3.1. İSTATİSTİKİ ANALİZLERE İLİŞKİN İLİŞKİN BULGULAR VE
3.1.2. Kruskal Wallis Testi Sonuçları
O primeiro ponto de reconhecimento e coleta dos depósitos tecnogênicos na região noroeste de Goiânia (GO) localiza-se no Jardim Fonte Nova (Figura 28), entre as coordenadas 22K 0679995/8161541, denominado como ponto 1.
O bairro tem origem recente (pós anos 2000) e teve sua ocupação inicial caracterizada pela apropriação dos compartimentos de topo, estendendo-se posteriormente para as vertentes e, finalmente, os fundos de vale. As declividades pouco acentuadas (5-10%), típicas da
Figura 28: Mapa com a localização do ponto de coleta realizada no Jardim Fonte Nova em Goiânia (GO)
subunidade C-2 do Planalto Embutido de Goiânia, favoreceram a ocupação da área. A figura a seguir (Figura 29) mostra a área onde se assentou o Jardim Fonte Nova, no ano de 1992. Nota-se que outros dois bairros, a Vila Finsocial e o Setor Morada do Sol, estão assentados sobre a mesma vertente e, naquela época, encontravam-se em estágios de urbanização diferentes, de modo que a Vila Finsocial se encontrava em estágio final de urbanização (consolidado) e o Setor Morada do Sol iniciava o parcelamento do solo, com a abertura dos primeiros lotes e arruamentos e a construção das primeiras edificações.
Conforme descrito no item relativo ao uso-ocupação do solo, esta região era composta por chácaras e fazendas e não integrava a zona de expansão urbana do município. Sua ocupação teve início a partir da fazenda “Caveirinha” no final dos anos 70 por um grupo de moradores, fato este que resultou na criação do Jardim Nova Esperança, primeiro bairro da região. Nos anos seguintes, após outras tentativas de ocupação irregular da área, o poder público assentou novas famílias, dando origem a novos bairros, caso da Vila Finsocial.
Segundo Moysés (2001), a fazenda “Caveirinha” não desempenhava, desde aquela época, a função de espaço destinado à produção rural, mas sim um espaço utilizado pela Prefeitura para o descarte de dejetos e entulhos coletados na área urbana e central da cidade.
Fonte: DVDOC/SEMDUS/Prefeitura de Goiânia
Vila Finsocial
Figura 29: Vista geral do entorno do ponto de coleta no Jardim Fonte Nova no ano de 1992
Setor Morada do Sol
Tal fato foi testemunhado pelos moradores mais antigos da região, conforme relatado em entrevista realizada por Silva (2014):
“Da avenida perimetral até a rua da feira só se viam enormes montes de entulhos que eram trazidos do centro da cidade para cá. Somente abaixo da rua da feira começavam uma vegetação dominada por pés de Mamonas, que chegavam até a baixada do Córrego Caveirinha.” (Divino Orlando da Silva, morador da região noroeste desde agosto de 1980).
A década de 90 marca a consolidação da região com o surgimento e a legalização de novos bairros e incorporação da área ao perímetro urbano do munícipio, do qual não fazia parte até então. Este processo se deu através do Plano de Desenvolvimento Integrado de Goiânia (PDIG), elaborado em 1992. Anterior a este, foram elaborados outros dois documentos, o primeiro em 1962, quase 30 anos após a fundação da cidade, e o segundo em 1969, além do atual Plano Diretor, que data do ano de 2006, com vigência a partir de 2007.
Considerando-se as características da ocupação inicial da área, acrescida do incremento populacional ocorrido no final dos anos 80 e início dos 90, pode-se compreender as transformações e intervenções realizadas pela população sobre o meio físico, em especial a vegetação e os solos. A retirada da cobertura vegetal nativa, para dar lugar às edificações e arruamentos, alterou a dinâmica dos fluxos superficiais e subsuperficiais de escoamento, especialmente, através da impermeabilização e compactação dos solos e dos arruamentos, responsáveis por reconfigurar o trajeto das águas superficiais.
Atualmente, os bairros que integram a região noroeste encontram-se em diferentes estágios de urbanização, considerando-se as especificidades da ocupação da área e o histórico de criação de cada bairro. O Jardim Fonte Nova encontra-se em estágio intermediário, apresentando infraestrutura e serviços urbanos básicos, tais como pavimentação asfáltica, saneamento básico e coleta regular de lixo. A área ocupada pela população encontra-se, em parte, impermeabilizada, com exceção dos parques e áreas verdes existentes no local, caso do Parque Municipal Fonte Nova. Vale ressaltar ainda a existência de inúmeros lotes vazios ou em construção, indicativo do processo de consolidação da área (Figuras 30 e 31).
