MADDE 11. Bu Kanun yayımı tarihinde yürürlüğe girer ve halkoylamasına sunulması halinde tümüyle oylanır.
3. ÜYELİK YÜKÜMLÜLÜKLERİNİ ÜSTLENEBİLME KAPASİTESİ BÖLÜMÜ
3.2. Mevzuat Uyumu Ve Uygulanması İçin Kurumsal Yapılanma
Em Freud, o prazer remete, em grande medida, ao próprio sujeito, e incide sobre dois aspectos: tanto sobre a vontade que surge, quanto sobre sensações corpóreas: olhar, mamar, comer, etc. Se o objeto do desejo (outro) não está excluído, ele entra em jogo mais como estímulo. Refere-se, então, “às agradáveis e difusas percepções sensoriais quando estas
brotam e circulam ainda no nascedouro do corpo” (Hanns, 1996, p. 156). O prazer, pois, não é fruição, satisfação plena, mas permanece nesse brotar, nessas sensações iniciais.
Desde o seu “Projeto para uma psicologia científica”, Freud (1895/1981e) postula que o prazer (Lust) é, em geral, descarga de tensão, de energia acumulada por excesso de estimulação em alguma parte do corpo, e que desprazer é o oposto, isto é, justamente o acúmulo de tensão. Mas em O problema econômico do masoquismo (Freud, 1924/1981f) admite que “sem dúvida que existem tensões prazerosas e relaxamentos desprazerosos” (p. 2752). O que está em causa é a energética freudiana, sua concepção quantitativa do prazer, que é relativizada no texto de 1924, quando o autor introduz aspectos qualitativos também (Hanns, 1996).
De todo modo, o prazer em Freud liga-se, direta ou indiretamente, à noção de pulsão (Trieb) e suas variantes - pulsões parciais, sexuais e do eu, de vida e de morte. Nas palavras de Hanns (1996):
A pulsão (Trieb), entendida como um estímulo que reivindica à psique ser descarregado e sendo “emanada” de fontes orgânicas, está ligada ao prazer-desejo do órgão (Organlust), e pode-se dizer que ela é a própria condição de um querer que só mais tarde será sintetizado (p. 159).
A pulsão está na fronteira entre o somático e o psíquico: emerge como fenômeno físico e orgânico (acúmulo de energia, descarga, neurônios, fontes pulsionais em glândulas, etc.) e é percebido como fenômeno psíquico (sensações, dor, medo, vontade, etc.) (Hanns, 1996). Em termos lacanianos, está entre o que teria sido puramente instintivo (necessidade) e o que é instituído na linguagem e através dela, no campo do Outro e através dele.
Não entrarei nas minúcias e nas inconsistências da energética freudiana: se há ou não energias conflitantes; se a satisfação pulsional é ou não no sentido de diminuir a energia
concentrada numa região erógena do corpo; se existe de fato uma pulsão de morte com sua tendência à tensão nula, ao retorno ao inorgânico (Freud, 1924/1981f), etc.
O que aqui interessa é pensar que o prazer remete a sensações corpóreas agradáveis, em estado nascente, ligadas a algum impulso do corpo, muitas vezes estimuladas por objetos externos (o outro), mas que dizem respeito, sobretudo, ao próprio sujeito, ao seu próprio corpo (Barros Júnior, 2009).
Já o conceito de gozo diz respeito a uma satisfação que está além (ou aquém) do prazer,
...implica a ideia de uma transgressão da lei: desafio, submissão ou escárnio. O gozo, portanto, participa da perversão, teorizada por Lacan como um dos componentes estruturais do funcionamento psíquico, distinto das perversões sexuais (...) Lacan estabelece então uma distinção essencial entre o prazer e o gozo, residindo este na tentativa permanente de ultrapassar os limites do princípio do prazer. Esse movimento, ligado à busca da coisa perdida que falta no lugar do Outro, é causa de sofrimento; mas tal sofrimento nunca erradica por completo a busca do gozo (Roudinesco & Plon, 1998, p. 299-300).
