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4. KUYRUK AĞLARI İLE SİSTEM PERFORMANSININ DEĞERLENDİRİLMESİ DEĞERLENDİRİLMESİ

4.1. Tek Sınıflı Kuyruk Ağları

respeito ao fenômeno religioso, isto é, de um lado a secularização e de outro o dinamismo da experiência religiosa, mais do que tratar da questão, polarizando entre o fim ou a continuidade da religião; entre a sua presença nas esferas pública e privada, o olhar se volta para o modo

como a religião interage com os demais sistemas sociais, sendo, também ela, um sistema autônomo.

Nesta perspectiva, a religião tornou-se um sistema parcial do sistema social, isto é, um sistema da sociedade como todos os outros, logo, vulnerável, de um lado, às mudanças que ocorrem em seu ambiente social – compreendido como os demais sistemas da sociedade que interagem com o sistema religioso – de outro, capaz de influenciar os demais sistemas ao assumir a posição de ambiente para eles, referência inversa (ver figuras das páginas 80-81). O estudo da EdC se situa neste campo, uma vez que tal empreendimento surgiu no sistema religioso – no interior de um movimento eclesial católico – e se concretiza no sistema econômico, dando origem, não a igrejas, por exemplo, mas a um complexo de empresas que atuam no mercado com a finalidade de produzir lucros para, depois, partilhá-los com quem se encontra em necessidade.

A sua origem pode ser verificada a partir de sinais emitidos pelo ambiente – sistema econômico – ao Movimento dos Focolares e a sua concretização, da EdC enquanto sistema, influencia o sistema econômico, na qualidade de ambiente social interno.

A EdC pode ser verificada na sua relação com o sistema econômico a partir da prestação. Assim sendo, caberá especificar como se dá a relação da EdC com seu ambiente social interno por meio da prestação.

Desse modo, os problemas colocados por esta dissertação: se a EdC pode ser considerada ora como pertencente à esfera religiosa e ora à esfera civil; ou se possui em si essas duas dimensões e como se articulam essas duas dimensões, podem ser verificados segundo a hipótese de que a Economia de Comunhão seja resultado da interação sistêmica que possibilita à religião continuar a influenciar âmbitos outros da sociedade, até o ponto de operar transformações no interior desses sistemas.

No capítulo que se segue, a EdC será, portanto, avaliada em confronto com a Teoria dos Sistemas Sociais, valendo-se, sobretudo, da relação entre sistema e ambiente. Será apresentada como um modo de a religião cristã católica manter a sua influência em âmbitos não religiosos. Um modo que possui a sua especificidade, mas não o único. Basta considerar o fenômeno da Teologia da Libertação na Igreja da América Latina. Uma diferença fundamental entre essas duas realizações pode ser verificada no fato de que a EdC extrai seus princípios e seu método de análise da realidade permanecendo no âmbito de um carisma religioso e a Teologia da Libertação incorpora, segundo Löwy «o método marxista de

interpretação e transformação da realidade» (Löwy 2000a:109). Neste sentido, pode-se entrever o mesmo movimento de influência recíproca, entre o campo religioso e o campo político e o econômico, porém em duas direções possíveis: enquanto na Teologia da Libertação o profano é incorporado ao religioso, que permanece religioso, influenciando, por sua vez, o profano, na EdC o religioso é incorporado pelo profano que modifica a si mesmo, permanecendo profano.

Nos dois casos, o ponto de partida foram sinais emitidos pelo ambiente (profano) ao sistema religioso, versando sobre um mesmo problema: a situação de injustiça e de desigualdade vivenciadas no continente.

A relação sistema-ambiente poderá, portanto, fornecer o quadro geral que dará sustentação à pesquisa, e abrirá o caminho para a análise desta relação à luz do conceito de prestação. A lente da análise pretende estabelecer um recorte e focalizar mais de perto o fenômeno da EdC também como resultado de transformações que tiveram início em um sistema de interações, no interior do MF.

V Interpretação da EdC à luz da teoria de Niklas Luhmann

O presente capítulo tem por objetivo verificar, de acordo com a Teoria dos Sistemas Sociais, de Niklas Luhmann, como a EdC pode ser considerada um sistema formado na esfera do religioso, mas concretizado na esfera do econômico – como se dá esta relação – e também verificar o quanto este projeto pode ser considerado um meio de a religião atuar em âmbitos não religiosos no contexto de uma sociedade funcionalmente diferenciada.

A abordagem sistêmica se concretiza de forma referencial. Logo, deve-se sempre adotar uma dada referência, a partir da qual se poderá efetuar a análise. Isto significa que é preciso determinar o objeto enquanto sistema, subsistema ou enquanto ambiente e o que resulta desta atribuição, de acordo com o ângulo da observação. Um mesmo objeto pode, portanto, ora ser considerado sistema, ora subsistema, ora ambiente.

O fenômeno EdC será observado segundo três perspectivas: surgimento, delimitação, desempenho. Em relação ao surgimento, a análise parte do pressuposto de que a EdC é um subsistema do MF. Um subsistema pode surgir da diferenciação interna de um dado sistema, tornando-se relativamente autônomo do sistema de origem, no sentido de se tornar independente no modo de efetuar as seleções a partir do seu ambiente, logo, adquire uma lógica e uma função própria. O subsistema passa a se relacionar com o sistema de origem segundo a diferença sistema/ambiente. Assim sendo, para verificar o surgimento da EdC será utilizada a relação inter-sistêmica mediante a dinâmica input/output, a conseqüente autopoiese do sistema receptor do input, além dos conceitos de prestação, de interpenetração, de interação e diferenciação.

Adotando uma segunda referência para a observação da EdC, ela pode ser considerada um subsistema do sistema econômico. Neste caso, a diferenciação da EdC como subsistema do sistema econômico se dá mediante a delimitação de suas comunicações. Esta condição será verificada ao se tratar, justamente, da delimitação e do desempenho da EdC. No caso da delimitação, serão utilizados os conceitos de diferenciação sistema/ambiente, o de estrutura e os meios de comunicação simbolicamente generalizados (MCSG). Para verificar o desempenho, serão utilizados os conceitos de input/output, prestação, MCSG, estrutura. Considerando essas três perspectivas, a EdC será observada como um subsistema que possui uma dupla pertença: subsistema do MF e, simultaneamente, do sistema econômico.

V.1 Perspectiva primeira: o surgimento