A Hipótese de Pesquisa pode ser definida, segundo Oliveira (2003, p. 42), “[...] como uma solução provável para determinado problema. É uma suposição que antecede a constatação dos fatos e tem como característica uma formulação provisória [...]”, na qual se deve identificar a variável independente e a variável dependente, bem como estabelecer uma afirmação sobre a relação entre elas.
Collis e Hussey (2005, p. 24) entendem que a hipótese “[...] é uma idéia ou proposição que pode ser testada para associação ou causalidade, deduzindo-se conseqüências lógicas que possam ser testadas com relação à evidência empírica.” Nesta pesquisa, as hipóteses construídas voltaram-se mais para o teste de associação entre variáveis do que para a avaliação da causalidade entre elas.
Quanto à classificação das hipóteses, Hair (2005, p. 285) trata-a como direcional ou não- direcional. A hipótese direcional contém “[...] termos como ‘mais do que’, ‘menos do que’, ‘positivo’ ou ‘negativo’, ao estabelecer relações entre dois grupos ou duas variáveis [...].” As hipóteses não-direcionais postulam uma diferença ou relação, mas não indicam uma direção para essas diferenças ou relações.Em decorrência, nesta pesquisa, a Hipótese 2 é direcional, pois se refere à associação positiva entre a variável dependente e as variáveis independentes, e as Hipóteses 1, 3 e 4 são não-direcionais.
A seguir são estabelecidas as hipóteses de pesquisa para cada objetivo proposto para esta pesquisa.
3.2.1 Objetivo 1
O primeiro objetivo visa a verificar se a percepção do profissional a respeito da importância do CEPC como guia de conduta influencia-o a cumprir as normas contidas nesse mesmo Código.
Caso o contabilista considere CEPC como norteador de sua conduta profissional, então é de se esperar que ele procure exercer sua profissão de acordo com os princípios éticos contidos nesse Código. Assim, o grau de predisposição do profissional em cumprir o Código seria decorrência natural dessa posição, assumida de maneira livre e espontânea. Dito de outro modo, quanto maior a percepção do contabilista a respeito da importância do CEPC como guia de conduta, maior deverá ser a sua predisposição para cumprir as normas contidas nesse Código.
O fato de isso não ocorrer pode significar que sua elaboração não foi consensual, porém imposta, ou indicar que as mudanças ocorridas nos valores morais dessa categoria profissional, ao longo dos anos, não motivaram uma revisão no referido Código. Em decorrência, é possível estabelecer a seguinte hipótese:
Hipótese 1: A percepção do contabilista a respeito da importância do CEPC como guia de conduta influencia a sua predisposição para cumprir esse Código de ética.
3.2.2 Objetivo 2
De acordo com o CEPC, as sanções possíveis de serem aplicadas ao infrator têm como parâmetro a gravidade da falta percebida pelo julgador. Quanto maior a gravidade da falta, mais severa deverá ser a punição aplicada ao infrator.
Embora a percepção sobre o nível de gravidade de determinada falta seja construída de maneira essencialmente subjetiva na consciência do indivíduo, o CEPC estabelece que a punição a ser aplicada ao infrator está relacionada ao nível de gravidade da infração percebida por quem julga a referida infração.
A censura pública, por exemplo, é considerada uma punição aplicável a situações extremas de desrespeito ao CEPC. Nesse contexto, é de se supor, que a ela esteja correlacionado o nível altíssimo de gravidade. Situação menos clara ocorre com as punições advertência reservada e censura reservada. Não há como discriminar diferença objetiva entre ambas.
Por esse motivo, no objetivo específico 2 foi proposto investigar se a percepção do contabilista a respeito da gravidade da infração ética é associada à sua percepção a respeito da sanção a ser aplicada ao infrator do CEPC. Disso decorre a seguinte hipótese de pesquisa:
Hipótese 2: A percepção do contabilista a respeito da gravidade da infração ética é positivamente associada à sua percepção a respeito da sanção a ser aplicada ao infrator do CEPC.
3.2.3 Objetivo 3
A proposta do Objetivo 3 é de constatar se a avaliação teleológica, a qual contém situações atenuantes e agravantes não contidas no CEPC, é capaz de influenciar o julgamento ético do contabilista em relação a infrações cometidas por outro colega de profissão.
A aplicação de uma punição adequada ao infrator é fundamental para a harmonia na classe contábil e para seu prestigio junto à sociedade. Entretanto, existe a possibilidade de as conseqüências decorrentes da atitude do infrator (boas ou ruins) alterarem a percepção do contabilista sobre qual deve ser a punição adequada, mesmo que o CEPC não as aceite como agravante ou atenuante para o infrator.
Nesse momento, constata-se a terceira hipótese desta pesquisa:
Hipótese 3 – A avaliação teleológica, a qual contém situações atenuantes e agravantes não contidas no CEPC, é capaz de influenciar o contabilista em seu processo de tomada de decisão ética.
Essa influência ocorre no momento em que o profissional avalia a gravidade da infração ética, ou pode atuar sobre uma fase específica do processo decisório ético. O primeiro caso corresponde à seguinte Sub-hipótese de pesquisa:
Sub-hipótese 3.1: As variáveis Magnitude das conseqüências, Consenso social e Concentração de efeitos, contempladas no modelo de Jones, influem na percepção da gravidade da falta cometida pelo infrator.
A Sub-hipótese 3.2 procede à avaliação do impacto do fator teleológico em uma das fases do processo decisório ético: a da intenção de agir, conforme exposto a seguir:
Sub-hipótese 3.2: A avaliação teleológica influi na intenção de indivíduo em alterar o julgamento ético sobre determinado dilema moral.
A revisão de literatura já fez referência à constatação de que os indivíduos se valem tanto dos conceitos oriundos da ética deontológica quanto da ética teleológica em seu processo de tomada de decisão ética. Portanto, é de se esperar que a ética teleológica possa levar a mudanças nos julgamentos éticos do indivíduo.
Se essa visão prevalecer, pode ser questionável o papel normativo do CEPC, pois este pode não ser o principal componente a guiar a conduta ética dos indivíduos, e, tampouco exercer poder coercitivo capaz de se contrapor às motivações de natureza teleológica nessa fase do processo de tomada de decisão ética.
3.2.4 Objetivo 4
O exame dos Fatores individuais (o sexo, a idade, o tempo de registro no CRC, entre outros) sobre a predisposição do indivíduo para cumprir as normas contidas no CEPC correspondeu ao Objetivo 4 de pesquisa.
Hipótese 4: Existem diferenças significativas, em termos de predisposição para cumprir as normas do Código de ética, entre os diversos subgrupos que compõem a classe contábil.
Esses subgrupos são estabelecidos a partir dos fatores individuais que influenciam o processo de tomada de decisões éticas, como: idade, religião, sexo, escolaridade, dentre outros. Em decorrência, essa pesquisa buscou comprovar as seguintes Sub-hipóteses:
Sub-hipótese 4.1: a categoria profissional do contabilista influi na sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.
Sub-hipótese 4.2: a região em que o contabilista trabalha influencia na sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.
Sub-hipótese 4.3: a idade do contabilista influencia em sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.
Sub-hipótese 4.4: o tempo de registro do profissional no Conselho Regional de Contabilidade influencia na sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.
Sub-hipótese 4.5: a posição do contabilista no mercado de trabalho influencia na sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.
Sub-hipótese 4.6: a existência de formação acadêmica influi em sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.
Sub-hipótese 4.7: a religião professada pelo profissional influi em sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.
Sub-hipótese 4.8: o sexo do indivíduo influi em sua predisposição em cumprir as normas do Código de ética.