• Sonuç bulunamadı

Su Kaynaklarının Uzaktan Algılama Ve Coğrafi Bilgiler Sistemi

1. GİRİŞ

1.1. Uzaktan Algılama, Uydu Teknolojileri ve Coğrafi Bilgi Sistemleri (CBS)

1.1.1. Su Kaynaklarının Uzaktan Algılama Ve Coğrafi Bilgiler Sistemi

7.1 Miguel Rio Branco

Miguel Rio Branco, um dos artistas mais importantes do cen‡rio fotogr‡fico brasileiro atual, Ž um autodidata por op•‹o que acredita que se distanciando dos rigores tŽcnicos da linguagem, se aproxima de sua pr—pria intui•‹o, e assim consegue que seu trabalho reflita sua vis‹o de mundo.

Inquieto, foge de r—tulos o quanto pode, e tambŽm n‹o gosta de ter seus trabalhos associados a um determinado meio espec’fico, pois acredita que isto seria limitante do ponto de vista da expressividade.

Vem da’ sua op•‹o de transitar entre diferentes linguagens, integrando-as em seu fazer art’stico com o objetivo de se manifestar com a maior liberdade.

Desta forma, sua trajet—ria art’stica se estabelece, ent‹o, nas inter-rela•›es entre fotografia, pintura e cinema, embora o car‡ter fotogr‡fico sempre se sobressaia. Entretanto, independentemente de optar por determinado c—digo de linguagem em detrimento de outro, o importante Ž que Rio Branco carrega em seu fazer art’stico o repert—rio de cada uma das linguagens que experimenta. E Ž exatamente esta capacidade, de experimentar e transitar por diferentes linguagens na concep•‹o de seus trabalhos que os tornam especialmente interessantes para serem analisados e discutidos sob o ponto de vista do hibridismo.

Miguel Rio Branco inicia seu percurso art’stico atravŽs da pintura, deparando-se depois com o cinema e a fotografia, linguagens para as quais se volta por consider‡-las instigantes e desafiadoras.

Acreditamos que a pintura teve influ•ncia significativa no percurso art’stico de Miguel Rio Branco, no sentido de que as caracter’sticas pict—ricas permanecem introjetadas em seu fazer fotogr‡fico, se manifestando ao longo de toda sua trajet—ria como parte de seu repert—rio estŽtico e tŽcnico.

Assim, empregando os recursos de linguagem representados por satura•‹o de cores, contraste entre tonalidades, ilumina•‹o, linhas gr‡ficas, e composi•‹o das imagens por meio do recorte e enquadramento, ele consegue conferir importante expressividade pl‡stica ˆ obra, e refor•ar a intensa carga dram‡tica das imagens.

Os elementos pl‡sticos s‹o fundamentais para reiterar os efeitos de sentido provocados pelas imagens, de modo que ao utiliz‡-los em favor de sua intui•‹o, Miguel Rio Branco imprime ˆ sua obra um car‡ter muito forte.

Diante da fotografia pict—rica deste artista, lembramos a afirmativa de Raymound Bellour para quem Òa fotografia, mais do que tentar concorrer com a pintura, pode encontrar, reencontrar, ˆ sua maneira, parte do que a pintura j‡ fez para tentar abrir-se ao que ela realmente ainda n‹o fezÓ. (Bellour, 1997: 100)

Pneu queimado - Miguel Rio Branco Fac‹o e cocos - Miguel Rio Branco

N‹o podemos deixar de observar tambŽm a intensa carga dram‡tica constantemente presente em suas imagens em virtude da sele•‹o de temas representados e aqui referimos alguns, ˆ guisa de exemplo: a misŽria humana, n‹o apenas do ponto de vista econ™mico, como tambŽm da falta de perspectiva em termos de dignidade; as marcas do tempo, cicatrizes incrustadas na decad•ncia arquitet™nica povoada por uma sociedade marginalizada; a solid‹o; a oposi•‹o entre abandono e liberdade representada por cachorros esquelŽticos e doentes.

Enfim, seu trabalho tem uma estŽtica de car‡ter melanc—lico, que evidencia sua indigna•‹o diante do mundo.

Cachorro-homem - 1979 - Miguel Rio Branco

J‡ com rela•‹o ˆ influ•ncia do cinema, lembramos sua experi•ncia nos sets cinematogr‡ficos, ao trabalhar com still de cinema, onde aprendeu a fazer recortes imagŽticos cujo objetivo Ž representar o contexto de uma historia.

