4. BULGULAR VE YORUM
4.2 İkinci Alt Probleme Ait Bulgular
4.2.2 Soru 10
A associação entre os enclaves de espaços mais reduzidos à favela na entrevista acima não foi exclusiva. Roberts (2002), também encontrou a mesma referência em seu trabalho na cidade de São Carlos, e além do termo “favela de rico”, o termo “cortiço de rico” foi mencionado por um de seus entrevistados por associar a estrutura e o modo de vida de um enclave fortificado à moradia popular, como a presença de crianças nas áreas de lazer e
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também a existência de casa próximas umas a outras foram ressaltados como aspectos negativos por aludir à pobreza, mesmo essa não sendo a condição de vida dos moradores.
Percebe-se então que são estabelecidas formas de diferenciação social não apenas entre os moradores que vivem nesses espaços com relação aos demais da cidade, mas também entre os moradores dos enclaves fortificados, tipos de classificação baseados em comportamentos e padrões de consumo que determinam o grau de prestígio do espaço e de seus moradores.
Frente a isso, durante o trabalho de campo e o contato que se teve com esses espaços e seus moradores, a característica que mostrou se realizar com maior grau de sucesso é a utilização desses espaços como artefato de distinção social associado a status e prestígio. A forma de tratamento destinada se mostrou bastante variável de acordo com a forma de apresentação realizada nas visitas aos empreendimentos.
As aproximações realizadas aos empreendimentos de Marília como pedestre e também como passageira de ônibus despertaram percepção tanto dos prestadores de serviço das portarias quanto dos moradores que transitavam de automóveis pelas ruas próximas e portarias com demonstrações de estranheza. Isso pode ser percebido através dos olhares desconfiados e dos diálogos atentos, algumas vezes ríspidos por parte dos porteiros na tentativa de contatos e informações.
Já nas aproximações realizadas por automóvel, os trajetos foram realizados sem desconforto no que tange a circulação nas áreas onde se localizam os enclaves fortificados, tanto em Marília quanto em São Carlos, mesmo tendo um comportamento não tão habitual já que as visitas se destinavam também ao registro de imagens e contato com prestadores de serviço, a forma de tratamento foi diferente da anterior, sendo os porteiros mais solícitos e simpáticos à minha presença. Os olhares desconfiados nem sequer existiram nessa ocasião, nem por parte dos prestadores de serviço e nem por parte dos moradores que passavam por ali.
A existência de um código de classificação como coloca Caldeira (2000) e a utilização de bens simbólicos como comunicadores intermediários às interações sociais, se mostraram como elementos fortemente presentes na dinâmica desses espaços, pois foram definidores no tipo de tratamento a ser dispensado e assim, a distinção social se apresenta como uma das características principais desses espaços.
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Além dos códigos de classificação percebidos através da forma de contato e aproximação, isso pôde ser percebido também através de alguns nomes de empreendimentos, que apresenta de maneira bastante clara o objetivo de distinção social, como Valle do Canaã, Portal dos Nobres e Reserva Esmeralda, por exemplo, ambos situados em Marília.
Além dos nomes, as fachadas e portarias chamam a atenção algumas vezes pela imponência e pela marcação de fronteira que impõem ao restante da cidade.
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Figura 19 - Rotatória de acesso ao Complexo Damha São Carlos. Foto: Schmidt, Naiara C. trabalho de campo em São Carlos 2013
Figura 20 - Portaria do Residencial Swiss Park. Foto: Schmidt, Naiara C. trabalho de campo em São Carlos 2013
As imagens das portarias de alguns enclaves fortificados residenciais de Marília e São Carlos são reveladoras para analisar a maneira como estes empreendimentos se apresentam à cidade. A sua “porta de entrada” se coloca na verdade como demarcação que separa seu interior do entorno, sendo esta demarcação muitas vezes suntuosa, que não deixa de chamar atenção por suas formas que podem fazer alusão a castelos, portais de palácios ou de arquitetura moderna que invoca influências internacionais.
Todas essas diferentes formas estéticas carregam consigo uma carga simbólica bastante forte, que reforçam ainda mais a distinção e a oposição destes espaços com o entorno que juntamente com as técnicas de segurança e vigilância constituem as portarias como verdadeiras fronteiras urbanas.
A referência a seletividade e a uma vida privilegiada em relação a habitação em tais espaços, e também a referência aos projetos inovadores e de padrões internacionais foram destacados. Sem dúvida, esse tipo de experiência é marcante tanto entre os moradores dos
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enclaves quanto entre os demais moradores da cidade. Como pode ser observado no relato de uma entrevistada:
[...] o estilo do condomínio é um estilo europeu. Os donos moraram fora e trouxeram algumas coisas de lá. Então o jardineiro dá tchau, você passa e o porteiro te cumprimenta, dá tchau são super cordiais. Não sei se faz parte do treinamento, mas é uma coisa que contagia, né? Entendo que seja isso.
Contando um pouco sobre as propostas do empreendimento em que reside ela diz:
[...] mas a filosofia deles é muito interessante porque lá é um loteamento. No vertical eu tinha uma parte do salão de festas, eu tinha uma parte da garagem, no Costa do Ipê nós somos donos do terreno a gente não tem piscina, tem uma quadra e um salão de festas, mas tem a preocupação com o meio ambiente então tem o jardim, tem o calçamento especial para absorver a água das chuvas, não é asfalto pela questão da água. Tem também a questão do lixo, como ele é armazenado. Eles trazem uma filosofia europeia no condomínio, então eu acredito que vai ser interessante.
(Professora universitária, 52 anos, moradora há cerca de um ano em enclave fortificado residencial de Marília)
Parece haver uma valorização entre aquilo que se mostra como diferenciado e que esteja associado, ao que se entende por sofisticado, como é o caso do comportamento e estilo europeu mencionado na entrevista acima.
Além dos projetos específicos que trazem aspectos de outros países, é importante lembrar que a habitação em periferias cercadas e privatizadas, como é o caso dos enclaves fortificados brasileiros, não é um projeto brasileiro embora faça muito sucesso aqui. Essa forma de habitação por si só, já é a incorporação do modo de vida estrangeiro, e como tal, visto de forma elegante e especial por se tratar de algo acessível a poucas pessoas.
São espaços que comunicam a existência de uma hierarquia de poder, tanto entre moradores de um mesmo empreendimento quanto entre moradores empreendimentos
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diferentes e demais habitantes da cidade, através de um capital cultural determinado pelo estilo de vida e associação simbólica entre consumo e privilégio.
É esse singular de arquitetura específica e de modos de vida específico o símbolo de
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