B. YAŞADIĞI DÖNEMDE HUZEYFE YEMÂN’IN TOPLUMDAKİ YERİ
4. Sosyal Alanda Huzeyfe b Yemân
A parte dedicada à Literatura é organizada tendo em vista a perspectiva historiográfica das obras literárias de Língua Portuguesa. Em uma sequência cronológica, os conteúdos são estruturados nas unidades tendo como referência a sucessão dos movimentos literários ao longo da linha do tempo. As unidades são compostas pela contextualização histórica e cultural da escola literária, seguidas por outros capítulos dedicados ao estudo da produção dos principais autores pertencentes à escola em foco. Para a composição dos capítulos são alternados fragmentos de obras literárias com textos de teoria literária que explicam aspectos conceituais referentes aos tópicos realizados nos textos. Mediante a essa organização, a coleção se propõe a criar condições para que o aluno seja formado um leitor de textos da arte da palavra escrita, partindo do pressuposto de que os textos dessa ordem possuem uma especificidade tal que deve ser considerada frente a um enfoque particular, do letramento literário (cf. MP, p. 11). Segundo as OCEM (2006, p. 55), o letramento literário deve ser concebido como “estado ou condição de quem não apenas é capaz de ler poesia ou drama, mas dele se apropria efetivamente por meio da experiência estética, fruindo-o.”
Partindo dessa definição de letramento literário, passamos à análise de uma proposta de interpretação da parte de Literatura a fim de evidenciarmos que possibilidades de formação do leitor literário são abertas por meio das atividades de leitura desse eixo. Para isso, foi examinado o trabalho proposto na unidade dedicada ao estudo do Pré-Modernismo, na página 26 do volume 3, com questões que exploram dois fragmentos do romance Os sertões, de Euclides da Cunha. Porém, antes de passarmos para as atividades propriamente ditas, faz-se necessário explicitar o contexto em que elas foram colocadas.
15
Na tabela de levantamento dos gêneros de texto, evidencia-se pelo número de textos inseridos em cada um dos livros, o grande volume de atividades de leitura, o que nos impediu de realizar uma análise de todas as questões da coleção.
No capítulo de abertura da unidade, o contexto de produção do Pré-Modernismo é abordado por meio da leitura de um texto literário e da inclusão de três ou quatro páginas de textos teóricos. Nesse primeiro capítulo, são fornecidas várias informações relacionadas aos textos da época de modo que ao leitor já é oferecido um olhar específico com o qual deve enxergar o texto que será lido. Nos capítulos posteriores, são enfocadas as obras dos autores mais representativos do estilo de época, sendo o primeiro deles dedicado a Euclides da Cunha, do qual retiramos o EXEMPLO 7. Após situarmos a atividade de leitura, apresentamos as questões formuladas seguidas dos respectivos comentários.
EXEMPLO 7
Na última parte de Os sertões, “A luta”, Euclides da Cunha narrou minuciosamente o movimento das tropas nas quatro expedições enviadas para a região de Canudos, valendo-se de relatos de soldados, jornalistas e moradores da região. O autor foi testemunha ocular apenas da última etapa do conflito, momento que relata nas páginas finais do livro. Leia a seguir um fragmento do penúltimo capítulo.
[…] Sobre o texto
O fragmento aborda o momento em que o conflito está prestes a se encerrar. O que a ausência de formalismo militar (segundo parágrafo) informa sobre a natureza do conflito naquela etapa?
(p. 26) Nessa primeira questão, é abordado o conteúdo temático do fragmento que foi escolhido por representar um retrato do Brasil da época, focalização típica da escola literária. Nela o aluno terá de inferir uma informação, construir uma generalização com base no trecho em que é retratado o confronto entre os rebeldes e os soldados do exército. Essa é uma questão que dá abertura para que aluno possa conjugar seus conhecimentos prévios relacionados a confrontos bélicos e, frente ao panorama traçado na obra, construir uma conclusão de que o confronto de Canudos se baseou em atitudes de selvageria. Porém, essa abertura transforma-se em fechamento ao considerarmos que na verdade a questão 1 tem um caráter preparatório apenas para a questão 2, na qual é apresentada a leitura que se espera do texto frente a uma afirmação feita pelo próprio autor para o evento relatado no texto.
