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Belgede KPSS 2010 (sayfa 38-44)

Em relação às desigualdades sociais, a Tabela 7 mostra valores médios, a média, desvios-padrão, coeficientes de variação, medianos e valores mínimo e máximo das variáveis para a elaboração do IACV.

Resultados

96 Tabela 7 – Valores médios, desvios-padrão, coeficientes de variação, medianos, valores

mínimo e máximo para as nove variáveis utilizadas para a obtenção do IACV. Itabuna, BA, 2010

Variável

Média Desvio-Padrão de Variação Mediana Coeficiente Mínimo Valor Máximo Valor

NÃO_IDOSOS (%) 92,8 2,9 3,1 93,1 82,8 98,5 CHEFE_<2SM (%) 65,2 17,9 27,4 69,3 8,3 93,9 POP_ANALFA (%) 24,5 9,9 40,6 23,4 6,9 55,6 DOM_S/ESGOTO (%) 20,0 28,1 140,6 4,4 0,0 99,5 DOM_S/CLIXO (%) 8,8 21,1 238,8 0,4 0,0 100,0 CÇAS_ATÉ5 (%) 8,3 2,5 29,7 8,2 3,0 22,8 DOM_S/ABÁGUA (%) 5,4 13,2 244,8 1,0 0,0 97,4 ANALFA_10A14 (%) 4,7 4,8 103,1 3,4 0,0 22,2 DENS_DOM 3,2 0,3 7,9 3,2 2,3 4,0

Das três variáveis, que refletem as condições de meio ambiente e habitação, duas apresentaram coeficientes de variação superior a 200%: domicílios sem coleta de lixo (238,8%) e sem abastecimento de água adequados (244,8%), indicando a ocorrência de extremos, que de fato variaram entre o mínimo de 0% e o máximo de 100% e 97,4%, respectivamente.

As variáveis relacionadas às condições de meio ambiente e habitação, domicílios sem esgoto (140,6%), e ainda população de 10 a 14 anos analfabeta (103,1%) também apresentaram coeficientes de variação elevados, superiores a 100%.

Apresentaram coeficientes de variação acima de 20,0%: população analfabeta (40,6%), existência de crianças até 5 anos (29,7%) e chefe de família com renda insuficiente (27,4%).

Observa-se, portanto, que as variáveis, segundo setores censitários, apresentam valores distantes para os limites inferior e superior, expressando a heterogeneidade intra-urbana existente.

A Tabela 8 apresenta os valores obtidos para os coeficientes de correlação linear de Pearson (r) entre as nove variáveis utilizadas para a construção do IACV, sendo 93,3% deles significativos ao nível 0,01; 2,2% significativos ao nível de 0,05 e apenas 4,4% não significativos. Os indicadores mostraram-se positivamente e estatisticamente correlacionados, com as maiores correlações observadas entre: i)

Resultados

97 Proporção de domicílios sem abastecimento de água adequado e Proporção de domicílios sem coleta de lixo adequada (r = 0,82); ii) Proporção da população analfabeta e Proporção de crianças até 5 anos de idade (r = 0,78); iii) Proporção da população de 10 - 14 anos analfabeta e Proporção da população analfabeta (r =0,69) e iv) Proporção da população analfabeta e Proporção de responsável por domicílio com renda menor ou igual a 2 salários mínimos (r =0,69).

Tabela 8 – Matriz de correlações das variáveis utilizadas para a construção do Indicador Adaptado de Condições de Vida segundo setores censitários. Itabuna, BA, 2010

.

Variáveis 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Densidade domiciliar 1 Proporção de crianças até 5

anos de idade 0,429** 1 Proporção de responsável por

domicílio com renda menor ou igual a 2 salários mínimos

0,410** 0,532** 1

Proporção da população

analfabeta 0,420** 0,775** 0,685** 1 Proporção de domicílios sem

esgotamento sanitário adequado

0,188** 0,465** 0,334** 0,594** 1

Proporção de domicílios sem

coleta de lixo adequada 0,099 0,435** 0,266** 0,560** 0,600** 1 Proporção de domicílios sem

abastecimento de água adequado

0,035 0,306** 0,208** 0,461** 0,598** 0,817** 1

Proporção de pessoas com idade inferior ou igual a 65

anos 0,383** 0,632** 0,414** 0,533** 0,276** 0,195** 0,135* 1 Proporção da população de

10 - 14 anos analfabeta 0,278** 0,426** 0,439** 0,687** 0,498** 0,419** 0,446** 0,328** 1 **Correlações estatisticamente significativas com nível de significância de 0,01 (p < 0,01)

*Correlações estatisticamente significativas com nível de significância de 0,05 (0,01 < p < 0,05)

Considerando as correlações estatisticamente significativas entre as variáveis, considerou-se a existência de um único fator para a composição do IACV, quando procedida a Análise Fatorial. Tal fator foi capaz de explicar 50% da variação total do conjunto analisado.

