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A. Örgütsel Adalet

5. Örgütsel Adaletin Boyutları

Segundo Yin (2005, p. 82), “preparar-se para coleta de dados pode ser uma atividade

complexa e difícil. Se não for realizada corretamente, todo o trabalho de investigação do estudo de caso poderá ser posto em risco, e tudo o que foi feito anteriormente, ao se definir as questões da pesquisa e projetar um estudo de caso, terá sido em vão”.

Diniz (2000) defende que a escolha dos métodos de coleta de dados e evidências é uma das partes mais difíceis de uma pesquisa, pois, segundo o autor, a forma de coleta de dados e a definição do universo de estudo são as responsáveis pela garantia da exeqüibilidade da pesquisa.

Seguindo a orientação de Yin (2005), foi adotada a utilização de um protocolo para a coleta de dados, uma vez que este autor afirma que “a utilização de um protocolo é uma

maneira especialmente eficaz de lidar com problema de aumentar a confiabilidade dos estudos de caso” (YIN, 2005, p. 82).

Um protocolo para o estudo de caso pode ser considerado mais do que um instrumento, uma vez que o protocolo contém não apenas o instrumento, mas também os procedimentos e as regras gerais que devem ser seguidas ao utilizar o instrumento, tal tem por objetivo orientar o pesquisador durante a realização da coleta de dados a partir de um estudo de caso único, antecipando o acontecimento de diversos problemas e evitando resultados desastrosos com o decorrer do tempo (YIN, 2005).

Segundo Yin (2005), um protocolo de estudo de caso deve apresentar as seguintes seções:

• Uma visão geral do projeto do estudo de caso;

• Procedimentos de Campo;

• Questões do estudo de caso;

• Guia para o relatório do estudo de caso.

Segundo Eisenhardt (1989, p. 534), “os estudos de caso tipicamente combinam

diversos métodos de coleta de dados, tais como: arquivos, entrevistas, questionários e observações”. Na presente dissertação, foram utilizadas como forma de coleta de evidências

as seguintes fontes: documentações, entrevistas, questionários, observações diretas e observações participantes.

A utilização de cinco fontes de evidências é justificada e defendida por Yin (2005, p. 125), quando o mesmo afirma que “um ponto forte muito importante da coleta de dados para

um estudo de caso é a oportunidade de utilizar muitas fontes diferentes para a obtenção de evidências”. Uma das mais importantes vantagens da utilização de fontes múltiplas de

evidências é a abertura da possibilidade do desenvolvimento daquilo que Yin (2005) chamou de “linhas convergentes de investigação”, um processo que pressupõe que qualquer descoberta ou conclusão de um estudo de caso seja baseada em diversas fontes de informação, implementando um estilo corroborativo de pesquisa.

Eisenhardt (1989, p. 538) também defende o potencial das múltiplas fontes de coletas de dados quando afirma que "a triangulação se faz possível através de múltiplos métodos de

Para Benbasat et al. (1987), a utilização de diversas fontes de levantamento de dados é de fundamental importância, pois possibilita a obtenção de um conjunto valioso de dados que envolvem o assunto pesquisado, bem como capturam a complexidade do contexto.

Sobre a utilização de documentações como fonte de levantamento de dados, Yin (2005) sugere a probabilidade de que as informações contidas nos documentos possam ser relevantes a todos os tópicos do estudo de caso. Porém, o mesmo autor alerta que os documentos devem ser cuidadosamente utilizados, não se devendo tomá-los como registros literais dos eventos que ocorreram, sendo a sua utilização muito importante para corroborar e valorizar as evidências oriundas de outras fontes.

Com relação à análise de documentos, foram analisados e-mails, comunicações internas, relatórios e atas de reuniões relativos à adoção do novo sistema. O levantamento de documentação se deu de forma bastante suave, já que o pesquisador possuiu acesso bastante fácil aos documentos do Departamento de Informática da empresa estudada.

Os questionários utilizados foram compostos por 21 questões que objetivaram levantar dados que pudessem ser confrontados com os constructos do meta-frame, desenvolvido a partir do referencial teórico apresentado. Em cada uma das questões, houve uma afirmação seguida de um conjunto de alternativas que indicavam o grau de concordância (“discordo totalmente”, “discordo parcialmente”, “indiferente”, “concordo parcialmente” e “concordo totalmente”) de cada respondente com relação à afirmação anterior – escala Likert de cinco pontos (CARMAN, 1990).

