3. SOFT TOPOLOJİK UZAYLARDA BAZI SOFT GENELLEŞTİRİLMİŞ
3.3. Soft İdeal Topolojik Uzaylarda Soft Regüler Genelleştirilmiş Kapalı Kümeler
Para a construção dos novos itens experimentais, fizemos uma pesquisa preliminar sobre dois tipos verbais: aqueles que podem possuir como complemento um SN de dois núcleos; e aqueles que podem alternar entre transitivo e intransitivo. Sobre o último, Bechara (2009) afirma que:
...esta particularidade só é possível quando a extensão significativa do verbo aponta para um termo geral (arquilexema) que englobe a natureza de todos os signos léxicos que naturalmente apareceriam à direita do verbo. (Bechara, 2009, p.415)
Alguns verbos possuem uma característica restritiva com relação ao complemento: há um sentido e uso inerentes que limitam o campo léxico dos elementos que podem ocupar a posição de objeto. Essa característica restritiva faz com que o objeto possa ser intuído, ou seja, não precise estar expresso explicitamente na construção frasal. São esses os verbos necessários para a construção de nossas frases-estímulo de tipos sintáticos 1 e 3. Já para a contrução das frases de tipo sintático 2, são necessários verbos que possam ter um complemento do tipo SN com dois núcleos. Chegamos, então, a duas listas:
Verbos para sentenças tipo 1 e 3 Verbos para sentenças tipo 2 escrever, fotografar, ajudar, beber,
esperar, ganhar, ouvir, ler, comer, costurar, caçar, regar, aplaudir, perder, socorrer, procurar, comprar, ajudar, apoiar, varrer e atacar.
convidar, castigar, admirar, visitar, proteger, acompanhar, abandonar, cumprimentar, prender, atacar.
Tabela 17: Verbos selecionados e utilizados na criação das frases-estímulo em PE
As frases para os testes piloto foram criadas em pares, nas versões EC e SW. Para o experimento final optamos por acrescentar uma terceira versão controle. Nesta versão controle, temos a posição do sujeito do segundo verbo preenchida pelo sujeito da primeira oração; assim, a leitura default do SN entre os verbos como OD do primeiro verbo é a correta e não causa o efeito Garden-Path. Nomeamos tal versão Late Closure (LC), pois o fechamento tardio do sintagma verbal, com a inclusão do SN como OD, gera a correta estruturação e interpretação da frase47. Para garantir que o SN no final da leitura das frases na versão LC não fosse confundido com o sujeito do segundo
verbo, fizemos com que não houvesse concordância de número entre estes dois elementos. Ou seja, nas frases em que o SN na posição ambígua está no singular, o segundo verbo da estrutura está no plural (e consequentemente o sujeito da primeira oração acompanhará o traço de número dos dois verbos da estrutura), e vice-versa. A ideia básica para a construção da nova condição controle, chamada LC, foi testar a força do componente prosódico na interpretação dos ouvintes. Queríamos verificar se a fronteira produzida entre o primeiro verbo e o SN induz o ouvinte a fechar antecipadamente o SV em construção, contrariando, assim, o princípio sintático do parser. Procurávamos por evidências experimentais que pudessem comprovar a força do componente prosódico na percepção, ou seja, na estruturação e organização mental do componente sintático.
Partimos, então, para a criação de 12 trios de frases para cada tipo sintático em estudo, totalizando 36 trios (108 frases). Mantivemos o mesmo controle de tamanho dos fragmentos 2 e crítico: o fragmento 2 é formado sempre por um conjunto de 4 sílabas e o fragmento crítico por um conjunto de 7 sílabas. As frases foram criadas por uma linguista falante nativa do Português Brasileiro e, posteriormente, revisadas e adaptadas por uma linguista falante nativa do Português Europeu. Tal procedimento de adequação do material foi adotado, mais uma vez, para evitar que diferenças vocabulares ou de usos das duas variantes do Português representassem uma fonte de estranhamento aos informantes portugueses que participaram do experimento. Vejamos um trio de cada tipo sintático para exemplificação:48
Tipo e versão Frag. 1 Frag. 2 (4sil.) Frag. 3-crítico (7sil.) Frag. 4
Tipo 1 EC À medida que João escrevia as mensagens foram lidas por todos na plateia Tipo 1 SW À medida que João escrevia os alunos conversavam na mesa do professor Tipo 1 LC À medida que João escrevia as mensagens sujava-se com tinta de caneta Tipo 2 EC A Maria convidou o João e o Pedro foi comer o almoço noutro lado Tipo 2 SW A Maria convidou o João e a carta foi ter ao endereço errado Tipo 2 LC A Maria convidou o João e o Pedro enviando-lhes o email do evento
Tipo 3 EC Os alunos estudavam a matéria era muito difícil e os exames chegavam Tipo 3 SW Os alunos estudavam o colega cochilava ao fundo e os exames chegavam Tipo 3 LC Os alunos estudavam a matéria liam todos os livros e os exames chegavam
Tabela 18: Exemplos das novas frases-estímulo nos três tipos sintáticos e nas três condições de teste, EC, SW e LC.
As 108 frases-estímulo foram lidas em duas condições prosódicas por uma linguista portuguesa fonologicamente treinada: na primeira, a fronteira de I foi produzida entre o fragmento 2 e o fragmento 3 (crítico), entre o SN e o segundo verbo, assim as versões EC e SW geraram o efeito Garden-Path e a versão LC não. Na segunda condição prosódica, a leitora produziu uma fronteira de I entre o fragmento 1 e o fragmento 2, ou seja, entre o primeiro verbo e o SN. Nessa condição, as versões EC e SW não geraram o efeito Garden-Path, mas a condição LC gerou. As duas condições prosódicas testadas reproduzem, de forma mais marcada, a prosódia da leitura “espontânea” encontrada nas tarefas de produção49. Com o novo material preparado, partimos para a construção do teste final de percepção, na esperança de que este fosse capaz de captar a reação on-line dos informantes às novas condições experimentais, testando, assim, nossas hipóteses teóricas sobre as inter-influências dos componentes sintático e prosódico no processamento.
Na criação das frases, fizemos um esforço na busca por preencher as bordas dos pontos de segmentação com segmentos oclusivos, evitando, assim, romper efeitos de co-articulação, mas nem sempre foi possível. No final do procedimento de criação dos estímulos, tínhamos 6 condições experimentais (3 versões EC, SW e LC vs. 2 condições prosódicas). Vejamos, abaixo, um grupo experimental dessas 6 condições:
Prosódia GP ( o I marca a fronteira de sintagma entoacional produzida pela leitora e as barras mostram a segmentação). :
EC - Logo que João fotografou / as modelos I / entraram no desfile/ de moda.
SW - Logo que João fotografou / as sirenes I / soaram no mercado/ superlotado.
LC - Logo que João fotografou I / as modelos/ caiu na passarela / do desfile.
Prosódia Reanálise:
EC - Logo que João fotografou I / as modelos / entraram no desfile/ de moda.
SW - Logo que João fotografou I / as sirenes / soaram no mercado/ superlotado.
LC - Logo que João fotografou / as modelos I / caiu na passarela / do desfile.
Na próxima seção relataremos a montagem e a aplicação do experimento final em PE.