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4.2. AraĢtırmaya Katılan Yöneticilerin Stresle BaĢa Çıkmada Kullandıkları

4.2.1. Stresle BaĢa Çıkma Tarzları Ölçeği‟ne (SBTÖ) ĠliĢkin Bulgular

E DA DIVERSÃO

Ao tratar-se da produção de um empreendimento na lógica da produção capitalista do espaço, inevitavelmente se constatará que, em última instância, sua realização está condicionada ao valor de troca do empreendimento e das condições impostas pelo mercado tanto em termos de preços, como dos critérios para remuneração dos investidores. Por melhor intencionado que seja o incorporador na concepção de seu empreendimento, caso esse não apresente uma taxa de lucro igual ou superior à média do mercado, ele será considerado inviável e não será construído.

A produção que visa a comercialização, ou seja, capitalista, condiciona todo o processo produtivo, da concepção à conclusão do empreendimento bem como a relação entre as partes envolvidas no processo. A análise dessas relações nos revela que tanto incorporador como arquiteto (ou arquiteto-incorporador, não interessa) trabalharão administrando concessões no que diz respeito à qualidade do projeto e da construção para maximizar seus lucros: os cômodos serão menores, os acabamentos perderão qualidade, a técnica construtiva será aquela que apresentar o menor custo etc. Logo, o controle passa a ser vital para o empreendimento, tanto o controle dos custos para o incorporador, como o controle do projeto pelo arquiteto. Ainda nesse sentido, a relação do morador com o empreendimento é limitada à compra de sua unidade, não havendo, de forma geral, interferência desse no processo como um todo.

Um agente indispensável ao sistema capitalista de produção é o empreendedor (que nesse caso é o incorporador), usualmente reconhecido por sua pro atividade, disposição para correr riscos e g a des ideias . E o a seja uito glo ifi ado pela ultu a atual, ue te ta iguala su esso fi a ei o com realização pessoal, via de regra não se discute o papel político do empreendedor e suas consequências. Embora a intenção deste trabalho não seja estabelecer essa discussão, achou-se que por se tratar de uma proposta alternativa de atuação, e portanto de empreender, o conceito clássico de empreendedor deve ser apresentado e criticado.

O pai da administração moderna, Peter Drucker (2007) situa o nascimento do termo empreendedor (entrepreneur) no século XVIII, embora a atividade de empreender sempre tenha

existido. A primeira definição de empreendedor que se tem conhecimento é do economista francês Jean-Baptiste Say (1767- : O empreendedor transfere recursos econômicos de uma área de e o p oduti idade e e di e to, pa a u a ea de aio p oduti idade e aio e di e to 218.

Para Souza Neto (2008), a contribuição do economista Joseph Schumpeter (1883-1950) para a discussão foi inserir o empreendedor como um agente econômico inovador, no centro das discussões sobre desenvolvimento econômico e social. Para Schumpeter (apud Souza Neto), o empreendedor é

[...] contudo, o produtor que, via de regra, inicia a mudança econômica, e os consumidores, se e ess io, s o po eles edu ados ; eles s o, po assi dize , ensinados a desejar novas coisas, ou coisas que diferem de alguma forma daquelas que tem o hábito de consumir.219

Além dessas duas definições, poderiam ser acrescentadas inúmeras outras com argumentações semelhantes, relacionando consumo, produtividade, rendimento etc., conceitos tão caros ao sistema capitalista. Contudo, qualquer dessas definições parece pouco apropriada para este trabalho, já que elas propõem a separação entre produtor e consumidor, esse último passivo, alheio ao u do. Essa elaç o de alie aç o do ho e , segu do F o f uto do feti his o da

e ado ia , ou seja, de u a apa e te elaç o e t e oisas o ulta do u a elaç o e t e pessoas:

O conceito marxista de produto do trabalho alienado é expresso em um dos pontos ais fu da e tais dese ol idos o Capital, ue Ma ha ou de feti his o da e ado ia . A p oduç o apitalista t a sfo a a elaç o de i di íduos e ualidades das próprias coisas, e essa transformação constitui a natureza da mercadoria na produção capitalista. [...]

