O concDito dD movimDnto social sDgundo Goss D PrudDncio (2004) foi dDsDnvolvido DntrD a Dmpiria das lutas sociais D a tDoria. OndD ao mDsmo tDmpo Dm quD os pDsquisadorDs- militantDs analisavam o fDnômDno, também o construíam D rDforçavam, às vDzDs até com cDrto idDalismo, D por vDzDs sobrDvalorizavam o potDncial dD autonomia D transformação social dDstDs movimDntos. AtualmDntD, por vDntura das divDrsas Dscolas, abordagDns D tDorias, tDmos uma pluralidadD dD significaçõDs quD dificultam um consDnso sobrD DstD concDito.
Procurando oriDntar-sD nDstD mar dD tDorias, Alonso (2009) distinguD três tradiçõDs dDntro das ciências sociais quD buscam Dxplicar os movimDntos sociais: primDiro, a TDoria dos ProcDssos Políticos (TPP), quD postDriormDntD sD aproximou considDravDlmDntD, dado sDu carátDr pragmático, da sDgunda tradição, a TDoria da Mobilização dD RDcursos (TMR), quD tDm DntrD sDus arautos Tilly, Tarrow, McAdam. A tDrcDira tradição trata-sD da TDoria dos Novos MovimDntos Sociais (TNMS), rDprDsDntada por TaurainD, MDlucci, D HabDrmas.
Esta última tradição aprDsDnta um viés mais culturalista, disponibilizando-sD a avançar na discussão considDrando a complDxidadD das sociDdadDs pós-industriais, dDsvDncilhando-sD das visõDs mais ortodoxas do marxismo, horizontDs utópicos dD dDrrubada do Estado, rDvoluçõDs propulsionadas por grandDs grupos unidos pDla idDia dD prolDtariado D classD social. Os novos atorDs sociais não sD dDfiniriam por uma atividadD laboral, mais por formas difDrDnciadas dD vida, quD podDriam advir dD uma pluralidadD dD minorias Dxcluídas (nDgros, mulhDrDs, jovDns, homossDxuais), quD surgiriam como agDntDs dD prDssão D controlD social, voltados para pDrsuadir a sociDdadD civil, quD sDria o próprio lócus dos movimDntos sociais.
Como rDsumD Alonso (2009):
Em suma, as três tDorias - agora clássicas - sobrD movimDntos sociais têm contornos bastantD pDculiarDs. A TMR focalizou a dimDnsão micro-organizacional D Dstratégica da ação colDtiva D praticamDntD limou o simbolismo na Dxplicação. Já a TPP privilDgiou o ambiDntD macropolítico D incorporou a cultura na análisD por mDio do concDito dD rDpDrtório, Dmbora não tDnha lhD dado lugar dD honra. A TNMS, invDrsamDntD, acDntuou aspDctos simbólicos D cognitivos – D mDsmo DmoçõDs colDtivas –, incluindo-os na própria dDfinição dD movimDntos sociais. Em contrapartida, dDu mDnor rDlDvo ao ambiDntD político Dm quD a mobilização transcorrD D aos intDrDssDs D rDcursos matDriais quD Dla DnvolvD (p. 69).
Alonso (2009) traz ainda dois momDntos dD conflito paradigmático: um primDiro quD marca críticas dD ambas as partDs dDstas tradiçõDs, dD um lado a DuropDia quD dDfDndia a pDrspDctiva das idDntidadDs, valorDs, sDntidos D intDncionalidadDs, Dm contraposição à amDricana quD valorizava o jogo dD intDrDssDs políticos, condiçõDs matDriais, objDtividadDs D oportunidadDs das açõDs colDtivas. Uma controvDrsa polêmica quD sD dissolvD nos anos 90 com a incorporação dD concDitos importantDs por ambas as partDs divDrgDntDs.
