THE EXAMINATION OF THESES TO RELATE WITH MATHEMATICS CURRICULUM (2004-2013)
SONUÇ VE ÖNERİLER
Os gêneros notícia, entrevista, reportagem (incluindo gráfico e tabela), editorial, debate, carta argumentativa, crônica, resenha, sinopse, cartum, charge, biografia e caricatura estão elencados no Plano de Ensino Anual de Língua Portuguesa do 8º ano do Ensino Fundamental de Barueri (ver anexo A).
Nos quatros bimestres que compõem o ano letivo, os textos jornalísticos são hegemônicos. Eles são divididos de acordo com os quatro blocos de conteúdos da disciplina estabelecidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs): Língua Oral; Língua Escrita: prática de leitura; Língua Escrita: produção de texto; Análise e reflexão sobre a língua. Para ilustrar, recortamos os gêneros do Plano de Ensino Anual fornecido pela Secretaria Municipal de Educação de Barueri apenas o 1º bimestre (meses de março e abril) durante o qual devem ser abordados na prática pedagógica em Língua Portuguesa: notícias, entrevistas, reportagens, gráficos e tabelas.
Em cada bloco, são orientadas habilidades para o uso específico de acordo com o texto. Ao professor, cabe discorrer sobre a justificativa da disciplina, objetivos gerais, metodologia de ensino, recursos e referencial teórico. A seguir, um recorte do 1º Bimestre letivo do referido ano de ensino.
LÍNGUA PORTUGUESA - 8º ANO - 1º BIMESTRE Bloco de conteúdo Habilidades Conteúdos L ÍNGUA O R A L
1.1 Ler e comparar textos para conclusões e exposições de ideias.
1.2 Analisar e inferir informações nos textos para troca de opiniões.
1.3 Identificar elementos que caracterizam e diferenciam os gêneros.
1.4 Tirar conclusões e fazer comentários a partir de dados apresentados. 1. Notícias, entrevistas, reportagens, gráficos e tabelas. L ÍNGUA E SC R ITA PR Á T ICA D E L E ITU R A
2.1 Reconhecer traços característicos do gênero e da estrutura notícia.
2.2 Reconhecer diferenças e semelhanças entre gêneros da mesma tipologia.
2.3 Identificar valores culturais e sociais em notícias de jornais.
2.4 Analisar e comparar diferentes notícias sobre o mesmo assunto em diferentes suportes de circulação.
2. Notícias de diferentes revistas e jornais.
3.1 Reconhecer traços característicos do gênero entrevista.
3.2 Estabelecer relações entre o texto e os conhecimentos prévios.
3. Entrevistas de diferentes revistas e jornais.
4.1 Reconhecer elementos organizacionais e estruturais característicos do gênero.
4.2 Identificar diferentes suportes de circulação de uma mesma reportagem.
4.3 Compreender critérios de organização das informações distribuídas em parágrafos.
4.4 Diferenciar os gêneros notícia, entrevista e reportagem e suas estruturas.
4. Reportagens.
5.1 Reconhecer informações a partir de gráficos e tabelas.
5.2 Tirar conclusões de dados parciais a partir de dados observados e analisados em pesquisas.
O quadro acima estabelece os objetivos do currículo na referida disciplina em relação ao trabalho com os gêneros jornalísticos. De acordo com Maria Alice Faria (2011), autora de O jornal em sala de aula e Como usar o jornal em sala de aula, algumas habilidades importantes são adquiridas com o uso do jornal na escola, tais como: identificar, isolar, relacionar, combinar, comparar, selecionar, classificar, ordenar e deduzir.
Enquanto recurso pedagógico Faria elenca uma série de atividades para a produção jornalística, ordenadas da seguinte forma: no primeiro momento, o aluno entra em contato com o jornal, depois o conhece, visita-o e aprofunda o estudo com sua análise. A autora
L ÍNGUA E SC R ITA PR O D U Ç Ã O D E TEXTO
6.1 Construir tabelas e gráficos a partir de informações coletadas.
6.2 Transformar dados em textos coerentes e coesos.
6. Construção de gráficos e tabelas.
7.1 Produzir texto fazendo uso dos mecanismos de coerência e coesão.
7.2 Escrever parágrafos organizados, utilizando conhecimentos adquiridos de acordo com o contexto e a situação de comunicação.
7.3 Revisar e reescrever o texto de acordo com os conteúdos linguísticos estudados.
7. Notícias, entrevistas e reportagens. A N Á L ISE E R E FL E X Ã O SOBR E A L ÍNGUA
8.1 Utilizar corretamente o hífen nas palavras
compostas. 8. Fonética - uso do hífen.
9.1 Revisar os conceitos gerais das classes gramaticais: verbo, substantivo, adjetivo, numeral, pronome, preposição, interjeição e artigo.
9. Morfologia – revisão das classes gramaticais – verbo, substantivo, adjetivo, numeral,
pronome, preposição,
interjeição e artigo. 10.1 Identificar o sujeito da oração e sua relação de
sentido com o predicado.
