1.4. Sosyal Uyum
1.4.4. Sosyal Uyum Becerilerini Etkileyen Unsurlar
O arranjo dos negócios e das decisões empresariais que envolvem avaliações de impactos financeiros e econômicos constitui objeto de tradução da linguagem contábil. Entretanto, o entendimento não é simples. Em função de determinadas dimensões normativas e objetos de mensuração do ativo e do passivo, um balanço patrimonial pode obter diferentes atribuições de valor (Hendrikesen, 1999). Determinados trabalhos discutiram os métodos de avaliação de ativos, tanto a valores de entrada (mercado de compra) quanto a valores de saída (obtidos no
mercado de venda da entidade) com o objetivo de analisar o “valor” contábil aos interesses
dos usuários (Santos, 1995; Hendriksen, 1999; Martins, 2001). Isso denota que o balanço patrimonial, conforme a aplicação das normas fundamentadas no custo histórico não indicava segurança e clareza no potencial de geração de fluxo de caixa futuro (Lantto & Sahlström, 2009).
Para Cairns (2006), o termo valor justo tem se tornado bastante difundido, tendo sido utilizado pela primeira vez pelo IASC em 1982. Conforme o autor, a norma IAS 16 do Ativo Imobilizado foi a primeira a contemplar a definição de valor justo, conceituando-o como:
“The amount for which an asset could be exchanged between a knowledgeable, willing buyer and a knowledgeable, willing seller in an arm’s length transaction” (p. 07). Porém, na ótica
do autor, a sua eficácia ainda não é objeto de consenso entre os pesquisadores e a classe contábil (Cairns, 2006). Segundo Barlev e Haddad (2003), a evidência empírica indica que o valor justo, ao contrário do custo histórico, está fortemente associado aos retornos de ações. Essa concepção fortalece a adoção do valor justo na busca de uma avaliação que reflita o mercado, embora evidências empíricas tenham também sugerido resultados conflitantes (Lantto & Sahlström, 2009; Gastón et al., 2010; Pires e Morais, 2014).
Laux e Leuz (2009) esclarecem que os defensores do valor justo frisam que há aumento da qualidade da informação, credibilidade e maior tempestividade no reconhecimento dos resultados, refletindo as condições atuais de mercado; os opositores afirmam que não apresenta relevância, sendo potencialmente enganoso para os ativos que são mantidos por um
longo período, contribuindo para a “pró-ciclicidade”, que agrava as oscilações no sistema
financeiro. Esse fenômeno tem o efeito de influenciar diretamente a economia com o agravante potencial de causar grandes prejuízos. Porém, e por outro lado, ignoram que o valor justo pode reduzir a gravidade de uma crise, fornecendo sinais iminentes de alerta, forçando
os bancos a realizarem medidas preventivas (Laux & Leuz, 2009, p. 829). Mackenzie et al., (2012) também consideram que a norma relativa ao valor justo SFAS 157 - Fair value
measurements (FASB, 2006), com a crise americana iniciada em 2007, provocou críticas
negativas de observadores sobre a utilização de medidas financeiras baseadas em valores de mercado. De forma similar, com relação à União Europeia, para alguns, a avaliação foi vista como onerosa e impraticável (Cairns, 2006).
Na sequência, de forma geral, serão apresentadas as principais variáveis relacionadas à mensuração do valor justo estabelecidas pela norma IFRS 13 (IASB, 2011) / CPC 46 – Mensuração a Valor Justo.
O Alcance
Em relação ao alcance, o valor justo possui sua aplicação em diversas outras normas. Dessa forma, o conceito é aplicável quando outro pronunciamento requer ou permite a mensuração ou divulgação ao valor justo, podendo ser feita tanto na mensuração inicial como nas subsequentes, em conformidade com o pronunciamento. Nessa medida, a IFRS não estende o uso da mensuração ao valor justo nas demonstrações contábeis, mas apenas produz um sistema mais coeso e abrangente na aplicação do conceito (Mackenzie, Coetsee, Njikizana, Chamboko, Colyvas, & Hanekom, 2013). O nível ao qual a norma alusiva ao valor justo deve ser aplicada é determinado pela unidade de registro do regulamento que permite ou exige o uso desse método. Os objetos de mensuração a valor justo são, em particular, o ativo e o passivo. A norma determina também que se aplique igualmente a determinação do valor justo aos instrumentos patrimoniais da própria entidade, quando necessário.