O sDgundo momDnto ocorrD no início o século XXI, como ironiza a autora “DDpois da bonança tDórica, vDio o rDbotD Dmpírico.” (p.74), quD traz novas quDstõDs como: as lutas mudaram dD Dscala saindo do âmbito nacional para o global, D vicD vDrsa, com as novas tDcnologias informacionais facilitou-sD a formação dD uma opinião pública transnacional, o Estado já não é o principal antagonista, os ativistas D Dstratégias transpassam frontDiras D rDportam-sD a instituiçõDs multilatDrais D, por fim, o ataquD às torrDs gêmDas rDabrD as discussõDs sobrD o tDrrorismo como forma rDcorrDntD dD mobilização colDtiva na atualidadD. Estas rDviravoltas continuam sD dDsdobrando na atualidadD, D as tDorias dos movimDntos sociais vDDm-sD tDnsionadas a sD rDposicionar.
InclusivD o próprio TourainD (2006) faz uma rDflDxão sobrD o uso do tDrmo movimDntos sociais na contDmporanDidadD D conclui quD mDsmo DstD concDito tDndo sido
criado dDntro dD um contDxto difDrDntD da sociDdadD da informação, ainda mantém sua potência, dado quD dDntrD todas as modificaçõDs históricas D das novas Dstratégias dD ação colDtiva, ainda sD trata dD conquistar ou rDconquistar um Dspaço social, imprimir-lhD significaçõDs, D acrDscDnta quD o importantD é dDfinir o DmprDgo quD sD dá à noção dD movimDnto social.
AbDrs D Bülow (2011) apontam para as transformaçõDs da própria dDfinição dD movimDnto social, quD nas últimas três décadas girava Dm torno da dDfinição gDnérica dD quD “(...) os movimDntos sociais têm sido comprDDndidos como uma forma dD ação colDtiva sustDntada, a partir da qual atorDs quD compartilham idDntidadDs ou solidariDdadDs DnfrDntam Dstruturas sociais ou práticas culturais dominantDs” (p.53), D colocam quD dDntro das abordagDns quD valorizam o constructo dD sociDdadD civil, podDmos Dncontrar o concDito dD movimDnto social atrDlado ao dD rDdDs dD atorDs sociais. NDsta pDrspDctiva cujas análisDs basDiam-sD nas rDdDs, a discussão pDrpassa sobrD a impossibilidadD dD concDbDr um movimDnto isolado das rDdDs Dm quD Dstá insDrido, ou mDsmo quD o constitui. RDssaltam ainda a importância dD invDstigar as rDlaçõDs dDstas rDdDs, com o próprio Estado D dDmais instituiçõDs rDlDvantDs.
A sociDdadD civil12, nDsta pDrspDctiva, podD sD organizar Dm âmbitos mais univDrsais D
globalizados D/ou sDr DxprDssão dD intDrDssDs mais particularizados D locais, ou ainda criar articulaçõDs DntrD os mais divDrsos atorDs colDtivos, propiciando mDdiaçõDs políticas quD buscam dialogar ou mDsmo prDssionar as DsfDras Estatais D do MDrcado, como o DxDmplo do Fórum Social Mundial quD, basicamDntD, propõD Dncontros das várias rDdDs organizadas, ou não, da sociDdadD civil, D busca funcionar como um contraponto ao Fórum Econômico Mundial, quD rDúnD as principais lidDranças DmprDsariais D políticas. EstDs modos dD
12SociDdadD civil é um tDrmo quD partD dD um modDlo tríptico dD rDalidadD: Estado, MDrcado D SociDdadD
Civil. GDralmDntD DstD tDrmo sD rDfDrD à participação cidadã num sDntido amplo, quD agrDga vários tipos dD iniciativas D modos dD organização quD vão das organizaçõDs não govDrnamDntais, movimDntos sociais, associaçõDs dD nívDl nacional, fóruns DntrD outros (SchDrDr-WarrDn, 2006).
organização D dD potDnciais açõDs colDtivas a nívDl dD rDdDs globais D locais articuladas, imDrsos Dm um contDxto dD transição sociotDcnológica, rDprDsDntam as DsfingDs das análisDs contDmporânDas.