10.2 Identificar os verbos de ligação e sua função na oração.
10.3 Reconhecer os tipos de predicado.
10.4 Reconhecer e estabelecer relações entre o predicativo do sujeito e o sujeito da oração.
10. Sintaxe - sujeito – conceito geral e tipos de sujeito; verbo
de ligação; predicado –
conceito geral e tipos de predicado; predicativo do sujeito.
11.1 Grafar corretamente as palavras com sons iguais ou
parecidos. 11. Ortografia - uso de U e L; C, Ç e SS; E e I; Z e S; U e O;
X.
12.1 Revisar e reescrever textos. 12. Revisão e reescrita de
destaca ainda a importância de ações pedagógicas com este tipo de texto que considerem a tríade: texto, imagem e diagramação.
Entretanto, o discurso jornalístico, permite estratégias de persuasão e compreensão diversificadas da tradição escolar e possibilita novas leituras, alternativas de escrita e construções discursivas, como destaca Adilson Citelli (2006:41-42):
Ao movimentar o mundo das palavras, os veículos de comunicação fazem mais do que lançar mão de um mediador técnico capaz de apresentar pensamentos ou embelezar ideias. Trata-se, antes de tudo, de criar alternativas e escolhas facultadas por este ou aquele termo, esta ou aquela maneira de elaborar o enunciado, e, por decorrência, a informação, o conhecimento, em caso limite, o saber. Parte destes procedimentos poucos afeitos à ingenuidade de identificar na palavra apenas um nomeador de coisas são estratégias de persuasão e convencimento que darão suporte à elaboração, manutenção, reformulação de entendimentos e compreensões, crenças e valores, jogos de revelação e ofuscamento de ideologias, mecanismos que acentuam ou obscurecem interesses, compromissos com grupos e classes: num termo, a inocência recebe de presente um sonoro grito de adeus.
Citelli observa o texto jornalístico na escola para além da estruturação textual e interpretação da informação, considerando os recursos ideológicos, persuasivos. Com caráter normativo, em O dispositivo pedagógico da mídia: modos de educar na (e pela) TV (2002), que a pesquisadora Rosa Maria Bueno Fischer, atribui aos meios comunicacionais, como a televisão, a noção de “dispositivo pedagógico da mídia”, com base no pensamento de Michel Foucault. Considera:
Um aparato discursivo (já que nele se produzem saberes, discursos) e ao mesmo tempo não discursivo (uma vez que está em jogo nesse aparato uma complexa trama de práticas, de produzir, veicular e consumir TV, rádio, revistas, jornais, numa determinada sociedade e num certo cenário social e político) a partir da qual haveria uma incitação ao discurso sobre “si mesmo”. (FISCHER, 2002:155)
Fischer centraliza sua investigação nas estratégias da TV para se firmar como um local especial de “educar”, da “verdade”, ao realizar a apuração dos fatos (violências, crimes), e sobre a constante atribuição do concreto a TV, ou seja, o “ensinar como fazer” acerca das tarefas cotidianas. Em Mídias, máquinas de imagens e práticas pedagógicas (2007), ressalta a urgência de incluir os materiais midiáticos e suas relações com o social e o cultural nos debates sobre didática e prática de ensino; recorre ao inglês Roger Silverstone e sua obra Por que estudar a mídia? para observar que:
[...] é impossível pensar as relações entre mídia e educação sem pensar em lutas de poder, em estratégias de controle globalizadas, em batalhas pelo controle das grandes redes de comunicação e, ao mesmo tempo, em lutas de grupos e indivíduos para terem acesso e participação quanto à informação e ao direito de voz e de expressão (FISCHER, 2007:293).
Não obstante essas profundas reflexões, no material pedagógico os “Cadernos de Apoio Pedagógicos” de Língua Portuguesa, do 8º ano do Ensino Fundamental, distribuído aos alunos de Barueri, o texto jornalístico permanece reduzido às estratégias de escrita e estruturação.
Para escrever notícias ou relatar fatos você não precisa ser, necessariamente, um jornalista. Muitas vezes na escola, você é colocado em situações de escrita e levado a escrever textos jornalísticos. Os textos jornalísticos podem ser de diferentes formas e estilos de acordo com o tema tratado. Eles também podem ser informativos (notícia, reportagem e entrevista) ou opinativos (editorial, artigo, coluna e crônica)22.
Quanto à estrutura das unidades de estudo (8º ano), notamos que, à apresentação do gênero notícia, abraço etapas de trabalho com atividades de vocabulário, interpretação de texto, estudo do texto, gramática, ortografia e produção textual de acordo com a temática exposta no próprio gênero.
22 BARUERI, Prefeitura Municipal de. Material Didático do Ensino Fundamental. Cadernos de Apoio. 8° ano/7ª série: 1º semestre 2011.
Durante todo o ano letivo os professores atuam com ações didáticas pedagógicas voltadas à linguagem jornalística que atendem à organização proposta no documento norteador: notícia, reportagem, reportagem com gráficos e tabelas (1º bimestre); editorial, carta do leitor (2º bimestre); crônica, sinopse, resenha de filmes (3º bimestre); cartum, charge, biografia e caricatura (4º bimestre). Os textos publicitários, pela proposta do documento, não são sugeridos no plano de ensino do 8º ano do Ensino Fundamental.