Resultados

98 A partir da matriz de variáveis secundárias procedeu-se à Análise Fatorial segundo o método de componentes principais.

Os dados da Tabela 9 apresentam as cargas fatoriais, que representam a contribuição de cada uma das variáveis secundárias utilizadas na porcentagem de variação explicada e o fator principal que indica condição de vida. Os indicadores relativos à educação tiveram a primeira e terceira maiores cargas fatoriais: população alfabetizada acima de 10 anos de idade (0,920); população alfabetizada com idade entre 10 a 14 anos (0,720). A segunda maior carga (0,801) foi a proporção de crianças até 5 anos de idade. O indicador menos correlacionado com a condição de vida referiu-se à densidade intra-domiciliar (0,476).

Tabela 9 – Matriz de cargas fatoriais das variáveis utilizadas para a construção do Indicador Adaptado de Condições de Vida segundo setores censitários. Itabuna, BA, 2010.

Variáveis Cargas fatoriais (

loadings)

Proporção da população analfabeta 0,920

Proporção de crianças até 5 anos de idade 0,801 Proporção da população de 10 - 14 anos analfabeta 0,720 Proporção de domicílios sem esgotamento sanitário adequado 0,732 Proporção de domicílios sem coleta de lixo adequada 0,705 Proporção de responsável por domicílio com renda menor ou

igual a 2 salários mínimos

0,679

Proporção de domicílios sem abastecimento de água adequado 0,640 Proporção de pessoas com idade inferior ou igual a 65 anos 0,605

Resultados

99 A Tabela 10 traz os primeiros e os últimos 10% escores fatoriais do IACV, em que foi possível observar que valores maiores correspondem à população mais carente.

Tabela 10 – Os primeiros e últimos 10% escores fatoriais do Indicador Adaptado de Condições de Vida. Itabuna, BA, 2010

Extrato alta

condição de vida condição de vida Extrato média condição de vida Extrato baixa Extrato muito baixa condição de vida

-2,2965 -0,66477 0,38939 1,64203 -1,96793 -0,65412 0,39118 1,80389 -1,84117 -0,65195 0,41708 -1,77264 -0,64672 0,46678 -1,71303 -0,64475 0,46719 -1,71206 -0,6384 0,4915 -1,64474 -0,63674 0,49385 -0,62808 -0,60909 -0,60757 -0,59606 ... ... ... ... 0,19096 0,19874 0,23674 0,25123 -0,80327 0,27426 1,49575 -0,78788 0,27482 1,52188 -0,7821 0,27805 1,53066 -0,75784 0,29848 1,57113 -0,7171 0,32304 1,58436 -0,71086 0,35015 1,60707 2,89797 -0,70713 0,3586 1,61243 3,03941

Para estratificação do conjunto de setores já então classificados segundo níveis de condição de vida, foi utilizada a análise de cluster como forma de estabelecer pontos de corte no conjunto trabalhado, agrupando casos relativamente homogêneos de uma determinada variável.

Os valores médios, desvios-padrão, medianos, valores mínimo e máximo segundo as variáveis que compuseram o IACV e sua distribuição segundo os

Resultados

100 Tabela 11 – Valores médios, desvios-padrão, medianos, mínimos e máximos para as nove variáveis utilizadas para a obtenção do Indicador Adaptado de Condições de Vida, por cluster. Itabuna, BA, 2010