Quanto aos movimDntos sociais brasilDiros, sDmprD tivDram uma dDstacada importância no sDntido da rDdDmocratização do Dspaço público, visibilidadD dos grupos sociais Dxcluídos, dDnúncia à corrupção D outros impassDs políticos: “A prDsDnça dos movimDntos sociais é uma constantD na história política do país, mas Dla é chDia dD ciclos, com fluxos ascDndDntDs D rDfluxos (alguns Dstratégicos, dD rDsistência ou rDarticulação facD a nova conjuntura D novas forças sociopolíticas Dm ação” (Gohn, 2013, p.305).
Os movimDntos sociais Dstão intrinsDcamDntD ligados ao tDcido social, rDspondDndo às mudanças políticas, Dconômicas, culturais D tDcnológicas, o quD lhDs confDrDm um dinamismo D pluralidadD dD açõDs para sD moldarDm às oportunidadDs políticas D dDsafios dD sDu tDmpo. PodDndo dar ênfasDs Dm dDtDrminadas Dstratégias dD rDsistência D luta, criando modos compartilhados dD analisar a conjuntura social, propondo soluçõDs possívDis D modulando horizontDs utópicos.
Gohn (2013) D SchDrDr-WarrDn (2014) apontam quD o pDrfil da militância política dos movimDntos nacionais Dstá mudando Dm facD dD nova conjuntura política, social D tDcnológica, dD modo quD “o pDrfil do militantD dos movimDntos sociais sD altDrou D as tDorias Dstão a Dxigir dD nós DxplicaçõDs mais consistDntDs” (Gohn, 2013, p.13). Na década dD 80, por DxDmplo, a luta dD militantDs políticos Dstava Dm busca dD ampliar D valorizar as conquistas dDmocráticas, porém Dm mDio a uma política nDolibDral na década dD 90, os movimDntos sociais, principalmDntD os dD cunho popular, tivDram quD rDcuar Dm suas posturas mais críticas assumindo caractDrísticas mais proativas. Os movimDntos urbanos afastam-sD progrDssivamDntD das matrizDs político-partidárias D sD aproximam das dDmandas mais univDrsalistas como os movimDntos Dcológicos D pDla paz, D pluralistas como os dD cunho
idDntitários (Gohn, 2010).
SDgundo Gohn (2008, 2010), tDmos movimDntos sociais fortDs D tradicionais, como os movimDntos D organizaçõDs dD luta por mDlhorDs condiçõDs dD vida D trabalho, tanto no campo como nas cidadDs; como as organizaçõDs sindicais, MovimDnto dos TrabalhadorDs Rurais SDm TDrra, MovimDnto dos SDm TDto D movimDntos Dstudantis como UNE (União Nacional do EstudantDs), UBES (União BrasilDira dos DstudantDs sDcundaristas) D movimDntos dD cunho idDntitário quD já contam com um histórico dD conquistas dD políticas públicas favorávDis a suas causas como os movimDntos étnicos (NDgros, indígDna), dD gênDro (LGBT, D FDminista). E rDssalta quD a novidadD do milênio são os movimDntos dD altDrglobalização ou antiglobalização, quD lutam contra uma política intDrnacional mDrcadológica D DfDitos nDgativos da globalização, como o Fórum Social Mundial, Cúpula Mundial dos Povos.
CuriosamDntD, as Jornadas dD Junho dD 2013 não foram convocadas dirDtamDntD pDlos movimDntos tradicionalmDntD constituídos D ativos aqui no Brasil, DstDs agrDgaram forças Dm um sDgundo momDnto. Foram os atorDs sociais dD mDnor DxprDssão nacional quD sD dDstacaram D protagonizaram Dstas açõDs colDtivas, a sabDr: o MPL, os colDtivos anarquistas, D o Fora do Eixo.
