Alternatif Atamalar
9. SONUÇLAR VE ÖNERİLER
Em relação a esta questão, a maioria dos entrevistados disseram gostar de chamar os amigos para fazer churrasco e tomar cerveja, bem como freqüentar casas de shows onde se dança forró como o CTN (Centro de Tradições Nordestinas) situado no Bairro do Limão, principalmente pelo fato de ser gratuito, o Clube da Cidade localizado na Barra Funda, e o Tropical que fica no bairro de Pinheiros. Alguns dos entrevistados ressaltaram que a maioria dos freqüentadores destas casas é nordestina.
6. Você já se sentiu discriminado ou foi vítima de preconceito na cidade de São Paulo pelo fato de ser nordestino?
9 Ana: “Sim, com relação a uma ex-patroa minha. Quando ela atrasou meu salário e eu fui reclamar, ela disse que não iria se preocupar com uma
empregada. Com uma pessoa que nem sabia falar direito. Que ela queria era andar bonita e chique”.
9 Antonio Adriano: “Ah! Aqui em São Paulo tem sempre uma piadinha, mas a gente faz de conta que não está ouvindo. Eu sou um cara muito respeitador. (...) Se a pessoa fala alguma coisa assim, para mim, eu faço de conta que não estou ouvindo. É isso. Já ouvi falar muito do meu sotaque, mas o meu sotaque é esse. Eu não vou mudar o meu sotaque”. 9 Antonio: “Ah! sim, aqui no estabelecimento todo mundo recebe
preconceito. Todos que trabalham no ramo de lanchonete já sofreram. Todos”.
9 Cristiane: “Eu já ouvi muita gente que vem aqui na lanchonete falar: olha os baianos, olha os coquinhos e eu me sinto mal”.
9 Edson: “Sim. Um cliente citou que não gosta de nordestino. Se pudesse, ele disse que mandaria todos de volta”.
9 Francisco: “Sim! Sim! É o que a gente mais ouve. Olhe, eu era gerente de uma padaria na Rua Afonso Pena. Tinha um senhor que eu conversava muito (...) um dia ele disse: eu moro naquele prédio há 40, 45 anos. Diz ele, que antes não tinha nordestino e não tinha malandragem. Se for assim, tem paulista, gente de outros países que também não presta. Cada cultura varia muito de um lugar para o outro”.
9 José Clodoaldo: “Já. Com certeza. Já vi ‘paulista’ meter a língua na gente várias vezes e não me senti bem. Não são todos, mas a maioria, se pudesse, o nordestino estaria tudo no nordeste. A gente escuta muitas vezes . A gente veio aqui para trabalhar. O ‘paulista’ não teria coragem de passar quinze horas trabalhando em pé”.
9 Juarez: “Eu não, mas já ouvi e muito. Nordestino aqui em São Paulo sofre muito preconceito, mas São Paulo sem nordestino não existiria”.
9 Pollyanna: Eu não gostei. O sotaque aqui é ignorado. O modo da gente falar, tem muita gente que ignora. Algumas palavras que a gente fala lá, aqui eles tiram como piada, tiram um barato da cara da gente”.
9 Taciana: “Não. Pelo contrário, eu acho que chama mais atenção das pessoas por ser diferente o meu jeito de falar. Muita gente diz que eu não pareço que sou nordestina. Eu tenho muito orgulho de ser de lá”.
7. Quando você ouve alguém chamar algum nordestino de “baiano”, qual é a sua reação?
9 Ana: “Fico com muita raiva. É uma discriminação. (...) quando eu passo na rua e vejo uma pessoa falando de outra que está dormindo na rua, já diz logo: mais um baiano mendigando”.
9 Antônio Adriano: “São pessoas desinformadas que falam isso. Uma pessoa bem informada não vai falar se a pessoa é nordestina, se tem sotaque. Aqui no Brasil todo mundo tem sotaque. Paulista tem sotaque. Todo mundo tem sotaque”.
9 Antonio: “Sinto o preconceito porque a nossa população é muito pobre. A gente se sente muito humilhado porque os ‘paulistas’ não respeitam a gente. Eu tenho que ficar calado, quieto porque estou na terra dos outros. Galo em terreiro dos outros é galinha”.
