3. SOFT TOPOLOJİK UZAYLARDA BAZI SOFT GENELLEŞTİRİLMİŞ
4.2. Supra Soft Topolojik Uzaylarda Supra Soft Regüler Genelleştirilmiş Kapalı
Nesta seção relataremos o estudo exploratório que fizemos das características prosódicas de cada condição dos estímulos do teste de self- paced listening em PE. Seguimos os mesmos parâmetros de análise do estudo feito com as sentenças lidas espontaneamente pelos informantes nas tarefas de produção, relatados no capítulo 4: divisão em constituintes prosódicos; marcação entoacional e efeitos de duração associados às fronteiras de sintagmas entoacionais.
As 150 frases-estímulo foram divididas em dois sintagmas entoacionais, de duas formas diferentes: na condição prosódia GP, a fronteira de I acontece no SN ambíguo; na condição prosódia de reanálise a fronteira de I acontece no primeiro verbo das frases subordinadas (tipo sintático 1) e no SN objeto das
frases coordenadas (tipo sintático 2)52. Tal divisão reproduz aquela feita na leitura espontânea encontrada nas tarefas de produção. A diferença se dá nas frases da versão SW, pois tendo a fronteira bem marcada em todos os itens desta condição, podemos verificar se uma fronteira clara de I é capaz de levar o ouvinte ao efeito garden-path mesmo havendo uma pista semântica contrária para a aposição do SN como objeto.
Catalogamos e contabilizamos os acentos tonais e os tons fronteira dos 150 itens de teste do PE e encontramos uma grande uniformidade: os 150 itens tiveram acento tonal de natureza H+L*; em 144 itens o tom fronteira que se seguiu ao acento tonal foi de natureza H% e apenas 6 itens tiveram tom fronteira baixo (L%). Vejamos exemplos dos dois conjuntos tonais (acento + tom fronteira) encontrados nos dados do PE:
Ilustração 10: Acento tonal e tom fronteira na prosódia de reanálise da frase “A mãe castigou o Paulo e o Bruno atravessou o jardim aos gritos”.
52 Para as frases na versão LC temos o inverso: a condição prosódia GP, ou prosódia “errada”, tem a fronteira de I no primeiro verbo e a condição prosódia de reanálise, ou prosódia “correta”, tem a fronteira de I no SN ambíguo.
Time (s) 0 0.4988 P it c h ( m e l) 0 500
H+
L*
L%
ou- virIlustração 11: Acento tonal e tom fronteira na prosódia de reanálise da frase “Por mais que João tentasse ouvir a parede abafava os gritos dos alunos”
Tal uniformidade de ocorrência do acento tonal H+L* para os itens usados no teste de self-paced listening é comparável aos cerca de 90% de ocorrência deste mesmo acento na leitura espontânea dos informantes na tarefa de produção (ver seção 4.3.1.1).
Em relação aos efeitos de duração, procedemos às mesmas medições feitas com os dados das tarefas de produção (Capítulo 4): medimos as sílabas tônicas e pós-tônicas em posição de fronteira e não-fronteira de I para checarmos a existência de alongamento final em I; e medimos o elemento clítico que ocupou a margem esquerda, inicial, de I e o mesmo elemento na posição de não margem, para checarmos se há um reforço duracional inicial neste constituinte. Vejamos dois exemplos:
(57) Along. Final = [Ladrões atacaram a Maria e a Laura I%]... vs. [Ladrões atacaram a Maria I% e a Laura ]...
(58) Reforço Inicial = [Ladrões atacaram a Maria e a Laura I%]... vs. [Ladrões atacaram a Maria I% e a Laura ]...
Medimos a duração dos trechos iniciais das frases, marcados nos exemplo acima por colchetes [ ] e a duração das sílabas tônica e pós-tônica em posição de fronteira (sublinhado em negrito no exemplo 57) e não-fronteira (apenas sublinhado no exemplo 57) e calculamos o percentual representativo das sílabas em relação ao trecho medido. Para as medições de alongamento final
excluímos as frases em que a palavra alvo era oxítona (como “João”, “irmão”, “avô” etc) e ficamos com 136 itens analisáveis.
Para as sílabas tônicas na posição de fronteira de I obtivemos uma média de duração de 213ms o que representou 11,26% do trecho medido; para as mesmas sílabas na posição de não-fronteira a média duracional foi de 145ms, equivalendo a 7,48% do trecho medido. Após checarmos os pressupostos estatísticos de normalidade das distribuições, com o teste Kolmogorov- Smirnov, e de homogeneidade das variâncias, com o teste de Levene (KSPE_T_front = 0,086 p=0,200; KSPE_T_nãofront = 0,088 p=0,200; Levene F(1,134)= 7,961 p=0,059) procedemos ao teste T de Student para checarmos se essa diferença entre as médias de duração das sílabas tônicas tinha significância estatística e o resultado foi positivo t(134)=8,681 p<0,001. Abaixo podemos ver o gráfico com o intervalo de confiança das médias das sílabas tônicas nas duas posições testadas:
Gráfico 5: Intervalo de Confiança das médias do percentual de duração das sílabas tônicas do teste de self-paced listening no PE.
Para as sílabas pós-tônicas, como esperávamos, a diferença de duração em relação a posição também foi positiva e estatisticamente significante. Na posição de fronteira de I a média de duração das sílabas finais, pós-tônicas foi de 297ms, representanto 15,54% do trecho medido e a duração média das mesmas sílabas em posição de não-fronteira foi de 135ms, representando 6,92% do trecho considerado. Os dados do grupo das pós-tônicas também apresentaram resultados satisfatórios nos testes de pressupostos estatísticos (KSPE_posT_front = 0,141 p=0,069; KSPE_posT_nãofront = 0,109 p=0,083; Levene
F(1,134)= 2,059 p=0,154) e foi submetido ao teste T com o seguinte resultado: t(134)=14,678 p<0,001.
Gráfico 6: Intervalo de Confiança para as médias duracionais das sílabas pós-tônicas do teste de self-paced listening no PE.
Com relação ao reforço inicial de I, medimos o elemento clítico que pode ser um artigo definido no singular ou no plural, para as frases do tipo sintático 1 ou a junção da conjunção “e” e o artigo definido, no singular ou no plural, para as frases do tipo sintático 2 (como no exemplo 58). Na leitura espontânea da tarefa de produção (capítulo 4), vimos que há um aumento da duração do primeiro elemento que se encontra na margem esquerda de I quando este é um clítico. Nos itens experimentais lidos pela leitora treinada, no entanto, não encontramos reforço duracional significativo do elemento clítico. A média de duração do elemento clítico na posição de margem foi de 142ms, o equivalente a 7,34% do trecho medido. Já os mesmos elementos em posição de não- margem obtiveram a média de duração de 146ms, equivalendo a 7,64% do trecho medido. Tal diferença não foi estatisticamente significante no teste T das médias: t(148)= -0,747 p=0,456 (pressupostos estatísticos: (KSPE_clit_margem = 0,081 p=0,200; KSPE_clit_nãomargem = 0,051 p=0,200; Levene F(1,148)= 1,129 p=0,290).
Após a análise acústica dos itens experimentais, partimos para os resultados de tempo de reação ao fragmento crítico nas duas condições prosódicas em estudo.