• Sonuç bulunamadı

Ortaöğretim 12 Sınıflarda Gerçekleştirilen Öğretim

3. YÖNTEM

3.5 Ortaöğretim 12 Sınıflarda Gerçekleştirilen Öğretim

Mais do que a demanda por soluções na oferta de serviços públicos pela oferta desses de maneira satisfatória e de qualidade a todos os citadinos, a demanda por vigilância e punição aparece como a principal necessidade para alguns dos entrevistados. Um dos possíveis determinantes para esse tipo de compreensão dos problemas vivenciados no espaço urbano é a invisibilidade da condição do outro, resultado distanciamento promovido pela dinâmica da cidade contemporânea. Desse modo, a apreensão da realidade é limitada e parcial o que torna tanto os problemas quanto as soluções individuais.

Essa se mostrou como uma das principais características dos enclaves fortificados residenciais presentes nas cidades analisadas, pois toda sua dinâmica - tanto de implantação quanto de manutenção - não se baseia no coletivo, mas para aquilo que é limitado e específico, se caracterizando como empreendimentos voltados para a exclusão e que como tal reforçam esta como necessidade.

Tendo como principal atrativo a localização mais afastadas das áreas mais centrais e movimentadas da cidade, os enclaves fortificados residenciais visam um público para o qual as distâncias percorridas entre os deslocamentos na cidade não são um grande empecilho e transtorno, na medida em que estes são realizados através de automóveis individuais. O isolamento pretendido pelos moradores como meio de se obter tranquilidade e segurança torna-se um diário desgaste e sofrimento para os prestadores de serviços que têm como meio de deslocamento o transporte coletivo.

Durante o trabalho de campo realizado em Marília, isso pôde ser observado através do acompanhamento de um desses trajetos realizados pelos prestadores de serviço do Residencial Valle do Canaã. Localizado na Zona Oeste da cidade em um dos acessos da Rodovia Rachid Rayes o empreendimento é de fácil acesso, como se pronúncia em seu material publicitário através da utilização de automóveis, já para aqueles que utilizam o transporte coletivo o acesso não é tão fácil assim. O ônibus que realiza esse trajeto possui apenas três horários de funcionamento durante o dia todo, saindo do terminal central da cidade onde se concentram todas as linhas da cidade.

No primeiro horário da linha “Jardim Flamingo”, que realiza este trajeto, foi possível verificar a grande quantidade de prestadores de serviço no ônibus a caminho do Residencial

ϭϮϬ 

Valle do Canaã. Ao serem abordados para uma conversa, forneceram informações de que o trajeto se inicia muito antes do horário de saída do ônibus, pois a maioria não reside na região central que se localiza o terminal urbano, necessitando de um ônibus que os leve até este para então poder tomar outro que tem como destino o local de trabalho. Assim, o percurso todo é realizado, no mínimo, em uma hora e trinta minutos.

As condições de realização desse trajeto também não são confortáveis, uma vez que devido ao número reduzido de horários da linha e ao grande número de usuários, a maior parte dos prestadores de serviço faz a viagem em pé.

Visando a privacidade e segurança dos moradores o Residencial Valle do Canaã não possui ponto de ônibus em frente ao empreendimento, sendo o ponto mais próximo localizado há uma distância aproximada de 1 km, trazendo uma dificuldade a mais ao deslocamento dos prestadores de serviço que realizam esse trajeto diariamente.

Outro exemplo da dificuldade de acesso àqueles que se utilizam do transporte coletivo para se deslocar até enclaves pode ser visto no trecho da entrevista que segue:

Você costuma receber visitas?

Não. O bairro que a gente mora tem quatro horários de ônibus, dois para ir dois para voltar praticamente. As visitas diminuíram bastante.

Você acha que a questão da distância e o isolamento físico de um condomínio foi algo que contribuiu para não ter tantas visitas?

Sim, com certeza e em alguns momentos nós temos que nos organizar para isso. “Ah vamos receber fulano” então nós temos que ir buscar no meio do caminho porque é mais fácil ir até lá do que esperar ele chegar. Pela dificuldade de transporte público. Não tem ponto de ônibus para ter uma ideia, passou da rodoviária não tem mais ponto de ônibus. Tem onde ele para, mas não tem ponto, uma cobertura, uma identificação, o mínimo de segurança.

