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A. ANALİZ

4. FİZİKSEL YAPI-ÇEVRESEL KAYNAKLAR

4.8. Sit/Koruma Alanları

Era muito comum quando surgiram os primeiros grafites na capital cearense as pichações serem confundidas com os grafites e por sua vez os grafites serem confundidos com as pichações. A palavra grafite, por muito tempo, foi empregada para explicar tudo que fosse rabiscado nos muros da cidade e devido à má fama dos pichadores os grafiteiros passaram a ser percebidos como vândalos ou desordeiros desses espaços.

Além da pichação, que para Grud importou o início do movimento dos grafites, também encontramos outras histórias sobre seu surgimento na capital cearense. Para o coletivo Acidum, por exemplo, ele passou a existir quando os artistas cearenses tomaram a

iniciativa de reproduzir os movimentos de arte que aconteciam nas ruas da Europa. Esse coletivo defende o grafite como uma linguagem dentre tantas outras praticadas nas Artes Plásticas. Sobre isso Robésio (Acidum) participante e idealizador desse coletivo,afirma que:

Pensar o grafite no geral vendo os de Fortaleza é muito complexo. É preciso estudar mesmo. Se aprofundar, conviver com o grafite e tudo mais. Mas saber da matriz mesmo é muito mais complexo. Ele vai ter influência da Europa a í você vai ter alguma coisa que já foi documentado como sendo grafite [...] se a gente chegar numa base de tentar voltar para uma matriz de saber o que significa e o que é grafite, a gente vai ver que isso se esbarrará no conceito de arte [...] eu acho que o grafite está dentro do conceito de arte. Acho que cada pessoa que faz essa reflexão torna isso bem mais complexo por que cada um parte de um principio [...] a nossa base toda foi das Artes Visuais [...] eu me intitulo como um artista visual porque eu sou interessado por arte no geral. Eu não consigo perceber minha vida sem estar convivendo com arte. Na arte me interesso por tudo, mas gosto de umas coisas mais que de outras. O não gostar não quer dizer que eu não tenha o interesse das coisas que eu não gosto. Eu tenho o interesse de curiosidade, de saber de uma determinada arte ou de um determinado assunto. Eu me considero artista e dentre todas as ramificações que a arte possui, eu acho umas mais interessantes. A que mais me atrai é o grafite em si, a história da relação do homem com a arte no seu ambiente. Isso é mais forte do que fazer uma tela, um quadro. Também me interesso sobre a vida dos pintores. Muitos ficavam até enclausurados pintando, eu acho isso fantástico porque eu também tenho os meus momentos de clausura para pintar e “tal”, mas o que mais tenho atração são os artistas que tiveram essa relação com o sair, com o pintar na rua, de estar em outros lugares. (ROBÉSIO, entrevista realizada em 15/11/2011).

O entendimento do grafite como uma linguagem artística, deve-se a própria história desse grupo. O coletivo Acidum é formado basicamente por ex-alunos das Artes Plásticas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFET-CE) e por ex-bolsistas do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A reunião desses amigos originou esse coletivo no ano de 2006 cujo objetivo foi reunir diversas linguagens gráficas como design, xilogravura, litogravura, dentre outras linguagens, o grafite. O uso do grafite foi uma forma encontrada para expressar sensações e movimentos da cidade, sobretudo no bairro Benfica.

O Acidum tem como linha geral de trabalho a adaptação de seu processo artístico aos ambientes escolhidos, desenvolve um trabalho que explora, experimenta e se processa a partir do caos das paisagens e relações urbanas, choques e Trânsitos Culturais diversos [...] Em estruturas acessíveis ou inabitadas, o Acidum baseia fundamentalmente seu fazer artístico, subvertendo as noções de espaço reconhecido como áreas estéreis, tanto no âmbito museológico como no baldio. Mencionando nestes espaços, possibilidades poéticas de atuação, seja pela arquitetura, sejam explorando o próprio peso simbólico que tais lugares carregam em campos de visualização e trânsito, criando micros universos que exercitam uma intrínseca relação entre obra-espaço-observador.35

Também seguindo a linha das Artes Plásticas, os grafites produzidos pelo coletivo Paralelus se assemelham as produções do coletivo Acidum, que, por várias vezes, combinam parcerias nos muros do Benfica. Para Leandro (Paralelus), idealizador desse coletivo, o grafite permitiu uma abertura nos trabalhos artísticos e libertou as pinturas em sprays da sua má fama. Com a intenção de expandir a linguagem do grafite, o objetivo desse coletivo busca o emprego de novas técnicas em novos suportes. Sobre isso, o referido grafiteiro declara que:

O grafite hoje para mim eu vejo como uma tentativa de democratização da arte, “ta” ligada? De tornar ela pública e bem além mais disso. Antes o grafite era só um estilo de pintura, mas hoje a minha concepção é diferente. Tipo assim o grafiteiro tem seu estilo por causa das suas influências anteriores com suas história s passadas. E quando eu pesquiso algo sobre o grafite é para eu ter uma referência e para dar qualidade de dizer como foi que ele surgiu a partir de que e de qual necessidade e “tal”. Mas hoje o grafite já se apropriou de outras coisas, é um leque, por exemplo, de suporte, de técnica, de estilos. (LEANDRO, entrevista realizada em 17/02/2011).

Tempos atrás a cidade de Fortaleza presenciava diversos grafites do extinto coletivo Grafiticidade que foi formado no ano de 2007 após seus integrantes terem se conhecido num projeto social cuja abordagem pedagógica era pautada em metodologias de arte-educação, o que proporcionou conhecimentos específicos sobre grafites. O coletivo Grafiticidade ficou muito conhecido por realizar diversas oficinas em muitas periferias da cidade como fotografia artesanal e grafites. A característica mais marcante desses grafiteiros era a ousadia de pintar em lugares abandonados ocupando-os com frases de poesia e imagens de grafites.

Foto 10 - Personagens do Coletivo Grafiticidade nos Murosdas Casas de Cultura da UFC

Benzer Belgeler