Definição e objetivo
Quanto à definição, o valor justo está caracterizado no Brasil pelo CPC 46 (2012) como “o
preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um
passivo em uma transação ordenada entre participantes do mercado” (p. 3). Objetiva-se, assim,
estimar o preço pelo qual uma transação ordenada (não forçada) para vender o ativo ou para transferir o passivo ocorreria entre participantes do mercado na data de mensuração, sob as condições atuais de mercado. Observa-se que não são consideradas as condições da entidade na data de mensuração. Logo, o valor justo se baseia no pressuposto de uma transação sem favorecimento entre os participantes do mercado, sem qualquer viés (Mackenzie et al., 2013).
Assim, o valor justo é uma mensuração baseada em mercado e não uma mensuração específica da entidade.
Como instrumento financeiro, o ativo ou passivo individual, ativo não financeiro, um grupo de ativos ou de passivos, assim como uma unidade geradora de caixa podem ser mensurados a valor justo. Entretanto, as negociações estão sujeitas aos padrões do produto e do mercado em condições habituais, além de a norma exigir o levantamento das características do objeto a ser mensurado, ativo ou passivo (Martins et al., 2013). Essas características específicas constituem a condição, a restrição e a localização que devem ser consideradas na mensuração do valor justo.
Mercado e seus participantes
O mercado constitui-se de compradores e vendedores (IASB, 2011). Presume-se que estes atuem em seu melhor interesse econômico. As premissas devem ser desenvolvidas, identificando as características que distinguem os participantes do mercado. Estes provavelmente realizariam a transação e, neste momento, sendo que tais participantes levariam em consideração as características do ativo ou passivo no momento da transação. Inicialmente, considera-se que essas transações ocorram no mercado principal, tanto para o ativo quanto para o passivo. Entretanto, na ausência desse mercado, considera-se que ocorra no mais vantajoso. Na hipótese de existência de mercado principal, a mensuração do valor justo será representada pelo preço disponível nesse mercado (diretamente observável ou estimado) na data de mensuração (sem ajustes).
Para que a mensuração baseada em mercado ocorra, faz-se necessário que as informações de preço no mercado estejam disponíveis. Porém, determinados ativos e passivos podem tê-las, enquanto outros, não. A entidade deve ser capaz de acessar o mercado principal ou o mais vantajoso na data de mensuração, mas não necessita ser capaz de materializá-la. Dessa forma, diferentes entidades com variadas atividades podem ter acesso a diferentes mercados. Logo, pode existir diferente mercado principal, bem como mercado mais vantajoso distinto, dependendo do objetivo e das características do ativo ou passivo.
Segundo Mackenzie et al. (2013), os participantes hipotéticos do mercado podem ser resumidos como:
a) Independentes entre si, ou seja, são terceiros não relacionados;
b) Conhecedores, isto é, suficientemente informados para tomar uma decisão de investimento e, supostamente, conhecedores tanto do ativo como do passivo; c) Suficientemente capazes de participar de uma transação pelo ativo ou passivo; e d) Dispostos a participar de uma transação pelo ativo ou passivo, ou seja, são
motivados, porém não forçados a participar da transação.
O preço
O preço deve ser o de saída em uma transação ordenada no mercado principal (ou o mais vantajoso), na data de mensuração sob as condições atuais de mercado (podendo ser diretamente observável ou estimado com a utilização de outra técnica de avaliação). Quando possível, o valor justo deve ser baseado em um preço observável. Porém, em muitos casos, tal preço pode estar indisponível e a determinação do valor justo dependerá do uso de técnicas de avaliação. Essas técnicas devem priorizar inputs observáveis, em oposição aos não observáveis, pois os primeiros são considerados mais objetivos e com maior probabilidade de ser considerados pelos participantes do mercado em relação aos inputs não observáveis (Mackenzie et al., 2013).
O preço do ativo e do passivo pode não ser observável, podendo-se utilizar outra técnica de avaliação que maximiza o uso de dados observáveis relevantes e minimiza o uso dos não observáveis; o preço utilizado para mensurar o valor justo do ativo ou passivo não será ajustado para refletir os custos de transação. Tais custos não incluem custos de transporte.
Abordagem da mensuração do valor justo
Como se trata de uma mensuração baseada no mercado, o valor justo é mensurado utilizando- se de premissas que os participantes do mercado (compradores e vendedores) utilizariam ao precificar o ativo ou passivo, incluindo premissas de risco (IASB, 2010).
