1. BÖLÜM
5.1. SONUÇ
O GEPKM é um sistema composto de duas equações fundamentais, uma referente à dinâmica inflacionária e outra à dinâmica produtiva, não se postulando qualquer função de reação para a política monetária. Embora não se descarte, a
priori, a eventual existência de padrões de atuação do policymaker, a sua
especificação não se faz necessária quando se postula que o sistema dinâmico não gera trajetórias definidas de longo prazo.
A equação da dinâmica inflacionária é a Curva de Phillips Estruturalista (CPE) derivada da regra estrutural de markup, onde há uma relação convergente para o comportamento da variável dependente – a inflação – na dinâmica autônoma existente, passível de modificação por choques exógenos provenientes da demanda, do ‘conflito distributivo’ e das condições externas.
A CPE é definida da seguinte maneira, na forma reduzida: Δ$ = L Δ$% + M − ℎ ΔJ + N + F ΔH + Δ ???. 1
Nesta equação, Δ$ é a inflação, ΔJ é o ‘hiato do produto tendencial estocástico’ (calculado sob as hipóteses de crescimento liderado pela demanda e de ‘histerese forte’ no produto), N representa a influência de choques decorrentes do ‘conflito distributivo’, ΔH é a inflação de commodities e Δ é a variação da taxa de câmbio.
Como se viu no ensaio sobre a CPE, chega-se à equação reduzida partindo-se da equação estrutural de preços via markup, 7 = 1 + ! 89: + ;<=>, onde P é o
preço médio da indústria, M é o markup médio, W é o salário nominal, Q é o produto por horas trabalhadas, V é o preço das commodities, T é a taxa de câmbio e X é a proporção de commodities utilizadas no produto. Aplicando-se logaritmo e diferenciando-se no tempo, obtém-se a equação reduzida ???. 1 , Δ$ = ΔC + ΔD − ΔE + F ΔH + Δ . Supõe-se que a variação do salário nominal sobre a produtividade – representando o efetivo custo do trabalho na produção – segue regra fornecida por aspectos institucionais (indexação), econômicos (variações do produto e emprego) e políticos do ‘conflito distributivo’, tal que ΔD − ΔE = LΔ$% + M ΔJ + N, onde ΔJ é ‘hiato do produto tendencial estocástico’ e N representa a influência de choques decorrentes do ‘conflito distributivo’. Estipula-se, ainda, que a variação do markup é anticíclica em relação ao ‘hiato do produto’ e que não há uma reação permanente diante da taxa de juros, tal que ΔC = −ℎ ΔJ .82
A CPE é uma representação da dinâmica produtiva onde há um componente de inércia parcial a implicar comportamento convergente ao longo do tempo, considerando-se que as formas de indexação – formal e informal – existentes na economia somente podem gerar inércia plena (aceleração inflacionária ou hiperinflação) em raros casos, prevalecendo, em geral, cenários de inflação estável e controlada.83
Por sua vez, a equação da dinâmica produtiva é a Curva de Hiato do Produto Estruturalista (CHPE) derivada do papel desempenhado pelo PDE na determinação do produto sob hipótese de ‘Big Government’ atuante, havendo uma relação convergente para o comportamento da variável dependente – o ‘hiato do produto’ – na dinâmica autônoma existente, passível de modificação por choques exógenos provenientes de gastos extraordinários dos setores privado e
82
Como visto no primeiro ensaio, o comportamento procíclico dos salários reais e anticíclico do
markup é consensual na literatura conforme Amadeo (1986), com Edmond & Veldkamp (2009)
relatando a forte evidência empírica sobre a menor variabilidade de preços em relação a custos marginais que fundamenta o caráter anticíclico do markup. Já em relação à taxa de juros, evidências empíricas apontam que inflação causada por sua variação desaparece após algum período, como identificado por Sims (1992). Repetindo o argumento já realizado, por se adotar aqui uma visão de longo prazo irá se ignorar os efeitos sobre custos de variações da taxa de juros.
público, modificações nas condições externas e estímulos provenientes do setor financeiro.
A CHPE é definida da seguinte maneira, em forma reduzida: ΔJ = Š̂ΔJ% + MŒΔ2Q + •Δ2 + ℎŒΔ2D + Ž̂Δ2• ???. 2
Nesta equação, ΔJ é o ‘hiato do produto tendencial estocástico’, Δ Q é o acelerador de consumo gerado quando a razão dos gastos de consumo privado em relação ao produto tendencial varia em relação a seu comportamento médio, Δ é o acelerador público gerado quando a razão do déficit público em relação ao produto tendencial varia em relação a seu comportamento médio, Δ D é o acelerador externo gerado quando há uma variação secundária no crescimento da renda mundial, e Δ • é o acelerador financeiro relacionado ao chamado “impulso de crédito” definido como a variação em relação à média da razão do crédito sobre o produto tendencial.84
Como se viu no segundo ensaio, a equação reduzida da CHPE é obtida a partir da equação fundamental do produto, { = ? + } + | + ~ − !, onde { é o produto, ? é o investimento, } são os gastos do Governo, | é o consumo, ~ são as exportações e ! são as importações. Estipula-se que parte significativa dos gastos privados e públicos segue regras inerciais, havendo variações marginais advindas de desvios em relação ao produto tendencial e variações extemporâneas advindas de inovações, tal que | = |% + Q { − {∗ + M∆|• , ? = ?% + € { − {∗ + •Δ‚, } = }% + { − {∗ + ∆}ƒ„, ! = !% + C { − {∗ , onde ∆|
• é o choque de consumo, ΔF é o choque de crédito e ∆}ƒ„ é o choque de gastos públicos. Considera-se que nas exportações também há um forte comportamento inercial, ocorrendo variações marginais relacionadas ao crescimento da renda mundial, tal que ~ = ~% + h∆@, onde ∆@ é o crescimento da renda mundial corrigida pela taxa de câmbio. Aplicando-se logaritmo, diferenciando-se no tempo e retirando-se a tendência endógena da equação
84
Biggs & Mayer (2013), em uma abordagem mainstream, definem o “impulso de crédito” como a variação do investimento determinada pela variação em novas concessões de crédito, isto é, pela segunda derivada das operações de crédito de responsabilidade das IFs, conceito que aqui é adaptado para uma abordagem Pós-Keynesiana focada na obra de Minsky.
fundamental, { =
[†%e%ˆ[‰% + C − Q − {∗+ ¨∆‘©ª+ ∆}ƒ„+ ℎ∆@ + •«‚] onde ‰% é a soma dos componentes defasados da demanda, chega-se enfim à equação reduzida ???. 2 , ΔJ = Š̂ΔJ% + MŒΔ2Q + •Δ2 + ℎŒΔ2D + Ž̂Δ2• .
A CHPE é uma representação da dinâmica produtiva onde o ‘hiato do produto’ tem necessariamente um comportamento convergente,85 em que a geração da tendência estocástica baseia-se na suposição de padrões de comportamento repetitivo de consumidores, empresários e setor público, passíveis de modificação devido à atuação de choques advindos do consumo, gastos públicos, investimento e setor externo. Postula-se, aqui, que esta representação se coaduna com a hipótese de ‘histerese forte’ do produto na perspectiva Pós- Keynesiana, na qual o produto potencial é endogenamente determinado pelo produto corrente e absorve continuamente impactos provenientes de choques exógenos.86