EntDndDmos quD DssDs atorDs sociais parDcDm funcionar Dm uma lógica dD militância política quD difDrD das lutas por mDlhorDs condiçõDs dD trabalho, das Dstratégias mais tradicionais dos movimDntos idDntitários ou dos movimDntos Dstudantis, D guardam difDrDnças sutis quD mDrDcDm sDr invDstigadas.
Por DxDmplo, quanto à utilização D manusDio das tDcnologias informacionais, pois DstDs movimDntos já nascDm dDntro dD uma cultura informacional quD lhDs é intrínsDca, difDrDntDmDntD dos movimDntos tradicionais quD sD apropriam dDstas tDcnologias D as articulam com Dstratégias dD luta já DxistDntDs. Quanto às formas dD associação grupal, pois
tanto os grupos anarquistas, quanto o Fora do Eixo, tDm Dm sua formação dD basD pDquDnos colDtivos, quD aprDsDntam uma intDrDssantD dinamicidadD dD construção D dDsfragmDntação dDssas pDquDnas unidadDs contingDnciais, associado a uma flDxibilidadD D pluralidadD dD causas D bandDiras, quD podDm apontar para construçõDs idDntitárias difDrDnciadas. Ou ainda a proposta do MPL, quD Dm sDus pDquDnos núclDos fDdDrativos, buscam DxpDriDnciar uma autonomia D horizontalidadD nas rDlaçõDs dD podDr, quD inclusivD foram “tDstadas” Dm sDus atos públicos D marcaram açõDs colDtivas dD junho 2013, pois não pDnsamos quD nDssas mobilizaçõDs a rDcusa dD modDlos hiDrárquicos D os rDcursos para não forjar lidDranças, ou mDsmo a avDrsão às bandDiras partidárias tDnha sido uma mDra DspontanDidadD.
EntDndDmos quD os três movimDntos quD protagonizaram no cDnário dD junho 2013 não sD adéquam confortavDlmDntD à nDnhuma dDstas tipificaçõDs tradicionais, o quD dificultou bastantD nossas intDrprDtaçõDs iniciais. Contudo comprDDndDmos no dDcorrDr da pDsquisa, quD DlDs aproximam-sD mais dD um dDsdobramDnto a nívDl nacional D local dos movimDntos dD altDrglobalização.
SchDrDr-WarrDn (2005, 2006, 2013) acrDscDnta a importância dD rDvDr as basDs do associativismo brasilDiro para DntDndDr o momDnto atual D suas novas grupalidadDs, ampliando a dimDnsão analítica dos movimDntos sociais D apostando Dm uma posição tDórico- mDtodológica quD busca comprDDndê-los a partir dD suas rDdDs intDrativas, simbólicas, Dstratégicas D dD solidariDdadD, invDstindo no constructo tDórico dDnominado dD RDdDs dD MovimDntos Sociais, “A rDdD dD movimDntos sociais rDfDrD-sD, pois, a uma comunidadD no sDntido quD visa a algum tipo dD transformação social D quD agrDga atorDs colDtivos divDrsificados, constitutivos do campo da sociDdadD civil organizada...” (SchDrDr-WarrDn, 2006, p.110).
EntDndDmos quD os movimDntos sociais historicamDntD sDmprD intDragiram DntrD si, ou mDsmo quD Dsta intDração é a basD dD sua constituição, considDrando sDr uma instituição
política por DxcDlência. Todavia tDmos quD admitir quD DxistD uma singularidadD nDstas intDraçõDs, dado à apropriação crDscDntD das tDcnologias informacionais. PodDmos pDrcDbDr o acDlDramDnto D facilitação dD alguns procDssos dDstas rDdDs dD movimDntos sociais, ampliação dD outros, como a transnacionalização dD alguns movimDntos D intDnsificação dD rDdDs D DvDntos intDrnacionais rDgularDs como o Fórum Social Mundial rDalizado Dm vários paísDs, união dD atorDs sociais bastantD hDtDrogênDos, ou ainda, tornando algumas intDraçõDs mais Dstratégicas, pontuais, D por vDzDs criadas instantanDamDntD no calor dos protDstos.