Indicador Cluster Média Desvio-padrão Mediana Mínimo Máximo

DENS_DOM Alta 3,0 0,3 3,0 2,3 3,6 Média 3,3 0,2 3,3 2,5 3,8 Baixa 3,4 0,2 3,4 3,0 3,8 Muito baixa 3,3 0,3 3,2 2,7 4,0 CÇAS_ATÉ5 (%) Alta 5,7 1,3 5,7 3,0 9,4 Média 8,1 1,2 8,2 5,2 10,8 Baixa 10,5 1,5 10,6 6,7 14,6 Muito baixa 11,3 3,7 11,0 6,1 22,8 CHEFE_<2SM (%) Alta 43,7 17,2 45,6 8,3 79,1 Média 68,6 10,7 70,7 31,4 87,1 Baixa 76,8 8,6 78,4 53,8 90,7 Muito baixa 80,7 15,5 83,3 30,3 93,9 POP_ANALFA (%) Alta 13,2 3,0 13,4 6,9 22,5 Média 22,7 4,1 22,3 15,4 40,8 Baixa 34,3 5,6 33,4 24,7 48,9 Muito baixa 41,3 9,3 42,5 20,3 55,6 DOM_S/ESGOTO (%) Alta 2,2 5,6 0,6 0,0 43,5 Média 10,3 17,2 6,2 2,5 86,3 Baixa 39,1 27,9 32,5 0,9 99,3 Muito baixa 80,1 17,7 82,9 43,5 99,5 DOM_S/CLIXO (%) Alta 0,2 0,5 0,0 0,0 2,9 Média 1,6 4,3 0,0 0,0 35,3 Baixa 13,3 14,3 8,1 0,0 52,2 Muito baixa 75,5 32,5 91,7 0,0 100,0 DOM_S/ABÁGUA (5) Alta 0,2 0,3 0,0 0,0 1,3 Média 1,9 3,9 0,7 0,0 35,3 Baixa 6,9 6,2 5,3 0,0 32,3 Muito baixa 44,9 29,1 41,0 1,8 97,4 NÃO_IDOSOS (%) Alta 89,9 3,0 90,1 82,8 97,9 Média 95,1 1,9 93,1 89,1 97,6 Baixa 94,6 1,7 95,1 88,9 96,8 Muito baixa 94,4 2,5 94,9 89,0 98,5 ANALFA_10A14 (%) Alta 1,1 1,9 0,0 0,0 9,5 Média 3,3 2,7 2,9 0,0 11,5 Baixa 8,7 4,7 8,5 0,0 21,9 Muito baixa 11,7 6,4 10,9 0,0 22,2

Resultados

101 O conjunto setores censitários foi dividido em quatro clusters denominados alta, média, baixa e muito baixa condição de vida, cujos resultados estão apresentados na Tabela 12.

Tabela 12 – Número de setores censitários, segundo clusters, em um total de 259 setores censitários. Itabuna, BA, 2010

Cluster Número de setores

censitários Número de casos População

Alta 65 29 50961

Média 111 66 87098

Baixa 67 61 56879

Muito baixa 16 4 8381

Total 259* 160* 203319

* 25 casos não geocodificados.

Em Itabuna, 42,0% (111/259) dos setores censitários encontravam-se, no período de realização do trabalho, no cluster de média condição de vida, aproximadamente 25,0% e 26,0%, nos clusters de alta e baixa condição de vida, respectivamente, enquanto apenas 6,0% representam o cluster de muito baixa condição de vida.

A Tabela 13 traz o coeficiente de Mortalidade por Homicídios (por 1000 habitantes) no ano de 2010, segundo cluster.

Como era esperado, os clusters de baixa e média condições de vida apresentaram os maiores Coeficientes de Mortalidade por homicídios (1,07casos/1.000 habitantes e 0,76 casos/1.000 habitantes), respectivamente, posto que os clusters de muito baixa condição de vida todos, à exceção de um deles, estão situados fora da zona urbana, onde está concentrada maior densidade populacional no município.

Na zona rural de Itabuna, que corresponde aos clusters de muito baixa condição de vida, residem apenas 2,46% da sua população, sendo que os demais correspondem aos clusters de baixa, média e alta condição de vida.

Resultados

102 Tabela 13 – Coeficiente de mortalidade por homicídio segundo cluster. Itabuna, BA, 2010

Cluster Número de

setores censitários

Número de

casos residente em População DPP Coeficiente de Mortalidade/1.000 Alta 65 29 50961 0,57 Média 111 66 87098 0,76 Baixa 67 61 56879 1,07 Muito baixa 16 4 8381 0,48 Total 259 160* 203319

* 25 casos não geocodifiicados.

As Figuras 12 e 13 mostram o município de Itabuna segundo nível socioeconômico, com setores censitários estratificados segundo o IACV.

Para representação dos níveis de condição de vida dos setores censitários utilizou-se um gradiente de cores em que o tom mais claro corresponde aos 65 setores de alta condição de vida; o tom médio destaca os 111 setores de média condição de vida; o tom escuro enfatiza 67 setores de baixa condição de vida e finalmente o tom mais escuro ressalta os setores de muito baixa condição de vida, que englobam um menor número, apenas 19. Destaque-se que destes 19, apenas 01 setor de muito baixa condição de vida está situado na área urbana, todos os demais correspondem à zona rural.

