4.2. AraĢtırmaya Katılan Yöneticilerin Stresle BaĢa Çıkmada Kullandıkları
4.2.2. Rotter‟in Ġç ve DıĢ Kontrol Odağı Ölçeği‟ne (RĠDKO)
O início do processo se daria com a negociação do terreno, sendo necessário que já haja um grupo de investidores-usuários minimamente configurado e que participe ativamente da escolha do lote onde se desenvolverá a edificação. Essa seleção deverá ser pautada por critérios ligados ao valor de uso, podendo estar relacionada tanto à parâmetros objetivos como localização, proximidade com equipamentos urbanos, facilidade de acesso etc.; como àqueles de ordem subjetiva. Em qualquer das opções o valor de troca do terreno é relativizado em função do valor de uso, não tendo peso absoluto, como acontece nos empreendimentos regidos pela lógica capitalista do espaço.
No médio e longo prazo, como já foi apontado, serão necessárias modificações na legislação urbana de forma a regular o mercado utilizando outras ferramentas diferentes do zoneamento funcionalista, numa tentativa de extinguir as zonas preferenciais criadas por esse modelo. O direcionamento dos recursos dos incorporadores para uma determinada região das cidades, acaba
228 The a hite t ill alue the ultifunctional and the transfunctional rather than the merely functional. He will cease to fetishize (separately)
form, function, and structure as the signifieds of space. In place of the formal, or rather formalist, idea of perfection, the architect will substitute that of incomplete perfection (which is pursued, which is sought in practice) or, preferably, that of perfect incompletion, which discovers a moment in life (expectation, presentiment, nostalgia) and provides it with an expression, while making of this moment a principle fo the o st u tio of a ia e the o k of Co sta t Nieu e hu s, fo e a ple . It is ot th ough fo ut o te t that the architect si ila to the desig e i the desig p o ess a i flue e so ial p a ti e. LEFEBVRE, Henry. Economics. Toward an architecture of
inflando os preços dos lotes, imóveis e serviços, implicando a migração dos moradores que não fazem parte da faixa de renda determinada pelos novos empreendimentos para as regiões mais pobres e mais distantes da centralidade, e geralmente em condições de infraestrutura piores.
Após a definição do grupo de investidores-usuários e a escolha do lote, passa-se ao levantamento das necessidades. Sobre esse assunto, De Carlo (1969) coloca que
Descobrir os verdadeiros desejos dos usuários significa, portanto, expor e aceitar seus direitos a possuírem coisas e seus direitos a expressarem-se; significa provocar a participação direta e deparar-se com todas as consequências subversivas que isso implica; significa questionar todo o sistema de valores tradicionais os quais, devido à sua construção não-participativa, devem ser revistos ou substituídos quando a participação se tornar parte do processo, liberando energias que ainda não haviam sido exploradas.229
Nesse sentido, os experimentos descritos por Cabral Filho(2007), desenvolvidos no escritório de arquitetura C3M durante a década de 1980, são relevantes por introduzir os conceitos de circularidade, flexibilidade e indeterminação no processo de projeto. A ideia básica, inspirada no livro de Wolfga g Wiese O ga is os, Est utu as, M ui as , foi a de dese ol e u a est at gia de trabalho que levasse a resultados inesperados. A metodologia proposta partia do processo tradicional de projeto, linear e com etapas bem definidas, po a es e ta do etapas e u si as, o loops nos quais cada participante/ator envolvido no projeto podia, mutuamente, informar e ser i fo ado 230.
