5. KÜRESELLEŞME VE ORTA DOĞU’DA GÜVENLİK İLİŞKİSİ: SURİYE
5.3. Orta Doğu ve Küresel Güvenlik Bağlamında Ulus Devletler
5.3.1. Suriye örneği
Que Milhaud e Villa-Lobos se conheceram no Rio de Janeiro no período 1917- 1918 é um fato sabido e que pode ser comprovado pelos próprios textos deixados por cada um deles.
No relato autobiográfico em Música Viva, Villa-Lobos data de 1918 o seu contato com Darius Milhaud, ressaltando o papel deste no seu contato com a música de Debussy; enquanto Milhaud (1943), na apostila de Mills College, relata: “Eu também encontrei um jovem violoncelista que tocava num cinema para ganhar a sua vida; eu fui à sua casa e ele lá me mostrou as suas primeiras composições: este homem era Heitor Villa-Lobos. Eu o reencontrei mais tarde em Paris” (CORRÊA DO LAGO, 2010, p. 220).
Segundo Corrêa do Lago, a escassez de menções a Villa-Lobos nos textos e nas entrevistas deixados por Milhaud refletem a pouca importância que ele deu ao Villa-Lobos que conheceu no Rio de Janeiro, um compositor que escrevia sob uma
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Prova disto foi a aprovação, em abril de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania CCJ) do projeto de lei 4758/09, que propôs incluir Villa-Lobos no “Livro do Heróis da Pátria”. O autor do projeto, o deputado Dr. Talmir, justifica-se dizendo ser Villa-Lobos alguém que projetou o Brasil no cenário artístico internacional e que trouxe à tona a cultura “genuinamente nacional”, como “o folclore e o indigenismo musical brasileiro” (MIRANDA, 2010). A reportagem, publicada pela Agência Câmara de Notícias, segue com uma brevíssima biografia de Villa-Lobos, mencionando, dentre outras coisas, como “na década de 40 foi a vez da América do Norte se render ao trabalho de compositor” (MIRANDA, 2010). Traz também uma explicação sobre o que é o “Livro dos Heróis da Pátria”:
O Livro dos Heróis da Pátria é um memorial em páginas de aço com o nome de brasileiros que, em vida, “contribuíram para a grandeza, o orgulho e a glória” do Brasil. Ele está localizado no Panteão da Pátria, monumento em homenagem a liberdade e a democracia, localizado na Praça dos Três Poderes em Brasília. Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Plácido de Castro e Santos-Dumont são alguns dos nomes inscritos no Livro dos Heróis. (Ibid.)
nítida influência da música francesa, ao estilo de Debussy, e ainda sem a projeção que lhe caberia posteriormente.
O trecho de Milhaud das apostilas do Mills College91, mencionado na citação imediatamente anterior de Corrêa do Lago, datada de 1943, demonstra que Milhaud só deu atenção a Villa-Lobos posteriormente a sua projeção no cenário musical parisiense. Na verdade, Corrêa do Lago entende que Milhaud passou a demonstrar maior interesse por Villa-Lobos nos seus textos apenas após o impacto causado nos EUA pela apresentação da Ária da Bachianas Brasileiras n. 592.
Alguns autores falam de uma suposta influência de um compositor sobre o outro. Mas essas inferências só podem acontecer como meras suposições porque não existe nenhuma comprovação documental que indique um contato mais efetivo entre os dois.
Paulo de Tarso Salles (2009) menciona a possibilidade de Villa-Lobos ter usado o recurso da politonalidade, em determinadas peças compostas antes da sua ida à Paris, como resultado de uma suposta conversa que ele poderia ter mantido com Milhaud no Rio de Janeiro.
Podemos citar o trecho em que Salles menciona a superposição de acordes explorando a politonalidade como um recurso que aparece em Villa-Lobos a partir de 1917, o que o faz supor que essa técnica “pode ter sido sugerida a Villa-Lobos em alguma conversa com Milhaud” (Ibidem, p. 39, grifo nosso). Ou mais adiante, ainda falando sobre a politonalidade: “[...] se esse elemento pode ser imputado a alguma influência recebida por Villa-Lobos, talvez ela tenha vindo de algum comentário feito por Milhaud em sua passagem pelo Brasil” (Ibidem, p. 170, grifo nosso).
A politonalidade, técnica característica da escrita de Milhaud durante o entreguerras, não foi trazida ao Brasil por ele. Quando Milhaud veio ao Rio de Janeiro, Alberto Nepomuceno, por exemplo, já havia escrito suas Variations, op. 2993, para piano, peça na qual a técnica politonal foi utilizada94.
91 No período da Segunda Guerra Mundial, Milhaud exilou-se nos EUA. Trabalhou por um longo
período como professor no Mills College, na Califórnia. Existem apostilas escritas por Milhaud, e nunca publicadas, no acervo desta instituição.
92 Em 1939, a Bachianas Brasileiras n. 5 foi apresentada em Nova York (NEGWER, 2009, p. 241). 93
Nepomuceno escreveu tais Variations entre 1902 e 1912. Sobre a obra pianística de Nepomuceno, ver o artigo de Mónica Vermes (1983).
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Outro exemplo de tentativa de estabelecimento de conexões entre Milhaud e Villa-Lobos pode ser visto na comparação, feita por Tarasti (1995, p. 324-334), do Noneto, de Villa-Lobos, com L’Homme et son Désir. Apesar de afirmar que ambas são obras “irmãs”, pelas similaridades que encontra entre as duas, o autor lista mais diferenças do que semelhanças, com o objetivo de destacar a originalidade do estilo composicional de Villa-Lobos. Tarasti menciona Milhaud como tendo sido um dos primeiros europeus, juntamente com Rubinstein, a “descobrir” Villa-Lobos. Os elementos citados pelo autor como pontos de contato entre as duas peças são, na verdade, bastante genéricos e comuns ao estilo da época: a exploração timbrística do coro, o destaque à percussão, o uso de melodias e ritmos de caráter nacional. Tais elementos não nos permitem afirmar como evidente a influência de um sobre o outro, nem entender as semelhanças entre as peças como fruto do contato entre os dois compositores.
Considerando-se tais aspectos, as possíveis influências de Milhaud sobre Villa- Lobos, portanto, não passam de suposições: possíveis, mas não comprovadas por algum contato maior entre os dois.
Milhaud chegou a conhecer Villa-Lobos no Brasil, o que fez até com que alguns estudiosos atribuíssem a “modernidade” das obras do brasileiro ao contato com o francês; mas em sua biografia, Notes sans musique95, há
referências apenas superficiais à figura de Villa-Lobos, que parece não ter sido próximo dele (GUÉRIOS, 2003b, p. 156).