4.2. Öğretmen A ‘ya İlişkin Bulgular
4.2.1. Öğretmen A’nın Gözlemlerine İlişkin Bulgular
A terceira reforma republicana encerra o primeiro período da política educacional marcado pela grande retração nas iniciativas oficiais de criação de escolas noturnas e rurais. A preocupação com a democratização da educação popular e a natureza conciliatória da política do Presidente João Pinheiro poderiam justificar as medidas relativas a essas duas questões que estavam preocupando as autoridades locais, os setores industriais e também os moradores das regiões mais distantes nas zonas rurais: escola rural e noturna.
33 As escolas primárias receberam a seguinte denominação: grupos escolares e escolas isoladas urbanas,
distritais ou coloniais. As escolas urbanas seriam as estabelecidas dentro do perímetro das cidades ou vilas; as distritais, as estabelecidas dentro do perímetro da sede dos demais distritos administrativos; e as escolas coloniais, seriam as estabelecidas dentro das colônias. Para instalação das escolas foram estabelecidos o mínimo de quarenta alunos, nos distritos, e 45 nas cidades e vilas. Quanto à freqüência legal, estabeleceu-se um mínimo de trinta alunos nas cidades ou vilas, de 25 nos distritos e de vinte alunos nas escolas colônias. Além disso, poderiam ser criadas aulas anexas aos grupos escolares, com objetivo de ministrar aulas profissionais aos alunos de ambos os sexos, por meio do ensino prático, “apropriados à sua idade e relativas ao ofício de hortelão, arboricultor e jardineiro”. Para essas aulas, o governo forneceria “aparelhamento, ferramentas, utensílios e matérias-primas”. (MINAS GERAIS, Regulamento do Decreto n. 1960, p. 15).
exigido para as escolas em sede do distrito”. Essa exigência era a de quarenta alunos para a instalação da escola e de 25 alunos freqüentes para a sua manutenção.
A preocupação com a instrução primária dos operários, por meio das escolas noturnas, constou das preocupações do deputado Alonso Starling logo na retomada das discussões do Projeto n. 119, na Câmara, em 1905. Sobre a questão, o deputado ressaltou:
uma outra medida que se faz necessária urgentemente é o estabelecimento de escolas noturnas para operários; é uma medida que vai ser lembrada pela Comissão de Instrução Pública. Penso que devemos criar escolas noturnas para os operários, para esses homens que podem dispor das horas do dia para se entregarem à alimentação do espírito, eles que mal alimentam o corpo, porque os seus salários mal dão para isso (STARLING, 1905, p. 435).
Realmente, a preocupação com a “alimentação do espírito” constou das lembranças da Comissão que incorporou no texto da Reforma um dispositivo declarando que o governo promoveria, quando fosse possível, a criação de escolas noturnas onde se pudesse contar com a freqüência mínima de trinta adultos. Essa medida, na verdade, não alterou do ponto de vista normativo ou de fato o quadro do ensino noturno e manteve o que já havia sido determinado nas legislações anteriores, que era a exigência da freqüência de trinta alunos para a sua manutenção. Mas, a junção de ambas possibilitou o movimento de retomada das iniciativas de escolarização dos operários das fábricas nas escolas rurais e noturnas.