Vila Finsocial
Fonte: Google Earth, data da imagem: 09/04/2013
Jardim Fonte Nova
Parque Municipal Fonte Nova
Figura 30: Vista parcial do Jardim Fonte Nova. Nota-se, ao fundo, a ocupação da média e baixa vertente e, em primeiro plano, a existência de áreas sem edificação
Figura 31: Vista geral atual do entorno do ponto de coleta no Jardim Fonte Nova. Destaque para o parcelamento do solo e a existência de lotes vazios ou em construção
Residencial Barravento
A formação de depósitos tecnogênicos está diretamente relacionada ao processo de urbanização. De modo geral, durante a abertura dos lotes e arruamentos, no momento anterior às edificações e à pavimentação, ocorre a retirada da cobertura vegetal. Com o solo exposto, há maior remobilização e arraste dos sedimentos, favorecendo seu acúmulo em locais de morfologia côncavo-retilínea, cujas cotas altimétricas são inferiores às das áreas-fonte. Estes sedimentos, que também contribuem para a gênese dos depósitos tecnogênicos, acumulam-se nas baixas vertentes e nos fundos de vale (Figura 32).
Conforme Silva (2012), a ocupação urbana alcança as áreas de nascentes, cursos d’água e planícies aluviais. Este fato possibilita a deposição de materiais tecnogênicos, tanto de forma indireta, ocasionada pelo transporte por fluxo superficial, quanto de forma direta (Figura 33). Por este motivo, a identificação e coleta dos depósitos tecnogênicos na área de estudo privilegiou as áreas de planície aluvial e os fundos de vale, locais preferenciais para sua a formação em decorrência da morfologia e dos processos deposicionais atuantes.
Fonte: Acervo pessoal do autor
Figura 32: Sedimentos acumulados na rua FN-13, nas proximidades do ponto de coleta do depósito tecnogênico no Jardim Fonte Nova
A partir da análise da carta hipsométrica, consorciada aos perfis topográficos elaborados seguindo-se os eixos O-L e NE-SO (Figura 34), e das observações e anotações de campo, pode-se verificar que o ponto de coleta localiza-se à 794 metros, na transição da média para a baixa vertente. Assim, o depósito coletado pode ser produto da deposição de sedimentos advindos da ocupação dos topos, localizados em cotas altimétricas superiores. Ressalta-se que a área possui morfologia côncava (embaciada), considerando o fato de estar situada nas proximidades da nascente do córrego Fonte Nova.
Figura 34: Perfis topográficos elaborados para o Jardim Fonte Nova, com indicação do ponto de coleta Fonte: Acervo pessoal do autor
Figura 33: Deposição direta de materiais tecnogênicos nas proximidades do ponto de coleta no Jardim Fonte Nova
As vertentes, predominantemente retilíneas e com declividades pouco acentuadas (5- 10%), estão orientadas em sentido convergente ao embaciamento, de modo que área constitui- se enquanto receptora dos fluxos superficiais (e dos sedimentos) oriundos das áreas dos topos do espigão divisor, que delimita a bacia hidrográfica do ribeirão Caveirinha, na qual situam-se inúmeros bairros da região noroeste. No entanto, o Jardim Fonte Nova apresenta algumas ruas com declividades um pouco mais acentuadas (10-15%) quando comparadas ao seu entorno (Figura 35). Este fato possibilita maior velocidade ao fluxo de escoamento superficial, auxiliando no transporte e deposição de material sedimentar em áreas de declive menos acentuado, caso da localidade onde se situa o ponto de coleta.
Fonte: Acervo pessoal do autor
Figura 35: Rua localizada no Jardim Fonte Nova. Destaque para declividade mais acentuada, favorecedora do escoamento superficial
No caso do Jardim Fonte Nova, o depósito identificado e coletado durante os trabalhos de campo (Figura 36) localiza-se em uma área pública próxima ao Parque Fonte Nova, onde está localizada a nascente do córrego homônimo. Devido ao fato de situar-se próximo à área de nascente, os solos do local apresentam-se úmidos e ricos em matéria-orgânica, atribuindo- lhes coloração enegrecida. No entanto, a morfologia da área e as ações humanas implementadas durante o parcelamento do solo podem resultar na deposição material sedimentar sobre os horizontes pedológicos, pelos fluxos de escoamento superficial, especialmente nos períodos de pluviosidade mais intensa.
Conforme Peloggia (1998), a ação geomorfológica do ser humano (morfotecnogênese) pode gerar feições de primeiro e segundo tipo. Neste caso, temos uma feição de primeiro tipo, pois sua gênese está relacionada a processos tecnogênicos agradacionais, resultante da ação humana indireta, culminando na acumulação de material transportado.
Figura 36: Perfil de depósito tecnogênico coletado no Jardim Fonte Nova
Em campo, pôde-se verificar (visualmente) diferentes colorações das camadas sedimentares, um indicativo da presença de materiais remobilizados, sobrepostos ao solo, rico em matéria-orgânica, expressa pelos tons mais escuros. Além disso, a análise tátil do material indicou maior presença de areia nas camadas superficiais e da argila nas camadas inferiores. As camadas foram genericamente denominadas de A, B, C e D.
Após a realização dos trabalhos de campo para coleta dos depósitos tecnogênicos, o testemunhador foi aberto em laboratório para a identificação das camadas de deposição. Foram identificadas 4 camadas, cujos atributos estão compilados no Quadro 3, a seguir.
