5. ANALYSIS OF THE EFFECTS OF RENEWABLE ENERGY INVESTMENT
5.4. Summary
Com o objetivo de validar a consistência interna da TNF recorreu-se a um painel Delphi, uma metodologia frequentemente utilizada para a obtenção de consensos. Neste âmbito, foram realizadas duas rondas (Bosma et al., 2010). Na primeira ronda utilizaram- se questões com resposta “fechada” com recurso a uma escala de concordância do tipo
Likert de cinco pontos. As questões foram: (1) Da lista de atividades e participação que
se segue, qual o grau de concordância quanto à sua pertinência, para classificar a funcionalidade das pessoas adultas com doença crónica?; (2) Concorda com as perguntas "tipo", escritas no manual, para cada uma das atividades participação identificadas, para classificar a funcionalidade das pessoas adultas com doença crónica?; (3) Concorda com o exemplo de tradução semântica dos qualificadores apresentados no manual, para cada uma das atividades e participação identificadas para classificar a funcionalidade das pessoas com doença crónica?
Os resultados desta fase indicaram que com uma linha de corte no grau de concordância superior a 50%, não foi excluído nenhum dos itens da primeira para a segunda ronda, que foi realizada 15 dias depois.
Quando interrogados com as mesmas questões, e após um período de reflexão de 15 dias, seguindo o mesmo nível de corte (concordância superior a 50%) verifica-se que a
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Atividade e participação “educação de nível superior” obteve um grau de concordância inferior a 50%, sendo por isso excluída no procedimento de validação subsequente. Relativamente às restantes Atividades e participação apenas: “conduzir”, “ajudar os
outros”, “relacionamentos sociais informais” e “formação profissional” obtiveram níveis
de concordância inferiores a 70%, contudo optou-se por mantê-las nos restantes processos de validação. Relativamente à percentagem de concordância com a pergunta “tipo” proposta” e “tradução semântica dos qualificadores” por Atividade e participação o valor mais baixo obtido foi 53% na tradução semântica de qualificador para o item “formação profissional”, seguido de 60% nas questões desenhadas para o item “formação profissional” e “educação de nível superior” e tradução semântica do qualificador para o item “ajudar os outros”.
3.2.2. Grupo de discussão (focus group)
Para otimizar a análise da informação disponível foram analisadas as frequências dos códigos da CIF de segundo e terceiro nível, na dimensão Atividades e Participação, tendo sido identificados 71 itens que serviram de base de trabalho para o grupo focal (Tabela 78).
Tabela 78. Dimensões do modelo teórico descritas na CIF
Dimensões teóricas descritas na CIF Códigos CIF d1 - Aprendizagem e aplicação dos
conhecimentos d166 Ler d175 Resolver problemas d2 - Tarefas e exigências gerais d220 Realizar múltiplas tarefas
d230 Realizar a rotina diária
d240 Lidar com o stress e outras exigências psicológicas
d3 - Comunicação d330 Falar
d345 Escrever Mensagens d350 Conversação
d360 Utilização de dispositivos e técnicas de comunicação d4 - Mobilidade d410 Mudar a posição básica do corpo
d415 Manter a posição do corpo d430 Levantar e transportar objetos d440 Motricidade fina
d445 Utilização da mão e do braço d450 Andar
d460 Deslocar-se por diferentes locais d465 Deslocar-se utilizando equipamentos
d470 Utilizar transportes (carro, autocarro, comboio) d475 Conduzir (e.g., bicicleta, mota, automóvel, animais) d5 - Autocuidados d510 Lavar-se (e.g., mãos e o corpo, secar-se)
d520 Cuidar de partes do corpo (e.g., lavar os dentes, pentear) d530 Cuidados relacionados com o processo de excreção d540 Vestir-se
d550 Comer d560 Beber
d570 Cuidar da saúde
Tabela 78. Dimensões do modelo teórico descritas na CIF (continuação)
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d6 - Vida doméstica d620 Adquirir bens e serviços (e.g., fazer compras) d630 Preparar refeições (e.g., cozinhar)
d640 Fazer trabalhos domésticos (e.g., limpar a casa) d660 Ajudar os outros
d7 - Interações e relacionamentos
interpessoais d710 Interações interpessoais básicas d760 Relações familiares d770 Relacionamentos íntimos d8 - Principais áreas da vida d825 Formação profissional
d845 Obter, manter e sair do emprego d850 Emprego remunerado
d860 Transações económicas básicas d9 - Vida comunitária, social e cívica d910 Vida em comunidade
d920 Recreação e lazer
Como referido anteriormente, o grupo focal foi composto por dez peritos que reuniam os critérios de inclusão previamente definidos. As sessões foram realizadas ao longo do ano de 2011 e 2012 e a partir das quais se obtiveram os seguintes resultados: (1) seleção dos itens, resultantes da revisão da literatura, que melhor caracterizassem a funcionalidade da população portuguesa, adulta em idade laboral com doença crónica; (2) adaptação semântica no sistema métrico de qualificação, tendo por referência os qualificadores da CIF; (3) redação do guião de perguntas para aplicação da TNF (Anexo 15); (4) construção do manual de aplicação da tabela (Anexo 16).Seguidamente, foi realizado um pré-teste nacional e ao analisar os dados recolhidos, considerou-se relevante conhecer as dimensões percecionadas pela população adulta com doenças crónicas, apesar do instrumento em construção assumir as dimensões de análise definidas pela CIF.
