2.6. Atık Yönetiminin İşletmelerde Yarattığı Dışsallıklar
2.6.2. Atık Yönetimi ve İşletmeler
2.6.2.1. Sosyolojik Dışsallıklar
2.3.1.3.1 Âmbito jurídico
Com o novo CC, houve inovação legislativa quanto ao presente tópico. Os ausentes deixaram de ser absolutamente incapazes, como previa a norma do art. 5º, IV do CC de 1916. Nesse sentido, o CC de 2002 dedicou dispositivos próprios aos ausentes (Capítulo III do Título I do CC).
Denota-se que o legislador de 2002 tentou abranger o âmbito da incapacidade absoluta, visto que, retirando expressamente os surdos-mudos, acabou por abrir um leque para os demais sujeitos que não conseguem expressar suas vontades. A norma possui, no entanto, uma lacuna, pois não revela o tipo de vontade que o sujeito deve possuir, com o fito de ser compreendido em sua expressão. Quando se analisa essa questão, no âmbito psicossocial, tal lacuna resta suprida. Mesmo assim, mostra-se um texto extremamente amplo e passível das mais férteis discussões.
Nesse sentido, é possível considerar os surdos-mudos como exemplo. Pela letra antiga, os surdos-mudos, eram considerados absolutamente incapazes. A partir de agora, tal assertiva é relativa, pois existe uma expressão
legislativa programática, no sentido de que os surdos-mudos podem exprimir perfeitamente suas vontades, através da linguagem de sinais79.
Dessa forma, se os surdos-mudos conseguirem exprimir sua vontade, deverão ser considerados plenamente capazes, se forem maiores de 18 anos, e não serem enquadrados como relativamente incapazes, pela norma do art. 4º, III, do CC, que menciona os excepcionais como sendo sem desenvolvimento mental completo. A surdo-mudez não é enquadrada como anomalia psíquica ensejadora de incapacidade relativa, tampouco um indivíduo surdo-mudo pode ser considerado excepcional80.
A palavra excepcional, usada no CC, é totalmente dúbia, pois uma pessoa excepcional pode ser excepcionalmente inteligente. O termo excepcional (ou deficiente), utilizado pelo público leigo, refere-se ao indivíduo portador de um retardo mental (termo técnico, na área da saúde mental).
2.3.1.3.2 Âmbito psicossocial
Em verdade, não há como discutir somente sob o prisma jurídico o conceito dos sujeitos que não podem exprimir sua vontade, posto que tal questão está umbilicalmente ligada à Psiquiatria. No âmbito psicossocial, os que não podem exprimir sua vontade estariam enquadrados em conceitos de limitações sensoriais (deficiências sensoriais).
A incapacidade consiste na restrição ou falta de capacidade para realizar uma atividade nos limites considerados normais para um ser humano. Ela pode ser classificada como temporária ou permanente, reversível ou irreversível, progressiva ou regressiva, sendo, todavia, proveniente de uma deficiência. Nas
79 Nesse sentido cabe lembrar a existência da Lei nº. 10.098/2000, que versa sobre o portador
de deficiência, sua acessibilidade e supressão de barreiras, onde está previsto nas normas dos art. 18 e 19 os seguintes mandamentos, verbis: Art. 18 - O Poder Público implementará a formação de profissionais intérpretes de escrita em braile, linguagem de sinais e de guias- intérpretes, para facilitar qualquer tipo de comunicação direta à pessoa portadora de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação; art. 19 - Os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens adotarão plano de medidas técnicas com o objetivo de permitir o uso da linguagem de sinais ou outra subtitulação, para garantir o direito de acesso à informação às pessoas portadoras de deficiência auditiva, na forma e no prazo previstos em regulamento.
deficiências sensoriais, incluem-se os deficientes da visão, da audição e da fala.
Com a redução do CC de 2002, o legislador retirou do texto a expressão “surdos-mudos”. Tal supressão, entretanto, acabou por mantê-los tacitamente no sentido da norma legal, incluindo, ainda, os deficientes visuais.