O acesso é então por carro?

É sim (...) a gente conversou bastante sobre ponto de ônibus. Quem mora lá no condomínio tem carro, quem mora lá no condomínio vai e volta de carro e quem depende de ônibus é quem trabalha lá. Quem mora lá praticamente não está se preocupando, então, quem trabalha lá que se vire para chegar. E daí a gente vê

ϭϮϭ 

alguns dos funcionários da portaria que vão de condução própria, mas a gente vê uma série de outras pessoas chegando uma hora antes no trabalho porque é o horário disponível de ônibus, se não for aquele horário não tem outro. E daí a preocupação do coletivo privado com relação ao bairro de estrutura no espaço público não existe.

Porque que o condomínio vai gastar saliva, digamos assim, pedindo ponto de ônibus? Ou mais horários de ônibus? Isso não se faz, está do lado de fora. Essa é a análise que eu faço, mesmo que eu more lá. É o comercial de margarina.(Gestor de Cultura, 27 anos, morador há 1 ano em um enclave fortificado residencial de Marília)

O que a utilização de ônibus como forma de deslocamento demonstra é a apenas um dos aspectos da relação estabelecida entre esses espaços e a cidade, que é a de distanciamento e exclusão, não apenas pela sua estrutura física, mas também oposição que fazem a vida na cidade, colocando esta como um problema sem soluções. Essa concepção de cidade pode ser vista na fala dos moradores que optaram por uma vida entre muros:

Pra você qual a maior vantagem em morar no seu condomínio?

No meu condomínio é a região porque perde um pouco da impressão de urbanidade, apesar de estar no meio urbano eu gosto de estar mais em um lugar campestre, sabe? De cidade do interior.E com alguma sensação de estar assim um pouco isolado assim. Estar um pouco afastado do centro da cidade.

Você disse sobre a vida de cidade do interior, você acha que sua escolha por morar lá tem a ver com isso?

Pra mim tem. Não é nem vida no interior é viver no meio do mato, né? Mas a gente precisa da cidade, né? Não tem como.

E o que te incomoda tanto assim na cidade pra querer estar distante?

Pra mim é o excesso de movimentação, excesso de barulho, sabe? Não só poluição de dejetos mesmo, poluição dos carros e tal, mas a poluição visual, a poluição sonora. Eu acho a cidade, pra mim, um lugar esteticamente feio. Não me sinto (...)é confuso pra mim. Não me atrai.

ϭϮϮ 

Perturbador?

É.(Professora, 27 anos e moradora há um ano em um enclave fortificado residencial de Marília)

Qual a principal vantagem, para a senhora, em morar em um condomínio fechado?

Posso te dizer que a principal vantagem é a segurança, a pesar de não estarmos seguros completamente em lugar nenhum, lá tem alguns impedimentos que dificulta assaltos, por exemplo. Acho que a questão da privacidade também, mas não em todo condomínio, né?A existência da portaria traz um pouco de privacidade.

Acho que viver coletivamente sempre tem problemas, de pararem em frente a sua garagem, do lixo e tudo mais e lá isso não existe. Mas a principal vantagem sem dúvida é a segurança.

E alguma desvantagem existe?

Não vejo muita desvantagem não. Talvez fosse com a administração caso não houvesse uma empatia ou com algum vizinho que fosse realmente muito difícil.Eu conheço pessoas que mudaram para condomínios de chácaras e que tem vizinho de quatro ou cinco casas de distância que colocam o som tão alto que você nem sente que está numa chácara porque não existe silêncio. Então, talvez se houvesse algo assim isso poderia me desmotivar, mas eu gosto.

A senhora acredita haver alguma vantagem em morar em bairros abertos?