Instituído pelo outro, na linguagem e por ela, o gozo, nesta pesquisa, é tomado como a satisfação do sujeito de ultrapassar o limite, a lei, na busca de um para-além do prazer, na relação com o outro, o que também gera sofrimento (Barros Júnior, 2009). Está, pois, ligado à perversão ou à fantasia perversa na neurose. Perversão que é, segundo Roudinesco & Plon (1998, p. 586), “um grande componente do funcionamento psíquico do homem em geral, uma espécie de provocação ou desafio permanente à lei.” Ainda segundo os autores, a “perversão aparece como uma renegação ou um desmentido da castração” (Roudinesco & Plon, 1998, p. 585) – castração aqui entendida no seu sentido do limite do outro – real, simbólico e imaginário. Portanto não estou me referindo às chamadas perversões sexuais ou às parafilias
descritas na psiquiatria, mas a uma noção mais ampla e geral do funcionamento psíquico humano, ainda que em forma de fantasia (como no caso dos neuróticos)43.
Se um gozo absoluto é impossível, por definição, já que o outro e o limite imposto por ele sempre existirão e porque é tal limite que estrutura, que funda o gozo, há, por outro lado, outras modalidades de gozo possíveis, estando associadas, de um jeito ou de outro, à interdição ou à impossibilidade (Barros Júnior, 2009).
O gozo, então, passa a ser a vivência em que o outro, embora imprescindível para a sua efetivação, é colocado no lugar de resto, de puro objeto, ou de inexistente (na sua condição de alteridade); ou a lei é ignorada ou burlada, de alguma forma, ainda que imaginariamente pelo sujeito. Ou ainda o próprio sujeito coloca-se no lugar de puro objeto para o outro real (Lacan, 1962-63/2004).
Pensando em sujeitos pós-modernos, um gozo seria tomar o outro como mero objeto para seu usufruto, nas palavras de Birman (2011), como "instrumento para o incremento da autoimagem, podendo ser eliminado como um dejeto quando não mais servir para essa função abjeta", pois o que interessa ao sujeito "é o engrandecimento grotesco da própria imagem" (p. 26).
Um tipo particular de gozo que interessa a esta pesquisa é o ligado ao ver e ser visto, ao que Lacan (1964/1973) associou a uma pulsão escópica. Não quero entrar no mérito se haveria, de fato, uma pulsão como tal, mas o fato é que existe uma satisfação em ser olhado. Em ser olhado como quem? Como aquele que completaria a falta do outro, como sendo a imagem da suposta completude para o outro. Expressão própria da imagem narcísica que é oferecida ao outro; expressão do desejo de ser o desejo do outro.
Amplio a noção de gozo ligado ao escópico em Lacan (1964/1973) (associado ao olho e ao olhar, este levando em conta o desejo inconsciente envolvido) para a de um gozo ligado à imagem no seu sentido mais amplo, não só visual44. Gozo que chamo de imagético, satisfação com a própria imagem (nas redes sociais, por exemplo), sempre tão fugaz e impermanente, porque elide o desejo impossível envolvido na relação com outro, porque o outro (sujeito) está na mesma dinâmica, também deseja ser o desejo do outro.
As redes sociais virtuais explicitam essa dinâmica – uma multidão de sujeitos que se oferecem ao olhar, ao julgamento do outro, que desejam ser reconhecidos como aqueles cuja imagem seria o que completaria a falta do outro, a imagem da suposta completude para ele. Mas para alguém completar alguém, se fosse possível, seria preciso que fosse apenas um objeto, não um sujeito desejoso. Objeto que seria literalmente descartado depois. Na impossibilidade de que tal completude se realize, os sujeitos vão buscar as migalhas que oferecem uns aos outros - as "curtidas" nos posts dos amigos, os comentários elogiosos sobre eles no Facebook, as recomendações, os elogios aos feitos e às competências dos contatos no LinkedIn. Migalhas que oferecem esperando receber de volta ou que representam uma tomada de posição (ao curtir um comentário qualquer de outrem, por exemplo) que contribui para a construção de uma imagem de si para o outro. Alguns pontos colocam-se:
Se o gozo remete ao outro e a certa possibilidade de transpor o limite e a interdição por ele instituído, se se trata de uma satisfação para além do prazer, o sintoma também é um tipo de gozo, embora enganoso (Lacan, 1962-63/2004). Gera sofrimento, desprazer, mas representa uma recusa à interdição (Viltard, 1996), ao limite do outro, o que configura um exemplo típico de satisfação aquém do prazer.
