1 GENEL BİLGİLER
1.3 İDAREYE İLİŞKİN BİLGİLER
1.3.5 Sunulan Hizmetler
Aprender. Aprender mais e mais, porque nunca é suficiente você dizer assim já sei.
(Paulo – Educando de EJA)
Para Freire, o Homem é ser inconcluso, consciente de sua inconclusão, e é permanente seu movimento em busca do ser mais. “A busca do ser mais, porém, não pode se realizar no isolamento, no individualismo, mas na comunhão, na solidariedade dos existires (FREIRE, 1987, p. 74).
Ao serem indagados sobre os interesses que os mobilizam na busca pela escolarização, 07 (sete) demonstraram continuar se escolarizando pelo interesse de aprender mais.
A continuidade é porque quanto mais a gente aprende, melhor pra gente, porque se eu quiser ir dar um passeio em São Paulo, já sei me movimentar dentro da cidade, porque eu já sei ler tudo, né, mas só quero ir quando aprender mais (Pedro);
É, pra mim aprender mais, pra saber mais conversar com as pessoas mais sabidas. É muito bom a gente saber pra ficar no meio das pessoas que sabem. A gente aprende mais a conversar se expressar mais para as pessoas (Socorro); Pra gente aprender mais, saber conversar, saber ler, pra entender, pra ser feliz (Tereza).
Na busca pela escolarização, o interesse em aprender mais significa a busca pelo saber, de conversar e entender o que lê, ou seja, buscam a compreensão, pois como diz Freire (2005, p.17):
A memorização mecânica do objeto não se constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado com pura descrição de um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela portanto resulta o conhecimento do objeto de que o texto fala.
Importante observar que a leitura de textos voltada à compreensão, difere da leitura realizada de forma mecânica, para Freire (2005) esta leitura revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada.
Desse modo, a leitura é uma aprendizagem que vai além da simples decodificação de sinais e de símbolos, pois envolve compreender o texto e o contexto, que nas palavras de Paulo Freire (2006, p.7) significa, “aprender a ler o mundo”.
Nesse sentido, o conceito de alfabetização ao longo do tempo tem sido ampliado para além da aquisição dos códigos, ou seja, alfabetizar é desenvolver habilidades de aquisição do sistema convencional de escrita, mas também saber fazer uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais, considerando suas diferentes funções.
Magda Soares (1998, p.39) discorre sobre alfabetização e letramento e apresenta o conceito deste segundo termo como: “o resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita. O estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais”, esclarecendo ainda que:
Ter-se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e a escrever: aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita e de decodificar a língua escrita; apropriar-se da escrita é tornar a escrita “própria”, ou seja, é assumi-la como sua “propriedade.
Destaco o depoimento de um aluno que acrescentou ao interesse de aprender mais, o de ser feliz. Ao analisar esse depoimento, pude associá-lo aos escritos de Konder (1999) quando nos lembra Marx aos 17 anos, ao dissertar o tema: “Reflexões de um jovem a propósito a escolha de uma profissão”. Duas ideias que deveriam acompanhá-lo por toda a vida. Segundo Konder (1999, p.17):
A primeira era a de que o homem feliz é aquele que faz os outros felizes; a melhor profissão, portanto, deve ser a que proporciona ao homem a
oportunidade de trabalhar pela felicidade do maior número de pessoas, isto é, pela humanidade. A segunda era a ideia de que existem sempre obstáculos e dificuldades que fazem com que a vida das pessoas se desenvolva em parte sem que elas tenham condições para determiná-la.
O autor acrescenta ainda:
A linguagem das suas ideias aparecia na composição juvenil, era ingênua, romântica. Porém Karl jamais abandonou a convicção de que era preciso procurar trabalhar sempre de maneira mais eficaz em prol da humanidade. E jamais abandou a preocupação com as condições sociais que impedem os indivíduos de forjar livremente seus próprios destinos (KONDER, 1999, p.17).
Ao questionar sobre o interesse que move os sujeitos investigados pela busca da escolarização, 03 (três) educandos expressaram a vontade de ter uma profissão ou mudar a que tem, ter um emprego.
Eu achava que com a profissão que eu tenho, mestre de obras, não era mais necessário estudar porque eu penso, puxa eu ganho hoje melhor que um professor, melhor que um cara que tem uma formatura, dá pra mim viver, mais eu percebi que a coisa tá mudando e daqui a 10 anos quem me garante que só isso vai dar pra mim sobreviver, e se tal eu continuar a estudar e conseguir uma formatura e ganhar três vezes a mais que talvez valesse o que ganho hoje? (João);
Arranjar um emprego, porque já trabalhei em casa de família quando eu era jovem, depois que me casei só trabalho em casa mesmo, mas eu tenho vontade de ter uma profissão, espero que eu chegue até lá (Maria Júlia);
Eu penso, assim, em parar de costurar que tô muito cansada dessa função e penso em fazer uma faculdade para ver se eu consigo trabalhar em outra área porque eu tenho problema de coluna e que já tá muito ruim pra costurar, é isso que eu penso melhorar! (Nazaré).
