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O terceiro ponto amostrado localiza-se no setor Chácaras Maria Dilce (Figura 44), denominado genericamente de ponto 3.

Conforme exposto, este bairro integrava um conjunto de sítios e chácaras, ocupadas inicialmente de modo irregular e posteriormente regularizada pelo poder público municipal nos anos de 1990 (Figura 45). Atualmente, apresenta um uso-ocupação diferenciado em relação aos outros dois pontos amostrados, pois se observa a existência de inúmeras áreas verdes, edificações residenciais e alguns empreendimentos industriais que ali se instalaram para desenvolver suas atividades econômicas. O ponto escolhido para esta amostragem se situa às margens do ribeirão Caveirinha, a poucos quilômetros do ponto de coleta do setor Morada do Sol, localizado no córrego da Divisa, afluente do ribeirão Caveirinha.

Figura 44: Mapa com a localização do ponto de coleta realizada no setor Chácaras Maria Dilce em Goiânia (GO)

O ponto onde foi realizada a coleta situa-se entre as coordenadas 22K 0680546/8160248. Como mencionado, a área apresenta usos diversos e encontra-se ainda em estágio de consolidação (Figura 46).

Setor Chácaras Maria Dilce

Fonte: DVDOC/SEMDUS/Prefeitura de Goiânia

Figura 45: Vista geral do entorno do ponto de coleta no setor Chácaras Maria Dilce no ano de 1992

Figura 46: Visão geral do setor Chácaras Maria Dilce em Goiânia (GO), com indicação do ponto de coleta

Vila Finsocial

Setor Chácaras Maria Dilce Vila Finsocial Jardim Nova Esperança Jardim Nova Esperança

Apesar de não se constituir enquanto uma área densamente urbanizada, caso do Setor Morada do Sol, e possuir um número considerável de áreas verdes em relação aos demais loteamentos da região, sobretudo aqueles edificados pelo governo estadual, o setor Chácaras Maria Dilce não ficou imune à degradação ambiental, principalmente através da deposição de materiais pela ação direta do homem e que permanecem no local onde foram criados, constituindo os chamados “depósitos tecnogênicos construídos”.

De modo geral tais depósitos podem ser classificados [...] em função de que se constituem: em depósitos “espólicos” (sejam aterros compactados tecnologicamente controlados, as verdadeiras “obras da terra” da engenharia, ou mais raramente depósitos em “bota-fora”); em depósitos úrbicos, predominantemente lançados em “bota-fora”, aterrando baixadas, fundos de vale ou predominantemente as porções côncavas do relevo, os “anfiteatros” morfológicos das cabeceiras de drenagem; [...] (PELOGGIA, 1998, p. 129)

O perfil coletado é composto exclusivamente por materiais úrbicos, lançados em forma de “bota-fora”. A diversidade de materiais encontrados em meio às camadas de sedimentação (Figura 47) se explica pelo fato destes serem originados pela ação humana direta, encarregada de transportar e realocar este material em terrenos considerados inóspitos ou abandonados pelos proprietários ou poder público, conforme aponta Peloggia (1998).

Figura 47: Perfil do depósito tecnogênico coletado no setor Chácaras Maria Dilce em Goiânia (GO)

A diversidade e a resistência oferecida pelos materiais presente no depósito, especialmente aqueles ligados à construção civil, como fragmentos de cerâmica, pisos, azulejos, telhas e tijolos, associado a resquícios de cimento e argamassa dificultaram a penetração integral do testemunhador no perfil, de modo que se conseguiu atingir profundidade máxima de 48 centímetros. Após a abertura, foram identificadas três camadas distintas, descritas a seguir.

Camada Espessura (lado

esquerdo e direito) Cor (Carta de Munsell) informações Outras

A 5 cm – 3 cm 7,5YR 5/4 Presença de raízes e

fragmentos de plástico, cerâmica, madeira e restos de cimento B 31 cm – 37 cm 10YR 6/3 Presença de fragmentos de cerâmica e restos de cimento C 12 cm – 8 cm 7,5YR 7/2 Presença de fragmentos de plástico, cerâmica, madeira e restos de cimento

Após a caracterização geral das camadas, as amostras foram peneiradas utilizando-se peneira de 2 mm para separar os materiais tecnogênicos do material sedimentar, para que esses então passassem pela análise textural. Os resultados obtidos constam na Tabela 13:

Quadro 5: Resultado das observações realizadas no depósito tecnogênico coletado no setor Chácaras Maria Dilce

A partir da análise granulométrica foram obtidas classes texturais das camadas A, B e C, representadas esquematicamente no croqui a seguir (Figura 48).

Realizado o fracionamento da areia, obtiveram-se os seguintes resultados, compilados na Tabela 14, a seguir:

Camada Areia Argila Silte Textura

% g.kg-1 % g.kg-1 % g.kg-1 A 75,17 751,71 13,40 134,00 11,43 114,29 Franco Arenosa B 75,86 758,55 13,90 139,00 10,25 102,45 Franco Arenosa C 85,75 857,48 7,40 74,00 6,85 68,52 Areia Franca

Tabela 13: Resultado da análise granulométrica realizada nas camadas pertencentes à amostra coletada no setor Chácaras Maria Dilce

Elaboração: do autor

Figura 48: Croqui do depósito tecnogênico coletado no setor Chácaras Maria Dilce em Goiânia (GO) Org.: do autor

Camadas Areia muito grossa (g.kg-1)

Areia grossa

(g.kg-1) Areia média (g.kg-1) Areia fina (g.kg-1) Areia muito fina

(g.kg-1)

A 22,2 75,6 212,9 431,1 228,7

B 43,4 100,1 232,3 412,6 209,0

C 125,2 174,0 261,6 323,6 109,0

Os elevados teores de areia média e areia fina podem ser explicados, dentre outros fatores, pelo fato de haver no local quantidade expressiva de resquícios de cimento e argamassa, cuja composição baseia-se na utilização deste tipo de fração mineral. Deste modo, os materiais presentes neste depósito permitem classificá-lo na categoria dos depósitos

tecnogênicos construídos de 1ª geração. Dada à extensão do recobrimento e espessura das

camadas de material tecnogênico observadas neste ponto, pode-se constatar a ocorrência de um terraço tecnogênico.

Nos dizeres de Peloggia et al. (2014), às paisagens tecnogênicas, áreas amplas com extenso e típico relevo transformado ou produzido pela ação humana, estão associados os compartimentos de modelado tecnogênico, conjunto de formas de relevos tecnogênicas associadas a compartimentos de relevo naturais, e os tipos de formas de relevo tecnogênicas e superfícies geomórficas relacionadas, caso dos terraços tecnogênicos.

Tabela 14: Resultado do fracionamento da areia por camada do depósito tecnogênico coletado no setor Chácaras Maria Dilce

Figura 49: Mapa com a localização do ponto de coleta realizada no Residencial Privê Norte em Goiânia (GO)

Benzer Belgeler