejo e de sujeito do inconsciente tendo suas origens no estádio do espelho, tal como discutirei a seguir, quando tratar do narcisismo. Ou seja, parto de uma suposta vivência imaginária de completude do sujeito na entrada deste no campo do Outro, cujas origens remontam ao estádio do espelho, e que dá os fundamentos para a constituição do sujeito (do inconsciente) e para suas escolhas
objetais posteriores. Vivência em que o sujeito imaginou ter ele próprio (ou outro sujeito) representado aquele que completaria a falta do Outro, ou seja, ter gozado por ter sido supostamente tudo para o Outro, num determinado momento. Como logo aparecem os sinais de que algo continua faltando para o Outro, de que o sujeito não representou tudo para ele, de que na verdade é impossível que represente isso (castração simbólica), a sensação que daí advém é a de perda, de falta. Instaura-se o desejo. Desejo de (re)viver aquilo que imaginariamente teria sido.
Desejo, pois, que não é apenas a representação sexual e imaginária da perda (“isso que me falta, um outro o possui”), mas também uma forma de o sujeito identificar-se com a perda: “isso que me falta, que jamais terei, dependo disso porque aí fundo meu desejo” (David- Ménard, 1996, p. 119).
Posto de outra forma, dizer que o desejo surge na entrada do sujeito no campo do Outro é, em termos lacanianos42, afirmar que se trata do desejo do Outro, ou seja, o desejo é “provocado” pelo Outro, surge a partir dele e configura-se como o desejo de ser desejado ou reconhecido pelo Outro (Lacan, 1966a, 1966b). Mas desejado (ou reconhecido) a ponto de ser capaz de completar a falta do Outro, de satisfazê-lo de forma absoluta e assim satisfazer-se também de forma plena (vide discussão sobre o gozo adiante). Se isso acontecesse, no entanto, seria a aniquilação, a morte do sujeito.
Nesse sentido, o desejo nunca será satisfeito com nenhum objeto e permanecerá como falta eterna, como um movimento na direção do que completaria a falta do Outro (e, portanto, a falta do sujeito). Tendo esse estatuto de busca infindável, o desejo configura-se como aquilo que define o próprio sujeito. Aparece, segundo Lacan (1957-58/1999), na forma de demanda de amor dirigida ao outro, tentativa de objetivar o desejo.
O inconsciente também se presentifica nas marcas de gozo. Ainda que o impulso pela sua repetição possa ser consciente – vontade de gozo – a real natureza do que faz o sujeito gozar escapa-lhe; a articulação da sua fantasia primordial com o outro (do seu fantasma fundamental) marca sua forma particular de gozar, mas é, para o sujeito, quando muito, representação parcial. Aliás, é justamente pelas suas representações, pelas suas formações que conhecemos o inconsciente:
O não dito significativo do branco do esquecimento, um dizer surgido dos sonhos, chistes, atos falhos, uma escrita: tudo aquilo que constitui sintoma no modo do compromisso surpreendente e que constitui “alíngua” (Lacan), e em que, sob forma metáforo-metonímica, a verdade do desejo insiste e se repete em múltiplas demandas (Dor, 1996, p. 266).
O sujeito do inconsciente, o “verdadeiro” sujeito para Lacan, é o sujeito do desejo. Que o autor tenha feito a distinção entre o eu imaginário, imagem especular do outro, seu semelhante, e o sujeito do inconsciente, relacionado à estrutura sócio-linguística (Grande Outro), nesta pesquisa sujeito terá uma conotação ambígua e, diria, dialética, de ser o eu imaginário, o indivíduo consciente, aquele que cria um ou mais perfis nas redes sociais, mas também o sujeito do desejo, do inconsciente, sujeito ao Outro, às determinações sócio- históricas e também pulsionais, em alguma medida. Uma dimensão não se reduz à outra, claro, mas na medida em que não é possível determinar uma fronteira muito precisa entre uma e outra, parece-me mais adequado considerá-las nessa ambiguidade, que separa e une ao mesmo tempo.
