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2.2 Finansal Olmayan Performans Göstergeleri

2.2.6. Personele Yapılan Yatırım

Quando a sociedade norte-americana percebeu que os interesses corporativos estavam afetando o bem-estar dos indivíduos, rompendo o equilíbrio entre os interesses dos dois grupos, decidiu ampliar a regulamentação dos procedimentos contábeis aplicáveis às corporações americanas, promulgando, em 2002, a Lei Sarbanes-Oxley.

São dois os objetivos dessa lei: proteger os investidores e melhorar a fidedignidade das demonstrações contábeis, restringindo e limitando iniciativas escusas por parte dos gestores das organizações. A lei pune, por exemplo, com pena de até vinte anos de prisão, a todos que alterarem, falsificarem ou procederem ao registro falso de qualquer documento ou objeto tangível com a intenção de impedir, obstruir ou influenciar a investigação da Justiça.

No Brasil, as repercussões da Lei Sarbanes-Oxley podem ser percebidas na submissão dos contadores e dos gestores brasileiros às normas por ela estabelecidas. A Lei estabelece, no item 1.06, que qualquer empresa de contabilidade estrangeira que prepare ou audite as demonstrações contábeis de empresas, que tenham ações nas Bolsas de Valores norte- americanas, se sujeita às regras da Comissão instituída pela referida lei, da mesma maneira e em igual extensão de uma firma americana que opere sob as leis americanas (SARBANES- OXLEY, 2003, item 1.06).

Tal como ocorreu nos Estados Unidos, país em que foram adotadas medidas legais visando a monitorar a atividade contábil, no Brasil foi promulgado o Código Civil. Não há correlação entre as duas legislações, a não ser a preocupação comum quanto aos danos que podem ser causados à sociedade por práticas contábeis inadequadas.

O Código Civil (BRASIL, 2003, p. 191), no artigo 1188, procura destacar que “o balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa.” O balanço patrimonial só será útil para a sociedade se efetivamente expressar a situação real da organização. Por esse motivo, deve reproduzir com fidedignidade a situação econômico- financeira da empresa.

Para que se possa alcançar o propósito da lei - fidelidade e clareza, torna-se necessário monitorar a conduta do profissional que executa a elaboração do balanço patrimonial. Isso só pode ocorrer se o profissional estiver legalmente habilitado, ou seja, regularmente registrado em algum conselho de profissão regulamentada que se responsabilize por fiscalizar a sua prática.

O Código Civil (BRASIL, 2003, p. 191) explicita, no artigo 1182, que a elaboração dessas demonstrações “[...] ficará sob a responsabilidade de contabilista legalmente habilitado [...].” Em conseqüência, o Código impôs que essa atividade só pode ser conduzida por profissionais com conhecimentos técnicos e habilidades específicas para realizá-la: o contabilista. Também alude à necessidade de esse profissional ser legalmente habilitado. Portanto, o diploma de nível superior ou o certificado de curso técnico, não são suficientes para o exercício dessa atividade profissional.

Na área contábil, a habilitação legal é de responsabilidade do Conselho Federal de Contabilidade, por atribuição delegada pelo Decreto-Lei nº. 9295 de 27 de maio de 1946 (CFC, 2003a, p. 4). A esse órgão compete fiscalizar e punir, até com a suspensão do direito ao exercício profissional, os infratores, valendo-se de regras instituídas por um Código de ética de cumprimento obrigatório e do Decreto-Lei 9295/46, conforme se pode ser observar na próxima seção.

Além do monitoramento da conduta profissional, o Código Civil desestimula o indivíduo a praticar atos ilícitos, aplicando-lhe sanções. Tais sanções obrigam o mau contabilista a ressarcir terceiros dos prejuízos causados.

Essas sanções decorrem do vínculo existente entre o empresário e o contabilista. Em nome do empresário (preponente), o profissional de contabilidade elabora a contabilidade da empresa. Por serem prepostos, tornam-se, de acordo com o artigo 1177, “[...] pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos.” (BRASIL, 2003, p. 190).

Estabelecido o vínculo, o contabilista torna-se solidário com o empresário caso o apóie em algum ato doloso contra terceiros, valendo-se das informações contábeis, sem prejuízo das responsabilidades criminais cabíveis.

O outro exemplo do rigor com que a legislação nacional vem tratando a atividade contábil está na Lei nº 11.101 (Lei de Falências), de 9 de fevereiro de 2005, a qual torna mais severas as punições aos profissionais de contabilidade que cometerem atos ilícitos, conforme se observa na seguinte citação:

Art. 168 – Praticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar a recuperação extrajudicial, ato fraudulento de que resulte ou possa resultar prejuízo aos credores, com o fim de obter ou assegurar vantagem indevida para si ou para outrem. Pena: reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

§ 1º A pena aumenta-se de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se o agente: I. elabora escrituração contábil ou balanço com dados inexatos;

II. omite na escrituração contábil ou no balanço, lançamento que deles deveria constar, ou altera escrituração ou balanço verdadeiros;

III. destrói, apaga ou corrompe dados contábeis ou negociais armazenados em computador ou sistema informatizado;

IV. simula a composição do capital social;

V. destrói, oculta ou inutiliza, total ou parcialmente, os documentos de escrituração contábil obrigatórios.

§ 2º A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até metade se o devedor manteve ou movimentou recursos ou valores paralelamente à contabilidade exigida pela legislação. (ARRUDA, 2005, p. 64).

Por esse artigo, também incidem nas mesmas penas os contadores, técnicos contábeis, auditores e outros profissionais que, de qualquer modo, concorram para essas práticas criminosas.

As mudanças ocorridas no Código Civil e a proposta de alteração da Lei de Falências demonstram a decisão da sociedade de inibir práticas contábeis ilícitas e contribuir para maior credibilidade das demonstrações contábeis.

Entretanto, no que se refere ao sistema composto pelo Conselho Federal de Contabilidade e pelos Conselhos Regionais de Contabilidade, cabe indagar: as sanções aos profissionais que descumprem o Código de ética da profissão, vêm sendo aplicadas com idêntico rigor?

Nesse contexto, é preciso avaliar a qualidade das normas, bem como das sanções impostas pelo órgão fiscalizador do exercício profissional, para impedir a execução de práticas contábeis lesivas à sociedade.

Em síntese, cabe discutir com que rigor a classe contábil brasileira, nela incluída o órgão fiscalizador do exercício profissional, trata as questões éticas vinculadas ao exercício da profissão, e as conseqüências desses atos para o conjunto da sociedade brasileira.