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3. MATERYAL VE METOT

3.2. Metot

3.2.3. SWAT-CUP Programı ve SUFI-2 Algoritması

3.2.3.1. SUFI2 Kavramsal Temeli

Pratos T’picos Ž um projeto desenvolvido por Rochelle Costi para o Arte Cidade II, em

1997.

A ideia era fotografar os pratos de comida da regi‹o central da cidade de S‹o Paulo e fazer, atravŽs da alimenta•‹o, um levantamento das caracter’sticas das pessoas que moram e trabalham na regi‹o onde aconteceria a exposi•‹o.

Aparentemente singela, a proposta pressupunha o registro fotogr‡fico sob luz ambiente e natural e de um ‰ngulo em comum, visto de cima, de quatro pratos t’picos de comida: um prato comercial (PF), a marmita de um trabalhador, a comida de um grupo de sem- teto e a comida de uma fam’lia.

O objetivo era registrar a realidade da alimenta•‹o cotidiana de cada um destes universos, sem interfer•ncias ou manipula•›es de recursos tŽcnicos ou de ilumina•‹o que modificassem esteticamente estes pratos de comida. O desafio era se ater aos recursos de produ•‹o oferecidos e inerentes ˆ cada situa•‹o

Rochelle comprou o PF num bar da regi‹o, a comida servida era dobradinha, e como o dia de servir dobradinha no bar era ˆs ter•as-feiras, a artista elegeu este como o dia de capta•‹o das outras imagens. O PF vinha bem servido, sobre um jogo americano de papel descart‡vel.

A fotografia da comida de um trabalhador foi feita a partir da marmita de um seguran•a que trabalhava no local onde seria a exposi•‹o, e que n‹o hesitou em mostrar o seu suculento almo•o. O recipiente vinha envolto em um bonito pano de prato, que a artista aproveitou para produzir o fundo da imagem.

Trabalhador Ð Pratos T’picos Ð Rochelle Costi

J‡ para fotografar a comida do sem-teto Rochelle foi atŽ um acampamento na ponte do lim‹o, onde foi bem recebida por uma espŽcie de chefe do grupo, que adorava cozinhar. O grupo recebeu-a muito bem, mostrando-se orgulhoso em poder mostrar seu alimento. A comida era feita a partir de restos do que o grupo ganhava da cruz vermelha e do que ganhavam das casas e moradias do entorno. Era uma das comidas com apar•ncia mais gostosa, tendo sido inclusive confundida com uma paella, pois era resultado de uma mistura de ingredientes. Podemos inclusive usar a ideia de reciclagem para pensar este prato de comida, que foi fotografada numa panela sobre uma grelha improvisada, que os sem-teto acenderam para dar um efeito mais interessante na imagem.

Sem Teto Ð Pratos T’picos Ð Rochelle Costi

A maior dificuldade foi com a comida familiar. Rochelle abordava as donas de casa e as mulheres que varriam as cal•adas das casas da regi‹o pedindo para que elas deixassem sua comida ser fotografada, mas elas n‹o concordavam, sugerindo sempre que a artista procurasse uma casa mais bonita, mais rica, mais nobre.

Comida Caseira Ð Pratos T’picos Ð Rochelle Costi

Diante disso vamos percebendo o grau de profundidade que a comida representa para o ser humano em geral. No caso das mulheres donas de casa isso fica mais evidente em decorr•ncia de seu constrangimento diante do pedido da artista.

Percebemos atravŽs do trabalho, inclusive, o quanto a comida representa metaforicamente a fam’lia e suas caracter’sticas socioculturais, como se o fato de n‹o ter em casa os mais nobres ingredientes para preparar um prato de comida, ou mesmo a falta de condi•›es financeiras para uma alimenta•‹o adequada e idealizada pudesse significar algum tipo de vergonha.

A rela•‹o com a alimenta•‹o representa, assim, uma rela•‹o de profunda intimidade que nem sempre se quer compartilhar com o outro, principalmente alguŽm desconhecido ou atravŽs de uma fotografia que ser‡ vista por tantas pessoas.

Finalmente Rochelle conseguiu fotografar um prato de comida caseira muito farto e bonito, era uma comida caprichada, um almo•o de domingo de um porteiro levado em um pirex com seu almo•o para o trabalho. Este funcion‡rio mostrou-se orgulhoso do seu almo•o de domingo, que n‹o tinha toalhinhas, grelhas, ou jogos americanos, mas continha o carinho que sua m‹e depositara ao preparar a comida do filho, especialmente a comida de domingo, uma tradi•‹o de reuni‹o familiar em nossa cultura, mas que come•a a se transformar.

Interessante notar que cada prato t’pico, com suas caracter’sticas estŽticas, seus enfeites e particularidades representavam muito bem cada um daqueles universo sociais ali retratados.

Eram apenas pratos de comida, mas cada um t‹o diverso do outro que, com estes poucos registros, quatro pratos de comida de diferentes segmentos da sociedade, Rochelle Costi demonstrava a sociedade multicultural em que estamos inseridos.

Observadas as caracter’sticas, significados e rela•›es associadas e propostas por cada uma destas fotografias, vamos avaliar como estas imagens se expressam em conjunto e em rela•‹o com o espa•o expositivo, como uma instala•‹o fotogr‡fica, portanto.

O projeto Arte Cidade II ocorreria numa sŽrie de loca•›es na regi‹o central de S‹o Paulo que abrangiam o Moinho Central e as Industrias Matarazzo.

Nos referimos a espa•os industriais abandonados e semidemolidos no centro da cidade, que eram utilizados como abrigo por moradores de rua, habitantes tempor‡rios,

n™mades urbanos. A exposi•‹o Pratos T’picos, com imagens impressas em plotters imensos de 2.5 X 3.1m, ocuparia uma sala de 30 metros no œltimo andar de um dos edif’cios.

As imagens seriam colocadas em v‹os de grandes janelas dos prŽdios, propondo um di‡logo com o prŽdio e seu entorno.

instala•‹o Pratos T’picos Ð Rochelle Costi

A estrutura do prŽdio, em estado de absoluta decad•ncia, decorrente dos anos de abandono e descaso com sua estrutura arquitet™nica demonstram um ambiente fragilizado tomado pela umidade, enferrujado e com revestimentos estourados. Uma sensa•‹o desagrad‡vel de cheiro de umidade e mofo tomam conta do espa•o, contrapondo o estado da sala e de sua estrutura arquitet™nica em oposi•‹o aos pratos de comida de import‰ncia t‹o valiosa e significativa como constatamos.

O espectador que visita a exposi•‹o sem dœvida se v• diante deste conflito de informa•›es, a comida que alimenta, sacia, que supre necessidades fisiol—gicas do corpo, mas tambŽm da alma, e a fragilidade de um prŽdio desta dimens‹o, que outrora representou marcas de poder social hoje em completo estado de abandono e suscetibilidade.

Os cheiros que ÔexalamÕ dos pratos t’picos, deslocados de seu estado horizontal para a verticalidade, onde s‹o contemplados como obras de arte, associados ˆ contra luz que incide pelos v‹os das janelas refletindo bem diante do espectador, que transita pelo ambiente, alŽm do estado de umidade e decad•ncia do ambiente, ajudam a conduzir os visitantes a um estado inebriado de absoluto desconforto.

As imagens s‹o ainda bastante enfatizadas por esta estrutura da qual a artista se aproveita, dos v‹os da janela por onde entra a luz natural criando uma espŽcie de back light que enfatiza ainda mais as imagens e seus efeitos de sentido.

Benzer Belgeler