SOSYOLOJİK YAKLAŞIM: FİLM İNCELEMELERİ
5. SONUÇ VE ÖNERİLER
A relação sujeito/ideologia é o grande diferencial da teoria Pechetiana da linguagem. Mesmo em nossos dias a semiótica ainda tenta desvelar o sentido através de uma relação hermética entre os signos (ECO, 1988, p. 21), desconsiderando toda exterioridade do texto bem como a ação do sujeito leitor e produtor na produção do sentido.
Esta intersecção de conceitos é demasiado caro para Pêcheux, pois que para a ADF "[...] não há discurso sem sujeito. E não há sujeito sem ideologia. Ideologia e inconsciente estão materialmente ligados" (ORLANDI, 2005, p.47). Pêcheux afirma em "Semântica e Discurso" que os sujeitos são únicos, que são singulares os sujeitos que constituem a massa de sujeitos, e enfim que cada sujeito é uma relação entre o “inconsciente" de Freud com a “ideologia" de Marx. Pêcheux traz o conceito de Althusser para mostrar que o indivíduo é constituído sujeito a partir desse "assujeitamento" ideológico:
[...] o indivíduo é interpelado como sujeito [livre] para livremente submeter-se às ordens do Sujeito, para aceitar, portanto [livremente] sua submissão...(ALTHUSSER, 1985, p. 104) - grifo meu.
Até este instante de nossa leitura vemos que a constituição do sujeito-eu se dá pelas vias do ideológico. Orlandi também apresenta este conceito ao tratar da teoria pechetiana, mas já inserindo o papel da língua nesse assujeitamento:
[...] é um sujeito ao mesmo tempo livre e submisso. Ele é capaz de uma liberdade sem limites e uma submissão sem falhas: pode tudo dizer, contanto que se submeta à língua para sabê-la. Essa é a base do que chamamos assujeitamento (ORLANDI, 2005, p.50).
Assim temos que o sujeito da AD não é o indivíduo, um sujeito empírico, mas sim o sujeito do discurso, este que carrega consigo as marcas do social, do ideológico, do histórico. É assim que se dá a constituição do sujeito pela ideologia, na teoria Pechetiana: o assujeitamento do inconsciente - que é o discurso do outro - pela ideologia, que constitui a soma de todos os
62 outros sujeitos - o grande Sujeito, o grande Outro - pelas vias da língua. Assim, não há discurso sem sujeito, sujeito sem ideologia, tampouco ideologia sem a língua.
Pêcheux se atenta em diferir claramente “Ideologia” de “Discurso”. A ideologia é composta por "Formações Ideológicas", ou seja, o confronto entre forças numa dada formação social num momento específico. O discurso, neste caso, é uma das instâncias em que a materialidade ideológica se concretiza.
A ideologia funciona na reprodução das relações de produção, pela interpretação ou assujeitamento do sujeito como sujeito ideológico. Cada indivíduo seria levado a ocupar seu lugar em um dos grupos ou classes de uma determinada formação social, mesmo que ele tenha a impressão de ser senhor de sua própria vontade, ou seja, são assujeitados dentro de uma Formação Ideológica. As FIs são compostas por formações Discursivas, ou seja, os discursos são governados por FIs.
Cada "Formação Ideológica" comporta uma ou várias "Formações Discursivas" (Pêcheux 1975). A “Formação Discursiva” (Foucault, 1969, e Pêcheux, 1975) é o discurso em formação, em movimento, sem delimitações claras de início e fim. Cada discurso que compõe uma formação discursiva é condicionado por fatores sociais, políticos e ideológicos que direcionam os percursos de expressão e de produção de sentido.
Uma FD pode fornecer elementos que se integram em novas FDs que se constituem no interior de relações ideológicas (exterioridade constitutiva), que, por sua vez, põem em jogo novas formações ideológicas (PÊCHEUX, 1975, p. 160).
