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Bilgi ve Teknolojik Kaynaklar

1   GENEL BİLGİLER

1.3   İDAREYE   İLİŞKİN   BİLGİLER

1.3.3   Bilgi ve Teknolojik Kaynaklar

A LDBEN 9.394 (BRASIL, 1996), no artigo 37, apresenta a educação de Jovens e Jovens e Adultos e o público a que se destina: “Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”.

Além do direito de acesso ao ensino fundamental e médio à EJA, também é garantido o direito de cidadania, como o direito público e subjetivo. Assim, como direito de cidadania, a EJA deve ser um compromisso de institucionalização como política pública própria de uma modalidade dos ensinos fundamental e médio e consequente ao direito público subjetivo (BRASIL, 2000).

Nesse sentido, questionei aos entrevistados sobre a vontade de concluir os estudos do ensino fundamental e médio nessa modalidade de ensino. Dos entrevistados, 8 (oito) declararam a vontade de concluir o ensino fundamental na EJA.

Quero continuar sim, enquanto eu puder, com as minhas pernas eu quero continuar. Quero continuar uns três a quatro anos, até onde eu quero chegar (Onde o Sr. Quer chegar?). Se for vivo, eu quero chegar no 2° grau, eu quero passar (Pedro).

Assim, eu pretendo continuar não sei até quando, mas quando terminar aqui a EJA fundamental eu vou me inscrever lá na Parangaba (no CEJA) e vou continuar lá (Rosa).

Sobre o assunto, Haddad e Di Pierro (2003, p.125) expressam quanto às ofertas de vagas no Ensino Fundamental:

Ao longo da segunda metade deste século, houve um importante movimento de ampliação da oferta de vagas no ensino público fundamental que transformou a escola pública brasileira em uma instituição aberta a amplas camadas da população, superando em parte o caráter elitista que a caracterizava no início do século, quando apenas alguns privilegiados tinham acesso aos estudos.

Ao analisar a continuidade dos educandos no ensino fundamental da EJA, é necessário destacar que a maioria dos entrevistados desta pesquisa apresentou como motivo para se matricular na EJA, após concluir o Programa de alfabetização, o aprimoramento no saber escolar. Entretanto, no decorrer da escolarização, essa expectativa acabou se ampliando e dando coragem para voar mais alto, a vontade de continuar os estudos no ensino médio na EJA.

Quanto ao ensino médio na EJA, 08 (oito) educandos demonstraram vontade de dar continuidade nos estudos, ingressando nesta etapa da educação básica e concluí-la, como é possível visualizar em algumas das suas falas:

Tenho, eu tenho vontade, pretendo concluir (Socorro);

Já estamos terminando a EJA V. Se Deus quiser eu quero ir pro Osires Pontes (escola pública), lá posso continuar no Médio (Lucimar);

Pretendo né com certeza, já tô terminando a EJA V e quero continuar no Médio (Josefina).

Além da vontade de concluir os estudos no ensino fundamental e médio, um educando declarou o sonho de ir mais além, o de cursar o ensino superior:

Com certeza, eu só quero parar na faculdade. Eu já tô calculando os anos que eu vou precisar pra chegar lá, por isso que eu não quero perder nada. Isso é prioridade pra mim (João).

Para Di Pierro (2001, p. 10), o teor desse chamado deveria contemplar a motivação:

[…] especialmente a motivação para que todos continuem aprendendo ao longo da vida, de que a necessidade, a vontade e a possibilidade de aprender são inerentes a todos os seres humanos, do nascimento à velhice. A aprendizagem precisa ser assim compreendida em sentido amplo, como parte essencial da vida e o desinteresse por aprender como eloquente prenúncio da morte.

Importante salientar que alguns educandos colocam a escolarização como um sonho antigo a se concretizar e a possibilidade de conclusão dos estudos.

Se Deus me permitir pretendo, sempre tive esse sonho; eu falto muito porque meus pais dependem de mim, são velhos (Joana);

Ah esse é o meu sonho Deus vai me dá essa glória, essa benção (Fátima).