Responderam ao questionário todos os 30 funcionários que efetivamente estavam associados ao pacote de aplicativos de escritório. Apenas foram descartados os funcionários que, profissionalmente, não precisavam se relacionar com o software livre implantado. Os funcionários pertencentes ao grupo descartado foram selecionados pelo pesquisador a partir

de observação direta. Em alguns casos, quando o grau de utilização do sistema não era claro, uma breve entrevista foi utilizada.

Com o objetivo de tornar mais aprazível a ação de responder ao questionário, foi desenvolvido um sistema informatizado. A criação deste sistema também teve como objetivo um melhor e mais rápido tratamento das respostas coletadas, já que as mesmas foram armazenadas automaticamente em um banco de dados informatizado.

A seguir, é apresentada a tabela 4, que contém as questões existentes no questionário, agrupadas pelo seu respectivo constructo e as fontes de referência associadas:

1 Questões relacionadas com os constructos “percepção da utilidade do sistema” (Davis, 1989) ou “expectativa de performance” (Venkatesh, 2003).

1.1 O software livre é mais confiável, seguro e estável que o software proprietário.

(confiabilidade)

1.2 O software livre oferece todas as funções necessárias para a realização eficiente das minhas tarefas.

(funcionalidades)

1.3 O software livre possui um bom tempo de resposta.

(tempo de resposta)

1.4 Observei uma melhoria de qualidade do meu trabalho com a utilização do software livre.

(qualidade geral)

1.5 O software livre permite que eu realize as minhas tarefas em um menor tempo.

(produtividade)

2 Questões relacionadas com os constructos “percepção da facilidade do sistema” (Davis, 1989) ou “expectativa de esforço” (Venkatesh, 2003).

2.1 O software livre é compatível com os outros sistemas que também utilizo.

(compatibilidade)

2.2 O software livre é fácil de usar.

(facilidade de uso)

2.3

O software livre possui uma boa interface gráfica, com terminologia, abreviações e símbolos fáceis de serem compreendidos.

(layout)

2.4 O software livre proporciona explicações sensíveis ao contexto quando solicitadas.

(ajuda)

2.5 O software livre não força o usuário a executar uma seqüência rígida e desnecessária de passos.

(flexibilidade)

2.6 O software livre é projetado de forma que pequenos erros não tenham conseqüências severas.

(tratamento de erros)

2.7 O software livre proporciona mensagens de erro fáceis de entender.

(interação com usuário)

2.8

O software livre é adequado a usuários iniciantes e experientes porque é facilmente adaptável ao nível de conhecimento do usuário.

(independência de qualificação)

2.9 O software livre não requer a memorização de muitos detalhes.

(simplicidade)

2.10 O software livre é de fácil aprendizado, mesmo que não haja apoio externo ou de um manual.

(facilidade de aprendizado)

2.11 O uso do software livre possibilitou que eu realizasse mais facilmente as minhas tarefas no trabalho.

(adequação ao trabalho)

3 Questões relacionadas com os constructos “influência social” (Davis, 1989) ou “fatores sociais” (Markus, 1983).

3.1 O software livre permite que eu trabalhe com tecnologia de ponta.

(percepção de tecnologia)

3.2 O uso de software livre permite que eu aumente os meus conhecimentos em informática.

(aumento do conhecimento)

3.3 Meus superiores esperam que eu use o software livre.

(expectativa dos superiores)

3.4 As pessoas que utilizam o software livre no meu trabalho são mais reconhecidas.

(reconhecimento)

3.5

A utilização do software livre pode ser considerada como uma característica de status na empresa onde trabalho.

(status)

As entrevistas podem ser consideradas como uma das mais importantes fontes de informações para o estudo de caso, uma vez que são fontes essenciais de informação para o mesmo (YIN, 2005).

Ao longo de um processo de entrevista, cabem ao pesquisador duas tarefas (YIN, 2005, p. 116):

• Seguir sua própria linha de investigação, como reflexo do protocolo de seu estudo de caso;

• Fazer as questões reais (de uma conversação) de uma forma não tendenciosa que também atenda às necessidades de sua linha de investigação.

