2.2 Finansal Olmayan Performans Göstergeleri
2.2.10. Ekip ÇalıĢması
No Brasil, o CEPC normaliza, em seu artigo 3º., incisos I a XXII, as proibições, ou seja, condutas que entram em choque com os valores (zelo, diligência, honestidade, independência e dignidade) considerados no inciso I, artigo 2º., do Código como os de maior relevância no exercício de sua profissão.
Essas proibições correspondem a um conjunto de procedimentos cuja execução desprestigiará a categoria profissional por acarretar prejuízo moral perante terceiros (incisos I, II, VII, XXI), perante os colegas de profissão (I, II, XXII) ou atos ilícitos (incisos III a VI e VIII a XX).
O inciso XVII, em especial, trata da proibição ao contabilista de:
[..] iludir ou tentar iludir a boa-fé de clientes, empregador ou terceiros, alterando ou deturpando o exato teor de documentos, bem como fornecendo falsas informações ou elaborando peças contábeis inidôneas. (CFC, 2003a, p. 80).
Nesse inciso, pode-se observar que o Código considera, tanto o profissional que trabalha como autônomo como aquele que exerce suas atividades como empregado. Embora a obrigação de não iludir a boa-fé seja universal, o grau de independência de que autônomos e assalariados desfrutam para cumprir esse preceito não é igual, e necessita ser contemplado pelo Código respeitando essa situação.
No artigo 5º., por exemplo, o Código trata dos deveres do auditor e do perito. Contudo, também na Norma Brasileira de Contabilidade NBC P-1 e na NBC P-2, há uma série de considerações sobre a competência técnico-profissional, a independência, o sigilo, e a educação continuada, inclusive com a apresentação de exemplos que auxiliam o profissional a tomar decisões, e há também as Normas Profissionais de Auditor Interno (NBC P-3).
Em contraposição, o Código da IFAC está construído de modo a lidar com essas diferenças. O Código da IFAC subdivide-se em três capítulos. O primeiro, do qual já se tratou aqui (Parte
A), discorre sobre os princípios éticos da profissão, universais para ambos os grupos. O segundo (Parte B) aborda a atividade de contador público, e o terceiro (Parte C) normatiza a conduta dos profissionais que lidam com atividades contábeis como trabalhadores assalariados.
O segundo Capítulo é um guia que se aplica a todos os profissionais de contabilidade que lidam com a prática pública. São, assim, considerados aqueles que prestam serviços a clientes, independentemente da sua classificação funcional (auditor, consultor, perito, entre outros) e sócios de escritórios de contabilidade.
Nesse segundo Capítulo, em vez de relacionar deveres e obrigações, a ênfase do Código da IFAC está em propor um modelo que possibilite a identificação, a avaliação e a aplicação de salvaguardas para se eliminarem, ou reduzirem, as ameaças que afetam a independência dos contadores que prestam serviços de maneira independente, tais como os auditores externos, os consultores e os contabilistas, entre outros.
De início, essa seção (Parte B) expõe e conceitua a designação independência profissional, fundamental para a manutenção da credibilidade da atividade contábil junto à sociedade. A designação ‘independência profissional’ subdivide-se em independência de espírito33 e independência na aparência.34
A independência de espírito corresponde a um estado mental que possibilita ao profissional emitir uma opinião sem ser afetado por influências que comprometam seu julgamento profissional, permitindo-lhe agir com integridade (IFAC, 2001, p. 32). Decorre, portanto, das convicções pessoais e dos valores do indivíduo.
A independência na aparência requer que sejam evitados fatos significativos que permitam a uma terceira parte, razoavelmente informada e que tenha conhecimento de todas as informações relevantes, concluir que a integridade e a objetividade da firma ou dos membros da equipe de auditoria35 tenham sido comprometidas (IFAC, 2001, p. 32).
33 “Independence of mind.” 34 “Independence in appearance.” 35 “Assurance team
a) All professionals participating in the assurance engagement;
Por ser a independência fator indispensável à boa reputação da categoria junto à sociedade, a IFAC estabeleceu um roteiro para orientar o profissional na identificação de ameaças à sua independência profissional. A Figura 8 traz um esquema desses requisitos.
Identificar e documentar as ameaças
As ameaças são pouco significativas? sim
recusar ou descontinuar a atividade
não
Identificar, propor, e documentar salvaguardas
As salvaguardas eliminam ou reduzem as ameaças para níveis aceitáveis?
Documentar e continuar atividade sim
A firma aceita continuar com a atividade?
sim
não
não
Figura 8 - Procedimentos para avaliação de ameaças à independência profissional FONTE: Adaptado da IFAC (2001, p. 35)
As ameaças a que se fazem referência na Figura 8 podem ser motivadas por diversas circunstâncias, como, por exemplo:
a) Interesses pessoais de um dos membros do escritório de contabilidade ou da empresa de auditoria em relação ao cliente, ao almejar a obtenção de emprego na empresa do cliente;
b) Negócios entre o escritório, ou de seus sócios com o cliente, e
c) Pressões para reduzir a extensão dos trabalhos de auditoria como meio de diminuir os honorários da firma de auditoria.