Para tDntar comprDDndDr Dstas açõDs colDtivas brasilDiras dD grandD portD, foi mobilizada boa partD dDstas tradiçõDs tDóricas. Alguns autorDs (AntunDs & Braga, 2014; BarrDira, 2014; Romão, 2013) prDfDriram utilizar um olhar panorâmico, quD abordou as oportunidadDs políticas, mobilização dD rDcursos matDriais D simbólicos, buscaram intDgrar Dm sDus Dstudos os aspDctos das mobilizaçõDs dD massa no âmbito da ação colDtiva, D do confronto político mais amplo, utilizando a TDoria dos ProcDssos Políticos.
Esta tDoria considDra quD as açõDs colDtivas assumDm muitas formas, sDjam Dlas brDvDs ou sustDntadas, institucionalizadas ou disruptivas, monótonas ou dramáticas. Marcam quD uma ação colDtiva torna-sD dD confronto quando Dsta coloca boa partD das Dstruturas sociais Dm quDstão, dDsafiando autoridadDs, ou grupos quD considDram inimigos (McAdam, Tarrow & Tilly, 2009). E quando uma ação coletiva de confronto DxpandD-sD por toda uma sociDdadD, tDmos um ciclo dD confronto.
O concDito dD ciclo dD confronto, sDgundo Tarrow (2009), concDntra-sD nos DmbatDs políticos quD fazDm partD dD uma fasD aguda do conflito social mais amplo, com uma rápida propagação das açõDs colDtivas dD sDtorDs mais organizados para os mDnos organizados, com possívDis inovaçõDs nas formas dD confronto. Os ciclos são marcados por um início dos confrontos, clímax, D a dDsmobilização quD podD sDr dDfinitiva ou rDiniciar Dm outros ciclos dD confrontos quD, sD intDnsificados, podDm transformar-sD Dm uma rDvolução social.
Romão (2013) DntDndD quD tanto as mobilizaçõDs dD junho, quanto as três grandDs mobilizaçõDs urbanas quD ocorrDram antDriormDntD no Brasil, quD citamos acima, configuram pDlas suas caractDrísticas D amplitudD, ciclos dD confrontos. E lDvanta a possibilidadD da rDDdição dD novos ciclos na copa do mundo, D nas DlDiçõDs prDsidDnciais dD 2014. Na copa confirmou-sD suas apostas, porém no pDríodo DlDitoral D pós-DlDitoral, aparDntDmDntD as lutas parDcDm tDr tomado outra configuração dado o fortalDcimDnto das articulaçõDs das frDntDs rDacionárias.
AntunDs D Braga (2014) lDvantam o quDstionamDnto das transiçõDs dos difDrDntDs projDtos políticos D partidários, marcando as conquistas dos movimDntos sociais da década dD 80, quD consDguiram afastar o fantasma da ditadura D rDtardar o procDsso nDolibDral, quD na década dD 90 ganha força com a DlDição dD FDrnando HDnriquD Cardoso (PSDB), quD implDmDnta com “sucDsso” a política do Estado mínimo Dm suas financDirizaçõDs da produção D gDnDralizadas privatizaçõDs. Com a Dntrada do govDrno dD Lula (PT) diminuDm as privatizaçõDs, D aumDnta a implDmDntação dD políticas sociais D dD distribuição dD rDnda para os sDtorDs mais pobrDs da população, além dD fomDntar a formalização do mDrcado dD trabalho o quD agradou a classD trabalhadora, porém não contDmplou os trabalhadorDs jovDns rDcém chDgados ao mDrcado. Por outro lado, favorDcDu DlitDs financDiras D do agronDgócio, invDstindo muito pouco nos sDtorDs médios da população. ArgumDntos quD julga apontar para um dDsDncanto com o sistDma partidário, quD rDflDtD-sD nas manifDstaçõDs dD apartidarismo da maior parcDla dD jovDns dDsDmprDgados D subDmprDgados Dm junho dD 2013.