As entrevistas realizadas em um estudo de caso exigem que o pesquisador atue em dois níveis ao mesmo tempo: satisfazendo as necessidades da linha de investigação enquanto, simultaneamente, passa adiante questões amigáveis e não-ameaçadoras durante as entrevistas espontâneas (YIN, 2005).

Cervo e Bervian (2002) defendem que as entrevistas não são simplesmente conversas, mas devem ser orientadas para um objetivo definido: coletar dados para a pesquisa. Os autores recomendam os seguintes critérios para o preparo e a realização da entrevista:

• Planejar a entrevista, definindo cuidadosamente o objetivo a ser alcançado;

• Obter algum conhecimento prévio sobre o entrevistado;

• Marcar com antecedência o local e o horário da entrevista;

• Criar condições propícias para a entrevista, em uma situação discreta;

• Escolher o entrevistado de acordo com a sua familiaridade ou autoridade em relação ao assunto;

Nesta dissertação, em particular, o método utilizado para a condução das entrevistas de levantamento de evidências foi a forma espontânea, seguindo modelo apresentado por Yin (2005), que afirma que o pesquisador pode solicitar que o respondente apresente suas próprias interpretações de certos acontecimentos e passe a utilizar essas interpretações como base para uma nova análise, aceitando as sugestões dos respondentes quanto a outras pessoas para entrevistar, além de outras fontes de evidências. As entrevistas foram utilizadas como fonte de evidências que possibilitaram a resolução de indagações que surgiram durante o processo de pesquisa.

Optou-se por realizar as questões de forma não tendenciosa, atendendo às necessidades da linha de investigação, sempre zelando por formulá-las de forma amigável e não-ameaçadora. Em situações nas quais as afirmações dos entrevistados contrariaram as premissas apresentadas na página 20 deste trabalho, o entrevistador aprofundou a discussão, de modo a entender o que levou o entrevistado a adotar aquela posição. Em média, as entrevistas foram realizadas em 30 minutos – período da entrevista.

Como limitação deste método de levantamento de evidências, Yin (2005) alerta que as entrevistas estão sujeitas a velhos problemas, como vieses, memória fraca e articulação pobre ou imprecisa. O pesquisador tratou desta limitação, uma vez que todas as entrevistas foram registradas e interpretadas pelo pesquisador/entrevistador.

Os entrevistados foram selecionados através da análise do grau de sua participação no projeto a ser estudado. Deu-se preferência para a seleção dos funcionários que apresentaram comportamentos mais extremos, tanto para a aceitação do novo software quanto para a rejeição do mesmo. Outra característica que foi bastante considerada para a seleção de entrevistados foi o grau de influência dos mesmos junto aos seus companheiros de trabalho, o que poderia indicar uma espécie de liderança modeladora de comportamentos. A quantidade

de entrevistas foi considerada ideal no momento em que houve uma acentuada convergência das respostas às questões formuladas.

Outra fonte de levantamento utilizada foi a observação direta, que consistiu em realizar visitas de campo ao local escolhido para estudo de caso. O pesquisador pôde realizar constantes observações diretas sobre os acontecimentos, todas de caráter informal, analisando como o projeto alvo de pesquisa era desenvolvido.

Segundo Yin (2005), as observações diretas podem variar de atividades formais e atividades informais de coleta de dados. Utilizando um método mais formal, pode-se desenvolver os protocolos de observação como parte do protocolo do estudo de caso e pedir ao pesquisador de campo para avaliar a incidência de certos tipos de comportamentos durante certos períodos de tempo no campo (YIN, 2005).

A observação participante foi bastante utilizada, uma vez que o pesquisador atuou de forma direta na migração dos sistemas existentes para soluções contendo softwares livres, seja na fase de implantação ou na fase de suporte. Esta técnica ofereceu oportunidades incomuns para a coleta de dados, já que ofereceu a capacidade de percepção da realidade, do ponto de vista de alguém de dentro do estudo de caso, e não de um ponto de vista externo (YIN, 2005).

Segundo Yin (2005, p. 121), “a observação participante é uma modalidade especial

de observação na qual você não é apenas um observador passivo. Em vez disso, você pode assumir uma variedade de funções dentro de um estudo de caso e pode, de fato, participar dos eventos que estão sendo estudados”.