Desta experi•ncia com edi•‹o de imagens, Miguel adquiriu repert—rio que aplica nas releituras de seus trabalhos, nas remontagens que geram novas significa•›es. Ele se dedica especialmente ˆ ressignifica•‹o de seu pr—prio acervo fotogr‡fico utilizando-o na produ•‹o de novos trabalhos em que lan•a m‹o de novas montagens, novas m’dias, novos formatos, novos efeitos de sentido para recontar historias.

Entre os olhos o deserto (dr’ptico) Ð Miguel Rio Branco

ƒ a ideia de colagem que, sem dœvida, permeia todo o trabalho de Rio Branco, no sentido de que ele manuseia seu arquivo de imagens autorais, das quais disp›e como bem deseja, propondo novas conex›es e gerando novos significados.

Ainda com rela•‹o ˆ influ•ncia provocada nele pela linguagem cinematogr‡fica, gostar’amos de ressaltar o conceito de quasi-cinema, cunhado por HŽlio Oiticica e Neville de Almeida e que trata do rompimento com os padr›es cl‡ssicos da linguagem cinematogr‡fica, em que o observador se coloca passivamente diante da tela assistindo a uma hist—ria contada de forma linear.

Assim no quasi-cinema o espectador Ž deslocado da posi•‹o de mero observador, tradicional no cinema-teatro italiano, para o espa•o expositivo, que Ž territ—rio da arte e onde novas rela•›es entre as imagens projetadas e o local s‹o propostas.

Espa•o e imagem, assim imbricados, extrapolam seus limites e a imagem torna-se espa•o arquitet™nico, proporcionando novas sensa•›es e novas formas de apreens‹o de sentido, estimulando ao extremo a sensorialidade do participador.

A narrativa tradicional, em que uma historia com come•o, meio e fim Ž contada explode, rompendo a necessidade de se estabelecer correla•›es lineares entre imagens e enredo, e abrindo espa•o para um exerc’cio maior de criatividade atravŽs da proposi•‹o

de situa•›es onde a interpreta•‹o do pœblico tem lugar de forma individualizada e decorrente do repert—rio pessoal de cada um.

Diante dessas novas perspectivas, nos deparamos com uma sensa•‹o de Òincompletude permanente da obra, sempre em desenvolvimento e sempre aberta ao participadorÓ (Maciel, 2009: 281), de quem se demanda uma nova postura.

Quasi-cinema, portanto, reitera um aspecto de grande import‰ncia para nossa reflex‹o,

pois pressup›e a inser•‹o do participador no centro das experi•ncias sens—rio-visuais para que o trabalho aconte•a.

Este conceito, proposto por Oiticica e DÕAlmeida, permitem tambŽm, do ponto de vista de Rio Branco, um maior controle e autonomia sobre o percurso a ser trilhado pelo trabalho, desde sua concep•‹o atŽ a exposi•‹o ao pœblico.

Assim, a apropria•‹o da ideia de quasi-cinema por Miguel lhe propiciou uma atividade criativa com maior liberdade com a consequente produ•‹o de audiovisuais para serem vistos no espa•o expositivo e no ‰mbito das artes, contribuindo para manter o dom’nio de suas ideias, desafiadoras de um sistema cultural empenhado em transformar arte em entretenimento.

De maneira geral, o di‡logo de Rio Branco por diferentes segmentos das artes visuais repercute, sem dœvida, em seu trabalho fotogr‡fico. N‹o apenas no uso de recursos tŽcnicos pr—prios de diversas linguagens que s‹o apropriadas por ele como fot—grafo, como tambŽm, de uma forma mais ampla, do ponto de vista estŽtico.

Miguel fotografa, mas sua fotografia remete ˆ pintura, experimenta as artes pl‡sticas associadas ˆ linguagem cinematogr‡fica. Estas experi•ncias repercutem em seu trabalho atravŽs de sistemas de constru•‹o e desconstru•‹o imagŽticas, come•ando com a pintura, passando pelo cinema, pela fotografia e repercutindo num trabalho audiovisual hibrido.

Entretanto, as refer•ncias de Rio Branco s‹o provenientes n‹o apenas de outras linguagens, mas tambŽm de sua curiosidade e inquietude intelectual.

Ao transitar entre fotografia bidimensional e instala•›es, o artista estabelece conex›es n‹o s— entre fotografia, escultura e instala•‹o, mas tambŽm entre imagem est‡tica e imagem em movimento, entre artes pl‡sticas e audiovisual, entre fotografia e cinema.

ƒ claro que ele tem em seu portf—lio fotografias tradicionais feitas em suporte bidimensional, mas nosso enfoque aqui ser‡ voltado para as instala•›es fotogr‡ficas que ele desenvolve, em particular Di‡logos com Amaœ, Entre os olhos o deserto, e Out of

Nowhere.

Benzer Belgeler