O Código oferece uma série de exemplos de ameaças, destacando que não são exaustivos. Cabe ao profissional de contabilidade, na prática pública, buscar aplicar os princípios expressos no Código às circunstâncias particulares em que se vir envolvido.
Dessa maneira, o Código de ética apresenta uma metodologia para auxiliar o profissional a avaliar as ameaças sobre sua independência profissional, tornando-se um roteiro de conduta e não apenas um conjunto de proibições.
Embora dê amplo destaque à independência do profissional, o Código da IFAC é omisso quanto ao estabelecimento de parâmetros que permitam ao contabilista avaliar a gravidade de suas ações em relação à sociedade e à sua classe profissional, conforme preceituam outros Códigos, como o dos profissionais de Enfermagem.
A seção 9 do Código da IFAC trata da competência profissional e das responsabilidades do contabilista quando necessita do apoio de profissionais de outras áreas de conhecimento (atuários, engenheiros, advogados, entre outros) para dar prosseguimento ao seu trabalho.
Nesses casos, o profissional de contabilidade deve avaliar se tais profissionais estão conscientes das obrigações éticas que decorrem da observância dos princípios contidos na Parte A do Código (princípios gerais) da IFAC, os quais, também, devem ser respeitados por esses profissionais. Além disso, o seu trabalho deve ser adequadamente supervisionado.
O Código recomenda, ainda, que os profissionais não-contadores sejam questionados quanto à leitura adequada do Código e aos conflitos de interesse que podem surgir no decorrer dos trabalhos. Também recomenda que o conhecimento sobre os padrões éticos a serem seguidos sejam confirmados por escrito (IFAC, 2001, p. 76). Como já se afirmou anteriormente, essa relação de conduta ética entre o contabilista e os outros profissionais não está contida no Código de ética Brasileiro.
Outro ponto, abordado na Parte B do Código, refere-se aos critérios para o estabelecimento dos honorários e a relação com outros profissionais na prática pública, item que é destacado no Capítulo III do Código de ética brasileiro.
A Parte C do Código de ética da IFAC aplica-se aos profissionais que executam atividades contábeis como empregados em organizações. Apresenta apenas quatro seções, que tratam de conflito de lealdade, do apoio aos colegas profissionais, da competência profissional e da apresentação de informações. As três últimas seções contêm um parágrafo cada.
Antes de se prosseguir com a exposição do teor da Parte C desse Código de ética, cabe destacar que não é possível compará-lo com o CEPC, uma vez que o nosso Código apresenta de modo forma genérico as condutas que devem ser observadas por quem trabalha como assalariado. Tais condutas são apresentadas ao longo dos Capítulos 2 e 3 do Código de Ética Profissional do Contabilista, de maneira indistinta para os dois grupos de profissionais.
Ainda de acordo com o Código de ética da IFAC, o profissional de contabilidade, exercendo sua atividade profissional como funcionário assalariado, deve lealdade às normas da empresa em que trabalha, assim como à sua profissão. Não se pode, porém, exigir desse profissional que:
a) Rompa com a lei;
b) Rompa com as normas e os padrões da sua profissão;
c) Minta ou mantenha silêncio sobre fatos dos quais tenha conhecimento como auditor interno;
d) Inclua seu nome ou se associe a relatórios que contenham erros materiais.
Além disso, se os conflitos de interesse não forem resolvidos, o profissional de contabilidade deve considerar a possibilidade de demitir-se da empresa (IFAC, 2001, p. 93).
Quanto à competência profissional, o contabilista pode ser solicitado a assumir uma tarefa para a qual ele não se sinta detentor dos conhecimentos e das experiências necessários para realizar. Em tais circunstâncias, o contabilista não deve mentir para o empregador a respeito da sua experiência sobre o assunto (IFAC, 2001, p. 95).
Sobre a apresentação de informações, o Código destaca a necessidade de os profissionais de contabilidade realizarem essa tarefa com honestidade e profissionalismo. O contabilista, também, deve manter as informações financeiras e não-financeiras de maneira que permita descrever com veracidade a natureza das transações comerciais, os ativos ou obrigações, bem como registrá-los e classificá-los de modo a apropriado, visando a garantir que isso ocorrerá.
Em síntese, a exposição no Código de ética da IFAC quanto às normas que devem ser seguidas por quem exerce atividade como assalariado demonstra a relevância desse grupo de profissionais e a necessidade de se constituírem normas para atendê-los.
Durante a pesquisa de campo, foi avaliado se a adesão ao Código de ética é diferenciada entre os profissionais que exercem suas atividades como autônomos e aqueles que trabalham como assalariados.