O processo consistia em três fases independentes onde três modelos deveriam ser criados: modelo conceitual, modelo analógico e modelo em escala. Na etapa do modelo conceitual, considerado pelo autor como essencial para o desenvolvimento do projeto, dentre outras coisas, entregava-se aos lie tes o Li o dos H itos , u a fe a e ta ue o sistia e
[...] grupos de questionários apresentados de forma matricial para serem preenchidos pelos clientes, permitindo-os a conduzir uma investigação de seus hábitos de acordo com três ciclos: o ciclo dos eventos, o ciclo dos lugares, ciclo das ocasiões. Os ciclos foram descritos em uma espécie de coleção e em seguida submetidos à uma análise abrangente. Os hábitos eram analisados em relação a conceitos-chave: ritmo, densidade, escala, distância e desejo. Além disso, a correlação dos hábitos com o espaço arquitetônico e hora do dia eram cuidadosamente analisados em duas matrizes especiais. O Livro dos Hábitos foi pensado para funcionar primeiramente como uma simples pesquisa, mas acabou por ser, de fato, uma maneira formalizada
229 To dis o e the eal eeds of the use s the efo e ea s e posi g a d a k o ledgi g thei ights to ha e thi gs a d thei ights to express
themselves; it means provoking a direct participation and measuring oneself with all the subversive consequences that this implies; it means questioning all the traditional value systems which, since they were built on non-participation, must be revised or replaced when participation e o es pa t of the p o ess, u leashi g e e gies that ha e ot et ee e plo ed . DE CARLO, Giancarlo. Architecture´s public. In: JONES,
Peter B. et al. (Org.). Architecture and Participation. London: Spon Press, 2005. p.15
230 […] e u si e steps, ith loops i hi h e e pa ti ipa t/a to i ol ed i the p oje t ould utuall i fo ea h othe . CABRAL FILHO, José dos S. An indeterminate project for architecture in Brazil. Kybernetes, Vol. 36, N.9/10, pp. 1266-1276, 2007. p.1268
de trazer os clientes a perceber sua relação com a arquitetura em um framework mais
abstrato, que poderia então ser comunicado aos designers de maneira mais clara.231
Prosseguia-se com a análise do Livro dos Hábitos por meio de diálogos e apresentações de ideias, referências e lugares, em um primeiro momento trazidos pelos clientes e em seguida pelos arquitetos, com o objetivo de compreender melhor o universo dos clientes e apresentá-los à outras referências e possibilidades arquitetônicas, ampliando seus repertórios formais e espaciais. Ao final dessa etapa, todo o material coletado era organizado numa espécie de mapa, que constituía no
odelo o eitual da futu a asa. Co o desta a Ca al Filho :
Ao invés de uma lista de salas com suas áreas correspondentes como nos programas de necessidade tradicionais, o modelo conceitual era uma descrição da futura casa como um sistema de questões relacionais. Isso servia como um princípio guia aos arquitetos desde a proposição inicial ao design atual. 232
Essa estratégia permitia a desconstrução das preconcepções espaciais dos usuários- moradores, construídas a partir de suas experiências pessoais e influenciadas em grande parte pelos espaços construídos sob a lógica da produção capitalista, ou seja, com foco exclusivo no valor de troca. Ao compararmos a estratégia descrita acima com o procedimento adotado pelos graduando e arquitetos-incorporadores nos estudos de caso, onde não havia consulta ao usuário para definição dos espaços a serem construídos, percebemos que a adoção de outras estratégias mais permeáveis às contribuições dos usuários, pode fazer emergir relações entre os espaços que não eram possíveis de acontecer anteriormente, enriquecendo a experiência do usuário-morador e ajudando a aumentar o valor de uso de sua unidade.
