1.4. Sosyal Uyum
1.4.2. Uyum Kuramları
A capacidade preditiva corresponde à utilização de critério de medição contábil que permite prever eventos de interesse dos tomadores de decisão. Significa dizer que a medida com o maior poder de predição em relação a determinado evento é considerada o “melhor” método para essa finalidade. Segundo Beaver, Kennelly e Voss (1968), a origem desse método encontra-se fundamentada nas ciências naturais e sociais, sendo utilizado para a escolha de hipóteses concorrentes com base em determinado critério intencional. Por conseguinte, os dados contábeis podem ser avaliados em termos de sua utilidade, que pode ser definida pela capacidade de previsão (Beaver, 1966). Compreende-se, assim, que a capacidade preditiva está relacionada a determinado modelo de decisão, fundamentado em critério previamente selecionado, que permite avaliar alternativas concorrentes para a tomada de decisão.
A Estrutura Conceitual do IASB (IASB, 2010, p. A23) / CPC-R1- 00 estabelece as características qualitativas fundamentais em relevância e representação fidedigna. Com o foco na relevância, estabelece que a informação contábil financeira possui valor preditivo se puder ser utilizada como dado de entrada em processos empregados pelos usuários para predizer futuros resultados. Dessa forma, o presente trabalho não está voltado para a análise quantitativa da capacidade preditiva em função de modelo decisório específico, mas para a prática do controller em relação à utilidade preditiva da informação financeira como recurso da controladoria na geração de informação gerencial. A ótica adotada nesse contexto considera que a informação financeira agrega dados e informações disponíveis por outras fontes, porém diferentemente da utilidade do value relevance, que identifica uma relação preditiva com o valor de mercado das ações (Miller & Modigliani, 1966; Amir et al.,1993), está compreendida como base útil para a decisão (Barth, Beaver & Landsman, 2001).
A introdução da Estrutura Conceitual do IASB / CPC – R1 – 00 (IASB, 2010) aponta para a determinação de que as informações contábeis são elaboradas e apresentadas para usuários externos em geral. Entretanto, esse escopo apresenta-se ampliado, incluindo usuários internos, pois define que o objetivo também consiste em fornecer informações que sejam úteis na
tomada de decisões econômicas por parte dos usuários “em geral”, sem a finalidade de
atender a grupos específicos. Nesse tópico, enfatize-se, ainda, que tal finalidade satisfaz as necessidades comuns da maioria dos seus usuários, uma vez que quase todos as utilizam para decisões econômicas, tais como:
(a) to decide when to buy, hold or sell an equity investment. (b) to assess the stewardship ou accountability of management.
(c) to assess the ability of the entity to pay and provide other benefits to its employees. (d) to assess the security for amounts lent to the entity.
(e) to determine taxation policies.
(f) to determine distributable profits and dividends. (g) to prepare and use national income statistics. (h) to regulate the activies of entities (p. A20).
Deve-se atentar para o fato de que a Estrutura Conceitual não declara, exclusivamente, que os itens acima são os objetivos da contabilidade financeira, porém estão inseridos em seu contexto. Por outro lado, ao sinalizar que as informações sejam úteis na tomada de decisões econômicas e avaliações econômicas por parte dos usuários em geral (IASB, 2010, p. A20) estabelece um vínculo mais sistemático com a contabilidade gerencial, tendo em vista que a informação econômica se relaciona com impactos preditivos (prospectivos) da decisão.
Maher (2001) observa que o “objetivo da contabilidade financeira é fornecer informações sobre o desempenho da administração e da companhia aos acionistas” (p. 44). Para fins “internos” gerenciais não é necessário que a informação obedeça aos “Princípios Contábeis Geralmente Aceitos” - PCGA. Esclarece que muitas vezes dados para fins externos são
totalmente inaceitáveis, haja vista que as decisões gerenciais lidam com o futuro, concluindo
que “estimativas de custos futuros são mais valiosas para a tomada de decisão do que custos históricos e custos correntes” (p. 44). A definição do autor apresenta certa dissociação entre a
contabilidade financeira e a gerencial, embora não exclusivamente, mas deixa como divisão o foco interno e as informações com base nos PCGA. Esse foco, apesar de não estar totalmente distante do contexto, enfatiza de forma preponderante o caráter prospectivo como diferenciação entre a contabilidade gerencial e a financeira, porém não constitui a preocupação da segunda. A informação preditiva fundamentada na contabilidade gerencial é aquela que facilita a visão prospectiva para a tomada de decisão (Maher, 2001).
Lebas (1995) infere que há uma contradição a ser resolvida em qualquer sistema gerencial:
dados passados, sendo que esses exigem alguma forma de extrapolação na sua análise. Com as normas internacionais, os dados continuam a ser relativos a transações passadas, porém com uma parte significativa de aproximação ao valor de mercado, podendo influenciar a decisão futura. Determinados autores contemplaram a dualidade entre a contabilidade gerencial e financeira (Warren, Reeve & Fess, 2001; Horngren, Foster & Datar, 2000). De forma evolutiva, entre a contabilidade financeira e a gerencial, Mia e Chenhall (1994) destacaram que a estrutura do sistema de informação gerencial tem sido, convencionalmente, voltada para a informação financeira interna da organização com uma orientação histórica. Observaram, entretanto, que, cada vez mais, o papel dos gestores na solução de problemas e atividades tem resultado na evolução do sistema de informação gerencial para incorporar dados externos, financeiros e não financeiros. Tais informações focam na preocupação com o marketing, inovação de produtos e planejamento estratégico, relacionadas a informações preditivas para decisões nessas áreas.
Frezatti et al. (2009), de forma inicial, utilizam a metáfora da “porta” como limite entre as
duas contabilidades. Os usuários que estejam do lado de dentro da “porta” utilizarão as
informações da contabilidade gerencial ao passo que aqueles do lado de fora, as da contabilidade financeira. Os autores destacam que, dependendo da forma como a empresa demanda essas informações, a contabilidade financeira atenderá aos usuários da contabilidade gerencial com uma informação financeira mais detalhada. Isso dependerá das demandas da contabilidade gerencial. Os autores também ressaltam o objetivo previsto pela Estrutura Conceitual Básica como informações úteis a um grande número de usuários (IASB, 2010), complementando que no Brasil a adoção do Common Law abre espaço para que as informações de usuários externos possam contemplar conceitos de mensuração econômica.
Frezatti et al., (2009, p. 10) concluem que “isso significa, em outras palavras, uma
aproximação entre as duas contabilidades”. Assim, de forma dedutiva, sugerem novas perspectivas para a contabilidade gerencial.
Portanto, o termo de informação preditiva para o presente trabalho compreende uma abordagem prospectiva da informação financeira, voltada para a relevância da informação para a tomada de decisão com caráter de menor objetividade, no âmbito das normas internacionais.