A repercussão fora imediata com o restabelecimento progressivo de diversas escolas de fábricas a partir de 1907, autorizadas pelo Presidente João Pinheiro da Silva34. Nesse ano também foi autorizada a criação de uma escola noturna na cidade de Juiz de Fora35
34Foram restabelecidas: pelo Decreto n. 2.092, de 20/09/1907, a cadeira mista da fábrica de tecidos de
Santa Bárbara, pelo Decreto n. 2.093, de 20/09/1907: a cadeira mista da fábrica de tecidos de Beriberi; pelo Decreto n. 2.094, de 20/09/1907, a cadeira mista da fábrica de tecidos de S. Roberto; pelo Decreto n. 2.110, de 05/10/1907, a cadeira noturna da cidade de Diamantina; pelo Decreto n. 2.154, de 26/12/1907, a cadeira mista da fábrica de tecidos do Cassú, município de Uberaba. O Decreto n. 2.150, de 26/10/1907, criou uma cadeira de instrução mista noturna, na Fábrica de Cachoeira dos Macacos, município de Sete Lagoas; e o Decreto n. 2.155, de 20/09/1907, criou uma cadeira mista de instrução primária na fábrica de tecidos da Gabiroba, no município de Itabira (MINAS GERAIS, 1907, p. 202-203). No ano de 1908 também foram restabelecidas: pelo Decreto n. 2284, de 03/11/1908, a cadeira mista da Fábrica de Tecidos de Pitanguy; pelo Decreto n. 2300, de 17/11/1908, a cadeira mista da fábrica de Curvelo; e pelo Decreto n. 2326, de 15/12/1908, a cadeira mista da Fábrica de Sete Lagoas (MINAS GERAIS, 1908, p.164-211).
35 Criada pelo Decreto n. 1.994, de 20/03/1907. (MINAS GERAES, 1907, p. 88)
. Apesar desse movimento inicial, até o final dessa década, não localizamos mais nenhum ato de criação ou restauração de escolas noturnas e os dados estatísticos, apresentados
nos relatórios anuais dos Secretários do Interior, não contabilizavam as escolas noturnas, com regularidade.
O período aqui analisado, como se pode ver, constituiu-se de uma série de medidas que limitaram o desenvolvimento e a expansão das iniciativas voltadas para a instrução primária dos trabalhadores mineiros. O movimento crescente de criação de escolas noturnas, no final do século XIX, ao ser interrompido drasticamente pela primeira reforma republicana do ensino público sob a argumentação de crise do Estado e de que essas escolas eram dispendiosas e não apresentavam resultados satisfatórios, contrapõe- se aos princípios e ideais democráticos de “esparramar” as luzes da instrução primária a todos os recantos do Estado mineiro. Medida não consensual no Congresso Mineiro, a extinção das escolas, tanto rurais quanto noturnas, destinadas aos trabalhadores, mobilizou diversos atores sociais imbuídos de esforços para reverter a situação; o que levou à proposição de mudanças por meio da criação de leis específicas voltadas aos setores mais atingidos pelas medidas restritivas desse período e, especialmente, levou à adoção de manobras políticas em defesa de um dos principais setores afetados: o setor têxtil, que desde o final do século XIX mantinha escolas diurnas e noturnas para os seus operários, como visto no capítulo anterior.
Entretanto, a despeito da pressão dos deputados, das municipalidades e da população, a situação somente começou a se modificar após a ascensão ao Governo de Minas, do Presidente João Pinheiro da Silva e do Secretário do Interior, Manoel Tomaz de Carvalho Britto, ambos políticos e proprietários de estabelecimentos industriais36
36Analisando as reformas do ensino mineiro do período de final do século XIX até a década de vinte do
século XX, Arroyo (1982) ressaltou que inicialmente o que a “moderna oligarquia” esperava era que a instrução primária contribuísse para a incorporação dos escravos e da massa de iletrados à sociedade e à economia; posteriormente, a preocupação não era mais com a integração da massa como cidadão, mas sim a sua incorporação como trabalhadores. Segundo o autor, existia uma grande contradição entre a educação para a cidadania e a educação para o trabalho, percebida pelo presidente João Pinheiro que, em vista disso, propôs a educação do “cidadão útil”. Entretanto, como já visto, o sujeito dessa preocupação não eram os adultos, mas, as crianças ou a infância desvalida e abandonada.
. A partir de então, tem-se um movimento, ainda bastante fraco, de retomada da expansão das escolas primárias noturnas. Por volta de 1911, como se verá adiante, o ensino noturno começa a receber um tratamento diferenciado na política educacional mineira, modificando-se e alcançando um novo lugar social.