1. Euclides da Cunha escreveu que a campanha de canudos tinha sido um crime. Tendo em vista essa informação, como deve ser interpretada a frase “Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.”?
A questão 2 requer que a afirmação de Euclides da Cunha seja comparada com um trecho do texto, de modo que se possa compreender a relação existente entre ambos.
2. Parte da subjetividade do relato é construída pelo uso de frases isoladas em alguns parágrafos.
a) Como deve ser interpretada a construção do primeiro e do sétimo parágrafos? b) Que argumento presente nos três últimos parágrafos explica a posição
sugerida pelo primeiro e sétimo parágrafos?
A terceira questão focaliza os recursos estilísticos utilizados para criar o efeito de assombro do narrador mediante os fatos. Ao aluno cabe identificar e reconhecer as expressões ou trechos referentes a essa manifestação do foco narrativo. Em seguida, na questão 4, é transcrito mais um trecho da obra com base no qual são elaboradas quatro questões de interpretação que focalizam os elementos textuais que contribuem para a construção da descrição do sertanejo com base em uma oposição, sendo que deve ser confrontada com as atitudes dos personagens presentes no primeiro trecho.
3. Leia agora outro trecho do livro Os sertões, em que Euclides da Cunha descreve o sertanejo:
a) Explique por que a conjunção entretanto, do início do sexto parágrafo, divide a descrição do sertanejo em duas partes.
b) A expressão Hércules-Quasímodo combina palavras cujos sentidos parecem inconciliáveis: Hércules, personagem da mitologia grega, remete a força e beleza, enquanto Quasímodo, o corcunda da obra Nossa Senhora de Paris, de Victor Hugo, sugere feiúra e deformidade. Relacione essa imagem ao sentido total da descrição do sertanejo.
c) A descrição do sertanejo é confirmada por sua atuação durante o conflito? Explique.
É possível concluir que, ao resolver essas questões, o aluno vai mobilizar habilidades relacionadas à inferência de informações, irá realizar comparações entre partes dos fragmentos e frase do autor, fará também a identificação das expressões ou dos trechos que contribuem para a construção dos efeitos de sentido provocados pela obra. Porém, os movimentos empreendidos pelo aluno no momento da leitura ficam restritos a uma leitura dada pela atividade. Não há uma autonomia ou uma abertura para visões diferentes da obra. Em um contexto em que as obras literárias são chamadas de retratos do Brasil, ao aluno cabe apenas reconhecer no texto de Euclides da Cunha uma imagem do país por meio do detalhamento do confronto ocorrido em Canudos e da descrição que é feita do sertanejo delimitada pela obra.
Ao descrever a situação do ensino de literatura no Ensino Médio, as OCEM (2006, p. 63) ponderam que
[…] constata-se de maneira geral, na passagem do ensino fundamental para o ensino médio, um declínio da experiência de leitura de textos ficcionais, seja de livros da Literatura infanto-juvenil, seja de alguns poucos autores representativos da
Literatura brasileira selecionados, que aos poucos cede lugar à história da Literatura e seus estilos. Percebe-se que a Literatura assim focalizada – o que se verifica, sobretudo em grande parte dos manuais didáticos do ensino médio – prescinde da experiência plena de leitura do texto literário pelo leitor. No lugar dessa experiência estética, ocorre a fragmentação de trechos de obras ou poemas isolados, considerados exemplares de determinados estilos, prática que se revela um dos mais graves problemas ainda hoje recorrentes.
Tendo em vista essa afirmação e os resultados obtidos pela análise da Parte de Literatura da coleção, ilustrada pelo EXEMPLO 7, conclui-se que as obras literárias de diversos autores são abordadas mediante um padrão considerado como prejudicial pelas orientações curriculares. Isso se dá pelo fato de os textos serem analisados por uma série de perguntas que contribuem para a capacidade de leitura dos alunos, mas que têm como foco principal a consideração das características estabelecidas como próprias de determinado movimento literário e não a fruição da obra, que tem como uma de suas consequências o desenvolvimento do letramento literário. Focaliza-se, pois, a formação de um leitor adequado a uma tradição histórica de análise dos textos do cânone e não de um leitor que se apropria da literatura como um meio para a formação humana.