Teoricamente, os benefícios agregados por uma empresa que tenha migrado os seus sistemas para soluções livres são diversos, começando na parte financeira e culminando, em diversos casos, na melhoria da qualidade dos serviços.
Geralmente, as motivações para o uso de software livre englobam aspectos técnicos, ideológicos, sociológicos e econômicos. Um dos principais fatores motivadores encontrados da literatura vem a ser a redução de custos através do não pagamento de licenças pela utilização dos softwares (BOZMAN et al., 2002).
A adoção do software livre promove uma mudança na composição dos custos associados aos processos de informatização. O modelo de software proprietário está vinculado à aquisição de direitos de uso de um número definido de cópias. Ou seja, mais máquinas demandam mais licenças e, por conseqüência, mais investimento. Por outro lado, o modelo do software livre não prevê custo por usuário ou máquina, apenas um custo inicial, se existir. Na prática, o custo por cópia adicional é irrelevante, o que representa um incentivo para a adoção do software livre. Estas economias seriam mais significativas nos domínios da infra-estrutura de servidores e, em menor escala, de computadores desktop (SOFTEX, 2005b).
Alguns motivos para a adoção de softwares livres foram levantados por grupos específicos de usuários. Cada grupo apresentou um foco distinto, de acordo com a perspectiva particular do mesmo. Em resumo, foram apontados os seguintes fatores como principais motivadores para uso de software livre: a “redução de custos”, seguida de “maior flexibilidade para adaptação”, “maior qualidade (estabilidade, confiabilidade, disponibilidade)”, “maior autonomia em relação ao fornecedor” e “maior segurança” (SOFTEX, 2005).
Gutierrez et al. (2004) também classificaram algumas das vantagens obtidas com a adoção de softwares livres pelas empresas privadas, tais como:
• Melhor preço para os serviços associados à distribuição do produto, pois o acesso ao código-fonte por várias empresas concorrentes acaba tendo um efeito regulador sobre os preços desses serviços;
• Garantia de continuidade do produto, pois não há o risco de a empresa proprietária do software, por qualquer razão, retirar-se do mercado;
• Independência de fornecedor único, uma vez que, por ser aberto e livre, várias empresas podem distribuir o software e realizar os serviços de modificação necessários;
• Melhor aproveitamento do hardware existente, por não existirem pressões para atualização de versões, inexoravelmente associadas a limitações ao suporte disponível para versões antigas; no caso do software livre, pelo fato de o código-fonte ser de acesso livre, sempre haverá uma empresa disposta a efetuar os serviços de manutenção e suporte;
• Elevada qualidade do software, verificada nos casos em que existe um grande número de colaboradores e empresas envolvidos com o projeto;
• Maior facilidade de configuração e adaptação às necessidades da empresa frente aos pacotes proprietários, que são desenvolvidos visando a um uso padrão e incorporando um grande número de funções sofisticadas, das quais cada usuário individual usará apenas uma pequena parcela, variável entre os grupos de usuários;
• Maior segurança do produto de software, pois, pelo fato de o seu código-fonte ser aberto, examinado por um grande número de pessoas, é praticamente inexistente a possibilidade de existência de brechas que permitam a sua invasão não autorizada.
A independência de apenas um fornecedor único também é citada por Pereira (2004), quando a autora defende que o conceito central do movimento do software livre é a sua independência de grandes organizações empresariais de tendência monopolista e de práticas comerciais que controlam as aplicações disponíveis no mercado, impondo atualizações para as mesmas ou, até mesmo, retirando-as de circulação.
Pereira (2004) defende que a retirada do mercado de um software livre é praticamente impossível, já que o seu código fonte encontra-se disponível e distribuído através de vários grupos de desenvolvedores. Neste sentido, segundo a autora, as opções livres possuem a vantagem de terem a garantia de manutenção e longevidade.
Hexsel (2002) pode ser citado como outro autor que descreve alguns benefícios da adoção do software livre, como: custo social baixo; independência de tecnologias proprietárias; independência de um único fornecedor; desembolso inicial próximo de zero; não obsolescência do hardware; robustez e segurança; possibilidade de adequação de aplicativos; suporte abundante e gratuito; e possibilidade de configuração de sistemas e aplicativos.
Hexsel (2002) ressalta como uma grande vantagem dos softwares livres a inexistência da acelerada obsolescência do hardware observada com a utilização do software proprietário. Geralmente, segundo o autor, quando um determinado fornecedor deseja publicar uma nova versão de seus aplicativos de escritório, o equipamento que os executa também deve ser atualizado ou substituído. Isto ocorre porque as funcionalidades adicionais que são adicionadas nas versões atualizadas elevam a complexidade e o tamanho dos aplicativos, exigindo processadores mais rápidos e maior capacidade de memória e armazenamento.
Esta obsolescência do hardware ocorre em escala muito menor com os softwares livres, já que a pressão por novas funcionalidades meramente estéticas é pequena ou inexistente. Isto faz com que algumas máquinas que poderiam ser consideradas como
obsoletas pelos padrões de mercado possam ser utilizadas plenamente com software livre (HEXSEL, 2002).
Segundo Turban et al. (2005), em muitos casos, o software livre chega a ser mais confiável que o software comercial. Isso se explica porque o software livre está disponível para diversos desenvolvedores, fazendo com que os erros no código sejam descobertos a uma maior velocidade, possibilitando a sua imediata correção.
Esta característica também é citada por Hexsel (2002), quando o autor defende que a qualidade técnica dos softwares livres advém do modo de produção dos mesmos, envolvendo numerosos desenvolvedores voluntários e testadores dos sistemas. Estas atuações, segundo o autor, produzem melhorias na qualidade do sistema, o que acaba por atrair novos usuários.
Silveira et al. (2003) citam esta característica dos softwares livres realizando uma comparação. Segundo os autores, cerca de 400 mil desenvolvedores distribuídos pelo mundo estão atuando na criação e desenvolvimento dos softwares livres, enquanto a Microsoft, maior empresa de software do planeta, conta com “apenas” 30 mil funcionários. Por este motivo, segundo os autores, dificilmente uma empresa privada terá condições de acompanhar o ritmo de inovações incrementais de uma rede tão variada e inteligente.
Gutierrez et al. (2004) defendem que a adoção do software livre representa, muito além da redução de custos, pelo seu potencial ganho em transparência, aprimoramento da segurança, formação de mão-de-obra especializada e, principalmente, aplicações sociais.
Freitas e Teles (2002) ainda abordam uma questão social para exemplificarem mais uma das diversas vantagens do software livre. Segundo os autores, o software livre pode ser o responsável por uma maior disseminação do uso da tecnologia da informação na educação, já que as ferramentas livres possuem grandes vantagens relacionadas com a flexibilidade e o custo de sua implantação e utilização.
Por fim, encontra-se outra vantagem do software livre na questão da eliminação das ações de reserva de mercado das soluções proprietárias, já que a Microsoft, uma empresa tida como monopolista – inclusive já condenada pela Justiça do seu próprio país por práticas abusivas –, adota tais práticas (SENADO FEDERAL, 2004).