3. BİLGİ TOPLUMUNA GEÇİŞ EVRELERİ
5.2 Sosyo –Ekonomik Yapı Açısından Bilgi Toplumunun Özellikleri
Como já registrado, desde 1994, “vigoram no país instrumentos que permitem ao governo federal a desvinculação de receitas tributárias”. Primeiro como Fundo Social de Emergência (FSE) (1994), a partir de 1996, como Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) e, por fim, desde 2000, como Desvinculação de Receitas da União, este mecanismo fiscal se configura como mais uma nefasta estratégia, operada pelo Estado burguês, que retira dos direitos do trabalho, expressos nas políticas sociais, sua condição concreta de cobertura. Os efeitos da DRU respondem pelo desvio regular de bilhões de receitas da saúde, previdência, assistência social e educação. Estes são ilegalmente desviados do orçamento da Seguridade Social direto para os mercados financeiros.
Estruturada para atender os imperativos do ajuste fiscal, no contexto do Plano Real, a DRU vai de encontro às conquistas sociais no marco da Constituição de 1988, uma vez que seu mecanismo de desvinculação retira receitas significativas que deveriam contemplar a garantia e ampliação dos diretos sociais, para atender as prioridades reprodutivas do sistema financeiro. A desvinculação por parte do orçamento fiscal de receitas exclusivas da Seguridade Social configura a perversa alquimia que permite a espoliação do Fundo Público para o atendimento dos imperativos de rentabilidade do capital financeiro. O mecanismo da DRU é, de fato, uma ameaça ao Sistema de Seguridade Social no Brasil.
No período de 2000 a 2007, foram apropriados pelo orçamento fiscal R$ 278,4 bilhões que pertenciam às políticas de seguridade social. Esse montante equivale a cinco vezes o orçamento anual da saúde e quase dez vezes o orçamento da assistência social (SALVADOR, 2010).
Tabela 16
Estimativa das Receitas Desvinculadas pela DRU da Seguridade Social de 2000 a 2007 (valores em R$, deflacionados pelo IGP-DI)
Fonte: SIAFI - STN/CCONT/GEINC. Elaborada por Salvador (2010)
(1) Somente receitas que incidem sobre a DRU. Não estão sujeitas à DRU: as contribuições sociais do empregador incidente sobre a folha de salários; as contribuições dos trabalhadores e dos demais segurados da Previdência Social; a parte da CPMF destinada ao Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza; e a arrecadação do salário-educação.
Em 2007, foram carreados do orçamento da seguridade social mais de R$ 38,8 bilhões para composição do superávit primário (11,3% do total arrecadado). Todavia, mesmo retirada a parcela da DRU, os recursos da saúde, previdência e assistência destinados aos cidadãos, a receita da Seguridade Social em 2007 apresentou saldo positivo de R$ 21,8 bilhões (superando em 28,4% o ano de 2006) (ANFIP, 2008).
Com manutenção da política do superávit, perdura também um dos marcos da atual política econômica que tem, e continua tendo na DRU, um dos principais mecanismos de composição do orçamento fiscal. Desse modo, é possível entender o porquê da prorrogação da desta medida, afinal, o Orçamento da Seguridade é o principal alvo na estratégia de vigorar o ajuste fiscal. O gráfico 8 mostra a evolução do superávit da Seguridade, em sete anos, sem e com os efeitos da DRU, para efeitos de comparação.
Tabela 17
Participação da DRU no superávit primário (valor em R$ bilhões, deflacionados pelo IGP-DI)
Na esfera federal, além da Seguridade Social, era afetada a Educação. Para a Educação, a DRU acabou antes. Desde 2009, a desvinculação vem diminuindo por força da EC 59. A educação perdia muito com a DRU. A metodologia de cálculo da desvinculação utilizada pela Secretaria do Tesouro ampliava a quantidade de recursos desvinculados. Na prática, chegou a 35%. A vinculação constitucional à educação é estabelecida como sendo de 18% sobre a receita líquida de impostos: do total de impostos arrecadados, são subtraídas as transferências por repartição. Até 1994, as desvinculações de impostos atingiam tanto a educação quanto as transferências. Em 1995, deixaram de afetar as transferências, mas continuou-se fazendo a desvinculação sobre o total de impostos arrecadados e não somente
sobre a receita líquida. Com essas contas, a educação praticamente absorveu a desvinculação, que não mais é feita às transferências e perdia muito mais do que 20% (ANFIP, 2011).
Em 2008, a DRU retirou da educação R$ 9,2 bilhões. Com a perda parcial dos seus efeitos, a partir de 2009, os desvios caíram para R$ 5,5 bilhões. Em 2010, último ano dessa transição, eram de R$ 2,6 bilhões de perdas. Em 2011, a educação pôde contar com a integralidade da vinculação constitucional de 18% da receita líquida de impostos.
Gráfico 8
Evolução do Superávit da Seguridade Social – sem e com os efeitos da Desvinculação de Receitas da União – 2000 a 2007 (em R$ bilhões)
Fonte: MPS e SIAFI. Elaboração ANFIP e Fundação ANFIP.
Depois de mais uma prorrogação que permitirá a DRU continuar extraindo receitas da Seguridade Social até 31/12/2015, a previsão é que os recursos viabilizados pela DRU somem R$ 62,4 bilhões em 2012, de acordo com o Ministério do Planejamento.
Os dados anteriormente apresentados, portanto, concluem que primeiro, não há desequilíbrio e/ou déficit no orçamento da seguridade social ou no orçamento da Previdência Social, este encontra-se no interior do orçamento fiscal; segundo, a seguridade social recebe poucos recursos do orçamento fiscal, pelo contrário, um montante substancial de suas receitas é que financiam o orçamento fiscal e, por último, não é a previdência quem causa desequilíbrio econômico e crise de desconfiança nos investidores, mas a política econômica que atinge a previdência, a saúde e a assistência social, precarizando estes serviços (GENTIL, 2007).
Ressalta-se, ainda, que outros mecanismos, além da DRU, também concorrem para o desvio de recursos das contribuições sociais, a exemplo, da utilização indevida em outros órgãos e a retenção de receitas arrecadadas nos cofres do Tesouro Nacional (ANFIP, 2008). As estratégias do capital pela sobrevivência são as mais variadas, o sistema tributário e o fundo público representam, dentre tantas, de forma inconteste sua ofensiva.
"É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com
atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles."
Vladimir I. Lenin