KOMİSYON RAPORLARI
SONUÇ VE İSTEM :
Para ser habilitado, o município deve atender a determinados requisitos exigidos pela NOB/SUAS/2005, que comprovem que está preparado para assumir a condição de gestão básica.
Deve o gestor, ao assumir a responsabilidade de organizar a proteção social básica em seu município, prevenir situação de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições. Por isso, deve responsabilizar-se pela oferta de programas, projetos e serviços sócio- assistenciais que fortaleçam vínculos familiares e comunitários que promovam os beneficiários do Beneficio de Prestação Continuada (BPC) e transferência de renda e que vigiem direitos violados no território.” (NOB p. 23).
Estar habilitado significa que o município assumiu compromissos da gestão no âmbito territorial e perante sua população, respondendo também por um conjunto de responsabilidades e prerrogativas da gestão dos serviços sócio-assistenciais.
Para desenvolver melhor o exercício dessas responsabilidades e executar, com autonomia, a gestão da política de assistência social, os municípios recebem também uma série de incentivos como: o recebimento dos pisos básicos, recursos para erradicação do trabalho infantil e para combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, recursos para revisões do BPC e participação de programas de capacitação.
Como vimos, o município de Nova Canaã Paulista habilitou-se à gestão básica logo no primeiro lote de habilitações e, portanto, assumiu as especificidades, requisitos e responsabilidades contidas na NOB/SUAS/2005, promovendo uma mudança na estruturação da Assistência Social Municipal a partir de 2005.
A implantação do SUAS no local promoveu a ampliação do quadro de funcionários da assistência social, bem como favoreceu a contratação de equipe técnica, potencializando a política de recursos humanos no município.
Pela pesquisa, pode-se perceber que o entendimento e concepção de assistência social do gestor municipal desta política expressa-se num conhecimento
mais consistente e na busca da difícil tarefa de efetivação de direitos sócio- assistenciais.
O corpo técnico que compõe essa equipe apresenta uma sintonia na concepção da política de assistência social, enquanto política de direitos. Porém demonstra, pela análise procedida com os dados coletados e pelos instrumentais de pesquisa que, na prática, ainda não vivenciam a efetivação da política alicerçada no paradigma do SUAS, ou seja, ainda não conseguiram romper com as ações fragmentadas na promoção social da família e permanecem no histórico ativismo na Assistência Social. Isso demonstra que o município consolidou a formação da equipe, mas não consolidou uma política municipal de recursos humanos (entrevista com a diretora do CRAS/ 14.06.2007; grupo focal/16.06.2007; observação in-locu 11.07.2007).
Na assistência social, o gestor é responsável, entre outros aspectos, por gerir os recursos da área. Sua função é garantir a funcionalidade e qualidade dos serviços sócio-assistenciais. O gestor da assistência social no município de Nova Canaã é o contador concursado da Prefeitura, referido anteriormente. Porém, a prática de gestão da política efetiva-se pela coordenadora do CRAS, e quem faz o controle da prestação de contas dos recursos financeiros é um funcionário público lotado no setor de compras, que permanece no espaço da Assistência.
Segundo a lei Orgânica da Assistência Social, o município tem como responsabilidades:
Art.15. Compete aos Municípios:
I – destinar recursos financeiros para custeio de pagamento dos auxílios natalidade e funeral, mediante critérios estabelecidos pelos Conselhos Municipais de Assistência Social;
II – efetuar o pagamento dos auxílios natalidade e funeral;
III – executar os projetos de enfrentamento da pobreza, incluindo a parceria com organizações da sociedade civil;
IV – atender às ações assistenciais de caráter de emergência; V – prestar os serviços assistenciais de que trata o art.23 desta lei.
Partimos do pressuposto que a administração do financiamento ainda se encontra em processo de formação e que a NOB/SUAS aponta para uma diretriz para sua construção, instituindo os pisos de financiamento com relação aos níveis de proteção social.
No município de Nova Canaã Paulista, o fato de já ter consolidado o Fundo Municipal da Assistência Social possibilitou a reorganização das suas ações e do repasse desses recursos fundo a fundo.
Os recursos próprios do município correspondem a 3% do orçamento municipal e são destinados às despesas com recursos humanos e para concessões no plantão social tradicional, conforme avaliação do balanço dos gastos na área. O controle social, imprescindível na transparência dos gastos públicos, no caso do financiamento, apesar da sua relevância, não é objeto de avaliação dos conselheiros e nem da equipe técnica. Eles têm conhecimento do co-financiamento, mas não têm o entendimento da Lei Orçamentária, do Plano Plurianual, LDO. Por meio da análise dos dados da pesquisa pode-se perceber que a equipe técnica revela o desconhecimento do financiamento da assistência social e dos instrumentos de controle existentes na gestão financeira da assistência. Isso nos leva a refletir sobre o desconhecimento do processo de elaboração orçamentária por parte dos conselheiros e técnicos, o que implica na ausência de enfrentamento para defesa do financiamento da assistência social, reforçando uma visão conformista.
Em entrevista, a coordenadora do CRAS afirmou: “(...) estou me referindo que, da parte do orçamento, temos uma grande dificuldade em entender como isso se dá, embora tenhamos abertura para estar desenvolvendo tudo. Mas existe alguma coisa que é bem restrita e que a gente não tem grande abertura para estar compreendendo melhor.” (Entrevista com a Coordenadora do CRAS/14.06.2007, grifo nosso).
Ao analisar a relação dos programas sociais do município observa-se que os projetos somente se desenvolvem se tiverem a articulação com recursos do governo federal ou estadual, confirmando os dados apontados no Álbum de Fotografias (SPOSATI, 2005) que mostram uma prevalência de programas e serviços estaduais intersetoriais, seguido por gestão da política de assistência social, o que reforça a tradição das verbas federais operarem por segmentos e não por proteções
Podemos concluir que existe uma grande fragilidade devido à ausência do conhecimento, em nível local, porque gasta-se muito com a assistência social prevalecendo o assistencialismo, as concessões eventuais e coberturas de outros setores, principalmente da saúde (grupo focal, 16.06.2007).
Pode-se afirmar que a gestão financeira da assistência social no município não se pauta na premissa da democratização dos espaços e na produção de uma metodologia e critérios públicos que sejam transparentes e compreensíveis, em especial aos que operam a política de assistência social e que garantam mecanismos de participação. Na administração dos recursos, é fundamental o exercício do controle social pelo CMAS, devendo este acompanhar a gestão do Fundo Municipal de Assistência Social com relação ao controle e a fiscalização do gerenciamento.
A coordenadora busca realizar uma política de direitos e esforça-se para não desenvolver ações assistencialistas, embora se observe confusão de papéis ao assumir suas funções (coordenadora/assistente social e primeira dama/político, gestora na prática da Assistência Social), centralizando o poder de decisão. Há uma preocupação com a parte administrativa burocrática, engessando a autonomia dos profissionais que culmina num ativismo nas ações em detrimento do desenvolvimento de atividades com qualidade.
A real posição da Política de Assistência Social no município apresenta qualidade no seu processo de renovação da infra-estrutura, mas mesmo tendo uma equipe com vários profissionais, os mesmos não conseguem dar conta do novo formato. Há a compreensão do que é proposto, mas há dificuldade de fazer acontecer (observação in-locu em 11/07/2007; entrevista com a coordenadora em 14/06/2007).