BÖLÜM 3: GÜNÜMÜZ TÜRK MEDYASINDA MİSYONERLİK ALGISI
3.3. Misyonerliğin Gazetelerdeki Görüntüsü 1. Muhafazakâr Gazeteler ve Misyonerlik
3.4.4. Sol Dergiler ve Misyonerlik
A busca e a apreensão “constituem providências cautelares para garantir a produção de provas referentes aos vestígios do crime.”122 Essa é uma definição desses institutos123 para a concepção clássica do processo penal, voltada apenas para o acertamento da culpabilidade. O sucesso da investigação determina-se pela tomada de providências acauteladoras que visem à identificação e à conservação de elementos informativos. O desaparecimento de provas somente interessa àquele que cometeu o crime. Daí a necessidade de a polícia e o Ministério Público agir celeremente para a identificação de elementos da materialidade do crime e da autoria. Para isso, torna-se relevante o uso das medidas cautelares da busca e da apreensão.
A busca, em essência, consiste no ato de procurar, varejar algo. A apreensão, por sua vez, significa o ato de se apossar de algo. Tais conceitos vão influir na natureza jurídica de um e de outro instituto.
Considera Cleonice Bastos Pitombo que a busca constitui em uma “medida instrumental” com o fim de “achar, encontrar pessoas, semoventes, coisas ou vestígios, que, de modo direto ou indireto, se relacionem com o fato, pretensamente, ilícito e típico, investigado, ou perquirido.”124
Já em relação à apreensão, a autora a classifica como de “natureza jurídica variada, multifária”. Poderá “ser cautelar, meio de prova e, ainda, meio de obter prova”, conforme a função a exercer.125 A apreensão pode ser útil para “guardar e conservar elementos sensíveis da infração penal.” Também poderá configurar, por vezes, a identificação e preservação de indícios, mas nem por isso será classificada, com exclusividade, como meio de prova.126
bens, por meio do pedido de liberação, inclusive mediante a produção de prova oral, se necessária (Lavagem..., p. 311-312). Sobre o exercício do direito de defesa no âmbito das cautelares reais, cf. Marta Cristina Cury Saad Gimenes, As medidas assecuratórias..., p. 79-85. A autora esclarece que “[...] a prévia ciência, pelo acusado, acerca da decretação de determinada medida cautelar patrimonial, poderia comprometer seu sucesso. Por isso, a defesa pode se opor, posteriormente à decretação e à realização do sequestro, por meio de embargos” (p. 142).
122 José Frederico Marques. Elementos de direito processual penal. v. II. São Paulo: Forense, 1961, p. 317. 123 Cleunice Bastos Pitombo defende a necessidade do tratamento autônomo dos institutos da busca e da
apreensão, o que faz em seu estudo (Da busca e da apreensão no processo penal, 2ª ed. rev. e ampl., São Paulo, Revista dos Tribunais, 2005, p. 104-274).
124 Da busca..., p. 116-117. 125 Da busca..., p. 239. 126 Da busca..., p. 240.
A compreensão geral da busca e da apreensão permite entender esses institutos voltados agora para a perda de bens. E nesse ponto a concepção clássica sofre uma sensível alteração.
Dois fins sintetizam a relevância da busca e da apreensão para a perda de bens. De um lado, as medidas são importantes para a identificação do produto e do proveito do crime. De outro, permitem a identificação de elementos informativos que vão contribuir para a demonstração, direta ou indireta, do vínculo do produto e do proveito com a infração penal.
No sistema brasileiro, não basta identificar o patrimônio do acusado. É preciso vinculá-lo à infração penal discutida em juízo.
Vê-se que nessa concepção a busca e a apreensão passam a ir além da preocupação probatória, para terem a finalidade de se atingir o próprio bem perdível.
Outro ponto importante diz respeito à perda de instrumentos e de produto do crime. A busca e a apreensão de tais bens acabam sendo pressuposto para o perdimento ao final127, ainda que o inquérito tenha sido arquivado ou a ação penal julgada improcedente, por exemplo, por falta de elementos probatórios no tocante à autoria.128
Em uma concepção clássica do processo penal, podem-se identificar duas espécies de busca: a domiciliar e a pessoal (CPP, art. 240).
A busca domiciliar implicará a necessidade de se adentrar na residência, no local de trabalho ou no local onde for praticada a infração penal.129 Em síntese, qualquer lugar protegido constitucionalmente abrangido pela expressão “casa” dada pelo constituinte (art. 5º, XI, CF).130
Para esse estudo, a medida revela-se importante para a identificação e a apreensão de instrumentos, documentos, objetos, bens e valores a repercutirem na infração penal apurada e na possível perda de bens (CPP, art. 240, § 1º).131
A busca domiciliar para tais fins deverá ser precedida de mandado judicial. As exceções possíveis são aquelas unicamente também previstas na Constituição (CF, art. 5º, XI).
