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Considerando-se os objetivos do presente estudo, avalia-se que este evidenciou as concepções e as práticas dos enfermeiros da Atenção Básica no município de Natal/RN sobre Saúde do Trabalhador, possibilitando conhecer o que pensam esses profissionais em suas formulações conceituais e sobre a atuação do enfermeiro da Atenção Básica nesse campo da saúde. Foi possível conhecer algumas práticas desenvolvidas nos serviços em que estão inseridos e identificar as fragilidades e potencialidades das enfermeiras e dos serviços na Atenção Básica, quanto ao desenvolvimento de práticas de saúde voltadas para a Saúde do Trabalhador.

Verificou-se que o conceito de ST referido pelos sujeitos investigados, apesar de simplificado no tocante às especificidades dessa parcela da população, revelou- se com uma dimensão ampla, com a perspectiva da abordagem do trabalhador no seu âmbito físico, psíquico e social, sugerindo uma boa apreensão de acordo com o conceito ampliado de saúde.

Além disso, foi possível afirmar o reconhecimento de uma atuação ainda incipiente dos enfermeiros da AB sobre a ST, cujo desempenho foi apontado como falho, o que pode indicar que suas ações e intervenções na comunidade podem estar excluindo determinada parcela da população atendida ou que, simplesmente, não está sendo atendida. Apenas uma minoria considerou o trabalho do enfermeiro da AB sobre a ST fundamental.

Corroborando esse achado, houve notável desconhecimento também sobre uma política voltada para a ST, de forma que a maioria das entrevistadas considerou a política inexistente e apontou a necessidade de construção dessa legislação para que as ações sejam direcionadas e implementadas no serviço de saúde.

Foram citadas, em geral, algumas ações pontuais de Saúde do Trabalhador realizadas nas unidades de saúde. Outras atividades mostraram-se rotineiras, sendo realizadas por uma minoria de profissionais conscientes sobre a importância e necessidade de atingir esses usuários, a fim de engajá-los na rotina da unidade de saúde.

Prevaleceu nos depoimentos, no entanto, uma maioria desatenta. Uns que se julgaram incapazes de reconhecer esse usuário na unidade de saúde em que atuam, outros que reconhecem a ausência dos trabalhadores nos serviços, mas que nada fazem para mudar tal realidade.

As ações que os profissionais apontaram, além de não serem específicas do enfermeiro, são voltadas para a assistência direta ao trabalhador, deixando de lado as importantes ações educativas, relatadas por uma minoria ínfima, tais como, as ações de vigilância dos ambientes de trabalho, os processos de territorialização a fim de conhecer os processos produtivos que se desenvolvem na área de atuação e o simples conhecimento do perfil dos usuários, trabalhadores ou não, que residem ou trabalham no território.

Como já esperado e oportunamente condizente com a realidade encontrada, a maioria dos profissionais relatou a não abordagem da ST durante a graduação em enfermagem. Referiram não se recordar sobre essa discussão ou ainda confirmaram terem aprendido esse conteúdo com uma abordagem pouco significativa e pontual, o que talvez justifique em parte essa carência teórica e na prática cotidiana dos enfermeiros da Atenção Básica no município em estudo.

Cabe ressaltar que, apesar dessa carência no campo teórico e prático observado, a visão holística que esses profissionais devem ter e, de fato, demonstraram conhecer por meio do conceito ampliado de saúde, se contrapõe a esse não reconhecimento do trabalhador, já que a saúde engloba, dentre outros fatores, o trabalho como determinante social da saúde.

A partir dessas considerações foi possível relacionar aspectos que configuram fragilidades e potencialidades das unidades de saúde e dos sujeitos de pesquisa, na visão das enfermeiras. Foi destacada como potencialidade das unidades de saúde, a flexibilidade de alguns serviços em acolher o usuário de acordo com a disponibilidade do mesmo. Já as fragilidades foram amplamente destacadas e discutidas, como falta de recursos humanos e materiais, estrutura física deficiente, horário de funcionamento das unidades, demora no atendimento, falta de inclusão de atividades voltadas para o trabalhador na agenda de trabalho da unidade.