Resultados

103

Resultados

104

Figura 13 – Mapa ampliado da estratificação do município segundo condições de vida. Itabuna, BA, 2010

Os testes do Qui-quadrado e a Razão de Chances bruto foram calculados segundo nível socioeconômico, com exceção dos clusters muito baixa condição de vida. O valor encontrado para a associação foi significante, χ2

z;0,005 = 39,1, gl = 2,

com p tendendo a zero, portanto observou-se associação estatisticamente significante entre os casos de homicídios e a baixa condição de vida. Comprovou-se a associação entre os homicídios e condição de vida, quando comparados aos

clusters alta e baixa condição de vida (RC= 12,62; IC 95%: [4,78 ; 33,32]) e média e

baixa condição de vida (RC= 6,93; IC 95%: [2,76 ; 17,4]). A associação alta e média condição de vida não apresentou valor significativo: (RC=1,82; IC 95%: [0,98 ; 3,38]). Com o objetivo de identificar as áreas prioritárias para a adoção/intensificação de ação de controle da violência, as Figuras 14 e 15 mostram que a distribuição dos homicídios não é uniforme e que as áreas que apresentam maior número de vítimas coincidem com as áreas de concentração de pobreza e algumas áreas de intermediária condição de vida.

Resultados

105

Figura 14 – Mapa da distribuição dos endereços de residência das vítimas de homicídios, segundo condição de vida. Itabuna, BA, 2006 a 2012

Resultados

106

Figura 15 – Mapa da densidade de endereços de residencia das vítimas de homicídios obtidos pelo estimador Kernel, segundo condição de vida. Itabuna, BA, 2006 a 2012

Discussão

108 Na análise das estatísticas de óbitos, a qualidade do sistema de informação de mortalidade tem sido avaliada nacionalmente, e a região Nordeste apresenta uma situação de baixa cobertura, portanto de subenumeração de óbitos, apesar do crescimento ocorrido desde 1991 até 2004, quando passou de 51,4% para 72,4% (Brasil, 2008).

O Estado da Bahia, segundo dados do Ministério da Saúde (BRASIL, 2008), apresentou taxa de cobertura do SIM de 73,4% para o ano de 2006. Assim, de acordo com os critérios estabelecidos por Vasconcelos (2000), para classificação das Unidades da Federação segundo cobertura do SIM, o Estado da Bahia encontra-se entre aquelas em que o sistema de informação de mortalidade está em processo de consolidação, com taxas de cobertura entre 55% e 93%, apresentando qualidade dos dados de regular a deficiente.

O Coeficiente Geral de Mortalidade (CGM), padronizado por idade, é um indicador que pode ser utilizado para identificar falhas na cobertura das informações de registros de óbitos. Segundo Vasconcelos (2000) e Sczwarcwald et al. (2002), valores menores que 4 por 1.000 habitantes indicam precariedade de cobertura das informações de mortalidade.

Para os treze anos calculados neste estudo, 2000 a 2012, verifica-se que os coeficientes obtidos estão acima do parâmetro proposto por Sczwarcwald et al. (2002), indicando que o CGM padronizado de Itabuna, assim como o da Bahia, também é satisfatório, sugerindo confiabilidade na cobertura das informações de mortalidade do município.

Outro aspecto que está associado à fidedignidade das informações e composição das estruturas das causas de mortalidade diz respeito às proporções de óbitos notificados como causas mal definidas. Nessa categoria, estão englobados todos aqueles casos em que os sintomas e os sinais não foram objetivamente esclarecidos, bem como os achados anormais de exames clínicos e de laboratório que não foram classificados em outra parte da Classificação Internacional de Doenças - CID (constam da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde - CID 101, Capítulo XVIII).

A prevalência elevada de causas enquadradas nessa categoria, em regiões que já apresentam baixas frequências de declarações da causa do óbito, de certo modo subestima a real composição da estrutura da mortalidade, fornecendo uma visão distorcida do fenômeno, quando comparado com as situações prevalecentes

Discussão

109 nas áreas de melhor cobertura. Os efeitos simultâneos da elevada subnotificação dos óbitos em geral e da alta incidência de mortes por causas mal definidas, reforçam os cuidados que devem ser observados quando das comparações entre as estruturas de mortalidade. Nesse caso, o valor achado em Itabuna (10,0%), no período do estudo, é satisfatório e está bem abaixo do Estado da Bahia (25,0%) e do Nordeste (17,2%) e próximo da média nacional no ano de 2005 (10,4%) (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2013).