A alienação leva a perversão de todos os valores. Ao fazer da economia e seus valores

— ga ho, t a alho, pa i ia e so iedade — o objetivo supremo da vida, o

homem falha no desenvolvi e to de alo es eal e te o ais, a i ueza de u a

boa consciência, da virtude, etc., mas como posso ser virtuoso se não estou vivo, e

o o posso te u a oa o s i ia se o estou o s ie te de ada? No estado de

alienação, cada esfera da vida, a econômica e a moral, são independentes uma da out a, ada u a o e t a-se na área específica de sua atividade alienada e é, em si

es a, alie ada da out a .220

218 The entrepreneur shifts e o o i esou es out of a a ea of lo e a d i to a a ea of highe p odu ti it a d g eate ield . DRUCKER, Peter F. Innovation and entrepreneurship: Practice and principles. Routledge, 2007. p.19-26.

219 SCHUMPETER, Joseph A., Teoria do Desenvolvimento Econômico. Uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. Editora Nova Cultural: São Paulo, 1997. p.71. apud SOUZA NETO, Bezamat de. Contribuição e elementos para um metamodelo empreendedor brasileiro: o empreendedorismo de neessidade do i ado . Editora Blucher Acadêmico: São Paulo, 2008.

220 Ma 's o ept of the alie ated p odu t of la o is e p essed i o e of the ost fu da e tal poi ts de eloped i Capital, i what he calls

"the fetishism of commodities." Capitalist production transforms the relations of individuals into qualities of things themselves, and this t a sfo atio o stitutes the atu e of the o odit i apitalist p odu tio . […]Alie atio leads to the pe e sio of all values. By making economy and its values — "gain, work, thrift, and sobriety" — the supreme aim of life, man fails to develop the truly moral values, "the riches of a good conscience, of virtue, etc., but how can I be virtuous if I am not alive, and how can I have a good conscience if I am not aware of anything?" In a state of alienation each sphere of life, the economic and the moral, is independent from the other, "each is concentrated on a spe ifi a ea of alie ated a ti it a d is itself alie ated f o the othe . FROMM, Erich. Alienation. Marx´s Concept of Man. Nova Iorque,

Logo, os ga hos fi a ei os do e p ee dedo is o l ssi o est o aseados a alie aç o, tanto na exploração do trabalho alienado, quanto no consumo alienado de mercadorias. Como já mencionado anteriormente, logo o p i ei o apítulo do p i ei o olu e do li o O Capital , ao analisar a natureza da mercadoria, Marx (2013) afirma que essa deve ser considerada sob um duplo ponto de vista: o da qualidade, associada à utilidade da mercadoria ou seu valor de uso; e o da quantidade, associada ao valor de troca. No entanto, ele afirma que:

Uma coisa pode ser útil e produto do trabalho humano sem ser mercadoria. Quem, por meio de seu produto, satisfaz sua própria necessidade, cria certamente valor de uso, mas não mercadoria. Para produzir mercadoria, ele tem de produzir não apenas valor de uso, mas valor de uso para outrem, valor de uso social. [...] Para se tornar mercadoria, é preciso que o produto, por meio da troca, seja transferido a outrem, a quem vai servir como valor de uso.221

Lefebvre (2014) faz uma distinção entre os tipos de riqueza e o aspecto dual das mercadorias:

[...] o valor de uso define a riqueza social, enquanto o valor de troca — o sequestro do uso, a substituição do dinheiro e, por consequência, capital para uma diversidade de coisas — enriquece os intermediários. Socialmente, é uma riqueza ilusória. Em algum momento podemos imaginar uma sociedade possuindo uma enorme quantidade de ouro, de bens estocados, e vários produtos inúteis, e morrendo de fome e sede em meio a essa tal riqueza.222

Como neste trabalho a intenção é incluir o usuário ativamente na produção de seus espaços, rompendo com a noção de produtor e consumidor como entidades separadas, a noção de empreendedorismo, empreendedor e empreendimento pretendida, aproxima-se mais do aspecto do valor de uso da mercadoria, em contraposição ás definições clássicas apresentadas acima.

