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A Teoria da Agência trata da relação contratual na qual o principal encarrega o agente de prestar algum serviço em seu benefício, delegando certos poderes de decisão. Como ambas as partes são maximizadoras da utilidade, há razões para crer que existam situações nas quais os interesses sejam divergentes, segundo Jensen e Meckling (1976).

Esta teoria tenta explicar a relação entre dois ou mais indivíduos. Segundo Hendriksen e Van Breda (1999, p. 139), “um desses dois indivíduos é um agente do outro, chamado de principal – daí o nome de teoria de agency. O

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agente compromete-se a realizar certas tarefas para o principal; o principal compromete-se a remunerar o agente”.

Vale destacar que o reconhecimento da Teoria da Agência pela expressão principal-agente não se restringe à noção de que o principal é o proprietário ou acionista e que o agente é o administrador ou gerente. Essa noção, principal-agente, é de caráter amplo e refere-se a diferentes relações que se estabelecem entre os diversos atores no ambiente inter ou intraempresarial. Para elucidar, os trabalhos de Hendriksen e Van Breda (1999, p. 139) destacam que o principal detém algumas prerrogativas importantes, como:

a) o avaliador de informação;

b) quem exerce a opção de escolha do sistema de informação;

c) o determinador da função utilidade essencial, ou seja, julgar o que é útil. Aos agentes atribuem-se compromissos e obrigações assumidos em nome do principal. Também, por seu desempenho na solução dos problemas a favor do principal, recebe deste uma remuneração. Os compromissos a serem assumidos pelo agente normalmente envolvem:

a. tomar decisões em nome do principal;

b. garantir a execução (ação) em benefício das partes;

b) respeitar e considerar a função utilidade do principal sempre que possível. Para Godoy e Marcon (2006), a Teoria da Agência tem permitido tanto aos pesquisadores como aos principais e aos agentes compreender melhor a relação contratual existente entre ambos, bem como os conflitos e eventuais custos que decorrem dessa relação. Verificaram, assim, que a Teoria da Agência surgiu do problema clássico provocado pela separação entre propriedade e gestão. Dentre as questões levantadas nesta teoria está a ocorrência de assimetria informacional entre o principal e o agente. Sendo os interesses dos mesmos divergentes, nascem as imperfeições do ambiente informacional, denominadas conflitos de interesses ou conflitos de agência.

Dentre as questões levantadas nesta teoria, que tem como base a separação de propriedade e gestão, está a ocorrência de assimetria informacional entre o principal e o agente. Também, diante de interesses divergentes, nascem as imperfeições do ambiente informacional, denominadas conflitos de interesses ou conflitos de agência. Para o trabalho, é importante o

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levantamento conceitual sobre a assimetria de informação e o conflito de agência que resultam em proposições favoráveis ao desenvolvimento de contratos perfeitos.

Hendriksen e Van Breda (1999, p. 139) definiram assimetria informacional, “quando nem todos os estados são conhecidos por ambas as partes e, assim, certas consequências não são por elas consideradas”. Diante da dificuldade de relacionamento entre os agentes e a ocorrência de assimetria de informação, verifica-se a possibilidade do surgimento dos conflitos de agência.

De acordo com Segatto-Mendes (2001), o problema de agência se fundamenta, principalmente, na questão da informação assimétrica. Se a informação fluísse a custo zero, não haveria problemas de agência porque um indivíduo não dependeria do outro.

Verifica-se que as principais consequências decorrentes da assimetria informacional desenvolvidas pela Teoria da Agência são a seleção adversa e o risco moral.

Segundo Varian (1999 apud OLIVEIRA et al., 2008), a seleção adversa ocorre quando uma das partes age oportunisticamente antes da elaboração do contrato, por deter informação exclusiva. Já o problema do risco moral ocorre quando uma ou mais partes em um contrato assumem comportamento oportunista pós-contratual devido a um descompasso na informação entre as partes.

Para Rogers (2005), quando os agentes ligados à empresa têm interesses conflitantes e colocam seus interesses pessoais em primeiro plano, prejudicando, dessa forma, o andamento da organização. É neste momento que se origina o conflito de agência. Nossa et al. (2000) afirmam que o conflito de agência gera custos de agenciamento, os quais são entendidos como os gastos incorridos na tentativa de minimizar os conflitos. Jensen e Meckling (1976) definem os custos de agência como a soma das despesas de monitoramento, as despesas com a concessão de garantias contratuais e o custo residual.

Neste contexto, os contratos desempenham importante papel nesta relação imperfeita entre o principal e o agente, uma vez que regulam as relações entre as partes (OLIVEIRA et al., 2008).

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Silveira (2002) afirma que devido ao conflito de interesses entre agente e principal, os investidores e gestores têm que alocar os direitos residuais de controle, isto é, os direitos de tomar decisões em circunstâncias não previstas nos contratos. Por esta temática surge o debate sobre os contratos como instrumentos para minimizar os problemas relacionados com as transações.

Zylbersztajn (2005) salientou que, pelo pressuposto neoclássico de racionalidade plena, em que se coloca a Teoria da Agência, verifica-se a possibilidade de elaboração de contratos completos.

Cateb e Albeny (2010) definiram os contratos completos como aqueles capazes de especificar, em tese, todas as características físicas de uma transação, como data, localização, preço e quantidades, para cada estado da natureza futuro. Para os autores, em um contrato completo, não haveria necessidade de verificação ou determinação adicional dos direitos e obrigações das partes durante sua execução, já que o instrumento delinearia todas as possibilidades de eventos futuros envolvidos com o objeto da contratação.

Salanié (1998 apud MARINHO; FAÇANHA, 2001) destacou que, nos contratos completos, todas as variáveis que poderiam ter impacto nas condições contratuais, ao longo de toda a sua duração, já teriam sido levadas em conta quando da negociação e da assinatura dos contratos, o que os torna contingentes a um número grande de variáveis e faz supor que mudanças no ambiente econômico “ativariam provisões contratuais ad hoc dos contratos”. Os autores defendem que essa abordagem pode ser mais diretamente identificada pelos conhecidos modelos de agenciamento (agency) e de superior hierárquico-agente (principal-agent), assim como a ênfase concedida pelos modelos à informação incompleta, que costuma não ser tratada diretamente pela abordagem dos contratos incompletos.

Portanto, dentro desta vertente teórica, os contratos tornam-se mecanismos de incentivo compatíveis com objetivos relacionais, destinados a revelar a informação que, na ausência dos mecanismos, poderia ser objeto de manipulação estratégica adversa.

Segundo Salanié (1998 apud MARINHO; FAÇANHA, 2001), como se trata de uma abordagem que explora fundamentos e regras robustas e resistentes a alterações de contextos, renegociações e quebras de contratos, essa abordagem tende a provocar perdas de eficiência, pois seria o oposto de

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compromissos (commitments) estratégicos, “que levariam terceiros partidos a se convencer que os contratantes persistirão em seus planos, independentemente do que terceiros partidos venham a fazer”.