O assunto remete a uma reflexão sobre o fazer educativo que atenda às necessidades e possibilite a realização dos sonhos dos jovens e adultos. Um fazer educativo pensado, preparado e realizado sempre “respeitando os sonhos, as frustrações, as dúvidas, os medos, os desejos dos educandos” (GADOTTI; ROMÃO, 2006, p,9).

Freire (1987, p.17) considera que:

É preciso mesmo brigar contra certos discursos pós-modernamente reacionários, como ares triunfantes, que decretam a morte dos sonhos e defendem um pragmatismo oportunista e negador da Utopia.[...] É possível vida sem sonho, mas não existência humana e História sem sonho.

A informação obtida através de experiência de uma amiga do ensino médio sobre a presença de maior quantidade de jovens no ensino médio da EJA foi declarada por uma educanda adulta como a possibilidade de não dar continuidade aos estudos nesse segmento.

Aí já não sei se eu vou fazer (risos). Assim, porque na nossa sala aqui eu tô gostando tudo tranquilo não tem bagunça, mas já me falaram onde tem jovens é muito bagunçado a pessoa não tem como aprender é por isso que eu não sei, porque era pra ser assim tudo separado, os jovens era pra ser só jovens na sala e as outras pessoas de idade de 46 anos que nem eu era pra ser noutra sala. (- É difícil conviver com os jovens na mesma sala?) é complicado, não dá certo, eu tive uma amiga que já desistiu por causa disso. Jovem não respeita professor, fica jogando bolinha de papel, pulando nas cadeiras dizem que é uma bagunça (Maria Júlia).

Na pesquisa, constatamos que essa presença de alunos adolescentes nas salas de EJA era superior ao número de adultos e idosos e muitas destas salas eram compostas somente por jovens. Segundo pesquisa do IBGE (2010), a presença de adolescentes na Educação de Jovens e Adultos no Ensino Fundamental é preocupante: quase 20 /° dos matriculados têm de 15 a 17 anos.

A condição da existência de uma escola próxima à sua residência foi relatada por 01 (uma) educanda para dar continuidade aos estudos no ensino médio, ao afirmar que “Se tiver uma escola perto, pretendo eu tenho vontade de não parar, só quando não puder mesmo” (Margarida).

Por fim, uma aluna declarou não dar continuidade aos estudos no ensino Médio na EJA, alegando o cansaço e o cuidado com a saúde, recomendação médica e, além destas questões, ressaltou ter dificuldade com a disciplina de matemática.

Não. Acho que eu não chego esse tempo aí não porque a gente já tá cansada, pouca saúde e o médico passou pra mim caminhar todo dia e o meu tempo é pouco pra caminhar, aí a noite eu tô cansada, eu acho que é muito puxado, esse negócio de matemática, puxa muito (Tereza).

O depoimento de Tereza mostra que por problemas de saúde a mesma não dará continuidade aos estudos, podendo ser incluída entre os excluídos da escola, como mostra Haddad (2008, p. 29):

Quando se toma a educação de jovens e adultos do ponto de vista de seus potenciais educandos, verifica-se que estes são justamente aquelas pessoas que as estatísticas alocam entre os pobres e indigentes; são as pessoas negras, os moradores das regiões mais pobres, ou nas metrópoles, os que têm mais dificuldades de conquistar empregos. São os trabalhadores rurais, grande parte ainda sem-terra; são mulheres mais idosas, vítimas da subcontratação no

mercado de trabalho ou exploração nos serviços domésticos, sequer considerados trabalho.

Para concluir, merece destaque o fato de que há uma diferença quanto a oferta de atendimento aos ensinos fundamental e médio. Conforme pesquisa de Haddad (2007, p.7): “ A maioria dos programas/projetos (34,54 %) está destinada à alfabetização de jovens e adultos; 32,53°/° atende ao primeiro segmento dessa modalidade. Apenas 5,62°/° das iniciativas estão voltadas ao ensino médio e 1,61°/° são cursos profissionalizantes, pós-ensino médio”.

Benzer Belgeler