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Uma avaliação dos resultados da Reforma de 1892, após sete anos de vigência, levou à constatação da necessidade de se promover mudanças na educação. Assim, o Congresso Mineiro novamente se mobiliza para atender aos requisitos de elaboração de uma nova reforma da instrução pública primária e normal15

Dessa avaliação depreendiam-se os principais aspectos a serem tratados na reclamada reforma da instrução: freqüência, formação docente, freqüência nas escolas rurais e matérias do programa de ensino primário. Algumas medidas urgentes e específicas foram tomadas, como a divisão do Estado em sete circunscrições literárias e a nomeação de “pessoas idôneas, sem outra preocupação que não a efetividade da medida tomada”, . O Secretário do Interior, Wenceslau Braz Pereira Gomes, reconheceu que havia sérios problemas a serem enfrentados e um dos principais se referia à questão da matrícula. Analisando os mapas de freqüência, o Secretário constatou irregularidades que, aparentemente, estariam sendo acobertadas pelos responsáveis pela fiscalização do cumprimento dos regulamentos: os inspetores escolares. A essa conclusão ele chegou após examinar os relatórios existentes na Secretaria do Interior e sobre os quais afirmou:

são fraudulentos os mapas apresentados por alguns professores, dos quais consta elevado número de alunos freqüentes, pois suas escolas realmente não tem freqüência legal; são em geral incapazes os professores provisórios existentes no Estado, com raras e honrosas exceções; as escolas rurais, também poucas exceções, não têm, nem poderiam ter freqüência legal; há absoluta necessidade de reduzir as matérias, cujo ensino é exigido nas escolas primárias (PEREIRA GOMES, 1899, p. 25).

15 Promovida pela Lei de n 281, de 16 de setembro de 1899, e regulamentada pelo Decreto de n. 1.348, de

para assumir a tarefa de zelar pelo ensino público16

as escolas primárias em geral funcionam em prédios que não são próprios, acanhados, sem as necessárias condições higiênicas, desprovidos quase todos de mobília e material escolar convenientes; que, de outro lado, os professores sem tempo suficiente e mesmo muitos sem o conveniente preparo para lecionarem todas as matérias exigidas pelo regulamento respectivo, e além disso notando que suas escolas não são inspecionadas e, às vezes, nem mesmo são visitadas pelas autoridades literárias, e que indivíduos, sem exibirem provas de habilitações, gozam entretanto de favores e regalias idênticos aos seus, ficam sem estímulos, revelam pouca dedicação e pouco amor á sua profissão, em geral mal cumprem seus deveres, e não poucos ainda dividem o seu tempo e atividade com misteres alheios ao magistério e

. Outras foram contempladas na lei que determinou a reforma.

Vale lembrar que o Estado vivia nesse momento uma séria crise econômica e uma reforma na instrução poderia ser bastante oportuna para aliviar os cofres públicos, visto que esse ramo consumia uma grande parcela do orçamento. Foram nessas circunstâncias que a reforma obteve recomendação do presidente do Estado, Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, em Mensagem ao Congresso Mineiro, em 15 de junho de 1889. O Presidente reconheceu os esforços dos governos anteriores em atender às necessidades do ensino público, nos seguintes aspectos:

seja votando leis e promulgando regulamentos de organização, seja multiplicando extraordinariamente o número de escolas primárias, procurando dotar muitas delas de mobília e material escolar, seja aumentando o número de escolas normais e subvencionando aquelas que foram criadas pelas municipalidades, seja finalmente destinando a esse importantíssimo ramo do serviço público larga verba orçamentária, que por si só absorve mais de quinta parte da receita ordinária (BRANDÃO, 1889, p.33).

Entretanto, a despeito de toda essa diligência, as condições em que se encontravam o ensino público mineiro eram consideradas precárias e lastimáveis: “o ensino primário acha-se em completa decadência no Estado: - esta é a verdade, que tanto deve contristar-nos”, afirmou. Segundo o Presidente, os motivos, todos conheciam:

São conhecidas as más condições em que se encontra o ensino primário no Estado: - em geral ministrado por métodos defeituosos e primitivos, pouco prático, insuficiente, pouco proveitoso, não compensando absolutamente os grandes sacrifícios que com ele é feito pelo tesouro público (BRANDÃO, 1889, p.30).

Além disso, continuou avaliando a situação do ensino primário mineiro:

16 Os inspetores escolares extraordinários nomeados foram: Domiciano Rodrigues Vieira, Major Estevam

de Oliveira, Tobias Antônio Rosa, Major Carlos José Santos, Olímpio Batista Pinto de Almeida, Dr. Albino Alves Filho, e o major Cândido J. de Sena.

até incompatíveis com as funções pedagógicas, com manifesto detrimento do ensino (BRANDÃO, 1889, p.33)

Dispendioso, ineficiente, e consumindo “mais de quinta parte da receita ordinária”, era preciso tomar algumas medidas que sanassem os problemas do ensino, pois o Estado enfrentava uma séria crise e a ordem do dia era “fazer severas economias, reduzindo as despesas públicas, seja cortando nas extraordinárias, seja suspendendo ou suprimindo serviços ordinários, adiáveis ou dispensáveis” (Ibidem, p. 33). Nessa direção, foi pedido ao Congresso que estabelecesse as medidas necessárias para levar a efeito esse plano. No tocante à instrução primária, o Presidente reconheceu “a indeclinável necessidade” de reformá-la e estabeleceu alguns encaminhamentos a serem considerados na nova proposta:

simplificação e uniformização do ensino primário, tornando-o prático e exeqüível; supressão das cadeiras rurais; extinção da classe dos professores provisórios; delimitação orçamentária do número de cadeiras que devem ser providas e custeadas; proibição taxativa aos professores de ocuparem a sua atividade com misteres estranhos à sua profissão e incompatíveis com as funções pedagógicas (BRANDÃO, 1889, p.33).

A reforma deveria ainda abranger as escolas normais, simplificando o plano de ensino, reduzindo o curso para três anos, suprimindo o ensino de algumas matérias desnecessárias, anexando algumas cadeiras a outras e reduzindo o número de escolas. Todas essas medidas constituíram motivo de grandes e acalorados debates no Congresso Mineiro, porém, abordaremos somente a polêmica que se estabeleceu em torno da decisão de se reduzir o número de escolas suprimindo as escolas primárias.

3.5. Das críticas ao ensino surge uma nova reforma: a Lei n. 41 em