Vale lembrar, no entanto, que não serão todos os sujeitos que possuem deficiências sensoriais que serão enquadrados como absolutamente incapazes. Para que ocorra esse enquadramento, as deficiências devem, necessariamente, impedir que o sujeito manifeste sua vontade de agir, prejudicando, com isso, sua autonomia.
Sabe-se que a deficiência auditiva, muitas vezes, não gera maiores obstáculos à manifestação livre da vontade do sujeito, sobretudo em razão do aprimoramento da linguagem gestual e dos direitos atualmente consagrados (pelo menos no plano programático), contidos nas normas da Lei nº. 10098/2000.
Aliás, nos dias atuais, essa linguagem está oficializada no Brasil sob o nome de LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais. Em diferentes documentos oficiais dos governos federal e estadual, por exemplo, ela é reconhecida, e seu ensino é instituído, às vezes, cobrado.
A incapacidade auditiva, no entanto, com o decorrer do tempo, pode acarretar, também, a incapacidade comunicativa, ocasionando prejuízos para determinação da sua própria vontade. Isso ocorre, em especial, com o avanço da idade de seu portador81.
Já a incapacidade visual dificilmente alterará a capacidade de decisão do sujeito, ao ponto de torná-lo absolutamente incapaz.
Com efeito, “[...] a visão se constitui em um sentido de especial relevância para a vida de relação, sendo responsável por importante parcela da informação assimilada, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento cognitivo82. Diversos mecanismos, entretanto, aumentam a possibilidade de os
81 Note-se que o legislador fixou a idade biológica, para se aferir a capacidade (18 anos
completos), todavia não mencionou limite de idade biológica para aferir a capacidade. Desta forma, não importa qual seja a idade máxima do sujeito, para fins de capacidade de tomar decisões. Basta averiguar o discernimento e a lucidez do sujeito nesse sentido.
82 DUARTE, Wladimir Ribeiro et. al. Prevalência de deficiência visual de perto e fatores
associados: um estudo de base populacional. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 19, n. 2, p. 15, período, 2003.
cegos manifestarem suas vontades e, até mesmo, compreenderem e assimilarem a vontade de terceiros.
Criado por Louis Braille, em 1825, na França, o sistema braille, por exemplo, é conhecido universalmente como código ou meio de leitura e escrita das pessoas cegas. Baseia-se na combinação de 63 pontos, que representam as letras do alfabeto, os números e outros símbolos gráficos. A combinação dos pontos é obtida pela disposição de seis pontos básicos, organizados espacialmente em duas colunas verticais com três pontos à direita e três à esquerda de uma cela básica denominada cela braille.
Assim, através deste sistema, observa-se que o deficiente visual dificilmente poderá ser tratado como alguém com limitações, em sua capacidade intelectual de se expressar. Deve, sim, haver uma adaptação do mundo real à sua limitação física. Este é um fator determinante para a sua permanência no convívio social.
Entende-se, pois, que o legislador, ao criar a incapacidade absoluta dos que não podem exprimir sua vontade, referiu-se àqueles com alguma deficiência sensorial, mas não mental. Atualmente, os avanços na informática têm, cada vez mais, diminuído as restrições perceptivas dessas pessoas. Não cabe falar, neste momento, em avanços que ainda estão em estudo, mas naqueles que já se encontram disponíveis no mercado, para as pessoas que têm condições de adquiri-los. Há softwares que escrevem cartas, a partir da fala de pessoas com perda total de visão e que, também, lêem livros para as mesmas. A comunicação via rede tornou as distâncias cada vez menores e pessoas com dificuldade de locomoção podem se comunicar, instantaneamente, com outras que estão “no outro lado do mundo”.
Destaque-se que a surdez, a mudez e a cegueira só poderão ser causas de incapacidade absoluta, se impedirem a lúcida manifestação da vontade de seu portador.