No que se refere à análise dos resultados quantitativos, foi utilizado um software específico para pesquisas estatísticas denominado SPSS (St at ist ical Package for Social Sciences), na sua versão 19 a fim de auxiliar nos cálculos estatísticos. Inicialmente, foram realizadas análises descritivas que caracterizavam os alunos participantes com a determinação do sexo, nível de pós-graduação, experiência anterior com a pós-graduação.
Realizou-se também análises descritivas com o cruzamento de variáveis para determinar o comportamento de busca, os recursos gastos, o recebimento de orientação para uso das bases de dados, as fontes de informação utilizadas, a avaliação dos conteúdos dos documentos realizada por mestrandos e doutorandos de ambos os sexos e pertencentes as quatros áreas de Engenharia aqui investigadas. Utilizou-se o teste não paramétrico Mann-Whitney na comparação do comportamento informacional de mestrandos e doutorandos, isto é, a diferença estatística significativa entre o comportamento informacional de duas amostras independentes (DANCEY, REIDY, 2006). Aplicou-se, ainda, o teste Mann-Whitney para verificar a associação por gênero nos dois níveis - mestrandos e doutorandos.
Na análise do comportamento informacional dos alunos das 4 áreas, utilizou-se o teste de Kruskal –Wallis, o qual é indicado para mais de duas amostras independentes (DANCEY, REIDY, 2006). Também foi feita uma análise de correlação entre os traços de personalidade e três aspectos do comportamento informacional dos alunos participantes
(comportamento de busca, os recursos gastos no comportamento de busca e a avaliação dos conteúdos dos documentos utilizados).
A análise de correlação permite deduzir se existe associação entre as variáveis estudadas, ou seja, quando as alterações sofridas por uma delas são acompanhadas por modificações nas outras de maneira previsível. Em outras palavras, a correlação entre as variáveis significa que elas são dependentes. A análise permite determinar a direção do relacionamento (positivo/negativo) e a força do relacionamento entre as duas variáveis (DANCEY, REIDY, 2006).
O grau de um relacionamento entre duas variáveis é medido pelo coeficiente de correlação (r), que varia entre -1 e 1. O coeficiente de correlação que se enquadra no intervalo de 0,1 a 0,3 é considerado como fraco. O coeficiente que se enquadra no intervalo de 0,4 a 0,6 é considerado moderado, bem como o coeficiente que se enquadra no intervalo de 0,7 a 0,9 pode-se dizer forte. Já o coeficiente com valor de 1 é considerado como perfeito (DANCEY, REIDY, 2006).
Conforme Dancey e Reidy (2006), um relacionamento negativo é tão forte quando um positivo, ou seja, um coeficiente igual a 1 é tão importante como um coeficiente igual a -1. Uma correlação positiva quer dizer que os altos valores da variável x se relacionam com os altos valores de y. Ao passo que uma correlação negativa quer dizer que os altos valores de x se relacionam com os baixos valores de y.
A questão aberta referente a fontes de informação utilizadas para o desenvolvimento da pesquisa dos alunos, bem as opções “Outros” das questões 9,12,14 foram analisadas por meio da técnica de análise de conteúdo. A técnica de análise de conteúdo é um procedimento de pesquisa que tem como ponto de partida a mensagem, seja ela verbal, gestual, figurativa ou documental (FRANCO, 2008). Conforme Bardin (1978, p.38) a análise de conteúdo pode ser considerada como: “um conjunto de técnicas de análises de comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens”.
Desta forma, utilizou-se na presente pesquisa a técnica de análise de conteúdo por meio da categorização, que consiste na operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação seguida de um reagrupamento baseado em semelhanças, a partir de critérios estabelecidos (FRANCO, 2008).
O processo de categorização pode ser realizado de duas maneiras: ou é fornecido previamente o sistema de categorias, e à medida que os elementos vão encontrados sendo alocados a elas da melhor maneira possível; ou não é fornecido previamente o sistema de categorias, o qual resultará da classificação dos elementos encontrados. Os títulos das categorias somente serão definidos no final da operação de categorização (BARDIN, 1978).
A partir disso, pode-se afirmar que as categorias foram elaboradas por meio da classificação das respostas obtidas nas questões abertas.