127 Cleonice Bastos Pitombo, Da busca..., p. 241.
128 Importante registrar que fica ressalvado da perda o direito do lesado e do terceiro de boa-fé (CP, art. 91, II). 129 Marco Antonio de Barros, Lavagem..., p. 217.
130 Afirma Cleonice Bastos Pitombo, Da busca..., p. 125, que “o conceito processual penal de casa e domicílio
desponta amplo e, em certa medida, elástico. Assim, as formalidades e restrições na realização de busca e domiciliar, não se aplicam, apenas, à morada do indivíduo [...]”. A autora, Da busca..., p. 72, dá diversos alcances da expressão “casa”: “habitação definitiva, ou morada transitória; casa própria, alugada, ou cedida; dependências da casa, sendo cercadas, gradeadas, ou muradas; qualquer compartimento habitado; aposento ocupado de habitação coletiva, em pensões, hotéis e em casas de pousada”, entre outros.
A busca pessoal, na clássica lição de Eugenio Florian, não incide sobre o corpo da pessoa como tal, nem o corpo como objeto de inspeção, mas sobre a pessoa como corpo e vestimenta, utilizando-se disso para ocultar provas.132
A medida guarda os mesmos fins da busca domiciliar, para esse estudo, e pode incidir tanto em relação ao investigado quanto a terceiros a ele relacionados. Não é raro a pessoa esconder sob as próprias vestes valores em espécie, derivados de atividade ilícita, como meio de ocultá-los. Não será necessária, para efetivação da medida, ordem judicial.
Contemporaneamente, surge uma nova espécie de busca: a digital.133 O advento e o uso do computador e da internet estimularam o armazenamento de informações, dados e documentos em arquivos digitais. Elementos informativos relevantes para a investigação podem estar contidos em trocas de e-mails, em conversas, em fotos e em dados contábeis arquivados digitalmente.
Vê-se que o desenvolvimento tecnológico criou um território que contempla aspectos da intimidade e da vida privada do indivíduo e que não está contido no tradicional conceito de “casa”. Os arquivos digitais podem estar armazenados em servidores virtuais, as denominadas “nuvens”, o que torna, às vezes, sem sentido, apreender pen drives para a obtenção de informações importantes para a investigação criminal.
Daí a importância da busca e da apreensão digital.134 É preciso ir além do que os olhos rapidamente alcançam quando se adentra na “casa”. A realidade virtual precisa ser protegida, mas também ser invadida, conforme os critérios legais. A criminalidade organizada utiliza bem o avanço tecnológico, seja para praticar crimes, seja para ocultar elementos informativos relevantes para a persecução penal. O direito não pode ficar insensível a isso.
132 Delle prove penali. v. 1. Milano: Vallardi, 1924, p. 134.
133 Sobre o assunto, ver Pedro Ivo Gricoli Iokoi, A apreensão no procedimento dos crimes contra a propriedade
material, tese apresentada na Faculdade de Direito, da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013, p. 81-89. Marco Antonio de Barros, Lavagem..., p. 218, sugere que a terceira espécie de busca, além da domiciliar e da pessoal, seria a “busca on line”, por meio do “Sistema de Informações ao Poder Judiciário – Infojud”. Esse sistema permite que o magistrado acesse, após o afastamento do sigilo fiscal, dados da Receita Federal. Discordamos desse posicionamento. Esse meio de acesso à informação sigilosa apenas altera o tradicional envio de ofício, que requisita a informação necessária. No entanto, isso foge da essência dos institutos da busca domiciliar e da busca pessoal, para que a “busca on line” possa ser incluída como uma terceira espécie, diferentemente do que ocorre com a “busca e apreensão digital”.
134 Pedro Ivo Gricoli Iokoi, A apreensão..., p. 86, adverte para a necessidade de se disciplinar o procedimento de
busca e de apreensão digital, o que garante a eficiência e resguarda os direitos do imputado. Importante lembrar que com o avanço de “novos recursos técnicos e científicos para obtenção de elementos de prova, nada impede que sejam aplicados procedimentos já existentes, por analogia”, conforme ensinam Antonio Magalhães Gomes Filho e Gustavo Henrique Badaró, Prova e sucedâneos de prova no processo penal brasileiro, Revista Brasileira