A mensuração do valor justo requer que a entidade determine todos os seguintes itens:
a) o ativo ou o passivo específico objeto da mensuração (de forma consistente com a sua unidade de contabilização);
b) para um ativo não financeiro, a premissa de avaliação apropriada para a mensuração (de forma consistente com o seu melhor uso possível);
c) o mercado principal (ou o mais vantajoso) para o ativo ou o passivo; e
d) as técnicas de avaliação apropriadas para a mensuração, considerando-se a disponibilidade de dados com os quais se possa desenvolver informações que representem as premissas que seriam utilizadas por participantes do mercado ao precificar o ativo ou o passivo e o nível da hierarquia de valor justo no qual se classificam os dados.
Mensuração das transações quando realizadas em condições adversas
Paulatinamente, tem-se aumentado as preocupações com os efeitos de mercados turbulentos ou ilíquidos nos Estados Unidos e em outras nações. Mercados antes ativos para determinados tipos de valores mobiliários se tornaram ilíquidos ou pouco líquidos. As dúvidas são mais frequentes em mercados menos líquidos, com trocas menos frequentes, podendo ocasionar transações de mercado com vendas forçadas. Como consequência, as avaliações que utilizassem esses preços poderiam não ser consideradas indicativas do valor justo real dos valores negociados (Mackenzie et al., 2013). Conforme a norma CPC 46, item B43 (2012), a entidade deve avaliar as circunstâncias que podem indicar que uma transação é forçada, quando inclui:
a) não ter sido exposta ao mercado por um período de tempo adequado antes da data da mensuração para permitir atividades de marketing comuns e costumeiras para a transação, envolvendo tais ativos ou passivos sob condições de mercados atuais; b) ter ocorrido um período comum e costumeiro de marketing, mas o vendedor
comercializou o ativo ou passivo a um único participante do mercado;
c) o vendedor estar em processo de falência (ou próximo) ou de recuperação judicial (isto é, estar em situação adversa);
d) o vendedor ter sido forçado a vender para cumprir exigências regulatórias ou legais; e e) o preço de transação ser atípico em comparação com outras transações recentes por
ativos ou passivos idênticos ou similares.
Dessa forma, a entidade que reporta as informações está obrigada a avaliar as circunstâncias para determinar, com base nas evidências disponíveis, se a transação foi realizada com ou sem favorecimento, ou em condições adversas. Caso um desses fatos tenha ocorrido, a empresa atribui pouco ou nenhum peso a esse preço de transação ao mensurar o valor justo ou estimar
os prêmios de risco do mercado. Porém, se as evidências indicarem que a transação ocorreu sem favorecimento, a entidade deve considerar esse preço de transação ao mensurar o valor justo ou estimar os prêmios de risco do mercado.
Uso possível para ativos não financeiros
A mensuração do valor justo leva em consideração a capacidade do participante do mercado de gerar benefícios econômicos utilizando o ativo em seu melhor uso possível (highest and
best use) ou vendendo-o a outro participante do mercado que utilizaria o ativo em seu melhor
uso (IASB, 2011). O melhor uso possível de um ativo não financeiro leva em conta o uso do ativo que seja fisicamente possível, legalmente permitido e financeiramente viável. Essa definição é determinada do ponto de vista dos participantes do mercado. Contudo, presume-se que o atual uso seja o melhor, salvo nos casos em que o mercado ou outros fatores sugerirem usos diferentes. O melhor uso possível deve levar em consideração a combinação com outros ativos ou passivos, que seria recebida em uma transação atual.
Barlev e Haddad (2003) perceberam impactos positivos da inserção do valor justo para a gestão. À medida que os acionistas podem monitorar o valor dos ativos e passivos pelo mecanismo de preço de mercado, aumenta-se a importância da função da gestão. O custo histórico protegia a ação dos gestores, porém passa a valorizar a ação da gestão, pois são convidados a guardar e a manter o valor do patrimônio líquido por conta dos seus esforços,
avaliados pela “voz do mercado”. Laux e Leuz (2009) esclarecem que a abordagem do custo
histórico não reflete o valor fundamental atual de qualquer ativo e, por outro lado, a abordagem do valor justo não impede que empresas prestem informações adicionais da gestão e dos valores fundamentais de seus ativos e passivos. Por conseguinte, a contabilidade gerencial e a financeira, em função de seus objetivos, podem utilizar informações comuns da capacidade de geração de riqueza futura em seus relatórios, tendo como ponto de partida, o valor justo.