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A gestão da zona costeira é tarefa complexa. Com o intuito de cuidar dessas áreas estratégicas e vulneráveis e objetivando o manejo sustentável da zona costeira foram criados programas como o de Gestão Integrada da Zona Costeira (GIZC). Seu objetivo é a promoção da sustentabilidade ambiental (POLETTE, 1997). A metodologia proposta pelo Coastal Resource Center (CRC), da Universidade de Rhode Island (EUA), é a base metodológica dos programas dos países como Canadá, Inglaterra, México, Chile, entre outros (POLETTE, 1997). Entretanto, essa metodologia não considera as diferentes dimensões (socioeconômicas, ambientais, espaciais e culturais).

A preocupação com a zona costeira brasileira se inicia a partir da década de 1970, e tem como foco os recursos marinhos e costeiros. Essa apreensão acompanha o início da preocupação ambiental como um todo, porém, nessa época, acontece de forma não articulada (MORAES, 1999).

Em 1987, foi estabelecido o Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro (GERCO), pela Comissão Interministerial dos Recursos do Mar (CIRM). O GERCO se constituiu como programa de operacionalização do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC).

Em 1981, a Lei Federal 6938, institui a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) com o objetivo de implementar ações de desenvolvimento a partir do planejamento e acompanhamento dos processos de ocupação da zona costeira.

Sua política se caracterizava como descentralizada, assim, os estados e municípios atuariam através de ações que viabilizassem o objetivo proposto. Como parte integrante dessa política, foi estabelecido o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC), cujo principal objetivo era orientar a utilização dos recursos da Zona Costeira (BRASIL, 1988).

O II Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC II), instituído pela Resolução N° 5, de 3 de dezembro de 1997, redirecionou as atividades do PNGC. Consolidou e aperfeiçoou os avanços alcançados. Definiu instrumentos, tais como: os planos de gestão setoriais, o programa de monitoramento ambiental integrado, Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), entre outros. Revisou o conceito de Zona Costeira, considerando os limites políticos administrativos e as ações de planejamento (BRASIL, 1997). Assim, considerou como área de abrangência o conjunto dos territórios municipais litorâneas que apresentem a tipologia a seguir:

a) os municípios defrontantes com o mar, assim considerados em listagem desta classe, estabelecida pelo IBGE;

b) os municípios não defrontantes com o mar que se localizam nas regiões metropolitanas litorâneas;

c) os municípios contíguos às grandes cidades e às capitais estaduais litorâneas, que apresentem processo de conurbação;

d) os municípios próximos ao litoral, até 50 km da linha de costa, que aloquem, em seu território, atividades e infraestruturas de grande impacto sobre a Zona Costeira, ou ecossistemas costeiros de alta relevância;

e) os municípios estuarinos-lagunares, mesmo que não diretamente defrontantes com o mar, dada a relevância destes ambientes para a dinâmica marítimo-litorânea; e

f) os municípios que, mesmo não defrontantes com o mar, tenham todos seus limites estabelecidos com os municípios referidos nas alíneas anteriores (BRASIL, 1997).

O PNGC indicava a necessidade de Planos de gerenciamento costeiro em níveis Estadual e Municipal. Outros planos e programas referem-se à gestão integrada da zona costeira, como, por exemplo: Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima (Projeto Orla); Projeto do Ministério do Meio Ambiente que objetiva implementar uma política nacional visando a sustentabilidade da zona costeira, através da integração, harmonia e articulação de práticas voltadas para o ambiente e o patrimônio. Esse Projeto confere significativa importância à orla marítima, por estar inserida na zona costeira e ocupar lugar estratégico, pois é delimitada pela faixa de interface entre a terra e o mar (MUEHE, 2006). Seu campo de atuação prevê diferentes escalas: nacional, regional e local.

A escala nacional trabalha a orla enquanto patrimônio coletivo, assim, busca garantir a função social desses espaços. A escala regional aborda o uso

adequado da orla, envolve infraestrutura, crescimento econômico e desenvolvimento do turismo. Já a escala local versa sobre a proteção do patrimônio físico e ambiental, incluindo a paisagem, o crescimento econômico local e o convívio social:

- Plano Setorial para os Recursos do Mar (PSRM);

- Programa de Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva (REVIZEE);

- Programa Nacional da Diversidade Biológica (PRONABIO);

- Plano para Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC).

A Zona Costeira, conforme descrito anteriormente, pode abranger municípios inteiros. O Decreto n° 5.300, de 7 de dezembro de 2004, regulamenta o uso e ocupação na Zona Costeira, estabelecendo critérios para a gestão da orla marítima, assim, definiu os limites da orla: isóbata de 10 m no setor marítimo. Na área terrestre, 50m para as áreas urbanas, e 200m para as áreas não urbanas demarcadas a partir da linha de preamar ou do limite máximo dos ecossistemas, tais como: as feições de praia, dunas, falésias, costões rochosos, manguezais, estuários, entre outros.

No Ceará, o Gerenciamento Costeiro no Ceará – GERCO, programa que objetivou orientar e disciplinar a utilização racional dos recursos ambientais da Zona Costeira visando contribuir para a elevação da qualidade de vida da população e promover a proteção de seu patrimônio natural, histórico, étnico e cultural, vem sendo desenvolvido pela Secretaria do Meioa Ambiente – SEMA (desde março de 2015), através da Superintendência Estadual do Meio Ambiente – SEMACE.

O gerenciamento costeiro do Ceará atua no estado desde 1990 e para planejar as ações de gerenciamento costeiro na faixa de 573 km de extensão, compreendida por 33 municípios, efetuou a divisão da área em quatro setores (Quadro 1).

Quadro 01 – Gerenciamento Costeiro do Ceará – Divisão de setores da faixa costeira do estado

SETOR ÁREA COMPREENDIDA

Setor I Costa Leste

Setor II Costa Metropolitana

Setor III Costa Oeste

Setor IV Costa Extremo Oeste

Fonte: SEMACE

O Zoneamento Ecológico Econômico – ZEE, instrumento estabelecido pela Lei n° 9.989/2000, tem o objetivo de subsidiar a formulação de políticas que proponham soluções de proteção ambiental, considerando melhoria de vida da população e redução dos riscos e perdas do capital natural (MMA, 2001).

Todos os esforços para a proteção dessa parcela territorial se justifica, sobretudo, porque a zona costeira é um espaço estratégico para se viver. Souza et al (2005) afirmam que cerca de dois terços da população mundial vive na zona costeira, espaço esse que corresponde a aproximadamente 15% da superfície terrestre.

Benzer Belgeler