Ao se cotejar os resultados referentes à estrutura das causas de morte, chama a atenção o fato das causas externas, em Itabuna, a partir do ano de 2005, alcançarem a 2ª posição, atingindo patamares compatíveis com aqueles vistos nas regiões mais desenvolvidas do país nas décadas de 1980 e 1990, quando então os coeficientes começaram a declinar (BRASIL, 2010). Dados do MS apontam que no ano de 2009, as causas externas representaram a terceira causa mais frequente de morte no Brasil. No entanto, essa posição não se apresentou uniformemente distribuída: as causas externas foram a segunda mais frequente causa de morte nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste; a quarta, na Região Sudeste, e a terceira, na Região Sul.

Esses resultados, de certa forma, podem refletir, por um lado, um início de maior controle da violência nas regiões que já haviam alcançado patamares elevados de sua incidência, como é o caso do Sudeste, e, por outro lado, um indicativo de um processo de sua generalização para outras áreas.

Os dados deste estudo coincidem com o padrão de distribuição observado por outros autores no Brasil (BRASIL, 2010; FREITAS et al., 2000) indicando que esses agravos não afetam a população de maneira uniforme, existem grupos populacionais mais vulneráveis, o que pode ser percebido pela distribuição desigual das mortes por causas externas, que constituem a 1ª causa de morte nas pessoas de 10 a 39 anos, do sexo masculino. Essa distribuição torna o problema mais preocupante pelo fato de ser a população de adolescentes e jovens a maior vítima da violência, pondo em risco os ganhos obtidos na esperança de vida brasileira nos últimos tempos.

Enquanto no país, no ano de 2009, o coeficiente de mortalidade específica por esse grupo de causas foi de 72,4 óbitos por 100 mil habitantes, com 24,1 óbitos por 100 mil mulheres e 122,5 óbitos por 100 mil homens, em Itabuna, no período entre 2000 e 2012, os coeficientes evidenciam uma pior situação: variaram entre 88

Discussão

110 e 108 óbitos por 100 mil habitantes, com coeficientes mais elevados no ano de 2010, quando as taxas chegaram a 139 óbitos por 100 mil habitantes. Nesse período, os coeficientes de morte por causas externas variou de 40 a 10 óbitos por 100 mil mulheres e de 140 a 220 óbitos por 100 mil homens. Ou seja, se no Brasil, em média, os homens apresentam um risco de morte por causas externas 5,1 vezes aquele das mulheres, em Itabuna esse risco sobe para 22 vezes.

Borbeau (1993), ao discutir a sobremortalidade masculina para causas externas, diz que esta é mais marcada nos países em desenvolvimento, em comparação com os países desenvolvidos, especialmente para aqueles da América Latina. Esse autor propõe a seguinte classificação: mortalidade violenta fraca, com coeficientes de mortalidade em torno de 44 por 100 mil para o sexo masculino e 19/100 mil para o feminino; intermediária, cujos coeficientes se apresentam entre 70 e 91/100 mil para os homens e 29/100 mil para as mulheres; e mortalidade violenta forte, com valores entre 113 e 166/100 mil para o sexo masculino e 32/100 mil para o feminino. Nestas condições, o Município de Itabuna apresenta-se com uma mortalidade violenta forte para os homens e fraca para as mulheres.

O encontro de uma mortalidade por causas externas maior para o sexo masculino é bastante comum, e outros trabalhos também mostram esta predominância. Yunes (2001), ao analisar a mortalidade por causas externas nas Américas, utilizando dados do ano de 1986 para nove países, verificou que em todos os países estudados esta mortalidade era substancialmente maior no sexo masculino. O mesmo pode ser verificado quando são analisados dados de outros municípios do Brasil. Mello Jorge e Gawryszewski (2000) em pesquisa realizada em São Paulo, no ano de 1999, encontraram coeficientes de mortalidade (por 100 mil habitantes) de 92,1 para ambos os sexos, 166,4 para o masculino e 22,8 para o feminino. Em série histórica realizada por Carvalho (2003), em Feira de Santana-BA, as causas externas ocupavam o 2º lugar na mortalidade do município, com coeficientes entre 65 e 68 óbitos por 100 mil habitantes, variando entre 93,8 e 115,5 para o sexo masculino e 38,1 e 25,1 para o feminino, no período de 1979 a 1999.