O que é propriamente do sujeito consciente singular e o que é estruturado sócio- historicamente em determinada fala de alguém? Em que medida o pulsional do indivíduo atua num determinado comportamento que realiza num contexto cultural (ao publicar um post numa rede social, por exemplo)? O quanto o outro e o Grande Outro social influenciam no
pulsional do indivíduo? O quanto o pulsional-biológico dos sujeitos direciona o curso da história humana?
Não acredito ser possível determinar claramente tais fronteiras. Por isso prefiro adotar a ambiguidade dos termos sujeito e outro; por isso assumo que as relações sociais trazem, em si, uma dimensão consciente dos sujeitos envolvidos, mas também uma dimensão inconsciente deles. Além disso, se não se pode pensar nessas relações sem os sujeitos envolvidos, tampouco se pode pensá-las reduzindo-se ao conjunto deles – elas os transcendem, em certa medida. Ou seja, acionar os termos sujeito e outro é fazer alusão a seres bio-psico-sócio-históricos e à sociedade, às relações sociais em si. Uns não se reduzem às outras (e vice-versa), e tampouco deveriam ser pensados separadamente, ainda que não seja possível fazer uma análise totalizante; ainda que o olhar seja dirigido prioritariamente a uma faceta ou a outra.
Pensar o sujeito na pós-modernidade é constatar, a meu ver, uma exacerbação das características do sujeito moderno, tal como articulada por Aubert (2006). Ou seja, a noção de desejo inconsciente do sujeito como sendo o desejo do outro (surgindo a partir do outro, mas também desejo de ser desejado ou reconhecido pelo outro) torna-se mais presente e marcante do que nunca. A necessidade de conquistar um lugar ao sol, que, nos dias de hoje, jamais está garantido de forma permanente, coloca o reconhecimento do outro no centro da ação do sujeito. Como ser reconhecido nunca é de forma plena e o reconhecimento está sempre em vias de escapar ao sujeito; como ser desejado (em todas as suas formas aparentes – ser amado, invejado, admirado...) é sempre de maneira incompleta ou fugaz, a busca permanece eterna e, provavelmente, mais voraz nos dias de hoje. Dias de um capitalismo que fomenta o consumismo ao extremo pela propaganda, que acelera o circuito produção-consumo-descarte o mais possível, que programa a obsolescência dos objetos tão logo sejam consumidos (aliás, antes mesmo de o serem, pois é sabido que em breve virão outros muito “melhores”)
(Bauman, 2008; Ramos, 2007). Dias de um capitalismo que promete uma satisfação plena (Ramos, 2007), “felicidade na vida terrena, aqui e agora e a cada ‘agora’ sucessivo” (Bauman, 2008, p. 60).
Assim, o desejo do sujeito não é tomado como algo a ser mantido insatisfeito, como algo que define o sujeito, não passível de satisfação plena. Vende-se a ideia de que é possível tal satisfação absoluta. Se não foi obtida ainda, é preciso continuar consumindo objetos (coisas, serviços, pessoas) que ela virá, inclusive na forma do reconhecimento do outro. Entra- se, pois, num ciclo vicioso, veloz e infindável de busca, às vezes, desesperada pela satisfação do desejo, pelo reconhecimento do outro.
A insatisfação que advém dessa dinâmica talvez seja o que resta de resistência do sujeito, no seu aspecto singular, colocando novamente em movimento a contradição existente entre o seu desejo e as necessidades do capital, como bem articulou Ramos (2007).
Posto isso, na pesquisa aqui em questão, o discurso do sujeito (por exemplo, a publicação de determinado post – texto, imagem ou vídeo - no seu perfil na rede social) será tratado na sua relação com o outro, no contexto social em que vivemos hoje. Que desejo dele pode ser deduzido, que demanda direcionada ao outro pode ser lida? O que foi dito explicitamente e o que não?