Para Lefebvre (2014) o aspecto dual da mercadoria é especialmente problemático quando se trata da produção do espaço. Se por um lado o espaço pode ser repartido e comercializado, do outro o espaço natural é transformado, desenvolvido pela tecnologia e novas formas de conhecimento. O valor de uso do espaço resiste ao valor de troca porque o espaço só tem valor em relação a um lugar, a uma centralidade ou um período.

O tratamento econômico e técnico da natureza tende a destruir, enquanto o tratamento do espaço tende a reduzir (ao trocável, preenchido apenas de signos). A unidade desses dois aspectos é encontrada na negação radical cuja continuação permite o regime a persistir, a se reproduzir: negação do uso, da diversão [enjoyment]223, da natureza (deixando de lado vários outros aspectos: mal-estar,

221 MARX, K. O Capital: Crítica da Economia Política, livro I: O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo Editorial, 2013. p.164. 222 […] use alue defi es so ial ealth, hile e ha ge alue—the sequestration of use, the substitution of money and, therefore, capital for

the diversity of things—enriches intermediaries. Socially, it is an illusory wealth. At some point we could imagine a society in possession of an enormous quantity of gold, of stored goods, and various useless products, and dying of hunger and thirst in the midst of this so-called wealth.

LEFEBVRE, Henry. Economics. Toward an architecture of enjoyment. Minneapolis: Minnesota Press, 2014. p.129.

223 No início do livro há uma extensa Nota do Tradutor onde é explicado a tradução do francês jouissance para o inglês enjoyment. Segundo o tradutor, Lefebvre não utilizou jouissance no sentido psicanalítico da palavra, como também alterou o título do livro de Vers une

niilismo, feminismo, a morte disso ou daquilo, etc.). [...] Como essa capacidade destrutiva e reducionista pode ser restringida? Somente por meio do espaço da diversão, o que quer dizer um espaço onde o uso (em oposição à troca) prevalece, é a resposta à essa relevante questão. Somente a economia da diversão que substitua a economia da troca pode acabar com aquilo que mata a realidade em nome do realismo (na verdade, cinismo).224

E define em que consiste o espaço da diversão:

O espaço da diversão não pode consistir de um edifício, uma montagem de salas, lugares determinados por suas funções. Não pode consistir em uma vila, uma cidade pequena, que foi adaptada até certo ponto. Ao contrário, ele deve ser o campo ou a paisagem, um espaço de momentos, encontros, amizades, festivais, descanso, quietude, alegria, exaltação, amor, sensualidade, como também de entendimento, enigma, o desconhecido, e o conhecido, luta, jogo.225

A e o o ia226da di e s o o p ee de u a p ofu da t a sfo ação, restaurando o uso ao

seu devido lugar e permitindo que o espaço seja constituído por meio de novos fundamentos227. No

âmbito da teoria econômica, a economia da diversão apresenta uma possibilidade de alteração no foco entre os aspectos quantitativos e qualitativos da mercadoria. Na produção capitalista do espaço o foco do processo é no valor de troca do espaço-mercadoria, ou seja, no preço determinado pelo mercado em uma relação onde comprador e vendedor se relacionam apenas no momento da venda. Com o engajamento dos usuários na produção do espaço, o foco passa a ser no valor de uso da habitação, possibilitando a concepção de espaços mais adaptáveis às particularidades dos usuários. Como a construção do modelo de atuação aqui proposto pode acontecer no curto prazo, sem a necessidade de mudanças estruturais, continua sendo essencial para a viabilidade da produção desse outro tipo de espaço sua possibilidade de comercialização, já que na maioria das vezes boa parte do patrimônio familiar é investido na construção ou compra de um imóvel, que poderá ser trocado em algum momento futuro caso haja necessidade. Ou seja, embora esse outro tipo de concepção espacial