Uma outra alternativa, proposta pelo arquiteto inglês Cedric Price (1934-2003), é muito mais radical, prescindindo de qualquer levantamento de demandas e assumindo a indeterminação dos espaços. O Fu Pala e , projeto desenvolvido em parceria com a diretora de teatro Joan Littlewood foi concebido para ser uma espécie de teatro puramente performativo, sem distinção entre atores e audiência. O projeto contraria as práticas convencionais de arquitetura por assumir não ser possível prever as necessidades e desejos em constante mudança dos usuários. Essa estratégia assume a inevitabilidade da mudança, do acaso e da indeterminação pela incorporação de incertezas como parte i teg a te de u p o esso e o sta te e oluç o. Co o olo a Mathe s , o Fun Palace não
231 […] as a g oup of fo s p ese ted i a at i fashio to e filled out the lie ts, e a li g the to a out a guided investigation of
their habits according to three cycles: cycles of events, cycle of places, cycle of occasions. The cycles were described in a kind of collection and then submitted to a comprehensive analysis. The habits were analyzed regarding the following key concepts: rhythm, density, scale, distance and desire. Moreover, the correlation of the habits with architectural space and the time of the day were thoroughly examined in two special matrixes. The Book of Habits was thought to work at first as a simple survey, but it turned out to be in fact a formalized way of bringing the clients to view their relation with architecture in a more abstract framework, which could then be communicated to the designers in a clearer
a . Ibidem, p.1269.
232 Rathe tha a list of oo s ith o espo de t sizes as i the t aditio al a hite tu al iefs, the o eptual odel as a description of
the future house seen as a system of relational issues. It would work as a guideline for the architects to propose the first formal approach to the actual design. Ibidem, p.1269-1270.
conta com um programa singular, mas pode se reprogramar e reconfigurar para acomodar variações se fi de fu ç es .233
A estratégia de Price sem dúvidas é muito interessante do ponto de vista arquitetônico por permitir reconfigurações espaciais radicais no edifício, alterando seu funcionamento expressivamente. Contudo, embora essa alternativa abra muitas possibilidades espaciais, não parece haver uma aplicação direta para edificações multifamiliares, foco deste trabalho. Porém, embora não acredite ser possível transformar estruturalmente um edifício multifamiliar em função dos custos envolvidos e da alteração do volume da edificação, o que não é permitido pela regulação urbana, a aplicação dessa estratégia no espaço interior de uma unidade habitacional, a critério do usuário, pode ser um caminho para conseguir espaços transfuncionais, de forma responsiva à sua utilização.
Uma terceira alternativa ao programa de necessidades foi desenvolvida pelo grupo britânico RAMTV, onde as necessidades dos usuários foram levantadas a partir da construção de dois diagramas. O primeiro deles, chamado de diagrama de atividades-ergonomia, categorizou as atividades em três grupos: as essenciais, relativas ao corpo e necessidades biológicas, as extras, relativas à mente e às necessidades sociais, mentais e psicológicas, e os serviços, que servem de suporte e dão condições de existência das duas primeiras categorias. As atividades foram então relacionadas com a posição corporal para sua realização. Num segundo momento as atividades foram novamente classificadas porém dessa vez com relação aos diferentes graus de intimidade desejáveis para cada atividade (FIG. 27).
233[…] the Fu Pala e ould ha e o si gula p og a ut ould ep og a a d reconfigure itself to accommodate an endless variety of
fu io ts. Mathews, S. (2006). The Fun Palace as virtual architecture: Cedric Price and the practices of indeterminacy. Journal of
Figura 27 – Diagrama elaborado pelo grupo RAMTV relacionando atividades e graus de intimidade
FONTE: RAMTV. Negotiate my boundary! Londres: AA Publications, 2002. p.74
Essa terceira abordagem revela um caminho para a concepção de espaços transfuncionais fornecendo dois critérios para o mapeamento de atividades passíveis de sobreposição espacial: o da ergonomia e dos graus de intimidade. Além disso, os diagramas necessários para o mapeamento não sugerem configurações espaciais, como por exemplo os digramas de bolha, não predeterminando e limitando arranjos.
As três alternativas apresentadas aqui possibilitam que o usuário imagine o espaço a partir de critérios que não conformam esse espaço, ao contrário de quando se fala em dimensões, área e função. Nesse sentido, essas estratégias apontam para algumas diretrizes na concepção da interface, como o foco nas atividades e na utilização dos espaços, a inclusão da dimensão temporal como variável, permitir e incentivar a transfuncionalidade e multifuncionalidade por meio da sobreposição de usos, e a abertura de possibilidades para modificação espacial.