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BÖLÜM 3: KKP SİSTEMLERİNDE MALİYET MUHASEBESİNİN ÖNEMİ VE

3.2. KKP Sistemlerinde Maliyet Muhasebesi Kontrolü İçin İzlenmesi Gereken Adımlar

3.2.11. SMM Tablosu ile SMM Hesaplarının Kontrolü

Não consigo dizer ao certo quando meu trabalho de campo teve início, mas posso dizer com segurança que não começou somente no momento em que conversei com a primeira pessoa que aceitou participar da pesquisa. Já havia me vinculado ao tema do presente estudo desde o meu último ano de graduação, em 2009, como apresentado no início desta dissertação. Torna-se difícil, portanto, criar uma fronteira entre a “Luiza que vive seu dia-a- dia como qualquer outra pessoa” e a “Luiza pesquisadora”: somos a mesma pessoa! Atentando para isto, Peter Kevin Spink (2003, 2008) desenvolveu a noção de campo-tema.

O autor alerta para o fato de que estamos sempre em campo, no campo-tema, que se mantém, segundo ele, socialmente presente na nossa agenda das questões diárias, assim como na agenda de outras pessoas da situação social, não necessariamente pesquisadores acadêmicos. O campo de pesquisa seria, então, o argumento no qual estamos inseridos e que começa quando nos vinculamos a alguma temática. Assim, para ele, declarar-se parte de um campo-tema é demonstrar que, como psicólogos sociais, pensamos que podemos contribuir e que estamos dispostos a discutir a relevância de nossa contribuição com qualquer um, horizontalmente e não verticalmente.

Só podemos argüir e discutir, tal como os demais. Temos algo a contribuir porque temos um mínimo de disciplinariedade que inclui a vontade de discutir entre nós a validade daquilo que fazemos – como também fazem entre si os especialistas em transplantes de coração, os cozinheiros, os jardineiros, os pedreiros e os presidentes. (SPINK, 2008, p. 76)

Assim, para Spink (2003, 2008), a pesquisa em Psicologia Social também deve ser compreendida como um processo social e coletivo, no qual somos considerados "membros competentes", assim como somos considerados "membros competentes" de outros processos e outros saberes. Colocar a Psicologia Social e, mais ainda, a Ciência ao lado de diferentes saberes, é reposicioná-las ao local a que pertencem: o mundo.

Outras pessoas também estão produzindo conhecimento sobre a realidade ao seu redor, sem necessariamente serem cientistas e acadêmicos. Com a ciência sendo compreendida como um dos saberes entre outros, em uma posição horizontal com eles, é possível recuperar, como aponta Spink (2008), a noção de pesquisa social como uma prática social, de conversa e de debate, de uma inserção horizontal do pesquisador nos encontros diários. O pesquisador é, então, um entre muitos membros de uma comunidade, que busca melhorias, assim como fazem muitos outros. Ele é, antes de tudo, uma pessoa e a pesquisa é uma relação social, que traz efeitos para os resultados obtidos (BOURDIEU, 1999).

Para que a pesquisa possa ser desenvolvida como uma prática social, é preciso que o pesquisador conheça a realidade daqueles que pretende estudar para que possa haver troca e diálogo, tendo em conta que, como já foi dito, a relação de pesquisa também é uma relação entre pessoas. Segundo Geertz (1989), é preciso conhecer o contexto em que vivem as pessoas a quem nosso estudo se dirige para poder conversar com elas e não só sobre elas: "O que procuramos, no sentido mais amplo do termo, que compreende muito mais do que simplesmente falar, é conversar com eles, o que é muito mais difícil, e não apenas com estranhos, do que se reconhece habitualmente." (GEERTZ, 1989, p. 24).

Somente conversando com eles é que podemos nos colocar em uma relação menos assimétrica com os chamados “pesquisados”, estabelecendo uma relação de amizade (BOSI, 2003), que possibilita conversa entre iguais. De acordo com Spink (2003), não há dados de pesquisa, mas sim pedaços ou fragmentos dessas conversas:

[...] conversas no presente, conversas no passado; conversas presentes nas materialidades; conversas que já viraram eventos, artefatos e instituições; conversas ainda em formação; e, mais importante ainda, conversas sobre conversas. (SPINK, 2003, p. 37)

É esta aproximação entre pesquisador e pesquisado que faz compreender que, na verdade, não há só pesquisadores ou só pesquisados: todos são pesquisadores, pois todos são curiosos a respeito do mundo e constroem saberes sobre ele. Durante uma pesquisa, nós também somos objeto de estudo para os participantes, que formulam saberes a nosso respeito: somos sempre pesquisados também, o que diminui a assimetria tradicionalmente atribuída à relação de pesquisa e a transforma em uma relação de convivência entre pessoas (SATO; SOUZA, 2001).

Então, considerando que estamos sempre em campo e que, enquanto pesquisadores, somos, antes de tudo, pessoas como outras interessadas em assuntos, há eventos presentes no cotidiano que trazem ricas contribuições para o desenvolvimento de uma pesquisa social: são

conversas informais, notícias de jornal, blogs na internet, músicas, poesias e muitos outros exemplos. Tendo isto em vista, iniciei um Diário de Campo com anotações sobre o dia-a-dia, referentes à minha temática de pesquisa, desde meu ingresso no Mestrado, no começo de 2011. Conto, nele, alguns eventos que presenciei e que chamaram minha atenção, conversas que tive e pensamentos acerca da minha pesquisa. Assim, o material de campo do presente estudo vai além das narrativas recolhidas: há encontros, conversas informais, gestos, olhares, etc.

As conversas informais com amigos, familiares e conhecidos estão presentes, embora tantas vezes de forma não-explícita, na história de construção do meu estudo. Conversar com qualquer pessoa sobre migração em São Paulo sempre traz muitas histórias. As pessoas com quem conversei tinham sempre algo para contar e contribuições para o meu trabalho:

“Ah, minha mãe veio de Minas Gerais e...”; “Quando eu vim para São Paulo...”; “Assisti este documentário sobre São Paulo e lembrei de você,

acho que vai te ajudar!”; “Você já viu este blog contra a presença de

nordestinos em São Paulo? Um absurdo!”; “Li esta reportagem sobre os trabalhadores nordestinos em São Paulo e recortei para te mostrar.”; “Você conhece aquela poesia do Carlos Drummond de Andrade ‘A ilusão do migrante’?”; “Li este artigo para uma disciplina e acho que vai contribuir muito para a sua pesquisa.”.

Estas trocas ocorreram não só no ambiente acadêmico da Universidade, mas também em outros ambientes que freqüento no meu dia-a-dia. E foi a partir delas, das conversas sobre minha pesquisa, que percebi mais claramente que ela não é “minha”: pertence ao mundo. As pessoas têm algo a dizer, têm histórias para contar, comentários para fazer. Portanto, devo muitas das reflexões que tive acerca da temática deste estudo às pessoas com quem conversei e converso no meu cotidiano.