(prazer). O tradutor sugere que a compreensão de espaço por Lefebvre vai além do meramente concebido, percebido, abstrato ou meramente representativo, mas avança para a própria vivência do espaço e sua apreciação (enjoy). Sendo assim, por ainda não existir uma tradução para o português deste livro, optou-se pela sugestão feita por email pelas professoras Dra. Ana Paula Baltazar e Dra. Silke Kapp: traduzir enjoyment como diversão, mas diversão como aproveitar para além da simples satisfação.

224 The e o o i a d te h i al t eat e t of atu e te ds to destroy, whereas the treatment of space tends to reduce (to the exchangeable,

filled with signs alone). The unity of these two aspects is found in the radical negation whose continuation allows the regime to persist, to reproduce itself: negation of use, of enjoyment, of nature (leaving aside various other aspects: malaise, nihilism, feminism, the death of this or that, et . . […] Ho a the dest u ti e a d edu ti e apa ilit I ha e des i ed e u tailed? O l a spa e of e jo e t, hi h is to say one where use (as opposed to exchange) prevails, responds to this highly relevant question. Only an economy of enjoyment that replaces an exchange economy can end that which kills reality in the name of realism (in truth, cynicism) . LEFEBVRE, Henry. Economics. Toward an

architecture of enjoyment. Minneapolis: Minnesota Press, 2014. p.131

225 The space of enjoyment cannot consist of a building, an assembly of rooms, places determined by their functions. It cannot consist of a

village, a small town, which have been repurposed to a certain extent. Rather, it will be the countryside or a landscape, a genuine space, one of moments, encounters, friendships, festivals, rest, quiet, joy, exaltation, love, sensuality, as well as understanding, enigma, the unknown, and the known, struggle, play. LEFEBVRE, Henry. Economics. Toward an architecture of enjoyment. Minneapolis: Minnesota Press, 2014.

p.152

226 Pode-se e te de e o o ia a ui o o o uso de e u sos, i depe de te e te de suas o ige s ou atu eza, e a e o aç o das eservas, a o ga izaç o dos i uitos de dist i uiç o e seu desapa e i e to o o uso. (LEVEBVRE, 2014. p.128)

pressuponha o engajamento do usuário em todo o processo de forma a aumentar o valor de uso de determinada unidade, isso não exclui a possibilidade futura de comercialização desse tipo de imóvel.

A concepção de edificações sob essa nova lógica traz impactos em todo o processo de produção de edificações, a começar pelos agentes envolvidos: como não se objetiva a comercialização de unidades, as figuras do incorporador, do corretor de imóveis e do investidor rentista passam a ser desnecessárias, e o arquiteto assume uma outra postura frente ao empreendimento.

Nas próximas seções serão definidas as características desejáveis para a construção de uma interface sob a ótica da economia da diversão a partir da análise de estratégias e práticas alternativas nas etapas referentes ao levantamento das demandas e etapa de projeto. Contudo, a etapa de construção não será analisada, justamente por ser o canteiro de obras o lugar onde a produção capitalista e suas contradições aparecem de forma mais complexa, em uma dinâmica orquestrada pelo desenho, constituindo esta etapa um campo de estudo pouco propício de ser analisado em poucas páginas sem que sejam feitas simplificações que poderiam ocultar ou omitir algum aspecto perverso do processo de construção, reduzindo a pertinência da análise. Sendo assim, embora os problemas da produção capitalista do espaço não apareçam em sua totalidade, as próximas seções procuram apontar direções para o desenvolvimento de outras formas de atuação do arquiteto, politicamente mais conscientes e engajados na construção de espaços mais focados no valor de uso.