3.3. Propriedades psicométricas
3.3.1. Análise da consistência interna
Para testar qual o modelo que apresenta melhor consistência interna, recorreu-se ao coeficiente alfa de Cronbach e à metodologia split-half, verificando-se que em ambos os casos os valores resultantes da ACP são bastante adequados, pois segundo Kline (2000) consideram-se satisfatórios os valores superiores a 0,70 (Tabela 79).
Tabela 79. Coeficiente alfa de Cronbach para o modelo da ACP
Dimensões da ACP α de Cronbach
Mobilidade e autocuidado 0,95
Competências gerais 0,90
Competências específicas (cognitivo-instrumentais) 0,90
Sociabilidade 0,85
Manipulação e manuseio 0,83
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A análise discriminante dos níveis de funcionalidade em amostras diferentes, foi verificada pelo teste de Levene e pelo teste t, para as dimensões teóricas e para as dimensões resultantes da ACP. Os resultados do teste t revelaram que os valores médios do grupo de doentes sem CIT e do grupo de doentes com CIT não são iguais, para um nível de significância de 5%, o que sugere que este instrumento é sensível às diferenças existentes entre doentes crónicos com incapacidade e doentes crónicos sem incapacidade.
A análise estatística realizada sugere que os itens, validados para classificar a funcionalidade em doentes crónicos, deverão ser agrupados segundo as dimensões sugeridas pela ACP uma vez que apresentam melhores características psicométricas que as dimensões teóricas descritas na CIF.
Sendo o resultado esperado deste processo, o desenho de uma tabela de funcionalidade para adultos em Portugal, assume-se que os itens que constituem a tabela nacional da funcionalidade serão agrupados e classificados em cinco dimensões: (1) Mobilidade e Autocuidado; (2) Competências gerais; (3) Competências específicas; (4) Sociabilidade; (5) Manipulação e Manuseio.
3.3.3. Validade externa
No sentido de dar continuidade à investigação e à semelhança de estudos realizados noutros países (e.g., Escorpizo et al., 2001; Öztuna et al., 2011), considerou-se pertinente analisar a validade externa da TNF para as doenças crónicas com um instrumento que também permitisse identificar e quantificar a qualidade de vida o SF36. Tendo em conta os objetivos da presente investigação, apenas foram consideradas as dimensões: Capacidades funcionais, Limitações por aspetos físicos e Limitações por aspetos emocionais, por serem as que vão ao encontro das dimensões que resultaram da análise de componentes principais da TNF.
A validade externa (concorrente) tem como objetivo analisar a correlação entre testes que medem o mesmo constructo quando os dados são recolhidos ao mesmo tempo (Marôco, 2014a). Neste âmbito, serão testadas as associações entre as cinco dimensões da TNF para doenças crónicas (Mobilidade e autocuidados, Competências gerais, Competências específicas, Sociabilidade, Manipulação e manuseio) a as três dimensões da SF36 anteriormente referidas.
Através da aplicação do teste de Kolmogorov-Smirnov foi possível verificar que os fatores da TNF e da SF36 não se encontram distribuídos de acordo com os padrões de normalidade (Tabela 80). No sentido de confirmar os valores obtidos, procedeu-se à
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elaboração de uma análise pormenorizada da distribuição das variáveis, onde se pôde possível constatar que os coeficientes de Skewness e Kurtosis não se aproximam de zero, pelo que ao longo do estudo serão utilizados testes não paramétricos.
Tabela 80. Teste de normalidade
Kolmogorov-Smirnov Sig. TNF Mobilidade e autocuidados Competências gerais Competências específicas Sociabilidade Manipulação e manuseio 0,281 0,297 0,462 0,389 0,333 0,000* 0,000* 0,000* 0,000* 0,000* SF36 Capacidades funcionais Limitações por aspetos físicos Limitações por aspetos emocionais
0,335 0,216 0,218 0,000* 0,000* 0,000* Nota: N= 308; *p < 0.05
Através da análise da Tabela 81 podemos constatar que existe uma correlação significativa moderada entre todas as dimensões da TNF e as três dimensões da SF36, sendo a mais elevada a que ocorre entre a Mobilidade e autocuidados e as Capacidades funcionais (ρs = 0,686, p < 0,001).
Sabendo que a escala da TNF é inversamente proporcional à escala das questões do SF 36, constata-se que existe correlações negativas entre as Limitações por aspetos físicos e as Limitações por aspetos emocionais e as dimensões Mobilidade e autocuidados, Competências gerais, Sociabilidade e Manipulação e manuseio, concluindo-se que o grau de funcionalidade e a qualidade de vida dos participantes se encontram associados, pelo que quando um aumenta na escala da TNF, diminui na escala do SF36.
Tabela 81. Correlação entre a TNF para doenças crónicas e o SF36
M DP 1 2 3 4 5 6 7 Mobilidade e autocuidados (1) 1,77 0,88 - Competências gerais (2) 1,84 1,00 0,691** - Competências específicas (3) 1,35 0,79 0,546** 0,678** - Sociabilidade (4) 1,46 0,69 0,565** 0,690** 0,711** - Manipulação e manuseio (5) 1,70 0,96 0,632** 0,594** 0,479** 0,510** - Capacidades funcionais (6) 1,52 0,58 0,683** 0,566** 0,428** 0,459** 0,488** -
Limitações por aspetos físicos (7) 2,06 0,76 -0,270** -0,191** 0,077 -0,153** -0,201** -0,235** - Limitações por aspetos emocionais (8) 2,24 0,76 -0,178** -0,199** -0,050 -0,281** -0,195** -0,168** 0,653**
Nota: M = Média; DP = Desvio padrão; **p < 0,001
3.4. Caracterização da funcionalidade dos adultos com doenças crónicas