Pêcheux evidencia então que o movimento dos discursos pode fazer com que fragmentos de uma FD enfraquecida ou encerrada possa retornar em FDs em funcionamento, embora transformadas, mas na forma de um "eterno retorno" (Nietzsche), de um "já dito". Esse movimento evidencia, portanto, a heterogeneidade constitutiva do discurso, o que finalmente aponta a dificuldade de distinguir com clareza as fronteiras dos objetos constituintes
63 fundamentais da AD: formação discursiva (FD), formação ideológica (FI) e condições de produção (CP).
Pêcheux (1975, p. 170) evidencia que esta heterogeneidade constitutiva do discurso se dá pelas vias de uma paráfrase interna a cada FD, que faz circular e tirar do lugar os sentidos ilusoriamente estabilizados em cada discurso. Este movimento do discurso é um movimento dialético entre discurso e paráfrases: um faz mover o outro. Deste movimento surgem paráfrases que se relacionam, constituindo famílias parafrásticas que se constituem, afinal, matriz de cada sentido (CORACINI, 2005, p. 35).
As paráfrases e as famílias parafrásticas de uma FD não são originadas no sujeito, muito embora será nele que cada paráfrase se realizará. É justamente esta paráfrase manifestada no sujeito que fará dele um sujeito único, ou seja, é pela escolha desta ou daquela forma de dizer, dentro de uma FD, que fará com que ele ocupe o seu lugar na "Formação Social": um assujeitamento em que cada sujeito é assujeitado a outro ou a um grupo, e todo eles assujeitados ao "grande sujeito", "grande outro", numa escala social e ideológica já legitimada. Logo, é impossível que o sentido brote hermeticamente do texto, mas sim de uma complexa rede de efeitos de sentido que atravessam o sujeito no instante da produção e da leitura (PÊCHEUX & FUCHS, 1997, p. 169).
É cara a conceituação de cada uma destas formações: Formação Social, Formação Ideológica e Formação Discursiva. Uma cadeia de conceitos que não se sucedem de forma linear, mas em espiral: indo e voltando num movimento de constituição mútua. As famílias parafrásticas, na base das Formações Discursivas, são as pistas a serem perseguidas pelo dispositivo da Análise Automática do Discurso: aclarar e apreender suas regularidades na intenção de compreender os processos de produção de sentido (CORACINI, 2005, p. 36). Logo, são justamente as famílias parafrásticas que, enquanto constituem cada sujeito um sujeito único, constituem-nos, de certa forma, sujeitos iguais.
64 Na raiz de uma F.D. e de suas paráfrases estão as "Formações Imaginárias", que fazem de cada frase um "dizer diferente" que parte de um "já dito". O discurso produzido por um sujeito implica um destinatário que por sua vez se encontra num lugar determinado na estrutura de uma Formação Social (F.S.). Este lugar é suposto, no seio do discurso, pelas Formações Imaginárias (F.imgs.): elas assinalam o lugar que cada um, sujeito e destinatário, se atribuem reciprocamente. Em outras palavras, as F.imgs. são os juízos que cada sujeito faz de seu próprio lugar e do lugar do outro (PÊCHEUX & FUCHS, 1997, p. 54). Este é mais argumento contra a ideia de que um discurso implica meramente uma troca de informações entre A e B. O que ocorre, na verdade, é um complexo jogo de “efeitos de sentido” produzidos por F.Imgs ideologicamente condicionadas.
Estes conceitos da ADF são os mais importantes no percurso deste texto. Para entendermos melhor o discurso sobre o “novo” e a obsolescência, precisaremos entender COMO a mídia fala, de que lugar, que lugar atribui ao outro, que FIs trabalha, como trabalha cada FD da FI do consumo, suas paráfrases, suas falhas, suas materialidades, suas condições históricas de produção, os silenciamentos, as ilusões 1 e 2, e muito mais, além de, certamente, buscarmos entender os efeitos polissêmicos que permitem derivas criativas que desestabilizam este discurso capitalista.