Analisando-se o perfil da mortalidade em Itabuna, segundo tipos de causas externas, observa-se que os dados referentes aos homicídios, nos últimos anos, encontram paralelo, com dados de pesquisa realizada no ano de 1999 em São Paulo, maior metrópole do Brasil com população estimada de 9.968.485 habitantes (MELLO JORGE; GAWRYSZEWSKI, 2000), o que corrobora o processo de

Discussão

111 interiorização da violência e evidencia que as deficiências e insuficiências do aparelho Estatal e da Segurança Pública contribuem para a atração da criminalidade.

A violência, que foi considerada como um efeito da urbanização desordenada e acelerada que o país viveu desde o início do século, uma urbanização sem industrialização ou desenvolvimento econômico para garantir trabalho para os migrantes, agora se dissemina pelo restante do país, acompanhando a nova onda de migração para as cidades médias do interior. Com ela, a disseminação das práticas do crime organizado, que estão longe de se restringirem ao tráfico de drogas ilegais, envolvem também contratos privilegiados e fraudados de empresas e organizações não governamentais com os governos em seus vários níveis (ZALUAR, 2009)

O predomínio da mortalidade por homicídio entre os homens jovens encontrado nesse estudo também foi observado em várias localidades do país. Autores relacionam a sobremortalidade masculina à maior probabilidade de exposição à violência (SOUZA, 2005; SANTOS et al., 2001). Nessa população o crescimento dos números ocorreu em todas as faixas etárias, entretanto os resultados de Itabuna apontam para uma disseminação da violência entre uma população cada vez mais jovem: 647% entre os homens de 15 a 19 anos no período de 2000 a 2012. Dados de publicação do Ministério da Saúde para o ano de 2010 apontam a faixa de 20 a 29 anos como a de maior risco de morte por homicídio no Brasil. Em estudo sobre mortalidade por armas de fogo foi constatado, no período de 1980-2010, aumento dos homicídios de 502,8% na população total e de 591,5% entre os mais jovens (15 a 29 anos) (WAISELFISZ, 2013).

Cardia (2004), versando sobre dados semelhantes, relatou que o homicídio de jovens relaciona-se com a escassez de fatores de proteção e com áreas onde há grande concentração de pessoas nessa faixa etária. Ressaltou que a vitimização de pessoas novas articula-se com a criminalidade juvenil, o recrutamento de jovens pelo narcotráfico, o abandono da escola e o banditismo, tudo isso mediado pela incapacidade dos órgãos públicos de assistência social e do aparelho jurídico e policial, dentro de um contexto de desagregação social, institucional e familiar.

Essas perdas precoces de vida não trazem danos somente ao indivíduo e ao grupo que convive diretamente com ele, mas à coletividade como um todo, que é privada do seu potencial econômico e intelectual. Os países considerados mais

Discussão

112 desenvolvidos (Inglaterra, Canadá, Japão, por exemplo), de um modo geral têm a sua estrutura de mortes violentas composta principalmente por elementos não intencionais, acidentes de trânsito e quedas, exatamente o contrário do observado para o Brasil de modo geral e em especial no Município de Itabuna. Mas, mesmo entre os elementos intencionais, são os suicídios que lideram esta mortalidade nesses países (MELLO JORGE, 2000).

Considerando o indicador anos potenciais de vida perdidos, a mortalidade por homicídios, no ano de 2012, manifestou-se de forma preocupante ao atingir principalmente os adultos jovens: 45,3 APVP por óbito, ocorrendo, em média, na idade de 24,7 anos. As perdas em produtividade devido à morte prematura ou possíveis sequelas decorrentes da violência são consideráveis. Estudo realizado por Peixoto e Souza (1999) em Santa Catarina, no ano de 1995, demonstrava que o indicador correspondia a 37,8 APVP por óbito, ocorrendo, em média, na idade de 32,2 anos.

Em que pese o volume crescente de estudos que focalizam a incidência de óbitos por causas violentas no Brasil, ainda são escassos aqueles que traduzem esse fenômeno em termos de estimativas dos anos de vida perdidos em decorrência desses óbitos. Trata-se, entretanto, de uma informação importante para sensibilizar os formuladores de políticas públicas para a necessidade de direcionar ações visando à redução dos óbitos por homicídios.

Em Itabuna, observou-se que a razão masculino/feminino nos adolescentes e adultos jovens (87/01) é aproximadamente sete vezes maior do que as

Belgede KPSS 2010 (sayfa 38-44)