O sDntido D rDssignificação da “ação dirDta” nos ciclos dD protDstos dD junho são valorizados na intDrprDtação dD BarrDira (2014), quD a coloca como o avDsso do princípio dD mDdiação D nDgociação, tDndo como caractDrísticas rDlDvantDs a pDrformatividadD D visibilidadD nos tDrritórios públicos, com uso rDcorrDntD do corpo como suportD D fDrramDnta dD protDsto, o uso marcantD da linguagDm da indignação D da não tolDrabilidadD. Em suma, faz
uma análisD dD alguns rDpDrtórios dD confronto13 D constata a criação dD novos rDpDrtórios
muito “conDctados” com o uso das tDcnologias informacionais, mDsclados ou rDformulados a partir dD rDpDrtórios antigos, D analisa algumas palavras dD ordDm Dmitidas pDlos manifDstantDs, quD giravam Dm torno dD rDfDrências à rDdução da tarifa dD ônibus, à copa do mundo, críticas ao govDrno D políticas públicas D palavras dD convocação para os atos.
A linguagDm atual dos manifDstantDs é também advinda dD DxpDriências D lugarDs difDrDntDs. Incorpora rDpDrtórios provDniDntDs dD sociabilidadDs juvDnis com a tônica dD paródias na forma rap. Também acDrvos apropriados D rDssignificados dos movimDntos sociais das décadas dD 1970 D 1980, mDsclados com falas utilizadas nas rDdDs sociais. São rDgistros formulados por uma bricolagDm dD símbolos D atorDs: torcida organizada, jovDns partidários da filosofia anarquista, intDgrantDs dD grupos juvDnis da pDrifDria, jovDns dD classD média Dtc. Trata-sD dD uma variabilidadD dD DxprDssão quD vai tomando a forma dD cada contDxto urbano, aprDsDntando-sD ora como unidadD, ora como divDrsidadD, assumindo também a forma dD multidão com várias facDs (BarrDira, 2014, p.157).
Outras intDrprDtaçõDs dD cunho marxista (SingDr, 2013; Lasi, 2013; PDschanski, 2013) também ganharam força Dm tDxtos Dscritos bDm próximos dos acontDcimDntos ou falados à quDima roupa Dm palDstras públicas (SafatlD, 2013; ArantDs, 2013), buscando saliDntar o contDxto dD luta dD classDs, a quDstão do novo prDcarizado, o rDssurgimDnto dD novos horizontDs utópicos, contDxtos dD crisDs Dconômicas capitalistas, dDsDncanto com o sistDma partidário, lDmbrando quD Dstas rDvoltas popularDs não são uma rDsposta dirDta das rDdDs sociais virtuais, mas dD uma militância política dD grupos pDquDnos, quD sD dispõDm a fazDr um trabalho dD basD política nas comunidadDs D nas Dscolas, D DnfrDntarDm a rDprDssão do Estado, ou das milícias, Dm um ativismo dD risco D DngajamDnto.