Através da análise granulométrica foram obtidos os percentuais de areia, silte e argila presentes nas amostras (Tabela 9). Posteriormente, os resultados foram transpostos para o diagrama textural a fim de se identificar as classes texturais de cada uma das quatro camadas identificadas.
Camada Espessura (lado esquerdo e
direito)
Cor (Carta de
Munsell) informações Outras
A 12 cm – 9 cm 10YR 3/3 Presença de fragmentos de raízes B 27 cm – 30 cm 10YR 3/2 ****** C 17 cm – 17 cm 10YR 3/4 Presença de fragmentos de raízes D 29 cm – 29 cm 10YR 2/2 Presença de fragmentos de raízes
Quadro 3:Resultado das observações realizadas no depósito tecnogênico coletado no Jardim Fonte Nova
Destaca-se que não foi observado um padrão quanto à estratificação das camadas, fato este que pode ser um indicativo da direção preferencial dos fluxos de escoamento responsáveis pelo transporte do material. O croqui a seguir (Figura 37) representa a sequência de camadas identificadas, suas respectivas dimensões e os materiais presentes em cada uma.
Em nenhum dos pontos amostrados foi possível o preenchimento integral do testemunhador com material tecnogênico, pois a penetração completa do tubo depende do grau de compactação do material e da resistência oferecida pela presença de artefatos incorporados em meio às camadas. Neste caso, foi possível a inserção do testemunhador até 85 centímetros de profundidade.
Camada Areia Argila Silte Textura
% g.kg-1 % g.kg-1 % g.kg-1 A 49,82 498,22 42,50 425,00 7,68 76,78 Argila Arenosa B 46,48 464,78 38,50 385,00 15,02 150,23 Argila Arenosa C 42,86 428,59 40,00 400,00 17,14 171,42 Argila D 44,27 442,70 38,07 380,67 17,66 176,63 Franco Argiloso
Tabela 9: Resultado da análise granulométrica realizada na amostra coletada no Jardim Fonte Nova
Figura 37: Croqui do depósito tecnogênico coletado no Jardim Fonte Nova e texturas reconhecidas em cada camada de deposição
Org.: do autor
Os resultados obtidos em laboratório ratificaram o diagnóstico inicial feito em campo. Observa-se maior presença de areia nas camadas superficiais (A e B) quando comparado às camadas inferiores (C e D). Os teores de argila permaneceram similares em todas as camadas, havendo incremento da fração silte com o aumento da profundidade.
As amostras contendo areia foram submetidas ao fracionamento. Os resultados apontam para um elevado percentual de areia média, com teores acima de 60%, e ausência de areia grossa em todas as camadas. Ao converter-se os resultados de porcentagens para gramas (g.kg-1), os dados obtidos foram os seguintes (Tabela 10):
Conforme o histórico de implantação do Jardim Fonte Nova, acrescida da posterior implantação do Residencial Barravento na área adjacente, observa-se um aumento na densidade de ocupação urbana, inclusive alcançando as proximidades das áreas de nascente. Com isto, uma primeira hipótese levantada quanto ao número de camadas de deposição é a rápida dinâmica de modificações da paisagem pelas atividades humanas, com vários “momentos” de deposição de materiais tecnogênicos. Devido ao Jardim Fonte Nova se localizar contíguo à Vila Finsocial, a formação do depósito tecnogênico está relacionada ao loteamento de ambos os bairros.
No processo de loteamento, o solo foi deixado exposto, o que possibilitou o carreamento de sedimentos para as áreas dos fundos de vale. Neste caso, apesar da ausência de materiais manufaturados nas camadas, estas podem ser consideradas como tecnogênicas, pois sua origem está vinculada às ações humanas modificadoras das paisagens. Do ponto de vista da paisagem tecnogênica, os processos agradacionais respondem pela gênese de novas formas (tecnogênicas) que, por sua vez, condicionam novos processos. No caso do Jardim
Camadas Areia muito grossa (g.kg-1)
Areia grossa
(g.kg-1) Areia média (g.kg-1) Areia fina (g.kg-1) Areia muito fina
(g.kg-1)
A 0 245,2 348,3 210,2 158,7
B 0 225,2 37,15 222,7 169,0
C 0 208,8 344,1 218,9 201,0
D 0 241,5 325,4 189,3 200,6
Tabela 10: Resultado do fracionamento da areia por camada do depósito tecnogênico coletado no Jardim Fonte Nova
Fonte Nova, tem-se que os processos (naturais) de transporte e deposição dos materiais foram alterados pela ação humana através da urbanização. Peloggia et al. (2014), denomina tais formas como agradativas, referindo-se às superfícies geomórficas produzidas por processos de elevação topográfica devido à acumulação de materiais, notadamente aterramento, ou pela intensificação da deposição de material sedimentar. Quanto à classificação do depósito, pode- se enquadrá-lo como depósito sedimentar induzido coluvial.