Eu acho que a única vantagem é não pagar a taxa de condomínio, mas que de qualquer forma às vezes você acaba pagando essa taxa quando você paga o vigia para passar na sua rua e os vizinhos se unem pra isso. Dificilmente uma casa paga sozinha um vigia, né? A limpeza em frente a casa você também tem que fazer (...) no condomínio você paga por todos esses serviços também, então, talvez não seja uma vantagem morar em bairro aberto. (Professora universitária, 52 anos, moradora há cerca de um ano em enclave fortificado residencial de Marília)

ϭϮϯ 

Qual a principal vantagem você acredita ter morando em um condomínio fechado?

Boa pergunta,né? São várias as principais vantagens. Mas acho que a segurança para criar os filhos, o relacionamento com as pessoas, com os vizinhos é muito legal, tem as áreas de lazer para brincar com todo mundo. Essa convivência é muito harmoniosa e muito gostosa.

Você acha que existe alguma desvantagem?

Pensando nisso (...) uma vez veio uma tarefa das crianças com essa pergunta e eu fiquei tentando achar uma desvantagem e não consegui. Não lembro nem o que eu coloquei porque era obrigado a colocar alguma coisa e daí acho que o que eu acabei colocando era que as crianças acabam se sentindo tão seguras aqui dentro que acabam meio que ficam mais suscetíveis quando estão lá fora, seja em um acidente de carro ao atravessar a rua, por exemplo. Porque aqui elas não precisam se preocupar com isso porque tem tanta segurança, estão tão protegidos.

Eu acho que não que não vão saber se proteger lá fora, mas que isso vai ser um pouco mais tardio. Vem um pouco depois essa desenvoltura para atravessar uma rua, para se virar fora do condomínio. Acho que essa é a única “desvantagem” que eu consigo ver, porque daí já vai estar mais grandinho para se virar lá fora e não vai passar tão apertado.

Você acredita em uma vantagem ainda hoje em morar em bairro aberto?

Não. Não consigo enxergar nenhuma.

E desvantagem você consegue?

Eu consigo. Eu acho que não tem tanta segurança quanto nós temos, eu acho que é mais fácil de repente você está chegando em casa e vir alguém te assaltar. E mesmo esse caso que tem aqui próximo de parar um caminhão em frente a sua casa e levar tudo.

Em um desses casos teve da pessoa estar saindo e eles prenderam a pessoa e deixaram ela vendo eles levarem tudo, tirando todas as coisas, as pratarias e tudo mais. Então eu não vejo muita vantagem. É lógico que é uma questão de adaptação também. Se a pessoa tem essa necessidade ela vai se adaptar, a grande maioria mora fora de condomínios, né? E se sentem seguros, se sentem bem.

ϭϮϰ 

Eu tenho quatro irmãs e três irmãos e eles todos moram fora de condomínio, ninguém mora em condomínio, e todos acham normal e tranquilo como era para mim antes, mas eu me sinto muito mais segura hoje aqui, com uma vida muito mais gostosa tanto pra gente quanto para as crianças. É um privilégio eu acho.

Você voltaria a morar em um bairro aberto?

Por opção própria jamais.

Em grande parte das entrevistas realizadas entre moradores de enclaves fortificados residenciais de Marília e São Carlos, os moradores se mostraram com uma grande dificuldade em responder as perguntas que questionavam a percepção deles acerca da existência de desvantagens em morar nesses espaços e a relacionada à percepção de vantagens em morar em bairros abertos da cidade, algo que aponta para o forte sentimento de negação/oposição da cidade envolvendo tanto os empreendimentos quanto seus moradores.

A imagem que é associada aos empreendimentos traz a vida nesses espaços como uma possibilidade de não vivenciar as experiências desagradáveis que a vida na cidade possui, como as relacionadas à violência, as brigas entre vizinhos, a ausência de equipamentos de lazer, a estrutura urbana de qualidade e limpeza, e uma séria de outros elementos que contribuam para uma vida calma e feliz. Desse modo, o espaço entre muros é tido como o completo oposto do espaço da cidade, onde essa concepção de mundos diferentes parece estar construída de maneira bastante sólida entre aqueles que habitam tais espaços, de tal maneira que o retorno a cidade não é tido como uma possibilidade desejável.

Benzer Belgeler