Para a investigação da personalidade, fez-se a contagem dos escores de cada um dos cinco traços de personalidade presentes no inventário. Cada traço de personalidade abrangia dez afirmações, sendo algumas delas consideradas positivas e outras negativas. Os itens apresentavam valores diferentes para a escala Likert de acordo com sua sinalização, ou seja, os itens positivos pontuavam a opção “concordo” como 5, a opção “concordo parcialmente” 4, “neutro” como 3, a opção “discordo parcialmente” 2, e “discordo” como 1. Já os itens negativos pontuavam a opção “discordo” como 5, “discordo parcialmente” como 4, “neutro” como 3, a opção “concordo parcialmente” como 2, e “concordo” como 1.
Para obter os escores dos cinco traços, somou-se a pontuação obtida pelos alunos nas dez questões referentes a cada traço, sendo que a pontuação variava de 0 a 50. Os traços de personalidade apresentaram suas médias de escore de acordo com a pontuação obtida na soma dos itens referente a cada traço de personalidade.
Após a obtenção da média e desvio padrão do escore de cada traço, calculou-se os escores que ficavam abaixo e acima da média de cada traço, ou seja, os valores que foram considerados altos e baixos de acordo com a média obtida pelos participantes. Para tanto, subtraiu-se o valor do desvio padrão de cada traço na média, bem como somou-se o valor do desvio padrão na média obtida25. Os valores que permaneceram fora deste intervalo, foram considerados altos ou baixos. Conforme Goldberg et al.(2006),os escores normalmente distribuídos apresentam aproximadamente 16% dos participantes que obtém escore acima da média, bem como 16% baixo da média, isto é, aproximadamente
25 O procedimento utilizado para a determinação dos escores dos traços de personalidade se baseou nas recomendações
feitas pelo próprio autor do inventário, Goldberg et al. 2006, assim como observou-se tal procedimento na literatura da área de Psicologia, como, por exemplo, na dissertação de mestrado de Mansini (2009).
68% dos participantes devem fazer do núcleo referente à média de escores.
Diante do exposto, observou-se que os escores obtidos na presente pesquisa estão normalmente distribuídos, pois 270 alunos (67,1%) obtiveram escores dentro da média do traço Neuroticismo, sendo que 68 alunos (16,9%) obtiveram baixos e 64 alunos (16%) obtiveram altos escores de neuroticismo. Já 277 alunos (68,9%) apresentaram escores dentro da média do traço Abertura, sendo que 59 alunos (14,7%) apresentaram baixos níveis e 66 alunos (16,4%) altos níveis de Abertura. Quanto ao traço Extroversão, 279 alunos (69,3%) apresentaram escores no intervalo da média do traço, 59 alunos (14,5%) apresentaram baixos escores e 66 alunos (16,2%) apresentaram altos escores. O traço Amabilidade apresentou 285 alunos (70,9 %) com escores no intervalo da média, sendo que 63 alunos (15,7%) obtiveram baixos escores e 54 alunos (13,4%) obtiveram altos escores. Por fim, 289 alunos (71,6%) obtiveram escores dentro da média do traço Conscienciosidade, 54 alunos (13,4%) apresentaram baixos níveis de conscienciosidade e 59 alunos (15%) apresentaram altos níveis.
7 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Orientando-se pelos estudos presentes na literatura da área e pelo modelo de comportamento informacional de Wilson e Walsh (1996), buscou-se caracterizar o comportamento informacional dos pós-graduandos participantes da área de Engenharia III vinculados a programas considerados de excelência no país. Procurou-se identificar os traços de personalidade dos sujeitos da pesquisa a partir do Modelo dos Cinco Grandes Fatores e relacionar com aspectos do comportamento informacional. Verificou-se, também, a associação entre variáveis: nível de pós-graduação e gênero com o comportamento informacional dos pós-graduandos.
Os resultados da pesquisa estão organizados de acordo com os seguintes tópicos:
− Formas de busca e comportamento de busca em sistemas de informação; − Canais e fontes de informação para a identificação de materiais bibliográficos; − Recursos gastos para a obtenção da informação
− Treinamento para a utilização das bases de dados eletrônicas; − Fontes de informação mais utilizadas;
− Elementos relacionados à obtenção de informação;
− A influência da personalidade no comportamento de busca do usuário.