9 Cristiane: “Eu me sinto ofendida. Aí, eu vou procurar saber (...) vocês são racistas?”.
9 Edson: “Sinceramente eu sinto como uma humilhação. Eu acho que a maioria quer humilhar. No meu ponto de vista, principalmente os paulistas, eles acham que os nordestinos não deveriam vir porque o lugar deles é lá. É mais ou menos assim que eles pensam”.
9 Francisco: “Eu acho uma afronta. Está discriminando o nordestino. Eu defendo”.
9 José Clodoaldo: “Não me atinge em nada. Às vezes, a gente briga. Qualquer coisa que a gente erra é chamado de baiano. Eles teriam que agradecer a nós. Num prédio de 50 andares, vê se tem algum ‘paulista’ trabalhando lá. Já ouvi muito xingamento sobre a gente. Esta raça de nordestino tem que voltar, está estragando São Paulo. Eu acho que ninguém está estragando São Paulo. Aqui é Brasil. Eles aceitam mais europeus, japoneses, do que a gente”.
9 Juarez: “Eu falo um monte com eles. Aqui é um lugar que a gente vive e dá para todo mundo trabalhar”.
9 Pollyanna: “Eu procuro entender o porquê. Não tem nada a ver. Se for olhar, aqui em São Paulo tem muitas coisas erradas que eles julgam assim: “é baiano”, “é tudo baianada”, “tem que ser baiano”. Meu chefe falou que eu não parecia do Nordeste porque eu sabia falar. Aqui, quando fala que é nordestino, já pensam que é burro”.
9 Taciana: “Eu não gosto. Sei lá, às vezes pode ser brincadeira, às vezes é para humilhar. Não que ser nordestino é ser inferior. O que vale é a dignidade. Eles acham que o nordestino é nada, acham que ele veio do mato, que não é ninguém. Ele não era ninguém lá. Aqui hoje eu sou alguém. Já fui ninguém. (...) Eu quero consegui tudo que não tive lá. Terminar meus estudos. (...) Não quero que ninguém me pise, nem quero pisar em ninguém. Quero ajudar muita gente, principalmente do Nordeste”.
QUADRO 3 - Entrevistas realizadas com zeladores/porteiros ∗
Nome Nascimento Local de Idade Estado Civil Profissão Escolaridade Moradia em São Paulo
Aldeildo João Alfredo (PE) 24 Solteiro Porteiro Fundamental Ensino Incompleto
6 anos
Alzenildo Agrestina (PE) 22 Solteiro Porteiro Fundamental Ensino Incompleto
5 anos
Dijalma Coxixola (PB) 40 Casado Zelador Fundamental Ensino
Incompleto 22 anos
Everaldo Sumé (PB) 31 Casado Porteiro Fundamental Ensino
Incompleto 12 anos
Irineu Iguaí (BA) 28 Solteiro Porteiro Fundamental Ensino
Incompleto 4 anos
José Cosme Coaraci (BA) 59 Viúvo Zelador Fundamental Ensino
Incompleto 44 anos
Manoel Limoeiro (PE) 33 Casado Zelador Fundamental Ensino Incompleto
12 anos
Raimundo Almino Afonso
(RN) 37 Solteiro Porteiro
Ensino Fundamental
Incompleto 16 anos
Romero Pesqueira (PE) 33 Separado Porteiro Fundamental Ensino
Incompleto 12 anos
Valcir Irecê (BA) 27 Solteiro Porteiro Fundamental Ensino
Incompleto 02 anos ∗ Entrevistas realizadas pela autora com os entrevistados nos locais de trabalho de cada um, em dias e horários ajustados pelas partes.
1. Motivo da vinda para São Paulo.
Neste segmento de trabalhadores todos responderam que vieram em busca de trabalho e de uma vida melhor.
2. Veio só, com amigos ou com parentes?
Todos os entrevistados responderam que vieram residir com parentes ou amigos que já estavam aqui.
3. A maior parte de suas amizades é com nordestinos ou com pessoas de outros lugares?
De todos os entrevistados, só o Dijalma respondeu que as suas amizades são diversificadas, ou seja, com pessoas de diferentes lugares. Os demais responderam que suas amizades são principalmente com nordestinos.
4. Se você tivesse condições de voltar para o seu lugar de origem, você voltaria?