Os depoimentos apresentados apontam a falta de escolarização como fator limitante para o exercício de outras profissões que garantissem melhores salários e condições de trabalho e de vida. Assim, os sujeitos buscam a escola pela crença que ela servirá como meio para a inserção no mercado de trabalho e alcançar bons salários e melhores condições de vida. Entretanto, no meio destes sujeitos pode haver outros, devido ao caráter heterogêneo nas salas de EJA, que não se enquadram nesse perfil.
Nesse sentido, a busca pela escolarização na EJA representa para esses sujeitos a possibilidade de melhor qualidade de vida. Tal melhoria esperada no campo da profissão, ou seja, a elevação da escolaridade, do acesso a uma profissão e um trabalho, como também uma melhor remuneração.
Nessa direção, Haddad e Di Pierro (2000, p.127) destacam:
A tese corrente que converte associações positivas em nexos causais, afirma que a elevação da escolaridade promove o acesso ao trabalho e melhora a distribuição de renda, é apenas uma meia-verdade elevada à condição de certeza com base em certa dose de ingenuidade sociológica e otimismo pedagógico. A inversão dessa mesma equação nos leva a crer ser improvável a elevação da escolaridade da população sem a simultânea ampliação de oportunidades de trabalho, transformação do perfil da distribuição da renda e da participação política da maioria dos brasileiros.
Concordo com os autores e exemplifico a coerência de suas reflexões por meio do depoimento do educando João, ao afirmar que atualmente ganha mais que um professor (profissional este com larga passagem nos estudos, graduados e muitas vezes pós-graduado). Saliento que em minhas experiências de atuação na EJA foi possível constatar, em alguns casos, a inferioridade dos salários dos professores em relação ao salário do educando trabalhador.
Observo, ainda, que o interesse em continuar se escolarizando é movido pelo sentimento de aprendizagem no campo da tecnologia:
Eu tenho vontade de possuir um computador, entender e sem estudo eu não vou entender, com estudo eu vou entender. Como é que monitora um computador (e ainda não tem um?). Tenho não porque eu tô achando meu saber pouco. Um dia desses fomos pra aula de computação e o professor botou a gente pra ligar o computador e mexer em alguma coisa. Ah gostei tanto. Pergunta a resposta que se quer saber, né? (Rosa).
Ao serem indagados se estão gostando de estudar na EJA, todos responderam que estavam satisfeitos, embora alguns dos entrevistados tenham feito ressalvas.
Eu tô satisfeito porque aqui dá pra aprender alguma coisa. As vezes meu filho diz papai o senhor já tá um homem de idade num vai mais pra escola não! Eu vou enquanto eu puder ir eu vou. Eu sou muito sadio graças a Deus, e tô gostando de estudar (Pedro);
Satisfeito demais porque a gente aprende mais coisa, cada dia é uma aprendizagem diferente, é por isso que eu venho todos os dias (Tereza).
Os depoimentos dos entrevistados revelam que os mesmos demonstram satisfação em estudar na EJA, justificando a resposta pelo prazer de estarem aprendendo mais. Assim, entendo que os alunos estão abertos ao processo de aprendizagem e permanecem na escola porque estão satisfeitos. Nesse sentido, pude constatar que os professores têm grande participação nessa satisfação, do gostar dos alunos em estudar na EJA, e ressaltam nestes a paciência, o incentivo e o bom relacionamento.
Tô gostando porque os professores tudo é bacana com a gente, ensina e tem paciência, já era pra eu já tá na EJA III, porque eu passei no ano passado, mas o prof. pediu pra gente ficar, mais esse ano se Deus quiser eu vou para EJA III, no próximo ano (Margarida);
Tô gostando porque a professora tá incentivando muito a gente, com os textos, os alunos são muito parceiros com a gente, eu tô gostando muito (Fátima).
Apesar de todos os educandos terem declarado satisfação em estudar na EJA, destaco a ressalva de uma educanda com relação aos educandos adolescentes.
Tô adorando é muito divertido ampliar os horizontes da gente. Só não é tão bom porque estudar junto com adolescente é um aborrecimento, mas o resto tá tudo bem, é um pouco difícil porque a gente tá atrasada há muito tempo parada de estudar a matemática já vai ficando muito difícil, mas vamos ver (Nazaré).
Ante o exposto, ressalto que são vários os interesses que mobilizam os educandos na busca pela escolarização, dentre estes se destacam o interesse em aprender mais, de conversar e entender o que lê, da tecnologia, obter uma profissão e ter acesso a um trabalho, de ser feliz, essa busca representa para esses sujeitos a possibilidade de uma melhor qualidade de vida.
A busca realizada pelos educandos aponta, de acordo com Konder (2011), para uma filosofia educacional inspirada em Marx na ideia de um homem omnilateral que visa o desenvolvimento da plenitude do ser humano, bem como o aprimoramento intelectual, formação politécnica, moral, física e produtiva.