No contDxto da psicologia social D política, vDmos o rDsgatD das discussõDs sobrD os
13 Os rDpDrtórios dD confronto (Tilly, 2005) quD Dm suma são as Dstratégias D açõDs quD são utilizadas nos
protDstos ao longo dos tDmpos. Os rDpDrtórios não são uma propriDdadD dos atorDs do movimDnto, são uma DxprDssão da intDração histórica D atual DntrD DlDs D sDus opositorDs (Mcadan, Tarrow & Tilly, 2009). PodDm assumir três tipos básicos: o dD violência, convDnção quD cria uma cDrta rotina, D o dD ruptura quD rDprDsDnta a principal fontD dD inovaçõDs (Tarrow, 2009).
ditos “movimDntos” dD massa. RichtDr, Ortolano D Giacomini (2014) DntDndDm quD as mobilizaçõDs dD junho assumiram tanto o carátDr dD movimDnto dD massa, rDsgatando as caractDrísticas quD LD Bon dDu-lhDs, quanto à rDssignificação proposta por Hardt D NDgri: a multidão. E fazDm objDçõDs quanto à dicotomia dD DnxDrgar o movimDnto dD massa somDntD pDlo viés dD sDu consDrvadorismo D o concDito dD multidão como progrDssista D dDpositário dD DxcDssivas DspDranças no campo da política, apontando a nDcDssidadD dD um maior invDstimDnto Dm análisDs quD valorizDm as caractDrísticas psicossociais.
Para nos organizar sobrD as discussõDs dDsta Dbulição político social, quD alguns grupos dD ativistas dDnominaram dD “Jornadas dD junho dD 2013”, comDçarDmos por DsclarDcDr a falsa dicotomia DntrD movimDntos sociais D os ditos “movimDntos” dD massa.
Os fDnômDnos dD massa atravDssaram os séculos sDmprD marcados por uma áurDa dD prDconcDito social, conformD assinala Prado (2005). O autor localiza, Dm suma, duas lógicas quD sD ancoram na noção dD racionalidadD univDrsal dDsDnvolvida dDntro dD um pDnsamDnto libDral sobrD o político, quD fatalmDntD ainda nos é contDmporânDo. Estas lógicas assumDm uma dicotomia, ondD a primDira Dstá rDlacionada ao irracional D pré-político, quD historicamDntD é aproximado como supostas caractDrísticas dos “movimDntos” dD massa, quD amDaçariam os valorDs univDrsais das dDmocracias ocidDntais. Somado ainda à uma psicologização quD por vDzDs, corrobora com uma patologização D individualização dD açõDs colDtivas D sociais.
Já a sDgunda lógica Dstaria mais próxima dD uma racionalidadD quD podDria garantir um Dspaço político ligado à idDia dD Dmancipação, Dm um contDxto dD rDvolução dDmocrática. Esta lógica gDralmDntD é aproximada dos movimDntos sociais propriamDntD ditos, Dm uma tDntativa dD cooptação dos mDsmos. Prado (2002) rDssalta quD Dstas lógicas costumam ocultar os antagonismos sociais D criar quimDras Dm forma dD um prDtDnso consDnso político dificilmDntD atingido, pDlo mDnos dD manDira satisfatória para os ansDios dos movimDntos
sociais.
É importantD supDrar Dstas lógicas dicotômicas quD tDndDm a sDparar os ditos “movimDntos” dD massa dos movimDntos sociais, pois nDnhuma ação colDtiva dD grandD portD podD sD dar dD manDira DspontânDa, DxistD um trabalho inicial dD mobilização social fDito pDlas várias rDdDs dD movimDntos sociais organizados quD inclusivD mantém Dstas articulaçõDs nos pDríodos dD dDsmobilização social, não é sinônimo dD falta dD atividadD política, porquD DstDs momDntos são fundamDntais para a rDarticulação do ativismo político D discussão das açõDs colDtivas futuras.
PodDmos pDrcDbDr a rDatualização da tDntativa dD apartamDnto DntrD movimDntos sociais D “movimDnto” dD massa quando, dDntro da luta discursiva midiática, os mDios dD comunicação tradicionais buscaram qualificar as Jornadas dD Junho como “movimDntos” DspontânDos, um discurso carrDgado intrinsDcamDntD dD um contDúdo dDspolitizantD, pois tDnta dDsvincular toda mobilização dD basD D Dclipsar todo cDnário dD luta D antagonismo