Os profissionais também relataram algumas dificuldades para a inclusão de ações de ST no seu processo de trabalho, que foram configuradas como fragilidades, dentre elas: necessidade de capacitação, treinamento e conhecimentos acerca do assunto, falta de um olhar direcionado para os usuários trabalhadores, ausência de trabalho em equipe, abordagem deficiente do assunto na graduação em Enfermagem.

A potencialidade encontrada nos profissionais resume-se à capacidade que as enfermeiras, em sua maioria, tiveram de identificar elementos relativos ao perfil da comunidade, indicadores da necessidade de se trabalhar melhor a Saúde do Trabalhador na Atenção Básica, tais como, o elevado índice das doenças crônicas não transmissíveis; diabetes e hipertensão arterial sistêmica; a violência e os casos de acidentes de trabalho, entre outros.

Considerando que a saúde do trabalhador é uma ação transversal que deve ser vinculada a todos os níveis de atenção e de gestão do SUS, a identificação da relação entre o trabalho e o processo saúde doença deve ser implementada a nível primário, secundário e terciário na Rede de Atenção à Saúde, unida às ações de Vigilância em Saúde (BRASIL, 2012).

Portanto, é extremamente relevante conhecer o contexto presente no cotidiano dos enfermeiros e demais trabalhadores de saúde dos serviços da Atenção Básica para que reais mudanças no campo da Saúde do Trabalhador sejam pensadas, apontadas e efetivadas pela equipe de saúde.

Os achados da pesquisa foram significativos para a atenção à saúde no âmbito da Atenção Primária, já que foi possível a geração de uma reflexão das enfermeiras sobre a integralidade que, por tantas vezes, desintegra e fragmenta, sendo necessário um olhar ainda mais acolhedor para se pensar no usuário em todas as suas dimensões e indicadores que influenciam no seu processo de saúde- doença.

Os questionamentos tornaram-se importantes, pois foi perceptível a maneira como alguns profissionais despertaram para o assunto e se reconheceram falhos

diante dessa demanda, por nunca terem pensado no usuário enquanto agente produtivo.

Contribuições significativas também foram geradas para o campo científico, tendo em vista a escassez de estudos e a relevância do tema pesquisado. As publicações provenientes dessa pesquisa possibilitarão o compartilhamento dos conhecimentos gerados com profissionais de saúde, especialmente enfermeiros, que poderão repensar suas práticas em Saúde do Trabalhador, com ressonância para a atenção do trabalho da equipe de saúde na Atenção Básica.

Para finalizar esse trabalho sem, no entanto, encerrar as discussões que ele é capaz de gerar, sugere-se que a Saúde do Trabalhador seja alvo de debates durante a formação dos enfermeiros e nos serviços em que atuam, sejam eles de quaisquer níveis de complexidade, para que se torne uma prioridade e se integre nas rotinas de trabalho das equipes de saúde.

Sugere-se ainda que, para uma melhor efetivação da implantação da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e Trabalhadora no âmbito da Atenção Básica, faz-se necessário o esforço coletivo de planejamento, execução e avaliação, com a atuação conjunta de todos os órgãos disponíveis no estado e no município, relacionados à Saúde do Trabalhador: uma agenda compartilhada dos Cerest Estadual e Municipal; núcleos de Saúde do Trabalhador das secretarias de saúde pública, no nível estadual e municipal; unidades sentinelas e núcleos de vigilância epidemiológica hospitalares, entre outros.

Dessa forma, além da potencialização do impacto produzido pela atuação conjunta, há que considerar a valorização e fortalecimento da força de trabalho das várias instâncias institucionais, além da otimização na utilização dos recursos, como elemento agregador, com capacidade de capilarização de eficiência e visibilidade social.

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