O gozo possível representa, do ponto de vista fenomênico, não raramente, uma satisfação demasiado fugaz, ou limitada, ou mais sofrida do que propriamente prazerosa, como é o caso de muitos sintomas. Mas o sujeito relança-se repetidamente na busca do que se perdeu ou do que supostamente não foi obtido novamente a cada gozo (Barros Junior, 2009). Repete a busca por um suposto gozo absoluto, por um mais-de-gozar, suplemento do seu gozo possível, e que imaginariamente lhe restituiria o gozo total. Lacan (1969-70/1992) aproxima a noção de mais-de-gozar à de mais-valia de Marx, embora uma não se reduza à outra. Não há mais-de-gozar ou mais-valia que restitua o que é imaginado como falta, pois há uma impossibilidade de um gozo absoluto. Nele o outro real teria que ser destruído e, nesse mesmo ato, o gozo se desfaria, portanto perdendo seu caráter ilimitado. Por isso, a repetição de busca por um mais-de-gozar ou de acúmulo de mais-valia torna-se às vezes infindável, sobretudo quando se goza ou se acumula cada vez mais, dando a impressão de que é possível chegar ao absoluto (Barros Júnior, 2009).
No que diz respeito ao sofrimento, Freud (1929/1981a), em O Mal-estar na civilização, aponta três principais fontes: a deterioração do próprio corpo, as forças da Natureza e a relação com os outros seres humanos.
O sofrimento aqui em questão é, sobretudo, o suscitado nas relações humanas, sócio- históricas, e por elas, o que engloba sintomas, inibições, angústia. Sofrimento que, na pós- modernidade, apresenta-se muito na forma de angústia e de outras formas difusas, por exemplo, de sintomas depressivos, ligados, portanto, a alguma dimensão de perda, mas sem que tenha havido, necessariamente, uma perda "concreta" (Mezan, 2002). Angústia pelas incertezas da vida em sociedade que levamos hoje em dia, pela falta de um lugar social simbólico definitivo, pela impossibilidade de se atingir um gozo narcísico pleno, tão
estimulado e vendido pela mídia, pela publicidade. Depressão, por exemplo, pela perda da imagem narcísica de completude, nunca de fato e plenamente vivida, mas sempre vislumbrada e invejada no outro - nas celebridades, nos amigos de Facebook que aparecem nas fotos que publicam sempre tão felizes e fazendo coisas extraordinárias.
Dizia Lasch (1979/1991) que o homem contemporâneo se volta para terapias não para se livrar de obsessões, mas para encontrar significado e propósito na vida. Claro, aqueles que sofrem de obsessões ou de sintomas histéricos continuam existindo, mas o que Lasch ressaltava eram os tipos mais contemporâneos de sintoma, ligados a uma dimensão mais narcísica, como discutirei a seguir.
Que o sintoma seja um tipo de gozo, não invalida o seu caráter de sofrimento, até porque é um gozo “manco”, “desajeitado”, bastante ineficaz no seu objetivo de produzir satisfação. Diferente, neste sentido, de um gozo perverso, por exemplo (Barros Júnior, 2009).
Assim, se explicito gozo e sofrimento separadamente neste trabalho, é para ressaltar outros tipos de sofrimento que não necessariamente se reduzem ao gozo, ainda que possam estar indiretamente ligados a ele, tais como a angústia ou a dor da perda. Mas também o faço para ressaltar a dimensão de sofrimento do gozo neurótico sintomático (ainda que nele haja também satisfação), na comparação com um gozo de natureza mais perversa. Neste, a satisfação para-além do prazer, na relação com o outro, parece-me mais predominante – se assim podemos dizer – do que o sofrimento nele engendrado (Barros Júnior, 2009).
Posto isso, a pesquisa também visa apreender, na medida dos limites do método nela adotado, traços, manifestações de prazer, gozo e sofrimento nas relações de sujeitos em situação de desemprego nas redes sociais virtuais.